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Depois de 82 anos
de liderança masculina na FEEB – Federação Espírita do Estado da
Bahia foi eleita presidente da diretoria executiva e procurou
implementar uma forma de administração “centrada na pessoa”,
alertando para uma revisão do paradigma vigente, no sentido de
que cada componente do grupo de trabalho se conscientizasse do
seu papel como espírito em evolução, para não se perder na
questão do “fazer”, mas realizando-se na busca do Ser.
Edinólia
Pinto Peixinho, 52 anos, Pedagoga, Orientadora
Educacional, natural de Consanção, Estado da Bahia, atual
presidente da Federação Espírita do Estado da Bahia.
Iniciou as
atividades espíritas nos anos 70, participando do grupo da
Juventude Espírita Serrinhense, no interior do Estado. Aos 25
anos exerceu a função de Vice-presidente do Centro Espírita
“Deus, Cristo e Caridade”, na cidade de Serrinha, durante duas
gestões.
Mais tarde, em
Salvador, trabalhou durante 15 anos como evangelizadora de
infância no Centro Espírita “Caminho da Redenção” e por 6 anos
foi diretora do Departamento de Infância e Juventude da FEEB –
Federação Espírita do Estado da Bahia, acumulando as atividades;
passou três anos na secretaria da FEEB e depois mãos 3 anos como
Presidenta. Foi reeleita para a gestão 2000-2003.
P: – Quando
e como a Federação foi fundada e quais as suas atividades?
R:
– O Movimento de Unificação da Bahia nasceu em 1915 por
iniciativa de José Petitinga que fundou a União Espírita Baiana
– UEB. Com o advento do Pacto Áureo, em 1949, e a visita da
“Caravana da Fraternidade”, foi fundada pelos dirigentes da
União e Centros Espíritas de Salvador a União Social Espírita da
Bahia (USEB) que tinha trabalhos exclusivamente federativos.
Um acordo
institucional em 1972 fundiu a UEB e a USEB em um novo organismo
que é a atual Federação Espírita do Estado da Bahia.
Suas atividades se
dividem em dois núcleos: a “Casa de Petitinga”, no centro
histórico da cidade onde funcionam as antigas atividades do
Centro Espírita da União Espírita Baiana, e a FEEB – Iguatemi,
onde se desenvolvem periodicamente as chamadas atividades
federativas sob a forma de treinamentos, seminários, encontros
de dirigentes, etc.
Neste ano, já
realizamos a XX Confraternização de Juventudes Espíritas da
Bahia, em Itabuna, com cerca de 1000 participantes e a
Conferência Espírita Brasil Portugal.
P: – Tem
encontrado problemas ou barreiras no exercício de sua função,
pelo fato de ser uma líder espírita mulher? Quais?
R:
– Levantando a bandeira do “Amai-vos” e “Instruí-vos”,
conseguimos sensibilizar os companheiros para a prática mais
acentuada de vivência evangélica, convidando-os à reflexão do
que temos feito em coerência com o que já adquirimos em nível
intelectual.
Assim, embora os
desafios existam, o esforço empregado no exercício das empresas
da amorosidade, acredito, tenha minimizado as barreiras de
denominação masculina. Não tenho detectado nenhum sinal de
resistência pelo fato de ser mulher. Os desafios do trabalho são
mais vinculados à dificuldade de uma “visão sistemática” do
processo federativo.
P: – Como é
a convivência das religiões afro-brasileiras, de forte
influência na sociedade baiana e a Doutrina Espírita?
Poder-se-ia dizer que as religiões afro-brasileiras, mais
notadamente a Umbanda, estariam se aproximando do Espiritismo?
R:
– Na Bahia, do ponto de vista da convivência, há sempre algumas
facilidades decorrentes da antropologia do seu povo. Não há
aproximação entre as religiões Afro-Brasileiras e o Espiritismo,
pois as práticas são muito diferentes. Entretanto, a convivência
é fraterna, como se pode verificar nos convites trocados para
atos ecumênicos.
Em alguns centros
(não adesos à FEEB) se verificam práticas sincretistas, o que
compreendemos, dentro do exercício da liberdade e respeito que
devemos ter pelo outro.
