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Há, pois, duas
espécies de famílias: as famílias pelos laços espirituais e as
famílias pelos laços corporais. Duráveis, as primeiras se
fortalecem pela purificação e se perpetuam no mundo dos
Espíritos, através de várias migrações da alma; as segundas,
frágeis como a matéria, se extinguem com o tempo e muitas vezes
se dissolvem moralmente, já na existência atual.
O Evangelho Segundo o Espiritismo – Capítulo XIV, item 8.
Familiares
Problemas
Desposaste alguém
que não mais te parece a criatura ideal que conheceste. A
convivência te arrancou aos olhos as cores diferentes com que o
noivado te resguardava o futuro que hoje se fez presente.
Em torno,
provações, encargos renascentes, familiares que te pedem apoio,
obstáculos por vencer. E sofres.
Entretanto,
recorda que antes da união falavas de amor e te mostravas na
firme disposição em que assumiste os deveres que te assinalam
agora os dias, e não recues da frente de trabalho a que o mundo
te conduziu.
Se a criatura que
te compartilha transitoriamente o destino não é aquela que
imaginaste e sim alguém que te impõe difícil tarefa a realizar,
observa que a união de ambos não se efetuaria sem fins justos e
dá de ti quanto possível para que essa mesma criatura venha a
ser como desejas.
-o-
Diante de filhos
ou parentes outros que se valem de títulos domésticos para
menosprezar-te ou ferir-te, nem por isso deixes de amá-los. São
eles, presentemente na Terra, quais os fizemos em outras épocas,
e os defeitos que mostrem não passam de resultados de lesões
espirituais causadas por nós mesmos, em tempos outros, quando
lhes orientávamos a existência nas trilhas da evolução.
É provável
tenhamos dado um passo à frente. Talvez o contato deles agora
nos desagrade pela tisna de sombra que já deixamos de ter ou de
ser. Isso, porém, é motivação para auxílio, não para fuga.
Atentos ao
princípio de livre-arbítrio que nos rege a vida espiritual, é
claro que ninguém te impede de cortar laços, sustar realizações,
agravar dívidas ou delongar compromissos.
O divórcio é
medida perfeitamente compreensível e humana, toda vez que os
cônjuges se confessam à beira da delinqüência, conquanto se
erija em moratória de débito para resgate em novo nível. E o
afastamento de certas ligações é recurso necessário em
determinadas circunstâncias, a fim de que possamos voltar a
elas, algum dia, com o proveito preciso.
Reflete, porém,
que a existência na Terra é um estágio educativo ou reeducativo
e tão só pelo amor com que amamos, mas não pelo amor com que
esperamos ser amados, ser-nos-á possível trabalhar para redimir
e, por vezes, saber perder para realmente vencer.
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