O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 
Título :
Editorial de Outubro de 2002

Autor:
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Fonte:
O Mensageiro

EDITORIAIS

       

Allan Kardec, "O Bom Senso Encarnado"

 

Lembrando o adjetivo dado ao Codificador da Doutrina Espírita por Camille Flammarion, narramos um fato acontecido que justifica inteiramente aquela afirmação:

- Certa feita, Kardec foi procurado por uma senhora que lhe mostrou uma mensagem mediúnica recebida por ela mesma e assinada pelo espírito Jobard, recomendando cobrar por suas atividades mediúnicas, já que ela, no seu estado de viuvez, passava por dificuldades financeiras.  Jobard, como sabemos, na sua condição de médium foi um dos colaboradores de Kardec na obra da Codificação; agora, já desencarnado, continuava trabalhando em prol da Doutrina.

Kardec não respondeu de imediato, mas enviou cartas a diversos médiuns na França e em outros países da Europa, solicitando que os mesmos evocassem o Espírito Jobard, fazendo a seguinte pergunta:

- É correto um médium cobrar por suas atividades mediúnicas, quando passem por dificuldades financeiras?

Após algum tempo, as respostas foram chegando para Kardec e, em todas (com ligeiras modificações na forma e não no conteúdo), o Espírito Jobard dizia o seguinte:

“Jesus nos recomendou dar de graça, o que de graça recebemos; que a médium tivesse confiança, uma vez que outras maneiras surgiriam para amenizar sua situação”.

É sempre bom recordarmos as orientações de Kardec, contidas no Capítulo XXVI de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”:

- Todo aquele que conhece as condições nas quais os bons Espíritos se comunicam, sua repulsa por tudo o que seja do interesse egoístico, e que sabe quão pouca coisa é preciso para os afastar, não poderá jamais admitir que os Espíritos estejam à disposição de qualquer um que os chamasse a tanto por sessão; o simples bom senso repele um tal pensamento.  Não seria também uma profanação evocar a preço de prata os seres que respeitamos ou que nos são caros?  Sem dúvida, pode-se, assim, ter manifestações, mas quem poderia garantir-lhes a sinceridade?  Os Espíritos levianos, mentirosos, espertos e toda a multidão de Espíritos inferiores, muito pouco escrupulosos, vêm sempre, e estão sempre prontos para responder ao que se lhes pergunta, sem se importarem com a verdade.  Aquele, pois, que quer comunicações sérias, deve primeiro pedi-las seriamente.  A primeira condição para se conciliar a benevolência dos bons Espíritos é a humildade, o devotamento, a abnegação, o mais absoluto desinteresse moral e material (Kardec).

 

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