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O
Livro dos Espíritos, Questão 676
-Por
que o trabalho é imposto ao homem?
-
É
uma conseqüência de sua natureza corporal.
É uma expiação e, ao mesmo tempo, um meio de aperfeiçoar
sua inteligência. Sem
o trabalho, o homem permaneceria na infância da inteligência.
Por isso, ele não deve seu sustento, sua segurança e
seu bem-estar senão ao seu trabalho e à sua atividade.
Àquele que é muito fraco de corpo Deus deu a inteligência
para isso suprir; mas é sempre um trabalho.
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A
cada momento, o Criador concede a todas as criaturas a benção
do trabalho, como serviço edificante, para que aprendam a criar
o bem que lhes cria luminoso caminho para a glória na Criação.
Não
permitas, portanto, que o repouso excessivo te anule a divina
oportunidade.
Assim
como o relaxamento é ferrugem na enxada, a benefício do joio
que te prejudica a seara, o tempo vazio é flagelo na alma, em
favor das energias perniciosas que devastam a vida.
Não
há corrosivo da ociosidade que possa resistir aos antídotos da
ação.
Não
acredites, desse modo, no poder absoluto das circunstâncias
adversas, a se mostrarem, constantes, nos eventos da marcha.
Se
a injúria te persegue, trabalha servindo, e o sarcasmo far-se-á
reconhecimento.
Se
a calúnia te apedreja, trabalha servindo, e a ofensa
converter-se-á em louvor.
Se
a mágoa te alanceia, trabalha servindo, e a dor erguer-se-á
por utilidade.
Se
o obstáculo te aborrece, trabalha servindo, e o embaraço
surgirá por lição.
No
trabalho em que possas fazer o melhor para os outros, encontrarás
a quitação do passado, as realizações do presente e os créditos
do futuro. E é
ainda por ele que conquistarás o respeito dos que te cercam, a
riqueza da experiência, a láurea da cultura, o tesouro da
simpatia, a solução para o tédio e o socorro a toda
dificuldade.
Importa
anotar, porém, que há trabalho nas faixas superiores e
inferiores do mundo.
Movimento
que aprisiona e atividade que liberta, atração para o abismo e
impulso para o Céu...
O
egoísmo trabalha para si mesmo.
A
vaidade trabalha para a ilusão.
A
usura trabalha para o azinhavre.
O
vício trabalha para o lodo.
A
indisciplina trabalha para a desordem.
O
pessimismo trabalha para o desânimo.
A
rebeldia trabalha para a violência.
A
cólera trabalha para a loucura.
A
crueldade trabalha para a queda.
O
crime trabalha para a morte.
Todas
essas monstruosidades do campo moral representam fruto amargo e
venenoso de audiências da alma com a inteligência das trevas,
no palácio deserto das horas perdidas.
Todavia,
o trabalho dos que trabalham servindo chama-se humildade e
benevolência, esperança e otimismo, perdão e desinteresse,
bondade e tolerância, caridade e amor, e, somente através
dele, o espírito caminha, na senda de ascensão, em harmonia
com as leis de Deus.
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