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Da semelhança de
formas exteriores que existem entre o corpo do homem e o do
macaco, certos fisiologistas concluíram que o primeiro não era
senão uma transformação do segundo. Nisso não há nada de
impossível, sem que, se assim o for, a dignidade do homem tenha
algo a sofrer. Corpos de macacos puderam muito bem servir de
vestimenta aos primeiros Espíritos humanos, necessariamente
pouco avançados, que vieram se encarnar sobre a Terra, sendo
estas vestimentas os meios apropriados às suas necessidades e
mais próprios ao exercício de suas faculdades que o corpo de
nenhum outro animal. Em lugar de que uma vestimenta especial
fosse feita para o Espírito, nele encontrou uma inteiramente
pronta. Deve, pois, ter-se vestido com a pele do macaco, sem
deixar de ser Espírito humano, como o homem se reveste, às
vezes, com a pele de certos animais, sem deixar de ser homem.
Fique bem
entendido que não se trata aqui senão de uma hipótese, que de
nenhum modo é colocada como princípio, mas dada somente para
mostrar que a origem do corpo não prejudica o Espírito, que é o
ser principal, e que a semelhança do corpo do homem com o corpo
do macaco não implica a paridade entre seu Espírito e o do
macaco.
Admitindo essa
hipótese, pode-se dizer que, sob a influência e pelo efeito da
atividade intelectual de seu novo habitante, o envoltório
modificou-se, embelezou-se nos detalhes, conservando em tudo a
forma geral do conjunto. Os corpos melhorados, em se
procriando, reproduziram-se nas mesmas condições, como ocorre
com árvores enxertadas; deram nascimento a uma nova espécie que,
pouco a pouco, se distanciou do tipo primitivo, à medida que o
Espírito progrediu. O Espírito macaco, que não se exterminou,
continuou a procriar corpos de macacos para seu uso, com o fruto
da planta brava reproduz planta brava, e o Espírito humano
procriou corpos de homens, variantes do primeiro molde em que se
estabeleceu. A linhagem se bifurcou; ela produziu um
descendente, e esse descendente tornou-se linhagem.
Como não há transição brusca na
Natureza, é provável que os primeiros homens que apareceram
sobre a Terra devem ter pouco diferenciado do macaco pela forma
exterior, e, sem dúvida, não muito mais pela inteligência. Há
ainda, em nossos dias, selvagens que, pelo comprimento dos
braços e dos pés, e a conformação da cabeça, têm de tal modo o
comportamento do macaco, que não lhes falta senão serem peludos
para completarem a semelhança.
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