O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 
Título :
Impossibilidade Material das Penas Eternas

Autor:
Chico Xavier (médium)
Emmanuel (espírito)

Fonte:
Livro: Justiça Divina

DOUTRINA

     

“O Céu E O Inferno” – Capítulo VI, item 18.
Allan Kardec

Até aqui, o dogma da eternidade das penas não foi combatido senão pelo raciocínio; vamos mostrá-lo em contradição com os fatos positivos que temos sob os olhos, e provar-lhe a impossibilidade.

Segundo esse dogma, a sorte da alma está irrevogavelmente fixada depois da morte. É, pois, uma sentença definitiva oposta ao progresso. Ora, a alma progride ou não? Aí está toda a questão. Se ela progride, a eternidade das penas é impossível.

Pode-se duvidar desse progresso, quando se vê a imensa variedade de aptidões morais e intelectuais que existem sobre a Terra, desde o selvagem até o homem civilizado? Quando se vê a diferença que apresenta um mesmo povo de um século para outro? Se se admite que essas não são as mesmas almas, é preciso admitir, pois, que Deus criou almas em todos os graus de adiantamento, segundo os tempos e os lugares; que favorece a algumas, ao passo que destina as outras a uma inferioridade perpétua: o que é incompatível com a justiça, que deve ser a mesma para todas as criaturas.

 

PENAS DEPOIS DA MORTE

Diante do antigo dogma das penas eternas, cuja criação a teologia terrestre atribui ao Criador, examinemos o comportamento do homem – criatura imperfeita – perante as criações estruturadas por ele mesmo.

Determinada companhia de armadores constrói um navio; contudo, não o arremessa ao mar sem a devida assistência. Comandantes, pilotos, maquinistas e marinheiros constituem-lhe a equipagem para que atenda dignamente aos seus fins. Quando alguma brecha surge na embarcação, ninguém se lembra de arrojá-la ao fundo. Ao revés, o socorro habitual envida o máximo esforço, de modo a recuperá-la. E se algum sinistro sobrevém, doloroso e inevitável, o assunto é motivo para vigorosos estudos, a fim de que novos barcos se levantem amanhã, em mais alto nível de segurança.

Na mesma diretriz, o avião conta com mecânicos adestrados, em cada estação de pouso; o automóvel dispõe, na estrada, dos postos de abastecimento; a locomotiva transita sobre trilhos certos e chaves condicionadas; a fábrica produz com supervisores e técnicos; o hospital funciona com médicos e enfermeiros; e a habitação recolhe o amparo de engenheiros e higienistas.

Em todas as formações humanas respeitáveis, tudo está previsto, de maneira que o trabalho seja protegido e os erros retificados, com aproveitamento de experiência e sucata, sempre que esse ou aquele edifício e essa ou aquela máquina entrem naturalmente em desuso.

Isso acontece entre os homens, cujas obras estão indicadas pelo tempo a incessante renovação.

Em matéria, pois, de castigos, depois da morte, reflitamos, sim, na justiça da Lei que determina realmente seja dado a cada um conforme as próprias obras; entretanto, acima de tudo e em todas as circunstâncias, aceitemos Deus, na definição de Jesus, que no-lo revelou como sendo o “Pai nosso que está nos Céus”.