O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 

Título :
Trajetória de Exemplos e Realizações

Entrevistado:
Therezinha Oliveira

Fonte:
RIE
Março de 2002
 

ENTREVISTAS

          

Vasta folha de serviços prestados ao Movimento Espírita fizeram-na conhecida e respeitada em todo Brasil. Perseverança e fidelidade doutrinária caracterizam seu perfil.

Militando na Doutrina Espírita há mais de 40 anos, com palestras proferidas em vários Estados brasileiros, diversos livros publicados e firme atuação no Centro Espírita Allan Kardec, de Campinas-SP, nossa entrevistada transmite em suas palavras a solidez da boa formação doutrinária. Os leitores encontrarão ainda o empenho da escritora Therezinha Oliveira pela divulgação e o estudo espírita, que deve caracterizar nossas Casas Espíritas.

P: – A Sra. está em Campinas há quanto tempo e desde quando vinculada ao Centro Espírita Allan Kardec?
R: – Desde 1956, quando minha família se mudou para esta cidade, integrei-me no CEAK. Nesse mesmo ano, ingressei na Mocidade Espírita “Allan Kardec” e comecei a colaborar com escritos no jornal “Alavanca”. Em seguida assumi a presidência da Mocidade e a responsabilidade pelo Jornal, assim militando vários anos.

P: – Quais suas atividades no Centro?
R: – Após ter militado na MEAK, organizei os cursos doutrinários do Centro e comecei a fazer parte da Diretoria do centro, inicialmente no cargo de Secretária, depois como Presidente em duas gestões, e Vice-Presidente, em outras mais.

Atualmente respondo pela Diretoria de Estudos e Divulgação Doutrinária do CEAK. A ela estão afetos todos os cursos doutrinários do Centro e de seus núcleos doutrinários, bem como a divulgação oral (palestras) e pela arte (coral, teatro, etc.).

P: – Como e quando tornou-se espírita?
R: – Foi em Ribeirão Preto, freqüentando o então chamado “catecismo espírita” para crianças, acompanhando a mãe a reuniões mediúnicas (o que proporcionou-me muita experiência pela observação dos fenômenos de manifestação dos espíritos), lendo livros espíritas que a mãe trazia do centro.

Nessa época conheci o C.E. “Apóstolo Paulo” e freqüentei o C.E. “Eurípedes Barsanulfo”, que era dirigido pelo benemérito José Papa e atualmente se denomina União Espírita.

P: – Quais os livros publicados?
R: – São todos eles as antigas apostilas dos cursos doutrinários elaborados e ministrados no CEAK, que foram sendo ampliadas e melhoradas com o correr dos anos: “Iniciação ao Espiritismo”, “Mediunidade”, “Reuniões Mediúnicas”, “Fluidos e Passes”, “Oratória a Serviço do Espiritismo” e “Estudos Espíritas do Evangelho”.

De caráter didático, servem à aquisição de conhecimentos básicos sobre o Espiritismo, mas visam, em especial a preparação de seareiros para colaborarem com eficiência e correção doutrinária nos Centros Espíritas. Atualmente, essas obras estão sendo publicadas pelo Departamento Editorial do C.E. “Allan Kardec”, de Campinas.

Como co-autora, figuro nos livros “Seareiros da Atualidade” (com vários escritores), “Estamos Unidos”, (com Antonio Fernandes Rodrigues e Armando Fernandes de Oliveira) e “Em Busca do Homem Novo” (com Richard Simonetti e Sergio Lourenço), todos editados pela E.M.E.

P: – E a experiência com as viagens de palestras? Relate-nos sobre essa experiência.
R: - O que me abriu as portas da tarefa da divulgação doutrinária através de palestras no movimento espírita foi um concurso de oratória na XII Concentração de Mocidades Espíritas do Brasil Central e do Estado de São Paulo, realizada em Bauru, no ano de 1959. E a primeira palestra espírita que realizei fora de Campinas foi a 29 de agosto daquele mesmo ano, na cidade de São Carlos.

Em 1960, dediquei-me com outros companheiros à realização do XIII Concentração em Campinas, porém, a partir de 1961, os convites de vários confrades me permitiram palestrar em diversas cidades paulistas. E o Senhor Hugo Gonçalves levando-me inicialmente a Cambe, franqueou para mim o convívio com os companheiros do Norte do Paraná. Depois, Olga Mathion (que é de Jundiaí, mas estava a serviço do então INPS no Rio de Janeiro), me ofereceria conhecer e colaborar no movimento espírita daqueles Estados. Ao longo desses 40 anos ininterruptos, visitei, também, cidades de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Espírito Santo.

