O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 
Título :
Editorial de Maio de 2006

Autor:
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Fonte:
O Mensageiro

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A Resposta do   Irmão X

Leio, comovido, a crônica de Humberto de Campos, constante do seu livro “Lagartas e Libélulas”, intitulada “A Criança Mutilada”, da qual transcrevemos alguns trechos:

“Abro um dos números de A Tarde da Baía, datado dos primeiros dias de maio, e surge-me aos olhos uma gravura, ilustrando uma reportagem: sobre um leito de hospital, uma pequenita de cor, aparentando dez ou onze anos, despida da cintura para cima. Vítima de um desastre de bonde perdeu uma perna e um braço. Posto sobre o peito, o outro braço parece, igualmente inutilizado. E sobre o leito, cercando-a, nove bonecas, dois bonecos, dois automóveis, um urso de pano, e uma infinidade mais de brinquedos, que fazem daquela modesta cama de caridade um colorido bazar infantil. Lembranças, tudo aquilo, de gente que a vai visitar. Expressões da piedade alheia. Esmolas de alegria, levadas àquela tristeza. Carinhos concretos de corações generosos e de almas compadecidas. Chama-se Regina, a pequena sem perna e sem braços. E, como não vejam no seu rostinho escuro e redondo uma demonstração de contentamento, perguntam-lhe, na sua bondade:

- Que é que desejas, minha filha? Queres mais alguma coisa?

E Regina, olhos cheios d´água:
- Eu quero... morrer!

Choram as senhoras, com ela. E ela, adivinhando, na infância a desgraça de toda a vida:
- Para que viver assim? Antes morrer... E eu quero morrer!...

É diante de uma desgraça destas que eu me quedo estupefato, examinando o mistério da vida. Que mal poderia ter feito a Deus, ou ao mundo, que é obra dele, esta pequenita, para merecer tão terrível punição? Porque o sofrimento das crianças, Senhor, não pode ser obra tua. Se assim fosse, o teu filho se chamaria Herodes, e não Jesus. Essa criança hoje mutilada não teve, com certeza, jamais, quando possuía os seus braços, um brinquedo. E, eis que os tem. Tem-nos, mas quando não possui mais as mãos com que os segure, os dedos com que os afague, os braços com que os aperte de encontro ao peito. Dá-lhes a boneca, para o desejo, mas tira-lhe os braços, impossibilitando-lhe a posse? Isto é obra tua, Senhor?”.

Anos mais tarde, no livro “Contos e Apólogos”, pela mediunidade de Chico Xavier, aparece a página intitulada “Divida e Resgate”. Naquele momento, Irmão X trazia para Humberto de Campos, o Conselheiro XX, resposta ao seu grito angustiado: Isto é obra tua, Senhor?

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