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A Resposta do
Irmão X
Leio, comovido, a
crônica de Humberto de Campos, constante do seu livro “Lagartas
e Libélulas”, intitulada “A Criança Mutilada”, da qual
transcrevemos alguns trechos:
“Abro um dos
números de A Tarde da Baía, datado dos primeiros dias de maio, e
surge-me aos olhos uma gravura, ilustrando uma reportagem: sobre
um leito de hospital, uma pequenita de cor, aparentando dez ou
onze anos, despida da cintura para cima. Vítima de um desastre
de bonde perdeu uma perna e um braço. Posto sobre o peito, o
outro braço parece, igualmente inutilizado. E sobre o leito,
cercando-a, nove bonecas, dois bonecos, dois automóveis, um urso
de pano, e uma infinidade mais de brinquedos, que fazem daquela
modesta cama de caridade um colorido bazar infantil. Lembranças,
tudo aquilo, de gente que a vai visitar. Expressões da piedade
alheia. Esmolas de alegria, levadas àquela tristeza. Carinhos
concretos de corações generosos e de almas compadecidas.
Chama-se Regina, a pequena sem perna e sem braços. E, como não
vejam no seu rostinho escuro e redondo uma demonstração de
contentamento, perguntam-lhe, na sua bondade:
- Que é que
desejas, minha filha? Queres mais alguma coisa?
E Regina, olhos
cheios d´água:
- Eu quero... morrer!
Choram as
senhoras, com ela. E ela, adivinhando, na infância a desgraça de
toda a vida:
- Para que viver assim? Antes morrer... E eu quero morrer!...
É diante de uma
desgraça destas que eu me quedo estupefato, examinando o
mistério da vida. Que mal poderia ter feito a Deus, ou ao mundo,
que é obra dele, esta pequenita, para merecer tão terrível
punição? Porque o sofrimento das crianças, Senhor, não pode ser
obra tua. Se assim fosse, o teu filho se chamaria Herodes, e não
Jesus. Essa criança hoje mutilada não teve, com certeza, jamais,
quando possuía os seus braços, um brinquedo. E, eis que os tem.
Tem-nos, mas quando não possui mais as mãos com que os segure,
os dedos com que os afague, os braços com que os aperte de
encontro ao peito. Dá-lhes a boneca, para o desejo, mas tira-lhe
os braços, impossibilitando-lhe a posse? Isto é obra tua,
Senhor?”.
Anos mais tarde,
no livro “Contos e Apólogos”, pela mediunidade de Chico Xavier,
aparece a página intitulada “Divida e Resgate”. Naquele momento,
Irmão X trazia para Humberto de Campos, o Conselheiro XX,
resposta ao seu grito angustiado: Isto é obra tua, Senhor?
Editor
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