O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 
Título :
Entrevista com Lauro Mendonça

Autor:
Editor

Fonte:
O Mensageiro

ENTREVISTAS

  

O nosso entrevistado é o Sr. Lauro Mendonça, expositor que tem levado a mensagem espírita por todos os recantos do Brasil. Somente neste ano de 1999, o nosso irmão realizou cerca de 450 palestras, sendo que, em nossa União Espírita Carlos Chagas, tivemos o prazer de recebê-lo por seis vezes.

Editor:  - Irmão Lauro, como foi a sua iniciação na Doutrina Espírita?
Lauro Mendonça: - Nascemos em família espírita na cidade paulista de Franca, em 2 de dezembro de 1936. Na infância e adolescência tivemos diversos problemas de saúde: enxaquecas e diversas obsessões. Quatro vezes fomos internados: duas no Sanatório Espírita de Uberaba e duas no Hospital Pedro II, no Rio de Janeiro. Em 1961 trabalhando no Banespa em Uberlândia, ocorreu uma violenta crise epiléptica; permanecemos uma semana inconsciente, tendo sido constatado um foco convulsivo na região temporal direita. Por quatro anos tomamos barbitúricos e anti-convulgenos. Através das tarefas espíritas, há muito tempo não sabemos o que é dor de cabeça... Sorria! 

Editor: Como encara o Espiritismo a chegada do Terceiro Milênio? As catástrofes anunciadas têm algo de verdadeiro? 
Lauro Mendonça: -  O bom otimismo. O mundo é de Deus, portanto sempre foi perfeito e assim continuará. Nada sem razão de ser: as aparências enganam. Muitas vezes aquilo que achamos um mal, poderá ser um bem, e vice-versa. Portanto, confiemos, trabalhando e servindo sem esmorecer, por um mundo melhor. 

Editor: - O nosso mundo está, realmente, mais violento, como muitos apregoam? 
Lauro Mendonça: - As criaturas humanas, na sua maioria, estão mais para o animal do que o angelical. 

Apesar da mensagem crística, os seres humanos se digladiam “mal com o mal”, e não o “mal com o bem”, assim sendo terá que colher o efeito danoso desta postura. Tudo é lição, amarga porém útil. 

Editor: - Qual seria a solução para minimizar a violência, não somente em nossa Pátria, como no resto do mundo?
Lauro Mendonça: - Através da auto-renovação. Sem renovação íntima, impossível qualquer melhoria substancial exterior. Só a mudança do governo íntimo (do egoísmo para o altruísmo, do orgulho para a humildade) teremos o progresso real. 

Editor: - Por que as pessoas se assustam com a morte? 
Lauro Mendonça: - Por ignorância. 

Editor: - O Espiritismo é ciência ou religião?
Lauro Mendonça: - É, ao mesmo tempo, Ciência, Filosofia e Religião. Lembramos que tanto a Filosofia, como a Ciência informam, porém, só a Religião consola. 

Editor: - Como vê o movimento de reforma apregoado por grupos inconformados com a posição da F.E.B., acatando a obra de Roustaing?
Lauro Mendonça: - Com respeito, porém não endossamos campanhas anti-fraternas. O problema não está em Roustaing e sim no nosso cancerígeno egoísmo e orgulho. Devemos somar, e não dividir para enfraquecer. Na história centenária da FEB há muito de positivo: Deus, Cristo e Caridade. Traduzimos: Devemos continuar compreendendo. Lembramos: O amor, bem como a verdade não têm pressa de vencer. Contentam-se com a certeza. 

Editor: - Com exceção das reuniões de desobsessão, que são privativas, os Centros devem cerrar suas portas no início dos trabalhos, a fim de evitar a entrada de pessoas que possam perturbar a harmonia do ambiente?
Lauro Mendonça: - Deverá haver uma disciplina cristã, e não regulamento frio, insensível e drástico. 

Editor: - Para atrair mais adeptos, alguns grupos estão promovendo verdadeiros festivais de música. Qual a sua opinião?
Lauro Mendonça: - O Espiritismo é qualitativo, e não quantitativo. Isto não nos isenta do entusiasmo, da coragem, do amor, da audácia. Deve prevalecer o bom senso e não a timidez, o acanhamento, ou a condenação. 

Editor: - Quais os maiores escolhos encontrados pelos médiuns e dirigentes na prática da Doutrina Espírita?
Lauro Mendonça: - A ignorância da Doutrina, com o somatório das imperfeições sedimentadas. Por exemplo: ilusão, comodismo, pouco esforço, orgulho, egoísmo, etc. etc.

(Entrevista concedida a nossa revista em dez/99)