O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 
Título :
Editorial de Abril de 2008

Autor:
Editor

Fonte:
O Mensageiro

EDITORIAIS

       

Reconciliação

“... Reconcilia-te, depressa, com teu adversário...”. (Jesus)

Conta-nos André Luiz o seu encontro com o “Velho Silveira” (1). Tinha gravado em suas lembranças todo o mal que seu pai, como negociante inflexível, havia feito àquela família despojando-a de todos os seus bens. Recordou, envergonhado, as súplicas da Senhora Silveira, pedindo mais longo prazo para que seu marido quitasse as dívidas; o marido estava acamado e o tratamento exigia soma considerável. O pai manteve-se irredutível; lamentava as ocorrências, mas no tocante aos débitos reconhecidos não via alternativa: as promissórias teriam efeito legal. Foi a completa ruína financeira da família. Relembrou o dia em que o próprio piano da Senhorita Silveira foi retirado da residência para satisfazer às últimas exigências do credor inflexível.

Agora, encontrava Silveira participando de equipe socorrista da Colônia Espiritual, em que ele, André, fazia seu aprendizado. Quis pedir desculpas pelo procedimento do pai, ensaiando algumas explicações, mas não conseguiu, porque ele mesmo, na ocasião, havia encorajado o progenitor a consumar a ação até o fim. Via apenas o direito de sua casa, e mais nada. Silveira identificando seu constrangimento abraçou-o fraternalmente e voltou ao trabalho.

Desconcertado, André procurou a enfermeira Narcisa, expondo a ocorrência, a pedir conselhos.

- Aproveitou você, o belo ensejo?
- Que quer dizer?
- Desculpou-se com o Silveira? Olhe que é grande felicidade reconhecer os próprios erros; não perca a oportunidade de se fazer amigo; aproveite o momento; talvez não se ofereça tão cedo outra oportunidade, porque Silveira é ocupadíssimo.

E foi o que André Luiz fez; correu ao encontro de Silveira e falou-lhe abertamente:

- Você compreende, nós estávamos cegos; nada conseguíamos vislumbrar, senão o interesse próprio. Quando o dinheiro se alia à vaidade, dificilmente pode o homem afastar-se do mau caminho.

Silveira, comovido, não o deixou terminar.

- Ora, André, quem haverá isento de faltas? Seu pai foi meu verdadeiro instrutor. Devemos-lhe, meus filhos e eu, abençoadas lições de esforço pessoal. Sem aquela atitude enérgica que nos subtraiu as possibilidades materiais, que seria de nós no tocante ao progresso espiritual? Nossos adversários não são propriamente inimigos e, sim, benfeitores. Não se entregue a lembranças tristes. Trabalhemos com o Senhor, reconhecendo o infinito da vida; quero ter a satisfação de visitar seu pai, junto de você.

Pareceu a André que, num dos escaninhos escuros do coração, se acendera divina luz para sempre.

(1) “Nosso Lar”.

Editor