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Vasta folha de
serviços prestados ao Movimento Espírita fizeram-na conhecida e
respeitada em todo Brasil. Perseverança e fidelidade doutrinária
caracterizam seu perfil.
Militando na
Doutrina Espírita há mais de 40 anos, com palestras proferidas
em vários Estados brasileiros, diversos livros publicados e
firme atuação no Centro Espírita Allan Kardec, de Campinas-SP,
nossa entrevistada transmite em suas palavras a solidez da boa
formação doutrinária. Os leitores encontrarão ainda o empenho da
escritora Therezinha Oliveira pela divulgação e o estudo
espírita, que deve caracterizar nossas Casas Espíritas.
P: – A Sra.
está em Campinas há quanto tempo e desde quando vinculada ao
Centro Espírita Allan Kardec?
R:
– Desde 1956, quando minha família se mudou para esta cidade,
integrei-me no CEAK. Nesse mesmo ano, ingressei na Mocidade
Espírita “Allan Kardec” e comecei a colaborar com escritos no
jornal “Alavanca”. Em seguida assumi a presidência da Mocidade e
a responsabilidade pelo Jornal, assim militando vários anos.
P: – Quais
suas atividades no Centro?
R:
– Após ter militado na MEAK, organizei os cursos doutrinários do
Centro e comecei a fazer parte da Diretoria do centro,
inicialmente no cargo de Secretária, depois como Presidente em
duas gestões, e Vice-Presidente, em outras mais.
Atualmente
respondo pela Diretoria de Estudos e Divulgação Doutrinária do
CEAK. A ela estão afetos todos os cursos doutrinários do Centro
e de seus núcleos doutrinários, bem como a divulgação oral
(palestras) e pela arte (coral, teatro, etc.).
P: – Como e
quando tornou-se espírita?
R:
– Foi em Ribeirão Preto, freqüentando o então chamado “catecismo
espírita” para crianças, acompanhando a mãe a reuniões
mediúnicas (o que proporcionou-me muita experiência pela
observação dos fenômenos de manifestação dos espíritos), lendo
livros espíritas que a mãe trazia do centro.
Nessa época
conheci o C.E. “Apóstolo Paulo” e freqüentei o C.E. “Eurípedes
Barsanulfo”, que era dirigido pelo benemérito José Papa e
atualmente se denomina União Espírita.
P: – Quais
os livros publicados?
R:
– São todos eles as antigas apostilas dos cursos doutrinários
elaborados e ministrados no CEAK, que foram sendo ampliadas e
melhoradas com o correr dos anos: “Iniciação ao Espiritismo”,
“Mediunidade”, “Reuniões Mediúnicas”, “Fluidos e Passes”,
“Oratória a Serviço do Espiritismo” e “Estudos Espíritas do
Evangelho”.
De caráter
didático, servem à aquisição de conhecimentos básicos sobre o
Espiritismo, mas visam, em especial a preparação de seareiros
para colaborarem com eficiência e correção doutrinária nos
Centros Espíritas. Atualmente, essas obras estão sendo
publicadas pelo Departamento Editorial do C.E. “Allan Kardec”,
de Campinas.
Como co-autora,
figuro nos livros “Seareiros da Atualidade” (com vários
escritores), “Estamos Unidos”, (com Antonio Fernandes Rodrigues
e Armando Fernandes de Oliveira) e “Em Busca do Homem Novo” (com
Richard Simonetti e Sergio Lourenço), todos editados pela E.M.E.
P: – E a
experiência com as viagens de palestras? Relate-nos sobre essa
experiência.
R:
- O que me abriu as portas da tarefa da divulgação doutrinária
através de palestras no movimento espírita foi um concurso de
oratória na XII Concentração de Mocidades Espíritas do Brasil
Central e do Estado de São Paulo, realizada em Bauru, no ano de
1959. E a primeira palestra espírita que realizei fora de
Campinas foi a 29 de agosto daquele mesmo ano, na cidade de São
Carlos.
Em 1960,
dediquei-me com outros companheiros à realização do XIII
Concentração em Campinas, porém, a partir de 1961, os convites
de vários confrades me permitiram palestrar em diversas cidades
paulistas. E o Senhor Hugo Gonçalves levando-me inicialmente a
Cambe, franqueou para mim o convívio com os companheiros do
Norte do Paraná. Depois, Olga Mathion (que é de Jundiaí, mas
estava a serviço do então INPS no Rio de Janeiro), me ofereceria
conhecer e colaborar no movimento espírita daqueles Estados. Ao
longo desses 40 anos ininterruptos, visitei, também, cidades de
Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Espírito Santo.
P: – Como
tem visto o Movimento Espírita no Brasil? E no Exterior?
R:
– O Movimento Espírita no Exterior acompanho somente pelo
noticiário e relatos dos confrades, pois não tive o ensejo de
sair do país. Mas, quanto ao Movimento Espírita no Brasil, posso
dizer que conheço um pouco, pelo menos nas regiões visitadas, e
que participar dele tem sido, para mim, extremamente
enriquecedor intelectual e moralmente.
