O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 

Título :
Unificação

Entrevistado:
Jonas da Costa Barbosa

Fonte:
Reformador
 

ENTREVISTAS

          

Informações sobre o Movimento Espírita e a Unificação no Pará, entremeadas com comentários sobre o Conselho Federativo Nacional da FEB, são prestadas por um de seus mais antigos membros, Jonas da Costa Barbosa.

P: - Há quanto tempo você atua no Movimento Espírita?
R:– Desde janeiro de 1953, aos 24 anos, quando comecei a freqüentar a União Espírita Paraense. Não participara antes de nenhuma Casa Espírita, onde rarissimamente assistia a uma reunião. Fui autodidata, Aos 16 anos comecei a ler os livros espíritas de meu pai, um mês antes de sua desencarnação.

P: – Como você se envolveu com o trabalho de Unificação?
R: – Passando a integrar a Diretoria da União Espírita Paraense (UEP), em agosto de 1953, logo tomei conhecimento da questão Umbanda, que estava sendo discutida no Conselho Federativo Nacional e, em razão de nosso representante, ali, haver-se posicionado contrariamente às instruções que recebera de nossa Diretoria, foi afastado do cargo. Viajando para o Rio de Janeiro, em janeiro de 1954, levei a incumbência do então presidente da UEP de conversar com o presidente da FEB sobre a escolha de nosso novo representante no CFN, ocasião em que fui apresentado ao Prof. Carlos Juliano Torres Pastorino, que morara em Belém, quando padre católico. Resumindo, ele foi escolhido para representar a UEP no CFN.

P: – A União Espírita Paraense alterou o foco de suas atividades nos últimos anos?
R: – A UEP mantém o mesmo direcionamento desde a instalação de seu Conselho Federativo, criado na reforma do Estatuto, provocada pela visita da Caravana da Fraternidade, em 1950, na divulgação do Pacto Áureo. É certo que nosso Conselho não se instalou de imediato. As Casas Espíritas que devia congregar, com raríssimas exceções, não tinham personalidade jurídica. Houve todo um trabalho inicial para legalizá-las, de forma a criar-se as condições mínimas para o Conselho começar a funcionar. Desde então tem havido um desenvolvimento bem acentuado. Surgiram outros órgãos de unificação: comissões de apoio, órgãos distritais e, por último, com a reforma do Estatuto, em 1988, estabeleceu-se uma descentralização das atividades, criando-se Conselhos Regionais Espíritas (CREs) e vários órgãos departamentais, estes de apoio ao Movimento Espírita e assessoramento à Diretoria Executiva. Há mais: a figura do CRE-Embrião – uma Casa Espírita adesa situada em região não abrangida por um Conselho Regional Espírita, recebe de nosso Conselho (CONFE) algumas das atribuições dos CREs. É Casa Espírita e órgão de unificação ao mesmo tempo. Trabalha para desenvolver o Movimento Espírita em sua região, até haver condições para a criação de um CRE.

P: – Quais as linhas mestras de atuação da UEP?
R: – Estimular, permanentemente, o trabalho de unificação, elaborando plano anual de trabalho com a participação de todos os setores envolvidos; acompanhando e, em alguns casos, participando diretamente de sua execução através de sua Diretoria Executiva e órgãos departamentais. Tais ações compreendem ainda a fundação de novas Casas Espíritas, gestões visando a obter a adesão das que ainda não o fizeram e esforço de aproximação das que se mostram arredias. Para as atividades de treinamentos, cursos, seminários e outras, convida-se, normalmente, a todas. Realizamos encontros estaduais, anualmente, de jovens e dirigentes das Casas Espíritas. Recentemente, realizamos encontro estadual de coordenadores de ESDE. Fazemos divulgação da Doutrina e do Movimento Espírita para o público em geral através de programas permanentes de radio, pela mídia impressa e palestras públicas. Diversas feiras do livro são realizadas na Capital e no Interior.

P: – O Movimento Espírita se desenvolve por todas as regiões do Pará?
R: – Sim, embora em algumas áreas ainda seja bem reduzido. Praticamente, todo o Estado está coberto por Conselhos Regionais Espíritas e CRE-Embriões. Possuímos 143 municípios, vários de criação mais ou menos recentes, pouco desenvolvidos, onde ainda não foi possível criar um núcleo espírita. Os 15 CREs e 7 CRE-Embriões procuram chegar a esses municípios, realizando, em alguns, feira do livro, já que faz parte de sua programação. A grande extensão territorial do Pará tem sido um fator limitante, considerando-se que há municípios com superfície superior à de alguns Estados. Por volta de 25 anos, praticamente inexistia Movimento Espírita fora da Capital. Hoje, a maioria das Casas Espíritas, embora incipientes, na sua maior parte, encontram-se no interior.

P: – Que ação considera prioritária para favorecer a difusão doutrinária?
R: – A criação de programas de radio. Aos poucos estes têm surgido em algumas regiões. Onde começaram a funcionar, os resultados têm-se mostrado promissores. Há um propósito entre nós para estimular o surgimento de novos programas. Em algumas cidades vem sendo utilizado o programa Movimento Espírita, da Federação Espírita do Paraná. Nos lugares onde não existe rádio-emissora recorre-se ao que aqui se denomina “boca-de–ferro”, “rádio-cipó”: alto-falantes instalados em postes a transmitir programas gerados em estúdios para propaganda comercial. Está em fase de elaboração , em nosso Departamento de Comunicação Social, um projeto com o objetivo de incentivar a criação de programas e dar apoio à sua manutenção.

P: – Como você avalia o desenvolvimento do Conselho Federativo Nacional desde o início de sua participação?
R: – Há duas fases a considerar: a do funcionamento, no Rio de Janeiro, e a de Brasília. Muito pouco ou quase nada pude participar da primeira. Reuniões mensais, em que a quase totalidade dos Presidentes das Federativas eram representados, no CNF, por pessoas residentes na primeira cidade, em razão das distancias e do pequeno intervalo de tempo, só uma vez ou outra, quando coincidia estar na antiga capital, em dia de reunião, ali comparecia. Apenas uma vez estive presente por convocação expressa para o encerramento dos quatro simpósios regionais. A mudança para Brasília, com reuniões anuais, graças ao grande esforço da Diretoria da FEB, permitiu, praticamente, o comparecimento de todos os Presidentes das Federativas. Inaugurou-se, de fato, uma grandiosa etapa. É como um divisor de águas. Passou a haver grande progresso nas realizações do CFN. O Brasil-espírita começou a reunir-se efetivamente; a analisar e discutir as questões de interesse do Movimento Espírita Brasileiro. As resoluções e documentos por ele aprovados têm produzido efeitos altamente positivos no desenvolvimento das ações empreendidas no meio espírita. O estágio atual tende a melhorar mais ainda com modificações que certamente virão a ocorre na estrutura direcional do CFN, de que sem dúvida resultará o crescente fortalecimento do trabalho de Unificação e, conseqüentemente, do Movimento Espírita.
É uma questão de tempo.