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Intolerância
A data de 9 de
outubro de 1861 marca nos registros históricos do Espiritismo o
acontecimento que ficou conhecido como o “Auto-de-Fé de
Barcelona”.
O livreiro
Lachâtre, estabelecido em Barcelona, havia feito um pedido a
Kardec de diversas obras espíritas. A expedição foi feita
regularmente, contendo cerca de 300 volumes, incluindo O Livro
dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, coleções da Revista Espírita
e outras brochuras.
Apesar do
destinatário ter pago os direitos de entrada, a remessa foi
submetida a apreciação do Bispo de Barcelona, uma vez que na
Espanha a autoridade eclesiástica fazia também a função de
policia das livrarias; o Senhor Bispo ordenou que as obras
fossem apreendidas e queimadas em praça pública.
Justamente
indignado Kardec pensou em recorrer ao Direito Internacional,
mas foi desaconselhado pelo seu Guia Espiritual: - “Em direito
podes reclamar essas obras; mas a minha opinião é que resultará
desse auto-de-fé um bem maior que não produziria a leitura de
alguns volumes. A perda material não é nada em comparação com a
repercussão que semelhante fato dará à Doutrina. Compreendes a
quanto uma perseguição tão ridícula e tão atrasada poderá fazer
o Espiritismo progredir na Espanha. As idéias se difundirão com
tanto mais rapidez, e as obras serão procuradas com tanto mais
diligência, quanto as tiver queimado. Tudo está bem”.
Confirmaram-se
essas previsões, tendo a ressonância do fato contribuído
poderosamente para difundir as idéias espíritas.
Editor
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