|
Sistema da
Alucinação – Uma outra opinião menos ofensiva, na qual há uma
pequena coloração científica, consiste em colocar os fenômenos à
conta de ilusão dos sentidos; assim, o observador estaria de
muito boa-fé; somente creria ver o que não vê. Quando vê uma
mesa se elevar e se manter no espaço sem ponto de apoio, a mesa
não se teria mexido do lugar; ele a vê no ar por uma espécie de
miragem ou um efeito de refração, como o que faz ver um astro,
ou um objeto na água, fora da sua posição real. Isto seria
possível, a rigor; mas aqueles que tiveram testemunho desse
fenômeno, puderam constatar o isolamento passando sobre a mesa
suspensa, o que parece difícil se ela não estiver desprendida do
solo. Por outro lado, ocorreu muitas vezes que a mesa se quebrou
em caindo; dir-se-á também que nisso não há senão um efeito de
ótica?
O Livro dos Médiuns – 1ª. Parte – Cap. IV, item 40.
Exercício
Consciente da Mediunidade
A palpitante
questão da mediunidade e seu exercício consciente continua
merecendo apontamentos e estudos que auxiliem o servidor honesto
no ministério do bem a que se dedica.
Libertada das
conotações deprimentes a que pretenderam atá-la a intolerância
religiosa e o preconceito científico, no passado, a pouco e
pouco se vão firmando os seus valores, passando a merecer
inevitável respeito cultural.
Não obstante,
ainda teimam algumas áreas do conhecimento em arregimentar
opiniões destituídas de fundamento, mediante as quais pretendem
negá-la, situando os fatos observados na faixa das alucinações
psicológicas, do inconsciente individual ou coletivo, ou dos
modernos agentes theta, em vãs arremetidas para destruir ou
obscurecer os fatores causais do fenômeno, que são os Espíritos
imortais.
Sob outro aspecto,
em face da evidência das comunicações, que se multiplicam
generosamente e em abundância, grupos de decididos militantes
informam que estatísticas por eles bem elaboradas demonstram que
somente ínfima percentagem atesta a procedência legítima dos
Espíritos desencarnados – ainda passível de meticulosas
observações e exames – nos fenômenos, sendo a quase totalidade
uma decorrência anímica, quando se tratando de pessoas honestas,
em última análise, fraudes verdadeiras, quiçá, inconscientes.
Novas correntes de
meticulosos experimentadores pretendem concluir que o
intercâmbio genérico com os padecentes da Espiritualidade
inferior deve ser compreendido como fenômeno de autocomunicação,
em que são agentes os próprios médiuns, que retirariam da
memória do inconsciente profundo as reminiscências de
reencarnações transatas, cujos componentes os tornam atônitos,
neuróticos, perturbados, em alienações diversas.
Propõem-se outros
investigadores a transferir o inconsciente de expressivo número
de alienados para os sensitivos, que os captam, entrando no
registro das aflições desses pacientes, que passariam a dialogar
com as suas personalidades atormentadas, liberando-se, desse
modo, dos fatores alienantes, sem se darem conta da ingerência
de Entidades desencarnadas, em tais processos, comprazendo-se em
produzir mais sutis e graves aflições.
Recorre-se à
nomenclatura moderna, cada vez mais para fugir-se à denominação
kardequiana, sem, no entanto, conseguir-se anular a causa
espiritual, mediante a qual são servidas as lições do Cristo,
atualizadas, a ética moral de comportamento e a salutar
filosofia existencial, que propiciam a felicidade ao homem.
No pretérito, nos
dias da Metapsiquica, os eminentes pesquisadores criavam, após
cada experiência uma hipótese nova, evitando a teoria espírita
que, na investigação futura, refundiam diante dos resultados
então obtidos, que anulavam a arquitetada e audaciosa concepção
anterior.
Porque os
eminentes investigadores se negavam aceitar a sobrevivência da
alma – embora a sempre crescente evidência e documentação
probatória -, o tempo fez unir os alicerces das conceituações
aventadas, e a doutrina metapsiquica tombou no olvido.
