|
José Raimundo
de Lima, Presidente da Federação Espírita Paraibana, destaca
os 90 anos desta Entidade Federativa. Comenta que o trabalho
para qualificação do trabalhador e do dirigente espírita é
imprescindível, a fim de vencermos os obstáculos para o
desenvolvimento da Casa de do Movimento Espírita.
P: – Há
quanto tempo você atua no Movimento Espírita?
R:
– Iniciamos o contato com o Espiritismo em fevereiro de 1969, e
nas atividades do Movimento Espírita já no ano seguinte
começamos a ter participação em nível interestadual do trabalho
infanto-juvenil.
P: – E as
suas atividades no trabalho de unificação?
R:
– A partir de 1972 passamos a freqüentar um curso de juventude e
desde então nos envolvemos com o trabalho da Federação Espírita
Paraibana. Constatamos a ausência de trabalhadores envolvidos na
tarefa de unificação e como, de certa forma, temos facilidade de
comunicação em trabalho de grupo, aí nos agregamos.
P: – Nesse
período de tempo você notou alguma alteração no cenário do
Movimento Espírita da Paraíba?
R:
– Notamos alterações não só no cenário de Movimento Espírita da
Paraíba, mas principalmente no Nordeste. Sentimos mudanças de
paradigmas e de hábitos e, graças a Deus, sempre no sentido
positivo.
P: – A
Federação Espírita Paraibana está completando 90 anos de
existência. O que você teria a dizer sobre este marco?
R:
– A Federação completa 90 anos, no dia 17 de janeiro de 2006, e
para isso estamos fazendo um trabalho para tentar resgatar a
memória do Espiritismo na Paraíba. Estamos lançando o livro 90
Anos de Espiritismo com Jesus, focalizando o que aconteceu a
partir de 1916. Mas há alguns fatos interessantes anteriores a
esta data. Neste livro, naturalmente resgatamos muitos fatos
históricos que nem tínhamos conhecimento. Chegamos, por exemplo,
a ter provas de que no ano de 1898 já ocorriam reuniões
espíritas na cidade de Areia, terra natal de José e Pedro
Américo. Temos confirmação que antes da fundação da Federação,
Solano Lucena já fazia reunião espírita na cidade de Bananeiras
e depois, como Governador, autorizou a impressão do jornal O
Além nas gráficas do Palácio Redenção (sede do Governo
Estadual). Reformador publicou uma comunicação deste Espírito em
agosto de 1926. Outro fato interessante ocorreu com José
Rodrigues Ferreira, nascido nos Estados Unidos, filho de
diplomata brasileiro, engenheiro civil, e que veio ao Nordeste
trabalhar na implantação das redes ferroviárias, e terminou
sendo Presidente da Federação Espírita Paraibana (1924-1928).
Este, ao desencarnar, pediu aos seus parentes que incluíssem no
seu túmulo a mesma inscrição colocada no túmulo de Kardec, em
Paris. Registramos também a visita da Caravana da Fraternidade,
e há retratos, inclusive, da presença de todo aquele pessoal; a
visita de Pietro Ubaldi e do ex-Presidente da Federação Espírita
Portuguesa Isidoro Duarte, à Paraíba, em 1952.
P: – Houve
espíritas paraibanos que estiveram vinculados à FEB e ao
Movimento Espírita Brasileiro?
R:
– Podemos citar
dois importantes lideres nascidos na Paraíba: Leopoldo Cirne,
que foi Vice-Presidente da FEB na gestão de Bezerra de Menezes
(1895-1900) e Presidente de 1900 a 1914, tendo construído a sede
da Avenida Passos n. 30, e exercido a função de
Redator-Secretário de Reformador, de 1905 a 1913. O outro foi
Arthur Lins de Vasconcellos, um dois grandes divulgadores e
incentivadores do Movimento Espírita em âmbito nacional, sendo
signatário do Pacto Áureo. Sempre contamos com bons
trabalhadores espíritas que estão ligados ao processo
federativo.
P: – Quais
são as principais linhas de atuação da Federação Espírita
Paraibana?
R:
– Estamos trabalhando na área federativa e quando assumimos a
Federação, em 1985, contávamos com 54 centros espíritas. Hoje
nós estamos com 116, e incentivamos o trabalho de interiorização
do Movimento Espírita, de maneira que tivemos de alterar o rumo
administrativo da Federação, abrindo espaço para a realização de
reuniões do Conselho Federativo Estadual, no interior. Isto
possibilitou o aumento de casas espíritas, e também, um maior
entrosamento, um maior intercâmbio entre a Federação e os
centros espíritas do interior e, ao mesmo tempo, entre as várias
coordenadorias regionais. De forma que hoje o Movimento Espírita
paraibano está bem integrado.
Outra atuação
importante foi a transferência da antiga sede, que permaneceu 40
anos no centro de João Pessoa, para a nova sede que atualmente
dispõe de espaço físico de quase quatro mil metros quadrados e
de um dos maiores auditórios do Estado, esses dois marcos nos
parecem significativos.
P: – Desde
a sua participação inicial no Conselho Federativo Nacional e a
criação da Comissão Regional Nordeste, você sente reflexos
destes órgãos sobre o Movimento Espírita na Paraíba e no
Nordeste?
R:
– Quando iniciamos nossa participação em 1972, funcionavam os
Conselhos Zonais. Os Estados participavam atreves destas
Reuniões Zonais, apresentando temas que eram estudados durante
aproximadamente dois anos e meio, havendo a conclusão final em
Reunião do Conselho Federativo Nacional. Era muito pequeno o
entrosamento existente entre os Estados. Não havia um trabalho
maior de intercâmbio. E os eram poucos em nível de Nordeste.
Como a Paraíba é um Estado dos mais pobres e menores do Brasil,
naturalmente o processo era muito autocrático e não havia maior
participação em relação ao interior. A partir do trabalho dos
Conselhos Zonais, numa reunião ocorrida em João Pessoa, em 1980,
concluiu-se pelo estudo direcionado à orientação ao Centro
Espírita. Entendemos que deveríamos partir para maior
dinamização do Movimento com participação entre os Estados e
participação no trabalho de interiorização do Movimento Espírita
paraibano. Desde a Comissão Regional Nordeste, iniciada em 1986,
sentimos que houve um crescimento em qualidade e em quantidade
de eventos no Nordeste. Houve a implantação do Estudo
Sistematizado de Doutrina Espírita, a participação no trabalho
da infância e da juventude sempre com a coordenação da FEB, e
assim se criou a possibilidade de termos as Comissões Regionais
Nordeste com seus áreas. Embora ainda existam pouquíssimas
resistências, o dirigente da atualidade está consciente de que
deve participar dos trabalhos federativos. Então, a Comissão
Regional Nordeste vem crescendo muito, convidando-nos a
trabalhar mais e nos organizar melhor para atender a esse grande
processo de crescimento do Espiritismo no Nordeste.
|