O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 

Título :
Movimento Espírita na Paraíba

Entrevistado:
José Raimundo de Lima

Fonte:
Reformador
Janeiro de 2006
 

ENTREVISTAS

          

José Raimundo de Lima, Presidente da Federação Espírita Paraibana, destaca os 90 anos desta Entidade Federativa. Comenta que o trabalho para qualificação do trabalhador e do dirigente espírita é imprescindível, a fim de vencermos os obstáculos para o desenvolvimento da Casa de do Movimento Espírita.

P: – Há quanto tempo você atua no Movimento Espírita?
R: – Iniciamos o contato com o Espiritismo em fevereiro de 1969, e nas atividades do Movimento Espírita já no ano seguinte começamos a ter participação em nível interestadual do trabalho infanto-juvenil.

P: – E as suas atividades no trabalho de unificação?
R: – A partir de 1972 passamos a freqüentar um curso de juventude e desde então nos envolvemos com o trabalho da Federação Espírita Paraibana. Constatamos a ausência de trabalhadores envolvidos na tarefa de unificação e como, de certa forma, temos facilidade de comunicação em trabalho de grupo, aí nos agregamos.

P: – Nesse período de tempo você notou alguma alteração no cenário do Movimento Espírita da Paraíba?
R: – Notamos alterações não só no cenário de Movimento Espírita da Paraíba, mas principalmente no Nordeste. Sentimos mudanças de paradigmas e de hábitos e, graças a Deus, sempre no sentido positivo.

P: – A Federação Espírita Paraibana está completando 90 anos de existência. O que você teria a dizer sobre este marco?
R: – A Federação completa 90 anos, no dia 17 de janeiro de 2006, e para isso estamos fazendo um trabalho para tentar resgatar a memória do Espiritismo na Paraíba. Estamos lançando o livro 90 Anos de Espiritismo com Jesus, focalizando o que aconteceu a partir de 1916. Mas há alguns fatos interessantes anteriores a esta data. Neste livro, naturalmente resgatamos muitos fatos históricos que nem tínhamos conhecimento. Chegamos, por exemplo, a ter provas de que no ano de 1898 já ocorriam reuniões espíritas na cidade de Areia, terra natal de José e Pedro Américo. Temos confirmação que antes da fundação da Federação, Solano Lucena já fazia reunião espírita na cidade de Bananeiras e depois, como Governador, autorizou a impressão do jornal O Além nas gráficas do Palácio Redenção (sede do Governo Estadual). Reformador publicou uma comunicação deste Espírito em agosto de 1926. Outro fato interessante ocorreu com José Rodrigues Ferreira, nascido nos Estados Unidos, filho de diplomata brasileiro, engenheiro civil, e que veio ao Nordeste trabalhar na implantação das redes ferroviárias, e terminou sendo Presidente da Federação Espírita Paraibana (1924-1928). Este, ao desencarnar, pediu aos seus parentes que incluíssem no seu túmulo a mesma inscrição colocada no túmulo de Kardec, em Paris. Registramos também a visita da Caravana da Fraternidade, e há retratos, inclusive, da presença de todo aquele pessoal; a visita de Pietro Ubaldi e do ex-Presidente da Federação Espírita Portuguesa Isidoro Duarte, à Paraíba, em 1952.

P: – Houve espíritas paraibanos que estiveram vinculados à FEB e ao Movimento Espírita Brasileiro?
R: – Podemos citar dois importantes lideres nascidos na Paraíba: Leopoldo Cirne, que foi Vice-Presidente da FEB na gestão de Bezerra de Menezes (1895-1900) e Presidente de 1900 a 1914, tendo construído a sede da Avenida Passos n. 30, e exercido a função de Redator-Secretário de Reformador, de 1905 a 1913. O outro foi Arthur Lins de Vasconcellos, um dois grandes divulgadores e incentivadores do Movimento Espírita em âmbito nacional, sendo signatário do Pacto Áureo. Sempre contamos com bons trabalhadores espíritas que estão ligados ao processo federativo.

P: – Quais são as principais linhas de atuação da Federação Espírita Paraibana?
R: – Estamos trabalhando na área federativa e quando assumimos a Federação, em 1985, contávamos com 54 centros espíritas. Hoje nós estamos com 116, e incentivamos o trabalho de interiorização do Movimento Espírita, de maneira que tivemos de alterar o rumo administrativo da Federação, abrindo espaço para a realização de reuniões do Conselho Federativo Estadual, no interior. Isto possibilitou o aumento de casas espíritas, e também, um maior entrosamento, um maior intercâmbio entre a Federação e os centros espíritas do interior e, ao mesmo tempo, entre as várias coordenadorias regionais. De forma que hoje o Movimento Espírita paraibano está bem integrado.

Outra atuação importante foi a transferência da antiga sede, que permaneceu 40 anos no centro de João Pessoa, para a nova sede que atualmente dispõe de espaço físico de quase quatro mil metros quadrados e de um dos maiores auditórios do Estado, esses dois marcos nos parecem significativos.

P: – Desde a sua participação inicial no Conselho Federativo Nacional e a criação da Comissão Regional Nordeste, você sente reflexos destes órgãos sobre o Movimento Espírita na Paraíba e no Nordeste?
R: – Quando iniciamos nossa participação em 1972, funcionavam os Conselhos Zonais. Os Estados participavam atreves destas Reuniões Zonais, apresentando temas que eram estudados durante aproximadamente dois anos e meio, havendo a conclusão final em Reunião do Conselho Federativo Nacional. Era muito pequeno o entrosamento existente entre os Estados. Não havia um trabalho maior de intercâmbio. E os eram poucos em nível de Nordeste. Como a Paraíba é um Estado dos mais pobres e menores do Brasil, naturalmente o processo era muito autocrático e não havia maior participação em relação ao interior. A partir do trabalho dos Conselhos Zonais, numa reunião ocorrida em João Pessoa, em 1980, concluiu-se pelo estudo direcionado à orientação ao Centro Espírita. Entendemos que deveríamos partir para maior dinamização do Movimento com participação entre os Estados e participação no trabalho de interiorização do Movimento Espírita paraibano. Desde a Comissão Regional Nordeste, iniciada em 1986, sentimos que houve um crescimento em qualidade e em quantidade de eventos no Nordeste. Houve a implantação do Estudo Sistematizado de Doutrina Espírita, a participação no trabalho da infância e da juventude sempre com a coordenação da FEB, e assim se criou a possibilidade de termos as Comissões Regionais Nordeste com seus áreas. Embora ainda existam pouquíssimas resistências, o dirigente da atualidade está consciente de que deve participar dos trabalhos federativos. Então, a Comissão Regional Nordeste vem crescendo muito, convidando-nos a trabalhar mais e nos organizar melhor para atender a esse grande processo de crescimento do Espiritismo no Nordeste.