Há pouco, quando
do surgimento da Parapsicologia, novas técnicas de exame foram
elaboradas, mais severos critérios têm sido estabelecidos, mais
exigentes cálculos são buscados, estatísticas rigorosas são
consideradas na razão direta em que a mediunidade, resistindo a
tudo e a todos, reafirma a sobrevivência da vida à morte do
corpo, conclamando o homem à religião do amor e do perdão para
uma excelente vivência da caridade...
... E quando o sol
da imortalidade começa a dissipar as sombras dominantes,
irisando de alegrias e esperanças mentes indagadoras, os mais
renitentes propõem outros métodos, através de mais recentes
disciplinas como a Psicobiofísica, a Psicotrônica, repetindo os
processos e passos já percorridos em mais caprichosos e
sofisticados mecanismos de apreciação e pesquisa.
São credores de
consideração e respeito todos os esforços honestos que levam o
homem a buscar a verdade.
Imprescindível, no
entanto, que o autêntico estudioso não se encontre armado de
idéias e opiniões preconcebidas, submetendo os resultados e
comprovações ao seu crivo, antes colocando suas concepções
diante dos fatos arrolados, com a coragem de abandoná-las,
quando necessário, aceitando os resultados já obtidos.
Antigos
metapsiquistas, modernos parapsicólogos chegaram ao pórtico da
vida triunfante e impediram-se atravessá-lo, para que pudessem
declarar, com ênfase e coragem, que a vida triunfa da morte.
Não o fizeram,
porque aferrados a ultrapassado e injustificável preconceito,
que é adversário da atitude científica. No entanto, não sendo
invulneráveis à morte, vadearam o rio da desencarnação, e,
defrontando a sobrevivência, pretenderam trazer aos pósteros tal
afirmação, sem se darem conta de que já não há ouvidos para
eles, quanto eles se negaram aos que os precederam no mesmo
empreendimento.
São inegáveis, no
fenômeno mediúnico, as interferências da mente do médium, quanto
são inevitáveis ao virtuose a harmonia ou as deficiências do
instrumento musical de que se utiliza.
O fenômeno puro,
total, cristalino, é tão impossível quanto o raio de sol, ao ser
coado por uma lâmina de vidro, liberar-se da tonalidade que esta
lhe empresta, ao ser traspassada pela luz...
Mediunidade é
instrumento, é meio de que se utilizam os agentes espirituais
para confirmar o prosseguimento da realidade, após o túmulo.
Por ela transitam
as informações da Vida, no ministério da edificação de vidas.
Unge, que os
sinceros discípulos do Evangelho se dediquem com afã à
mediunidade socorrista, estabelecendo felizes ligações com o
Mundo Espiritual, atendendo aos deveres da solidariedade humana
e da caridade, sem se preocuparem com outra coisa que não seja
servir, amar e passar adiante, como o servidor consciente das
suas responsabilidades que, pondo as mãos na charrua, não olha
para trás.
Cada minuto é
valiosa concessão para a edificação do reino de Deus nas mentes
e nos corações.
Se, todavia, o
ácido da crítica ou a borra da zombaria, a mordacidade venenosa
ou a dúvida sistemática chegar-lhe às portas da alma,
ameaçando-lhe a estabilidade íntima, recorde-se o sincero
trabalhador da mediunidade que, mesmo Jesus, quando
ressuscitado, não mereceu credito de alguns dos companheiros que
O amavam, por não aceitarem a informação mediúnica daquela que O
vira e com Ele conversara, sendo necessário testemunhá-lO, Ele
próprio, convidando o incrédulo a que O tocasse, e invitando
outros a que verificassem ser Ele...
Os que se
demorarem na incredulidade, comprovarão, oportunamente, por si
mesmos, quando sobre eles baixar a cortina da morte e dealbar o
dia novo.
Enquanto isso, que
o exercício consciente da mediunidade espírita e cristã
continue, na Terra, fazendo o bem com uma mão sem que a outra
tome conhecimento, nestes dias tumultuados e aflitos que se
vivem, prenunciando a hora ditosa da paz com Jesus.
|