P: – Como tem visto o Movimento Espírita no Brasil? E no Exterior?
R: – O Movimento Espírita no Exterior acompanho somente pelo noticiário e relatos dos confrades, pois não tive o ensejo de sair do país. Mas, quanto ao Movimento Espírita no Brasil, posso dizer que conheço um pouco, pelo menos nas regiões visitadas, e que participar dele tem sido, para mim, extremamente enriquecedor intelectual e moralmente.

O Movimento Espírita Brasileiro, quanto posso conhecer, me faz sentir que não estamos sós! Fazemos parte de uma grande família que sustenta sem desânimo o ideal espírita e procura exemplificar a caridade ensinada por Jesus! E nele visualizamos o mundo melhor de amanhã.

P: – Nos centros e grupos que tem visitado, que avaliação a Sra. Pode apresentar sobre as atividades espíritas desenvolvidas pelos grupos espíritas?
R: - Certamente, há a necessidade de um constante esforço para que os espíritas e as casas espíritas sejam esclarecidos quanto ao zelo que devem ter pela pureza doutrinária e a fidelidade que devem manter à codificação kardequiana., tanto nas idéias como nas práticas. A seara espírita, como qualquer cultivo, pode e exige constante cuidado e empenho para que o joio não prolifere e o trigo possa germinar e frutificar com êxito, alimentando a todos.

Entretanto, não obstante os naturais percalços da realização coletiva, que as casa espíritas também apresentam, quantos aços de estima e colaboração a seara me tem ensejado! Quantas experiências vividas! Quanto aprendi na permuta de informações, trabalhos e fraternidade com os confrades, em todas as cidades visitadas! Só posso agradecer a Deus por me ter permitido conhecer na presente encarnação a Doutrina Espírita e poder me unir e colaborar com os demais adeptos nas tarefas dignificantes e edificantes que o Movimento Espírita enseja!

P: – Nos seminários, cursos e palestras que tem proferido, quais os temas mais procurados pelo público e organizadores? Por quê? Quais os resultados percebidos?
R: - Nas palestras, quando me deixam geralmente o tema livre, costumo dar preferência aos enfoques filosóficos e evangélicos que a Doutrina Espírita oferece.

Já para os cursos ou seminários, talvez em virtude das tarefas a que me tenho dedicado no CEAK, geralmente me pedem que aborde: a mediunidade, o diálogo com os espíritos, atendimento fraterno, passes, a pureza doutrinária, ou seja, enfoques objetivos visando a orientação das práticas.

Quanto aos resultados, na semeadura das idéias espíritas, não podemos ser imediatistas, mas sem dúvida sempre haverá bons resultados, bastando que, às palavras, unamos a vivência e a exemplificação das idéias semeadas.

Comparemos com o obscurantismo e a intolerância do passado, sofridos e vencidos pelos nossos admiráveis pioneiros, e veremos que atualmente existe grande interesse popular quanto à Doutrina Espírita e gozam de bom conceito os espíritas e o Movimento. Resultados estes que nos animam a todos a perseverarmos no estudo, prática e divulgação do ideal espírita.

P: – Especificamente sobre o tradicional Centro Espírita Allan Kardec, em Campinas, que relatos sobre o público a Sra. Nos apresenta, em termos de motivação, envolvimento com a casa, bem como estudos e divulgação da Doutrina? O Centro possui núcleos de trabalho espalhados pela cidade?
R: – É de fato o CEAK uma instituição já tradicional em Campinas, nos seus 64 anos de existência, completados em setembro deste ano.

Graças aos seus pioneiros, especialmente o seu fundador, Gustavo Marcondes, o CEAK, desde seu início, buscou unir o estudo, a divulgação e prática do Espiritismo, com o exercício da assistência e promoção social, conquistando pelos serviços prestados a estima e respeito dos campineiros.

Suas três obras, Instituto Popular “Humberto de Campos”, Educandário “Eurípedes” e Creche “Gustavo Marcondes” atendem a uma variada clientela de carentes, dedicando-se especialmente às crianças e aos adolescentes, para eles mantendo, inclusive, diversas atividades profissionalizantes.

No campo doutrinário, conta com cerca de 150º colaboradores, que servem na recepção, atendimento fraterno, preleções e passes, bem como nas reuniões mediúnicas ou nas atividades de exposição doutrinária. Todo o ano, os cursos entregam novas turmas para se entrosarem nas atividades doutrinárias do CEAK e de seus núcleos, que já são três, espalhados pela cidade: o Núcleo Vila Nova (anexo ao Educandário Eurípedes), o Núcleo de Sousas (anexo à Creche Gustavo Marcondes) e o Núcleo Proença, denominado “Alvorada do Cristo”.

P: – Suas palavras finais.
R: - Agradeço à RIE que alcança tão grande população, a oportunidade de me dirigir aos seus leitores para esta troca fraterna de informações e experiências.

Espíritas ou não, perseveremos todos no Bem e construamos, assim, o mundo melhor que tanto desejamos. “Tudo é possível àquele que crê!”.