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Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta da perdição e
espaçoso o caminho que a ela conduz, e muitos são os que por ela
entram. – Quão pequena é a porta da vida! Quão apertado o
caminho que a ela conduz! E quão poucos a encontram. (S. Marcos,
7:13-14.).
O Evangelho Segundo o Espiritismo – Capítulo XVIII, item 3.
Muralha do tempo
Em nos
referindo a semelhante afirmativa do Mestre, não nos esqueçamos
de que toda porta constitui passagem incrustada em qualquer
construção, a separar dois lugares, facultando livre curso entre
eles.
Porta, desse
modo, é peça arquitetônica encontradiça em paredes, muralhas e
veículos, permitindo, em todos os casos, franco passadouro.
E as portas
referidas por Jesus, a que estrutura se entrosam?
Sem dúvida, a
porta estreita e a porta larga pertencem à muralha do tempo,
situada à frente de todos nós.
A porta
estreita revela o acerto espiritual que nos permite marchar na
senda evolutiva, com justo aproveitamento das horas.
A porta larga
expressa-nos o desequilíbrio interior, com que somos forçados à
dor da reparação, com lastimáveis perdas de tempo.
Aquém da
muralha, o passado e o presente.
Além da
muralha, o futuro e a eternidade.
De cá, a
sementeira do “hoje”.
De lá, a
colheita do “amanhã”.
A travessia de
uma das portas é ação compulsória para todas as criaturas.
Porta larga –
entrada na ilusão -, saída pelo reajuste...
Porta estreita
– saída do erro -, entrada na renovação...
O momento atual
é de escolha da porta, estreita ou larga.
Os minutos
apresentam valores particulares, conforme atravessamos a
muralha, pela porta do serviço e da dificuldade ou através da
porta dos caprichos enganadores.
Examina, por
tua vez, qual a passagem que eleges por teus atos comuns, na
existência que se desenrola, momento a momento.
Por milênios,
temos sido viajores do tempo a ir e vir pela porta larga, nos
círculos de viciação que forjamos para nós mesmos, engodados na
autoridade transitória e na posse amoedada, na beleza física e
na egolatria aviltante.
Renovemo-nos,
pois, em Cristo, seguindo-o, nas abençoadas lições da porta
estreita, a bendizer os empecilhos da marcha, conservando
alegria e esperança na conversão do tempo em dádivas da
Felicidade Maior.
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