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Nossa
Revista apresenta este mês uma entrevista com Henrique
Rodrigues – Radicado em Belo
Horizonte, exerceu atividades relacionadas com Eletrônica Médica,
estando atualmente aposentado. É presidente do Centro de
Estudos Psicobiofísicos de Belo Horizonte. Cientista, orador,
jornalista e escritor espírita, é autor dos seguintes livros:
“Ciência do Espírito”, “Psicobiofísica nos Problemas
Humanos”, “Lições de Vida”, entre outros.
P:
– A AIDS é uma doença moral?
R:
– Podemos dizer que a AIDS não é uma doença moral, mas física
mesmo. Mas todas as doenças, sem exceção, têm origem, têm
suas raízes no espírito. Durante milênios as doenças venéreas
castigaram a Humanidade. Com o advento dos antibióticos, ela se
viu livre dessas enfermidades. Porém, no fundo das doenças venéreas
existia a promiscuidade. Com os antibióticos a Humanidade
pensou que estava livre para ser mais promíscua ainda, e surgiu
a AIDS, como reação das leis da vida, que quer, com efeito,
honestidade dentro do relacionamento sexual, envolto pelo laço
do amor, da simpatia e da afinidade. Fora disso, qualquer
relacionamento sexual é um ato de prostituição.
Evidentemente, todas as sementes germinam, inclusive as da
promiscuidade, que dão origem a vários tipos de enfermidades.
A colheita atual é a AIDS.
P:
– Qual a lógica da Reencarnação?
R:
– A lógica da reencarnação é positivada hoje na própria
ciência, que há muito tempo já dizia que na natureza não há
saltos. O ser humano jamais poderia sair de formas primitivas e
se transportar daquele troglodita, daquele homem das cavernas,
daquele homem que era simplesmente um animal, que apenas comia e
se reproduzia, no cientista de hoje, no filósofo, no santo, no
indivíduo espetacular que domina a própria matéria. E, para
isso, a reencarnação representa como que anos letivos, dentro
de uma universidade, pois ninguém entra analfabeto numa
universidade já no último ano de graduação. Tem que passar
por anos sucessivos, e, assim como a cada ano vai ganhando novos
conhecimentos, o ser humano vai também, de encarnação em
encarnação, ampliando os seus conhecimentos, exteriorizando as
potencialidades que tem por dentro, para que no futuro ele possa
exprimir o que já está em potencial dentro dele, que é o
“super-ser” que ele será, sábio e santo.
P:
– O aborto é uma transgressão às Leis Divinas. Sob o ponto
de vista espiritual, quais os prejuízos que a criatura
experimenta, em decorrência do aniquilamento de vidas
indefesas?
R:
– O aborto não é um crime sob o aspecto espiritual e sim sob
todos os aspectos. O aborto, na realidade, é o maior de todos
os crimes que se pode cometer. A mulher é dona de seu corpo,
mas não é dona do corpo da criança. Ela insere na sua vida um
outro corpo, por livre e espontânea vontade, nas ligações que
ela chama de amor. Evidentemente, esse ser sofre uma das piores
condenações que pode haver. Eu me lembro que há muitos anos,
quando lá nos Estados Unidos executaram Caryl Chessman, o
“Bandido da Luz vermelha”, na câmara de gás, aqui no
Brasil levantaram ondas de protestos, dizendo que felizmente
aqui não existia a pena de morte. E nós, então, em artigo que
foi largamente publicado, contestamos isso, dizendo que no
Brasil existe sim a pena de morte. E com características piores
do que no código americano, porque lá, pelo menos, Caryl
Chessman foi julgado, teve possibilidade de se defender durante
dez anos, tendo sido condenado e, enfim, executado. No Brasil,
contudo, não é assim, pois aqui existe a pena de morte com
características muito mais cruéis, porque o ser humano é
julgado inconveniente, condenado à morte e executado, sem apelação.
