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O Céu e o
Inferno – Capítulo VII – Parágrafo 3
Não há uma única
imperfeição da alma que não carregue consigo as suas
conseqüências deploráveis, inevitáveis, e uma única boa
qualidade que não seja a fonte de um prazer. A soma das penas
assim é proporcional à soma das imperfeições, do mesmo modo que
a dos gozos está em razão da soma das qualidades. A alma que tem
dez imperfeições, por exemplo, sofre mais do que aquela que não
as tem senão três ou quatro; quando, dessas dez imperfeições,
não lhe restar senão a quarta parte ou a metade sofrerá menos,
e, quando não lhe restar nenhuma delas, não sofrerá mais de
qualquer coisa e será perfeitamente feliz. Tal, sobre a Terra,
aquele que tem várias enfermidades sofre mais do que aquele que
não tem senão uma, ou que não tem nenhuma. Pela mesma razão, a
alma que possui dez qualidades goza mais do que aquela que as
tem menos.
Cada hora, no
relógio terrestre, é um passo de tempo, impelindo-te às provas
de que necessitas para a sublimação do teu destino.
Exclamas no
momento amargoso: “Dia terrível!”.
Esse, porém, é o
minuto em que podes revelar a tua grandeza.
À frente da
família atribulada, costumas dizer: “O parente é uma cruz”.
Tens, contudo, no
lar, o cadinho que te aprimora.
Censurando o
companheiro que desertou, repetes, veemente: “Nem quero vê-lo”.
No entanto, esse é
o amigo que te instrui nos preceitos do silêncio e da
tolerância.
Lembrando o
recinto, em que alguém te apontou o caminho das tuas obrigações,
asseveras em desconsolo: “Ali, não ponho mais os pés”.
Todavia, esse é o
lugar justo para a humildade que ensinas.
Quando as
circunstâncias te levam à presença daqueles mesmos que te
feriram, foges anunciando: “Não tenho forças”.
Entretanto, essa é
a luminosa oportunidade de pacificação que a vida te oferta.
Se sucumbes às
tentações, alegas, renegando o dever: “Seja virtuoso quem
possa”.
Mas esse é o
instante capaz de outorgar-te os louros da resistência.
Toda conquista na
evolução é problema natural de trabalho, porque todo progresso
tem preço; no entanto, o problema crucial que o tempo te impõe é
debito do passado, que a Lei te apresenta à cobrança.
Retifiquemos a
estrada, corrigindo a nós mesmos.
Resgatemos nossas
dívidas, ajudando e servindo sem distinção.
Tarefa adiada é
luta maior e toda atitude negativa, hoje, diante do mal, será
juro de mora no mal de amanhã.
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