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A Chance de
Cooperar com Deus: Em entrevista, o orador e médium José
Raul Teixeira relata como chegou ao Espiritismo e
comenta a finalidade do centro Espírita e a evolução do
Movimento Espírita.
P: – Como
você tornou-se espírita?
R:
– A partir do convite de um querido amigo, José Luiz Vilaça,
colega de escola, a quem relatei acontecimentos que comigo se
davam, envolvendo a visão e a audição de seres espirituais, os
quais o meu orientador religioso à época, afirmava serem
“demônios”, aceitei o convite do amigo, após grande relutância,
porque nunca ouvira nada a respeito do Espiritismo, e isso me
amedrontava.
P: – Qual a
sua relação com o movimento de Mocidades Espíritas?
R:
– Bem, o convite feito por meu amigo Vilaça era para que eu
visitasse a Mocidade Espírita a qual freqüentava, pois, quando
ouviu meus relatos sobre aparições espirituais, disse-me que no
grupo de jovens espíritas do qual participava tal questão era
conhecida como mediunidade. Quem sabe ali eu encontraria
resposta para os fenômenos?
Desde aquele dia 8
de abril de 1967, que assinalou a minha primeira visita a um
Centro Espírita, tornei-me membro ativo da Mocidade Espírita
Ranulpho Xavier, do Grupo Espírita Leôncio de Albuquerque, em
Niterói (RJ), minha cidade natal. Mais tarde, a Mocidade passou
a ser designada tão-somente como Mocidade do Grupo Espírita
Leôncio de Albuquerque. Nos estudos e trabalhos desenvolvidos,
então, nessa Instituição, fui convidado a lecionar para grupos
de crianças quanto de jovens, o que se delongou por vários anos,
ensejando-me profundas alegrias e grandes aprendizados da
formosa Doutrina Espírita.
Dessa forma,
sempre estive vinculado ao trabalho com jovens espíritas,
participando de inúmeras confraternizações no Estado do Rio de
Janeiro como em outros Estados brasileiros, trocando
experiências e aprendendo sempre, apaixonando-me sempre mais
pelo pensamento espírita, por sua lucidez e inquebrantável
lógica.
P: – O que
teria a relatar sobre sua vivência como conferencista, visitando
todas as regiões do país?
R:
– Considero que é uma das mais expressivas experiências de minha
vida, uma vez que jamais pudera supor que um dia viesse a
tornar-me pregador, dado ao meu temperamento tímido até o
período da adolescência, exatamente quando conheci o
Espiritismo.
Quando da minha
primeira visita a um Centro Espírita, a professora, talvez por
observar-me a timidez, pediu-me que dissesse algo sobre o tema
que estava sendo tratado pelos jovens – Moisés: a primeira
revelação – e senti algo extraordinário: o peito pareceu-me
intumescido e a língua parecia ter crescido. Sem qualquer
raciocínio, falei sobre Moisés durante 20 minutos, tocado por
forte emoção, e, como se desligasse uma “chave”, parei de falar,
restando-me demorada taquicardia. Aí tudo começou no meu contato
com o Espiritismo.
A partir dos
comentários doutrinários realizados em nossa Instituição, dos
pequenos estudos desenvolvidos na Escola Paulo de Tarso, mantida
pelo Grupo Leôncio, numa instituição penal de nossa cidade, fui
sendo convidado para pregar em outros Centros da cidade. Após,
comecei a pregar na cidade do Rio de Janeiro. Alguém que me
conheceu nesses labores foi-me convidando para visitar Minas
Gerais, São Paulo, e, quando me vi, estava visitando o país
inteiro. A minha família se ampliara, o tempo se fizera mais
apertado, pois tinha que saber bem distribuí-lo entre a
faculdade, a vida profissional, a família e as atividades
espíritas.
Até hoje, cada vez
que me levanto para falar da nossa Doutrina Espírita, onde quer
que seja, sou tomado pela mesma emoção, pelo mesmo entusiasmo da
primeira hora, imensamente honrado pela oportunidade que
Jesus-Cristo me oferece de trabalho no bem.
P: – E
sobre as visitas ao Exterior?
R:
– Imagino que não estivessem nos planos da minha presente
reencarnação as viagens ao Exterior. Curioso é que foram
surgindo convites, e elas foram sendo incrementadas, após um
grave acidente automobilístico do qual os Benfeitores
retiraram-me ileso e afirmaram que eu recebera uma significativa
“moratória”, um tempo a mais para aprender e servir. Hoje, com
38 países visitados, identifico naqueles que estão lutando por
apresentar e disseminar o pensamento espírita, com devotamento e
seriedade, a extensão da nossa família espírita brasileira, ou
melhor, a ampliação da nossa família espírita mundo afora.
P: – Você
tem responsabilidades cotidianas em alguma Instituição Espírita?
R:
– Sim, tenho. Sou fundador e atual presidente da Sociedade
Espírita Fraternidade, em Niterói, onde temos as várias
atividades espíritas de domingo a sábado. A SEF tem seu braço
assistencial, que chamamos Remanso Fraterno, onde nos ocupamos
em atender com escolaridade, saúde física, odontológica e
psicológica, alimentação, etc., a uma comunidade de quase oito
centenas de pessoas, distribuídas entre crianças, adolescentes e
seus pais ou responsáveis.
P: – Como
conceitua o objetivo do Centro Espírita?
R:
– O Centro Espírita deverá propor-se ensejar aos seus
freqüentadores o estudo da Doutrina Espírita, na condição de
Escola das almas, ou, como bem posicionou Bezerra de Menezes,
através da mediunidade de Chico Xavier, “o Centro Espírita é a
universidade do Espírito”. No seu bojo, igualmente, aprendemos a
conviver na sociedade dos confrades, verdadeiro laboratório,
onde mil e uma experiências são vivenciadas, amadurecendo-nos
para os objetivos mais altos de Jesus para as nossas vidas.
P: – Qual a
sua opinião sobre a evolução do Movimento Espírita nas últimas
décadas?
R:
– É com alegria que acompanho o gradual crescimento numérico do
nosso Movimento Espírita, muito embora tenha que admitir a
necessidade de um incremento qualitativo, ou seja, maior
engajamento dos que buscam os benefícios propiciados pelo
Espiritismo, seja aprofundando seu conhecimento, a fim de que a
vida terrena seja vista com maior clareza e responsabilidade,
seja no esforço por vivenciar seus ensinamentos excelentes.
P: – Teria
uma mensagem ao leitor de Reformador?
R:
– Importante reafirmar nossos compromissos com o Cristo, quando
retornamos à Terra sob o Seu amparo, guardando a certeza de que
esse é um tempo muito especial, considerando a confiança que o
nosso Modelo e Guia deposita em nossas possibilidades, sem que
haja nenhum prurido messianista de nossa parte. Importante fazer
do pensamento luminoso do Espiritismo a nossa filosofia de vida.
Importante imprimir maior qualidade aos nossos labores pela
Causa, convictos de que estamos sendo agraciados com a grande
chance de cooperar com Deus nesse momento complexo do progresso
humano.
Assim, quero
abraçar os irmãos leitores de Reformador, com especial carinho,
agradecido pelas orações, e pela acolhida afetiva que venho
recebendo em todos os lugares que tenho tido a honra de visitar
a serviço do Espiritismo.
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