O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 
Título :
Entrevista com Alcione Mazzeo

Entrevistado:
Alcione Mazzeo
Atriz

Fonte:
Revista Visão Espírita
Número 23

ENTREVISTAS

      

A atriz Alcione Mazzeo, conhecida por muitos trabalhos, sobretudo na televisão, é seguidora do Espiritismo há sete anos.  Ela não aderiu à Doutrina Espírita impulsionada pela dor, mas afirma ter conseguido uma paz interior quando passou a freqüentar o Lar Frei Luiz, no Rio de Janeiro, presidido por outro ator global, Carlos Vereza.  Alcione descreve sua experiência como espírita numa entrevista concedida a Leonor de Castro, Márcia Maria da Silva Costa e Everton da Silva Natividade, colaboradores do Grêmio Espírita Guias Celestes.

P: – Alcione Mazzeo, como você conheceu o Espiritismo?
R: – Eu considero “conhecer o Espiritismo” de sete anos para cá.  Agora freqüento o Lar de Frei Luiz, porém já havia freqüentado vários outros lugares antes, mas nunca com tal disciplina.  Certo dia, estava com um astrólogo que recomendou que trabalhasse meu lado espiritual e detectou que eu poderia usar minhas mãos para esse fim, algo relacionado à cura.  Logo informei que praticava ioga, mas a ioga era algo individual, uma busca interior minha.  O astrólogo falou que eu precisaria usar e trabalhar esse dom de cura em favor do próximo.  Então ele indicou-me o Lar Frei Luiz.

P: – Como foi seu primeiro contato com essa instituição?
R: – Chegando ao Lar Frei Luiz, me deparei com o busto de Frei Luiz e fiz uma prece para que ele me revelasse meu verdadeiro caminho, minha verdadeira missão.  Desde então jamais deixei de freqüentar a casa.

P: – Então, o caminho não foi pela dor...
R: – Muitas pessoas procuram a Casa Espírita pela dor, mas eu fui em busca de um caminho interior.  Paralelo ao que aconteceu, analisando o passado, vejo que, de alguma forma, eu também era “doente”.  Hoje em dia tenho um equilíbrio e uma paz interior bem maior.  O conhecimento da Doutrina Espírita foi uma das melhores coisas que aconteceu em minha vida.

P: – Na sua família, alguém é espírita?
R: – A minha mãe era médium e trabalhou por muito tempo, mas precisou parar. Eu fui criada na Igreja Católica.  Quando fiquei adulta, comecei a sentir uma inquietação muito grande.  Percorri muitos lugares, porém, não encontrava a resposta para a inquietação em nenhum.  Foi no Frei Luiz que parei e desenvolvi minha paciência. A Doutrina me abriu novas perspectivas, novos caminhos. Tive maior conscientização e minha conduta melhorou diante da vida.

P: – Como você colabora com a Instituição Frei Luiz?
R: – Em situações especiais, como Médium de Apoio.

P: – O que você acha dessas transformações que vêm acontecendo neste inicio de Milênio?
R: - É uma grande limpeza, é o cair das máscaras.  Hoje em dia, abre-se o jornal e vê-se muitas  tragédias e roubos... isso sempre acontece, mas antigamente era camuflado.  Hoje em dia tudo vem à tona para que haja uma seleção, uma limpeza.  Isso significa que a Terra está se renovando para melhor.  A transformação vai acontecer.  Infelizmente, as pessoas só se transformam pela dor.

P: – Como você acha que a mídia aborda a Doutrina Espírita?
R: – A mídia não deve usar, não só a Doutrina Espírita, como todas as religiões, de uma forma sensacionalista, pois isso é muito fácil.  Antes de tudo, deve ser feito um estudo do tema, e uma conscientização das possibilidades de se escrever sobre ele.

P: – Para você, qual é a função da arte no Espiritismo?
R: – Existe uma atração entre a arte e os próprios espíritas. Uma afinidade, uma sintonia... todo artista é um ser sensível.  A sensibilidade do artista é muito aflorada, ele capta as coisas, tem uma “ligação” maior.  O artista precisa de uma inspiração e é essa inspiração que o une ao alto.

P: – Reparando na decoração, nos chamam a atenção dois quadros de Nossa Senhora.  Qual a importância deles?
R: – Eu ficava num espaço, no Frei Luiz, que tinha uma imagem igual a que eu tenho em meu quarto (Nossa Senhora).  Então senti vontade de adquirir uma igual, só que não a encontrei.   Assim que mudei para esse apartamento, entrei numa loja esotérica e vi a mesma imagem e quis comprá-la, mas os vendedores disseram que não estava a venda.  Depois de um tempo eu passei por lá e eles me deram o quadro de Nossa senhora.  O outro é do médico Dr.Pierre (espírito que atua na instituição Lar Frei Luiz).

P: – Qual a importância do espírito Dr.Pierre em sua vida?
R: – Gosto muito desse espírito com quem tenho a maior afinidade.  Uma das vezes que senti maior amor na vida foi na presença dele.  Foi uma vibração de amor tão intensa que é indescritível.  Ele trabalha numa sala do Frei Luiz.  No início, quando eu tomava passes e me sentia mal, era levada para a sala dele (uma sala de cura).  Ele nunca falava nada, somente dava passe.  Porém, sua energia era tão boa, que em todos os momentos de aflição orava pensando nele e sentia uma paz muito grande.  Um dia estava no Centro, quando ele chegou perto de mim e disse: “Você sabia, que toda vez que me chama, eu venho?”  Muitas vezes pensei que era coisa de minha cabeça, esse fato de orar e depois sentir paz.

P: – Como você analisa a divulgação da Doutrina Espírita pelo teatro, música, etc...?
R: – Devemos ter cuidado com o teatro sem qualidade, aquele que é feito por oportunismo.  É esse apenas o grande perigo.  Essa propagação é uma de nossas bênçãos em unir duas coisas que gostamos muito: o Teatro e o Espiritismo.  O Espiritismo, como já disse, é fonte de inspiração da Arte.

P: – O que você espera nesse novo milênio?
R: – O Espiritismo orienta para nos tornarmos melhores como pessoas humanas.  E é essa nossa missão aqui: nos amarmos, nos respeitarmos;   assim  estaremos ajudando o Mundo.  Essa nova era que vai começar, que seja uma nova era de amor, que o homem respeite mais a natureza, que haja muito mais paz e fraternidade e todos busquem o amor dentro de si, e o transmitam para o próximo, sem esperar retribuição.