O Movimento
Espírita Brasileiro, quanto posso conhecer, me faz sentir que
não estamos sós! Fazemos parte de uma grande família que
sustenta sem desânimo o ideal espírita e procura exemplificar a
caridade ensinada por Jesus! E nele visualizamos o mundo melhor
de amanhã.
P: – Nos
centros e grupos que tem visitado, que avaliação a Sra. Pode
apresentar sobre as atividades espíritas desenvolvidas pelos
grupos espíritas?
R:
- Certamente, há a necessidade de um constante esforço para que
os espíritas e as casas espíritas sejam esclarecidos quanto ao
zelo que devem ter pela pureza doutrinária e a fidelidade que
devem manter à codificação kardequiana., tanto nas idéias como
nas práticas. A seara espírita, como qualquer cultivo, pode e
exige constante cuidado e empenho para que o joio não prolifere
e o trigo possa germinar e frutificar com êxito, alimentando a
todos.
Entretanto, não
obstante os naturais percalços da realização coletiva, que as
casa espíritas também apresentam, quantos aços de estima e
colaboração a seara me tem ensejado! Quantas experiências
vividas! Quanto aprendi na permuta de informações, trabalhos e
fraternidade com os confrades, em todas as cidades visitadas! Só
posso agradecer a Deus por me ter permitido conhecer na presente
encarnação a Doutrina Espírita e poder me unir e colaborar com
os demais adeptos nas tarefas dignificantes e edificantes que o
Movimento Espírita enseja!
P: – Nos
seminários, cursos e palestras que tem proferido, quais os temas
mais procurados pelo público e organizadores? Por quê? Quais os
resultados percebidos?
R:
- Nas palestras, quando me deixam geralmente o tema livre,
costumo dar preferência aos enfoques filosóficos e evangélicos
que a Doutrina Espírita oferece.
Já para os cursos
ou seminários, talvez em virtude das tarefas a que me tenho
dedicado no CEAK, geralmente me pedem que aborde: a mediunidade,
o diálogo com os espíritos, atendimento fraterno, passes, a
pureza doutrinária, ou seja, enfoques objetivos visando a
orientação das práticas.
Quanto aos
resultados, na semeadura das idéias espíritas, não podemos ser
imediatistas, mas sem dúvida sempre haverá bons resultados,
bastando que, às palavras, unamos a vivência e a exemplificação
das idéias semeadas.
Comparemos com o
obscurantismo e a intolerância do passado, sofridos e vencidos
pelos nossos admiráveis pioneiros, e veremos que atualmente
existe grande interesse popular quanto à Doutrina Espírita e
gozam de bom conceito os espíritas e o Movimento. Resultados
estes que nos animam a todos a perseverarmos no estudo, prática
e divulgação do ideal espírita.
P: –
Especificamente sobre o tradicional Centro Espírita Allan
Kardec, em Campinas, que relatos sobre o público a Sra. Nos
apresenta, em termos de motivação, envolvimento com a casa, bem
como estudos e divulgação da Doutrina? O Centro possui núcleos
de trabalho espalhados pela cidade?
R:
– É de fato o CEAK uma instituição já tradicional em Campinas,
nos seus 64 anos de existência, completados em setembro deste
ano.
Graças aos seus
pioneiros, especialmente o seu fundador, Gustavo Marcondes, o
CEAK, desde seu início, buscou unir o estudo, a divulgação e
prática do Espiritismo, com o exercício da assistência e
promoção social, conquistando pelos serviços prestados a estima
e respeito dos campineiros.
Suas três obras,
Instituto Popular “Humberto de Campos”, Educandário “Eurípedes”
e Creche “Gustavo Marcondes” atendem a uma variada clientela de
carentes, dedicando-se especialmente às crianças e aos
adolescentes, para eles mantendo, inclusive, diversas atividades
profissionalizantes.
No campo
doutrinário, conta com cerca de 150º colaboradores, que servem
na recepção, atendimento fraterno, preleções e passes, bem como
nas reuniões mediúnicas ou nas atividades de exposição
doutrinária. Todo o ano, os cursos entregam novas turmas para se
entrosarem nas atividades doutrinárias do CEAK e de seus
núcleos, que já são três, espalhados pela cidade: o Núcleo Vila
Nova (anexo ao Educandário Eurípedes), o Núcleo de Sousas (anexo
à Creche Gustavo Marcondes) e o Núcleo Proença, denominado
“Alvorada do Cristo”.
P: – Suas
palavras finais.
R:
- Agradeço à RIE que alcança tão grande população, a
oportunidade de me dirigir aos seus leitores para esta troca
fraterna de informações e experiências.
Espíritas ou não,
perseveremos todos no Bem e construamos, assim, o mundo melhor
que tanto desejamos. “Tudo é possível àquele que crê!”.
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