O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 
Título :
Editorial de Junho de 2008

Autor:
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Fonte:
O Mensageiro

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Doenças da Alma

- Chegaste, alguma vez, a examinar casos declarados de esquizofrenia? Foi a pergunta do instrutor Calderaro dirigida a André Luiz (1), quando da visita de socorro ao velho Fabrício, que já se apresentava no limiar da loucura, e que se ainda não enveredara pelo terreno da alienação mental, devia-se ao carinho e dedicação de uma parenta desencarnada que o assistia, vigilante.

- Este ramo ingrato da Ciência – continuou Calderaro – que estuda a patologia da alma é, há muito tempo, campo de batalha entre fisiologistas e psicólogos; tal conflito é, em verdade lamentável, de vez que ambas as correntes possuem substanciais argumentos com que se digladiam. Somos, contudo, forçados a reconhecer que a Psicologia ocupa a melhor posição, por escalpelar o problema nas adjacências das causas profundas, ao passo que a Fisiologia analisa os efeitos e procura remediá-los na superfície.

Observando mais profundamente os quadros interiores do enfermo, pode André verificar as imagens torturantes em sua tela da memória: imaginação superexcitada detinha-se a ouvir o passado; recordava a figura de um velhinho agonizante a recomendar-lhe que cuidasse de três jovens, também ali presentes nas suas reminiscências... O ancião e os jovens pareciam revoltados contra ele, acusando-o...

- Nosso irmão enfermo – elucidou Calderaro -, teve a infelicidade de apropriar-se indebitamente de grande herança, depois de haver prometido ao genitor moribundo velar pelos irmãos mais novos. A se sentir, porém, dono da situação, desamparou os manos e expulsou-os do lar, valendo-se de rábulas bem remunerados, arrojando os irmãos à penúria. Dois deles morreram minados pela tuberculose e o outro desencarnou em míseras condições, relegado ao abandono. Nosso desditoso amigo conseguiu escapar à justiça terrena, mas não pode eliminar dos escaninhos da consciência os resquícios do mal praticado; os remanescentes do crime são guardados em sua organização mental como carvões em brasa viva, sempre que excitadas pelo sopro das recordações.

- Mas há esperança de reequilíbrio para breve? Indagou André.

- Absolutamente não – respondeu Calderaro -. No caso dele funcionariam em vão as terapêuticas em uso. O espírito delinqüente pode receber os mais variados gêneros de colaboração, mas será sempre o médico de si mesmo.

Nesse instante entra no quarto do enfermo um menino de seus oito anos a indagar:
- Está melhor vovô?
- Estou melhor, meu filhinho... Fabricinho, você acredita que Deus perdoa aos pecadores como eu? Mesmo a um homem que trai a confiança paterna e rouba aos irmãos?
- Eu acho, vovô, que Deus perdoa sempre...

Calderaro olhou para André significativamente e concluiu: - Este menino é o ex-pai de Fabrício, que volta ao convívio do filho pelas portas benditas da reencarnação. É o único neto do enfermo e, mais tarde, assumirá a direção dos patrimônios materiais da família, bens que inicialmente lhe pertenciam. A Lei jamais dorme. Quanto ao enfermo, guardando na mente os resíduos da ação criminosa, logo após o abandono do corpo experimentará por muito tempo os resultados de sua queda, até que o sofrimento alije os elementos malignos que lhe intoxicam a alma. Quando esse serviço purgatorial estiver completo, então...

- Regressará aos seus familiares?
- Será compelido a esforçar-se intensivamente para os alcançar. Mas jamais estará desamparado. Todos temos a imensa família, dentro da qual nos integramos desde a origem – a Humanidade.

(1) No Mundo maior

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