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Dogmas...
Assistimos
recentemente ao filme “O Corpo”, cujo tema central gira em torno
de uma descoberta arqueológica em Israel, onde se acredita que
uma ossada encontrada seja do próprio Jesus. Esse fato faz com
que a Igreja se movimente altamente preocupada, uma vez que,
confirmada a suposição, poderia haver um abalo na fé dos seus
adeptos, cuja crença está firmada na divindade do Cristo e na
sua ressurreição e subida aos céus em corpo e alma.
Lemos também há
pouco tempo o livro “O Código Da Vince”, o maior best-seller dos
últimos tempos, no qual o seu autor, baseado em alguns fatos
históricos e em algumas lendas, tece uma história de crimes
girando em torno da divindade do Cristo e seu suposto casamento
com Maria Madalena, fazendo com que a Igreja igualmente se
movimentasse preocupada, em defesa dos seus artigos de fé.
Entendemos que
tanto o livro, quanto o filme são obras de ficção criadas pela
fértil imaginação dos seus autores. Entretanto, a preocupação da
Igreja é um fato, uma vez que, em reportagem publicada no dia 16
de março deste ano, em jornal de grande circulação no Rio de
Janeiro, lemos: “Vaticano enxerga ameaça e cardeal vai rebater
livro”, e mais adiante: “O cardeal disse que o livro lembra
panfletos anti-clericais destemperados do século 19”.
Este é o mal dos
dogmas (cada um dos pontos fundamentais e indiscutíveis de uma
crença religiosa) que a Igreja procura manter há séculos, muito
embora a própria Ciência já os tenha discutido e posto em
evidência os seus erros.
Lembramos com
satisfação a mensagem de Kardec, quando dizia que: “Se a Ciência
algum dia provar que certo ponto da Doutrina está em erro, o
Espiritismo vai revê-lo e ficar com a Ciência”, porque a
doutrina é evolucionista e novos conhecimentos só vêem na hora
em que a Humanidade “tiver olhos de ver e ouvidos de ouvir”.
Dos fatos comuns
da vida do Cristo, seus milagres e predições, suas palavras que
as igrejas tomaram como ponto de partida para o estabelecimento
dos seus dogmas, prefere a Doutrina Espírita ficar com o seu
ensinamento moral, com a sua mensagem de amor, humildade e
caridade, que um dia unirá todas as “ovelhas num mesmo rebanho e
com um só pastor”. Não há fé inquebrantável senão aquela que
pode encarar frente a frente à razão, em todas as épocas da
humanidade.
Editor
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