O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 
Título :
Editorial de Março de 2004

Autor:
Editor

Fonte:
O Mensageiro

EDITORIAIS

       

Ensino Religioso nas Escolas

Lemos num jornal do Rio de Janeiro:

“Espíritas reclamam de seleção para professor”.

“Religião é deixada de lado no ensino religioso estadual”.

“Enquanto a Secretaria estadual de Educação realiza a segunda etapa do processo de contratação de professores para o ensino religioso, espíritas acusam o governo de não abrir vagas para todas as crenças”.

“ – Isso é discriminação. Eles não querem abrir espaço para outras religiões – acusou Jair de Ogum, da Irmandade Afro-Brasileira”.

Jair questionou a alegação da secretaria de que as autoridades espíritas não teriam indicado representantes, pois seus membros não poderiam desenvolver atividade remunerada vinculada ao culto: - Não fomos procurados. Isso não existe”.

 

Embora seja merecedor de todo o nosso respeito e consideração, o Senhor Jair de Ogum não pode falar em nome do Espiritismo, uma vez que o respeitável culto que professa muito pouco, ou nada mesmo tem a ver com a doutrina dos Espíritos; portanto, enganou-se o jornalista em sua manchete, atribuindo aos espíritas qualquer reclamação por pretensa discriminação na escolha dos futuros professores a serem contratados para as escolas do Estado.

Os espíritas têm procurado cumprir os ensinamentos de Jesus, entre os quais: “Daí gratuitamente o que gratuitamente recebestes”, e como acentua Kardec: “por este preceito, Jesus prescreve não se fazer pagar por aquilo que nada pagou; ora, o que eles tinham recebido gratuitamente era a faculdade de curar os doentes e de expulsar os demônios, quer dizer, os maus Espíritos; esse dom fora dado gratuitamente por Deus para o alívio daqueles que sofriam, e para ajudar a propagação da fé”.

Particularmente, achamos que a obrigatoriedade do ensino religioso nas escolas públicas é um retrocesso, isto porque, para os pais, não é deixada escolha para a orientação religiosa dos seus filhos, o que não ocorre nas escolas particulares, de livre escolha pelos seus responsáveis. Entende-se, e isto já está ocorrendo, conforme reclamação de Sr. Jair de Ogum, que os governantes vão privilegiar as entidades que os apoiaram em suas campanhas, e os lideres religiosos contratados (padres, pastores, rabinos, etc...), certamente nos seus ensinos irão priorizar os dogmas de suas crenças, não levando em consideração que, entre seus alunos, estarão filhos de pais que não pensam da mesma maneira.

Continuamos achando que o melhor sistema para as escolas públicas seria o ensino moral e cívico, deixando aos pais a responsabilidade de encaminhar seus filhos para os trabalhos de evangelização infantil, que ocorre nas igrejas católicas, templos protestantes, centros espíritas, etc.

 

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