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O Espiritismo
Na Grã-Bretanha
Janet Duncan
relata a origem e o funcionamento “Allan Kardec Study Group”,
que ela fundou e dirige em Londres, assim como fala sobre o
Movimento Espírita na Grã-Bretanha e na Europa.
P: - Como
se iniciou o “Allan Kardec Study Group” (AKSG)?
R:
- Eu estudei e atuei no Grupo Espírita Batuíra, no bairro de
Perdizes, em São Paulo, durante dez anos, entre 1971 e 1981.
Naquela oportunidade aprendi que havia necessidade de difundir o
Espiritismo pelo mundo afora, pois o Homem poderia encontrar
maior felicidade e progresso em termos espirituais do que em
termos materiais.
Após retornar a
Londres em março de 1981, era obvio para mim que iniciaria, em
pouco tempo, um grupo de estudos, pois não havia nenhum Centro
Espírita na Grã-Bretanha. Entretanto, não aconteceu até 1983 em
razão de uma série de circunstâncias pessoais. Mas num inicio de
dia fui impulsionada, por um amigo espiritual, a ir para a rua
ed para uma livraria próxima, onde encontrei seis amigos
ingleses procurando por algo que lhes ensinasse sobre a natureza
espiritual! O grupo de estudos iniciou-se imediatamente em minha
residência.
P: – Como
se desenvolveu o Grupo durante estes anos?
R:
- Gradualmente as seis pessoas tornaram-se quinze. Mas isso foi
dois anos antes de os primeiros espíritas brasileiros chegarem
para me ajudar. O nome começou a tomar forma imediatamente, por
causa da força que depositava no fato de que os ensinos eram
coordenados por Allan Kardec, e algumas pessoas passaram a
chamá-lo de Grupo Allan Kardec. Gradualmente ele se tornou
conhecido como Grupo de Estudos Allan Kardec. Com o tempo, os
encontros tornaram-se públicos e iniciamos o “Centro Para
Estudos Espíritas”.
Após a chegada dos
colaboradores brasileiros nós iniciamos o primeiro grupo do
Centro de Orientação e Educação Mediúnica (COEM) com os quinze
participantes ingleses. Após três meses de estudo, sem exceção,
todos haviam abandonado o curso. Então descobrimos que eram
ligados a um médium do Spiritualism britânico, o qual os
convenceu de que o que ensinávamos era errado e eles se foram.
Nós nunca contamos com mais do que dois ou três ingleses
freqüentando nosso Grupo. Há somente um inglês que encontrou
nosso grupo durante uma palestra de Divaldo Franco em 1987 que
ainda se acha conosco! Agora é nosso tesoureiro.
Em 1988 iniciamos
encontros públicos às segundas-feiras em um salão, alugado por
hora. Após uns doze anos de locação paga, achamos um novo e
melhor local para encontros com os Quakers, um grupo religiosos
bastante conhecido na Grã-Bretanha, que é muito simpático aos
ensinos espíritas.
Em um ano, o AKSG
não havia atendido, em média, além de 15 a 20 pessoas, das quais
95% eram sempre brasileiros, poucos espanhóis e portugueses, e
ocasionalmente um escocês e um alemão. O público britânico ainda
não está preparado para estes maravilhosos ensinos! Isso é muito
ruim porque vemos o quanto sofrem em razão da ignorância dos
assuntos espirituais, mas parece que ainda não desejam
conhecê-los.
P: – Como
funciona no momento o AKSG?
R:
- Atualmente, o AKSG realiza três reuniões por semana: uma de
fluidoterapia (pública), uma para mediunidade – desobsessão –
(privativa) e uma terceira para estudos avançados, realizadas em
nossa residência, mediante convite. No inicio de setembro de
2003, iniciamos um outro curso com o programa do COEM.
Então, pode-se ver
que em vinte anos, que comemoramos em 2003, não foi possível
progredir como desejávamos. Entretanto, confesso que o realizado
no AKSG foi o melhor possível e que o futuro mostrará grandes
progressos, porque o Grupo é bem constituído e está assentado em
boas raízes. Os novos participantes que agora chegam estão mais
maduros nas suas visões de vida e freqüentemente já eram
espíritas no Brasil. Então estamos otimistas pelo futuro dos
Ensinos Espíritas na Grã-Bretanha. É somente uma questão de
tempo para a população acordar para a realidade espiritual da
Vida.
P: – Existe
alguma relação entre o Movimento efetivamente espírita com o
antigo e tradicional Movimento Spiritualism?
R:
- Efetivamente não há relação entre esses Movimentos. O AKSG tem
feito numerosas tentativas para iniciar este relacionamento, mas
não tem sido concretizado. Entretanto, contamos com umas duas
pessoas de contato que nos informam que muitos Spiritualists não
são avessos ao Espiritismo, mas há uma falta de conhecimento por
parte da maioria dos Spiritualists. Muitos dos líderes
Spiritualists são chamados para o estudo, mas parecem não se
interessar. Eles estão bem conscientes do “Ensinos de Kardec”
(como eles os designam), mas não desejam adotá-los como forma de
estudo sistemático. É desejável que num futuro próximo eles
venham a apreciar os Ensinos Espíritas, desejando também
adotá-los.
P: – Há
livros editados pelo Grupo?
