O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 
Título :
Editorial de Novembro de 2001

Autor:
Editor

Fonte:
O Mensageiro

EDITORIAIS

       

Guerras

"Qual é a causa que leva o homem à guerra?
Predominância da natureza animal sobre a natureza espiritual e satisfação das paixões.  No estado de barbárie, os povos não conhecem senão o direito do mais forte; por isso, a guerra é para eles um estado normal.  À medida que o homem progride, ela se torna menos freqüente, porque lhe evita as causas e, quando é necessária, sabe aliá-la à humanidade."
Livro dos Espíritos, Questão 742 

 

Na primeira guerra mundial (1914/1918), aconteceu um episódio que marca bem a hediondez da guerra: Um soldado judeu do lado russo, entrou em luta corpo a corpo com um soldado inimigo do lado austríaco; o judeu-russo levou a melhor, cravando sua baioneta no peito do austríaco.  O soldado ferido, também judeu, caído, começou a orar em hebraico: “Ouve, ó Israel...”.  Espantado, o soldado judeu-russo compreendeu que acabara de matar um irmão de raça e de crença.  Não resistiu, acabando por enlouquecer.  É o que acontece com grande numero de soldados, após longo tempo em estado de alerta, tensos, preocupados e com medo.  Ao regressarem (e quando regressam) aos seus lares, geralmente encontram dificuldade para  a readaptação, tornando-se deprimidos, quando não agressivos.

Periodicamente a Humanidade é assolada por calamidades diversas, entretanto, nenhuma se compara ao horror da guerra, pela barbárie que revela.  As religiões passam atestado de incompetência, quando seus sacerdotes abençoam canhões, que irão matar irmãos do outro lado; é que o amor ainda não conseguiu superar o instinto animal que vige na maioria dos seres humanos.  Joanna de Angelis nos diz que existem muitas religiões, o que falta é mais religiosidade.

Entretanto, pela lei de evolução, sabemos que dia virá onde todos os povos se respeitem e se ajudem mutuamente, afastando de uma vez por todas esse fantasma que tanta dor e sofrimento tem trazido à Humanidade desde que o homem se conhece.  Enquanto esse dia não chega, Deus em sua Sabedoria Infinita, utiliza este estágio do homem para, cessada, toda violência e destruição, incentivar-lhe ao trabalho da reconstrução e, dessa forma, ajudar no desenvolvimento dos povos, redimindo-se dos cometidos.

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