E isso se faz, muitas vezes, em nossas ruas. Esse aspecto é
ainda mais grave quando diz respeito a um ser humano que ainda
vai nascer. E nesse artigo nós imaginamos um diálogo do
abortado com Jesus Cristo, em que aquele, olhando para o Cristo
com o dedo em riste,diz: “O meu sofrimento foi maior do que o
seu, porque você teve uma mãe que chorou aos pés do seu
corpo, porque você estava sofrendo; você foi enterrado, ainda
tinha uma tanga para cobrir a sua nudez; mas eu não, pois minha
mãe ficou feliz com a minha morte, ela sorriu satisfeita porque
se livrou de mim, depois de atirar-me num vaso sanitário;
realmente, fui considerado apenas lixo por aquela que deveria me
amar.”
P:
– E sob o ponto de vista físico, quais os riscos conseqüentes
do aborto?
R: –
Nós já dissemos isso várias vezes: o aborto não cai apenas
sobre a mulher; ele atinge todos aqueles que estão envolvidos
no processo. Eu tive um caso, em Belo Horizonte, em que uma
garota, empregada do interior, foi obrigada a praticar o aborto
pela patroa, mãe do rapaz, que a colocara naquele estado.
Tempos depois o moço começou a apresentar uma paralisia no
sistema de articulação sacro-lombar. Tal anomalia era
provocada pela presença da entidade vítima do aborto, que
havia se ligado a ele e não à garota, tendo em vista que esta
nenhuma responsabilidade tivera no crime, eis que havia sido
obrigada a isso pela prepotência da família do rapaz.
P:
– A medicina já dispõe de recursos para detectar se o feto
em desenvolvimento produzirá uma criança normal ou defeituosa.
Em casos de fetos com anormalidades, seria correto abortá-los?
R:
– Esse é o problema mais grave, porque o ser humano ainda não
conhece o mecanismo dessas anomalias. Muitas vezes, o ser que
vai nascer com essa anormalidade é um espírito de evolução
inferior, apresentando necessidade de renascer para ficar
aprisionado em um corpo, mesmo defeituoso, para que ele, por um
determinado período, ficasse isolado do relacionamento com
entidades do seu próprio nível. E também isolar as influências
que ele poderia causar às demais pessoas encarnadas. Quando se
faz um aborto dessa natureza, essa entidade tende a gravitar, a
unir-se a todos aqueles que estão envolvidos no processo de sua
“morte”.
P:
- A imprensa vem dando enfoque a um possível controle da
natalidade pelo Estado. Como o senhor vê isso?
R:
– O
controle da natalidade pelo Estado existe na China.
Evidentemente, eles têm lá um problema que não existe aqui. A
China é um país um pouco maior do que o Brasil e, no entanto,
tem uma população nove vezes maior do que a nossa. Eles têm
um bilhão e cem milhões de pessoas. Então, na realidade, lá
a natalidade tem que estar entregue ao Estado, porque é o
Estado que tem de prover três refeições por dia para cada
cidadão. Se calcularmos o volume representado por essas três
refeições diárias, e multiplicarmos por um bilhão e cem milhões
de pessoas, nós vamos chegar a conclusão de que, por dia,
consome-se de alimentos na China um volume talvez maior do que o
Pão de Açúcar! Além
disso, existem os dejetos, a necessidade de fornecer água para
toda essa gente beber, habitação, roupa, escola, medicação.
Dessa forma, a coisa tem que cair no controle do Estado quando
as criaturas não são capazes de fazer esse controle.
Naturalmente, aqui no Brasil isso ainda é desnecessário,
embora seja evidente que cada pessoa deveria, dentro das suas
possibilidades, aprender a controlar a natalidade, porque hoje
em dia a maior missão que está confiada ao ser humano é a
tarefa de educar. Um dos problemas da violência é a procriação
irresponsável; o indivíduo bota filhos no mundo e os coloca
nas academias das ruas, onde eles se formam na matéria da violência.
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