R:
– O AKSG administrou a publicação de somente três títulos: O
Evangelho Segundo O Espiritismo (The Gospel According to
Spiritism), em duas edições; Nosso Lar (The Astral City) e
Agenda Cristã (Christian Agenda). Recentemente, concluímos a
revisão da 3ª. Edição de O Evangelho Segundo O Espiritismo e
cedemos ao Conselho Espírita Internacional (CEI) os direitos
autorais para publicação.
P: – Em
quais obras você atuou como tradutora para o inglês?
R:
– Embora tenha colaborado em muitas revisões, o único livro que
traduzi inteiramente foi O Evangelho Segundo O Espiritismo. Já
conversei com o CEI e estou iniciando uma nova tradução de O
Livro dos Médiuns.
P: – Quando
e por que ocorreu sua vinculação ao CEI?
R:
– Meu primeiro contato com o órgão, agora conhecido como
Conselho Espírita Internacional, ocorreu ao final do Congresso
Espírita Internacional realizado pela FEB, em Brasília, no ano
de 1989. Representantes de diversos países estavam presentes e
fui informada no Congresso que se pensava em formar uma
organização internacional, já que muitos países possuíam
Federações nacionais. Perguntaram minha opinião e verificaram
que eu era entusiasta da idéia e prontamente me apresentaram e
mantive um diálogo com o Presidente da FEB, Francisco Thiesen.
Tornei-me uma das apoiadoras do projeto e participei ativamente
de várias reuniões anteriores à fundação do CEI, em Madrid, no
ano de 1992.
P: –
Atualmente a British Union of Spiritist Societies (BUSS)
representa o Movimento Espírita britânico junto ao CEI. Quantos
Centros integram o BUSS?
R:
– Há nove Grupos Espíritas atuando na Grã-Bretanha e apenas um
não é membro do BUSS. Há esperanças de que no futuro este Grupo
também seja integrado à família da União Britânica de Sociedades
Espíritas.
P: – Como
avalia a evolução do CEI nesses 10 anos de seu funcionamento?
R:
– Como toda nova organização, há sempre um período de latência,
até que as raízes se firmem e o CEI não é exceção. Esta
organização não trabalha com uma Federação, nem tampouco com um
país, mas com o planeta todo! É um grande trabalho, necessitando
de uma grande equipe, de encarnados e de desencarnados, para
sustentá-lo. De início, foi óbvio que tínhamos uma grande equipe
espiritual, mas temos de prosseguir juntos pelos anos, a fim de
contarmos também com uma grande equipe de encarnados!
Na Reunião Anual
do CEI realizada em Brasília, em fevereiro de 2002,
comemoraram-se os 10 anos do CEI. Foram 10 anos de trabalho
duro, de altos e baixos, de reuniões pacíficas e reuniões
difíceis. Este foi um processo natural de amadurecimento desta
importante organização, cuja responsabilidade é difundir os
princípios básicos da Doutrina Espírita à humanidade terrestre.
A Reunião de Brasília foi muito importante, pela especial
localização – o coração espiritual do Espiritismo em nosso
planeta. Esta reunião foi verdadeiramente abençoada pelos
Benfeitores das Altas Esferas!
A Reunião que
ocorreu em maio de 2003 em Estocolmo foi a mais espiritual que
aconteceu, bem como a mais produtiva. A União Espírita Sueca,
como anfitriã, soube muito bem criar um bom ambiente. O que mais
teria a dizer? Somente que os membros do CEI, juntamente com a
equipe espiritual, continue a se desenvolver e que um dia se
torne uma liderança espiritual em nosso planeta. Quando este dia
chegar, distante no futuro, então a Terra terá iniciado sua
Regeneração! Ultimamente oferecemos nossa gratidão de coração
aos Benfeitores Espirituais pela sua paciência e tolerância às
nossas dificuldades humanas. Estamos totalmente cientes de que
sem eles, apoiando os membros do Conselho, no passado e no
presente, oferecendo suas constantes orientações e renovadas
energias, o resultado dificilmente seria alcançado e nem seria
tão enriquecido.
P: – Por
obsequio, uma mensagem aos espíritas do Brasil.
R:
– Vem em minha mente que o Brasil verdadeiramente é “o Coração
do Mundo e a Pátria do Evangelho”, como disse Irmão X. Não tenho
dúvida desse fato.
Mas por causa
disto os espíritas brasileiros têm especial responsabilidade em
assegurar os ensinos contidos, em toda sua pureza, nos livros de
Allan Kardec. Estes são as Obras Básicas da Doutrina Espírita.
Elas não podem ser adulteradas ou alteradas de nenhuma maneira.
Devem ser nossas “obras de referência”.
Então, nos
recordamos quando o querido Chico Xavier dizia a todos:
“Emmanuel me disse que se ele dissesse algo em contradição com
Kardec e Jesus, ele deveria ser ignorado e eu permaneceria com
Kardec e Jesus”. Estas palavras são muito sábias e humildes,
meus amigos.
Hoje,
desafortunadamente, há muitas pessoas, alguns espíritas
militantes, que pensam que sabem mais! De acordo com os seus
pontos de vista, Kardec está envelhecido e ultrapassado, de
maneira que acham necessário atualizar e modernizar os livros de
Kardec! Isto é inacreditável! Recordemos o que foi feito com o
Novo Testamento, que em idioma inglês se tornou irreconhecível.
É de fazer o Cristo chorar! Meus queridos amigos espíritas não
vamos negá-Lo outra vez. Reverenciemos as Obras de Kardec,
recordando que representam a promessa feita por Jesus, que
enviaria o Consolador, para estar conosco por todo o tempo!
Deus os abençoe!
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