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Fim do Mundo
Conta-nos Humberto
de Campos em suas “Memórias”, que em sua cidadezinha natal,
Miritiba, interior do Maranhão, há muito tempo era esperado,
entre a gente humilde e semi-bárbara, o fim do mundo.
Certa noite, alta
madrugada, sentiu que o arrebatavam da rede, e que subiam com
ele, numa grande aflição, para o jirau, ao mesmo tempo em que
ouvia um grito apavorante, que devia partir da garganta de um
monstro. Perguntou, baixinho, o que era. - É o anti-Cristo, o
amaldiçoado...
Acalentado,
adormeceu novamente e, no dia seguinte, pela manhã, dirigiram-se
todos ao centro da vila, para verificarem o que ocorrera.
Encontraram Miritiba em alvoroço; tinha chegado inesperadamente
ao seu porto, naquela noite, alarmando-a com uma série de
apitos, a primeira lancha a vapor procedente da capital!...
É assim o medo da
morte. Quando não somos assustados com os “castigos no Inferno”,
é a idéia do nada que nos aflige. E a idéia do nada é terrível.
Para o cético endurecido é a dúvida que o atormenta; para os
culpados é o medo; mas, para o homem de bem é a esperança no
futuro. Assim como a primeira lancha a vapor vinha trazer
progresso para Miritiba, a morte significa uma passagem de plano
e oportunidade para o Espírito, agora com a mente mais aberta
para as suas reais necessidades, refazer seus objetivos com
vistas ao futuro.
Editor
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