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Francisco
Cajazeiras é médico clínico e cirurgião geral, professor
universitário na UNIFOR (Universidade de Fortaleza) e na FIC
(Faculdade Integrada do Ceará), fundador e dirigente do
Instituto de Cultura Espírita do Ceará – ICE-CE – entidade com
permanente atividade cultural espírita como seminários, eventos
e cursos nas diferentes áreas doutrinarias – Francisco
Cajazeiras fala do trabalho espírita no Estado do Ceará. Com
seis livros editados e três no prelo, sua matéria Bioética (uma
contribuição espírita) foi tema de capa na Revista Internacional
de Espiritismo, traz importante contribuição ao pensamento
espírita.
P: – Quando
e por que foi fundado o ICE-CE?
R:
– O Instituto de Cultura Espírita do Ceará foi fundado em 17 de
agosto de 1996. Muito antes de sua fundação, percebíamos a
necessidade de uma instituição que priorizasse a Cultura
Espírita em nosso Estado, bem como a divulgação da Doutrina
Espírita. No dia-a-dia das Casas Espíritas, as prioridades
costumam premiar o atendimento fraterno e a assistência social,
pelo menos na imensa maioria dos Grupos Espíritas. Para a
fundação do ICE-CE, tomamos por base o Instituto de Cultura
Espírita do Brasil, sediado no Rio de Janeiro e fundado pelo
saudoso Deolindo Amorim. Esta instituição objetiva
fundamentalmente a divulgação da Cultura Espírita junto ao
Movimento Espírita e à sociedade como um todo.
P: – Quais
outras atividades exercidas pelo ICE-CE?
R:
– O ICE-CE também funciona como uma Casa Espírita, oferecendo os
serviços de atendimento fraterno, tratamento espiritual,
educação infanto-juvenil etc. Enfim tem toda a estrutura de
atividades de uma Casa Espírita. Entretanto, conforme já o
afirmamos antes, damos destaque e incentivamos, além dessas
atividades, a realização de cursos diversos, ciclos de
palestras, seminários, encontros, etc., com a finalidade de
despertar nos adeptos do Espiritismo o interesse em estudar a
Doutrina e, ao mesmo tempo, de conscientizar que o Espiritismo
não é uma Doutrina estanque, mantendo profundas relações com
todos os ramos do conhecimento humano. E é neste sentido que o
Professor José Herculano Pires afirmava ser o Espiritismo “a
síntese do conhecimento humano”. Na veiculação dessas
atividades, contamos ainda com o nosso informativo mensal, o
Enfoque Espírita.
P: - Todas
essas atividades, notadamente cursos, ciclos de palestras,
seminários etc. são restritas à sede do ICE-CE?
R:
– Uma das intenções do ICE-CE é a de disponibilizar todo esse
trabalho para as Casas Espíritas que se achem necessitadas em um
desses aspectos, seja a nível local como também em outras
cidades do Estado do Ceará. Oferecendo e viabilizando essas
atividades, cremos estar estimulando, de certo modo, a formação
de confrades conscientizados da necessidade de prestarem sua
colaboração, como trabalhadores eficientes, nas inúmeras Casas
Espíritas de nosso Estado.
P: – O
senhor poderia detalhar melhor esses cursos que são ministrados
pelo ICE-CE?
R:
– Temos alguns cursos que ministramos periodicamente, quais
sejam: Curso Básico de Espiritismo, Curso Primário Sobre
Mediunidade, Curso de aplicação de passes, Curso sobre
Parapsicologia (relacionando a Parapsicologia com op
Espiritismo), Curso de Introdução à Oratória Espírita. Alem
desses Cursos, ministramos também seminários diversos dobre
Espiritismo e temas correlatos e de interesse geral. Ainda
recentemente, realizamos um seminário com a temática “O
Espiritismo e o Conhecimento Humano”, relacionando alguns
movimentos intelectuais e religiosos que colaboraram para o
advento da Doutrina Espírita no século dezenove, funcionando
como seus verdadeiros precursores, tais como o iluminismo, a
reforma protestante etc. De todos esses eventos, há três deles
que damos destaque especial. Dois acontecem em nossa própria
sede: o Seminário Espírita do ICE (SEMEICE), todo mês de março e
a Semana Kardeciana, em outubro, quando realizamos uma Feira de
Livros em praça pública. O outro, realizado em local público, é
o Encontro de Estudos Espíritas (ENESE).
P: – De que
se trata essa Campanha de Divulgação da Doutrina Espírita feita
pelo ICE-CE?
R:
– A campanha teve início a partir do nosso desejo de informar e
disponibilizar o trabalho da nossa Casa para a comunidade em que
ela se insere, do ponto de vista geofísico, e também porque
fomos constatando que este público não sabia nada a respeito do
Grupo Espírita, às vezes até mesmo desconhecendo-o por completo.