P: – Como
vai o trabalho de Unificação no seu Estado?
R:
– O trabalho de unificação é progressivo e talvez lento em
relação aos nossos anseios. Entretanto, podemos contabilizar
vários sucessos na agregação da família espírita baiana, como a
maciça participação de dirigentes e trabalhadores espíritas na
definição das diretrizes do trabalho federativo, a capacidade de
integração dos Congressos Estaduais em 2002 (já vamos realizar o
XI), a mobilização provocada pelos encontros macro-regionais,
agregando lideranças de regiões distantes do interior da Bahia e
o trabalho departamental na área mediúnica, infanto-juvenil,
divulgação doutrinária, estudo sistematizado, arte espírita, que
também tem permitido esta aproximação.
Mais importante,
entretanto, é o emprego do fazer administração em que a pessoa e
o seu desenvolvimento espiritual e afetivo estão em primeiro
lugar. Tem sido gratificante verificar o decréscimo das
resistências ao modelo federativo, pela atuação persistente
através de laços de fraternidade.
P: –
Quantos Centros Espíritas existem no Estado e quantos são unidos
ou filiados à FEEB?
R:
- Temos
cadastrados: centros filiados – 218 e centros não filiados –
275. Total de 493.
Importante
ressaltar que os não adesos, reconhecidamente com atividades
espíritas, também são convidados e comparecem aos nossos
encontros.
P: – Quais
são os problemas e dificuldades encontrados no movimento
espírita que devem se r observados pelos líderes espíritas e que
devam ser sanados?
R:
- Acreditamos que as dificuldades do movimento espírita são
fruto das nossas próprias limitações. Podem ser sanadas
fazendo-se o diagnóstico do movimento e assumindo a
responsabilidade que é nossa.
Seria importante
perguntarmos: O que há em nós, que só conseguimos fazer este
movimento? Vamos refletir.
P: – Como a
FEEB conseguiu construir a nova sede? Possui editora,
distribuidora, clube do livro ou outras atividades comerciais?
R:
- A sede foi construída graças a abnegação de diferentes
companheiros utilizando-se de recursos doados e campanhas. A
FEEB possui duas livrarias e distribuidoras de livros como
atividades comerciais.
P: – Há
alguma atividade interna da FEEB, além da federativa? Há
posicionamento no movimento espírita de que a federativa deve
ser meramente uma entidade coordenadora do movimento espírita e
que não deve ter atividades que são atribuições dos Centros
Espíritas. O que você pensa sobre esse aspecto de uma
federativa?
R:
- Já foi dito que temos atividades de Centro Espírita na sede
antiga da Federação. Também na sede nova existem algumas
atividades como a Assistencial, em função de uma necessidade
circunstancial relativa a região em que estamos inseridos, com
uma favela bem próxima.
Ainda não há um
posicionamento efetivo quanto existir outras atividades neste
novo espaço. Pessoalmente sou favorável em que a Federação seja
o espaço dos Centros Espíritas. Entretanto, a experiência
anterior, em outro momento histórico, não foi favorável. Estamos
atualmente levantando esta questão para decidirmos pela
identidade da sede nova desta Federação.
P: – Quais
foram os pontos altos da Conferencia Espírita Brasil-Portugal,
recentemente realizada em Salvador, nos dias 16 a 19 de março,
realizada sob a responsabilidade da FEEB?
R:
– A convivência fraterna entre povos, o nível de organização, a
qualidade das conferências em presença espiritual e participação
do movimento espírita internacional.
P: - Há
algum outro evento de repercussão estadual ou nacional
programada?
R:
- Em julho realizaremos eventos macro-regionais de trabalhadores
espíritas em 7 cidades-pólo e em dezembro faremos o Encontro
Estadual de Espiritismo.
P: – Suas
considerações finais.
R:
- Há uma expectativa de crescimento cada vez mais abrangente na
divulgação da Doutrina Espírita, apontando para sua prática,
minimizando deste modo as dificuldades nossas em relação ao
movimento espírita. No limiar do terceiro milênio, há de se
avaliar paradigma cartesiano para que possamos conseguir dar
passos largos no sentido evolutivo.
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