O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 
Título :
Editorial de Outubro de 2000

Autor:
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Fonte:
O Mensageiro

EDITORIAIS

       

Neste mês de outubro, milhares de casas espíritas estão promovendo a “Semana de Kardec”, em homenagem ao renascimento, na Terra, do Codificador da Doutrina Espírita, ocorrido no dia 3 de Outubro de 1804.

“O Mensageiro” associa-se a estas homenagens, àquele que, no dizer de Camille Flammarion, foi o bom senso encarnado. Com Allan Kardec, raiou no mundo a aurora de uma Nova Era, a era do Espírito, com a demonstração experimental do mundo dos Espíritos, que vieram revelar aos homens a sua natureza e o seu destino.

Era necessário, para tão grande empreendimento, um homem com o discernimento, coragem, cultura, visão espiritual e ausência de preconceitos; Kardec possuía todas estas qualidades em alto grau. Caridade, para ele, era mais que uma simples palavra. Após seu retorno à Pátria Espiritual, ocorrido a 31 de março de 1869, foi encontrado entre seus papéis, o seguinte escrito: 

Fora da Caridade Não Há Salvação

Estes princípios, para mim, não são apenas uma teoria, eu os coloco em prática; faço o bem tanto quanto o permite a minha posição; presto serviço quando posso; os pobres jamais foram rejeitados em minha casa, ou tratados com dureza; á todo momento não foram sempre recebidos com a mesma benevolência? Jamais lamentei meus passos e minhas diligências para prestar serviço; pais de família não saíram da prisão pelos meus cuidados? Certamente não me cabe fazer o inventário do bem que pude fazer; mas, num momento em que parece tudo esquecer-se, é-me muito permitido, creio, chamar à minha lembrança que a minha consciência me diz que não fiz mal a ninguém, que fiz todo o bem que pude, e isso o repito sem pedir conta da opinião; sob esse aspecto, a minha consciência está tranqüila e de alguma ingratidão com a qual pude ser pago, em mais de uma ocasião, isso não poderia ser para mim um motivo para deixar de fazê-lo; a ingratidão é uma das imperfeições da Humanidade, e como nenhum de nós está isento de censuras, é preciso saber passar aos outros pelo que se nos passa a nós mesmos, a fim de que se possa dizer, como J. C.: “que aquele que está sem pecado, lhe atire a primeira pedra.” Continuarei, pois, a fazer todo o bem que puder, mesmo aos meus inimigos, porque o ódio não me cega; e eu lhes estenderia sempre a mão para tirá-los de um precipício, se a ocasião disso se apresentasse.

Eis como entendo a caridade cristã; compreendo uma religião que nos ordena retribuir o mal com o bem, com mais forte razão restituir o bem pelo bem. Mas não compreenderia jamais a que nos prescrevesse retribuir o mal com o mal.

 

Glória a ti Kardec, os que crêem na vida imortal, te saúdam!

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