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Disputas
Religiosas
“E agora digo-vos:
Daí de mão a estes homens, e deixai-os, porque, se este conselho
ou esta obra é de homens, se desfará. Mas, se é de Deus, não
podereis desfazê-la, para que não aconteça serdes também achados
combatendo contra Deus”. (Atos, Cap. 5:38,39.)
O texto acima,
narrado por Lucas, no Livro dos Atos dos Apóstolos, relata a
prisão de Pedro e outros apóstolos, acusados de subversão à Lei,
e a defesa feita pelo fariseu Gamaliel que, em outras palavras,
repetiu aquilo que já fora afirmado por Jesus: “Toda árvore que
meu Pai não plantou será arrancada”.
Quanta sabedoria
naquele homem, que viveu há mais de dois mil anos atrás, e
quantas guerras poderiam ser evitadas, se o homem se prendesse
mais à essência dos Evangelhos, do que a “letra que mata”, como
ensinou Paulo.
As disputas mais
cruéis têm sido de caráter religioso, pois recebem o incremento
do fanatismo: as Cruzadas, a “Santa” Inquisição, a Noite de São
Bartolomeu e, ainda recentemente, as disputas sangrentas entre
católicos e protestantes nas ruas de Belfast.
Hoje, observamos a
reação, muitas vezes exagerada, mas compreensível, dos
muçulmanos, atingidos naquilo que têm como mais sagrado, a sua
fé, quando um jornal europeu publicou impensadamente caricaturas
do profeta Maomé, desrespeitando uma Religião que conta com o
maior número de adeptos, entre todas as outras.
Como afirmou o
escritor e orador espírita, Richard Simonetti, “As Religiões
existem para unir, e não para separar os homens: faz parte de
seus objetivos a união de todas as criaturas humanas, sem a qual
fica impossível caminhar ao encontro do Criador. Infelizmente,
vasta maioria de fiéis esquecem-se desta realidade simples,
prendendo-se a questiúnculas teológicas, usando-as como floretes
de esgrima, a se ferirem mutuamente, levantando barreiras
insuperáveis entre si, como se desconhecessem o essencial: somos
todos filhos de Deus!”
A sabedoria e o
bom senso de Kardec colocou como emblema da Doutrina Espírita o
“fora da caridade não há salvação”. A Verdade e a Igreja, cada
qual só tem admitido a sua: este os motivos de todas as
dissensões e disputas. O amor e a caridade são os preceitos
maiores de todas as religiões e todos os povos. Não existem
divergências entre os que pensam desta maneira.
Editor
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