Muitas dessas pessoas não sabiam como se realizam trabalhos nos
Centros Espíritas e, às vezes, tinham até mesmo uma falsa idéia,
julgando tratar-se de uma reunião elitizada, e que gente mais
simples não seria bem recebida, etc. Então decidimos que
mensalmente (primeiro sábado de cada mês), um grupo de
trabalhadores passaria a distribuir mensagens espíritas, junto
com o nosso boletim informativo (Enfoque Espírita), onde se
encontram discriminadas todas as atividades do ICE-CE. Vamos de
casa em casa cumprimentando os moradores, entregando uma
mensagem e convidando-os a visitar o ICE-CE. Os resultados têm
sido excelentes!
P: – Sua
equipe tem registrado muitas rejeições, isto é, muitas pessoas
não atendem, nem recebem as mensagens, após tomarem conhecimento
que se trata de uma campanha de divulgação do Espiritismo?
R:
– Existe alguma rejeição, sem dúvida. Entretanto, este
percentual é muito pequeno. Às vezes, isso acontece com algumas
pessoas ligadas aos Grupos Evangélicos, respondendo com a
expressão: “isso é coisa do demônio”. Quando isso ocorre, não
insistimos, porque precisamos respeitas o ponto-de-vista de cada
um. Mas repito: o percentual de rejeição é mínimo. Por outro
lado, muitas vezes as pessoas manifestam grande simpatia pelo
convite e, não raras vezes, relatam-nos estarem mesmo procurando
alguém para conversar e inclusive sobre Espiritismo. São pessoas
vivenciando problemas os mais variados e necessitadas de
esclarecimentos e de uma pessoa amiga. Então, trata-se de um
trabalho muito gratificante. Penso que muitos Grupos Espíritas
deveriam aderir a esta forma de divulgação.
P: –
Diga-nos algo sobre o ENESE. Quais suas finalidades? Há quanto
tempo ele existe?
R:
– Os ENESEs (Encontros de Estudos Espíritas) são realizados em
lugar público fora da Casa Espírita, com a finalidade de
incentivar a participação de não espíritas, por se sentirem mais
à vontade em participar de evento em um local neutro, haja vista
o preconceito ainda existente de participar de uma reunião na
Casa Espírita. Desta maneira, recebem esclarecimentos,
envolvem-se com a mensagem contagiante do Espiritismo e, ao
perceberem não corresponder a prática espírita ao que
preconcebiam, dispõem-se a buscar um Grupo Espírita. Mas também
comparece ao encontro grande número de espíritas e simpatizantes
da Doutrina. Este ano a temática central do 9º. ENESE, será “As
Relações com o Mundo Invisível”.
P: – Quais
os livros de sua autoria já publicados e por quais Editoras?
R:
– O meu primeiro livro – “Eutanásia à Luz do Espiritismo” – foi
publicado pela Federação Espírita do Estado do Ceará – FEEC, no
ano de 1995, ao mesmo tempo em que se publicou um outro livro
organizado pelo confrade e conterrâneo Luciano Klein e por mim,
resgatando artigos escritos pelo conhecido orador espírita
cearense Manoel Vianna de Carvalho e publicados em jornal laico,
na década de 1920. Este livro recebeu o título de “Palavras de
Vianna de Carvalho”. Em 1998, a Editora EME (Capivari-SP) fez a
segunda edição do “Eutanásia à Luz do Espiritismo”, agora
intitulado “Eutanásia – Enfoque Espírita”, no momento na
terceira edição. Ainda por esta mesma editora lançamos:
“Evolução da Idéia Sobre Deus”, “Conselhos Mediúnicos” (reunião
de mensagens psicografadas por diversos Espíritos) e o mais
recente: “Existe Vida... Depois do Casamento?”. Através da
Editora Mnêmio Túlio, de São Paulo, foi editado o “Bioética –
uma Contribuição Espírita”. Além destes, temos no prelo “Curso
Básico de Espiritismo”, “Curso Sobre Mediunidade” e “Elementos
de Teologia Espírita”.
P: – Na sua
vida particular, quais suas atividades?
R:
– Sou médico clínico e cirurgião geral e Professor Universitário
das disciplinas de Neuroanatomia e Psicofarmacologia, no Curso
de Psicologia da Universidade de Fortaleza (UNIFOR) e no Curso
de Educação Física da Faculdade Integrada do Ceará (FIC).
P: - São
suas as palavras finais desta entrevista.
R:
– Nós que compomos o quadro dos obreiros do ICE-CE queremos
agradecer o carinho com que sempre temos sido tratados pela
Editora O Clarim e especialmente pela RIE, da qual somos
representantes em nosso Estado.
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