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A convivência com
Herculano Pires e a leitura constante de suas obras,
despertaram-na para a idéia da Pedagogia Espírita. Foi, ainda,
ao influxo de Herculano que enveredou por uma visão critica do
movimento espírita, procurando sempre manter fidelidade ao
pensamento de Kardec. Estudando na Europa teve acesso a um dos
maiores pedagogos de todos os tempos, Pestalozzi, não por acaso,
mestre de Kardec.
De profissão
jornalista, escritora de nascença, educadora por vocação, mestre
e doutorada em Educação pela USP, Dora Incontri
está fazendo tese sobre Pedagogia espírita. Espírita desde
criança, de família, médium psicografa desde os 11 e de
psicofonia desde os 15. É poeta nas horas vagas.
Obras já publicadas:
- Chamas de Paz – Poesias minhas, 1982.
- Imortais da Poesia – Poesias psicografadas, 1983 – Correio
Fraterno.
- Educação da Nova Era – Ensaio, 1984, reedição revisada e
rescrita, 1998, Editora Comenius.
- Estação Terra – comunicação no Tempo e no Espaço –
Paradidático, 1991, Editora Moderna.
- Pestalozzi, Educação e Érica, 1996, Editora Scipione.
- A Educação segundo o Espiritismo, 1997, Edições Feesp.
- Textos Pedagógicos – Tradução de textos inéditos de Kardec, em
português, 1997, Editora Comenius.
- Conforto Espírita – Mensagens Psicografadas 1997, IDEBA.
- Francisco, o pobre rico de Assis – Infantil, 1998, Editora
Comenius.
P: – O seu
envolvimento com a Educação teve a influência de Herculano
Pires? Você o conheceu?
R:
– O envolvimento com a Educação teve várias origens: a primeira,
provavelmente reencarnatória, deve ser um assunto com que já
mexi em outras vidas, mas, agora, tive influência de minha mãe,
a quem acompanhava desde pequena em seu trabalho pedagógico numa
favela de São Paulo. Foi também minha mãe que me deu uma
educação libertária, diferente, com ampla liberdade de expressão
e igualdade de relações na família. Depois, a convivência, desde
2 anos de idade com Herculano Pires e a leitura constante de
suas obras, despertaram-me para a idéia da Pedagogia Espírita.
As estadias de vários anos na Alemanha também foram
determinantes. Lá, tive a oportunidade de estudar nas 5ª. E 6ª.
Série e depois no 1º. Ano do ensino médio, em escolas avançadas
pedagogicamente, o que me sensibilizou para a necessidade de uma
mudança radical na Pedagogia. O aprendizado da língua alemã,
além do francês, inglês, italiano, foi providencial, pois me
abriu o acesso para um dos maiores pedagogos de todos os tempos,
Pestalozzi, não por acaso, mestre de Kardec e inspiração de meus
trabalhos atuais.
Herculano Pires
exerceu influência decisiva em minha vida, não só pela afinidade
afetiva que sempre tivemos, mas pelas idéias espíritas e
filosóficas. Foi ao seu influxo que enveredei por uma visão
crítica do movimento espírita, procurando sempre manter
fidelidade ao pensamento de Kardec. Também a proposta em que
estamos trabalhando no Instituto Espírita de Estudo Pedagógico e
na Editora Comenius tem inspiração em Herculano, pois trata-se
de resgatar o Espiritismo em seu aspecto cultural e pedagógico.
P: – O que
é Educação Espírita? Por que Pedagogia Espírita?
R:
– A resposta a essa pergunta cabe em livros e cursos inteiros.
Mas tentando resumir algumas idéias, posso dizer que a Educação
Espírita deve ser uma nova forma de educar o homem, encarando-o
como um ser reencarnado, herdeiro de si mesmo, um ser integral e
divino, pleno de potencialidades. Essa educação não pode ser
coercitiva, modeladora, impositiva de fora para dentro, mas
promover um despertar do Espírito, para que ele construa a si
mesmo, num processo de auto-educação permanente. A Pedagogia
Espírita é a formulação teórica e a aplicação prática desta
Educação. É a disciplina que estuda e orienta um processo
educacional que leve em conta os dados fornecidos pela Doutrina
Espírita.
É bom frisar que a
Educação Espírita, como desenvolvi no meu livro “A Educação
segundo o Espiritismo” não é mera catequese de Espiritismo.
Aliás, pode-se praticar esta Educação com alunos espíritas e
não-Espíritas, pois trata-se de uma postura pedagógica e não de
uma doutrinação. O ensino do conteúdo espírita deve ser feito
para aqueles que assim o desejarem, porque já dizia Kardec
devemos respeitar a liberdade de consciência e o Espiritismo não
faz proselitismo.
P: – Como
se pode levar a Pedagogia Espírita às Universidades? Conte-nos a
sua experiência profissional no campo da Educação.
R:
– Em parte, já estou realizando este trabalho, com minha tese na
USP (Universidade de São Paulo), cujo título é “A Pedagogia
Espírita, um projeto brasileiro e suas raízes históricas”. Mas
também como atual coordenadora do curso de Pedagogia da
Faculdade Ítalo-Brasileira, estou praticando – sem fazer
proselitismo – uma pedagogia espírita. Acho que mais à frente
poderemos estabelecer em várias faculdades – e já tenho
propostas neste sentido – cursos de extensão universitária e
pós-graduação, que constituam uma especialização na área da
Pedagogia Espírita.
P: – Qual é
a proposta do Instituto Espírita de Estudos Pedagógicos, do qual
você é uma das fundadoras e coordenadoras?
R:
– A proposta é justamente pesquisar, debater e propagar a idéia
da Pedagogia Espírita, congregando pedagogos, pesquisadores,
interessados em geral, espíritas ou não-espíritas. Promovemos
cursos, grupos de estudos e também estamos começando a atuar na
prática, em trabalhos experimentais, como o projeto FEPASA, num
bairro carente em Jundiaí. Outra proposta nossa em andamento é a
formulação de um grande projeto pedagógico chamado Colônia
Pestalozzi.
P: –
Poderia adiantar para os leitores sobre este projeto?
R:
- Pouco, para não perdermos a impacto da surpresa e porque ainda
estamos no meio da discussão. Posso dizer que se trata de um
projeto ousado, com escola para crianças, adolescentes e um
curso superior de Educação. Temos um grupo com cerca de 30
pessoas, de diversas profissões e estamos formulando
minuciosamente o projeto desde setembro de 98. Deve ficar pronto
nos próximos meses. Queremos fazer algo com bastante
planejamento e consistência, pois já passou a época dos projetos
nascidos ao acaso, sem previsão ou fundamento.
P: -
Considerando que o Espiritismo desemboca no social, devem as
sociedades espíritas incentivar, apoiar e participar de eventos
promovidos por políticos, por exemplo, a instituição e posterior
comemoração do Dia dos Espíritos, do Dia de Allan Kardec, etc.?
R:
- O Espírita deve
atuar espiritamente no lar, na escola, no trabalho, sem
necessidade de fazer proselitismo. Todos deveriam perceber à sua
volta a qualidade ética e cultural de suas produções individuais
e coletivas, o que indicaria claramente a influência do
Espiritismo. Mas é preciso tomar certo cuidado em relação a
eventos promovidos por políticos para que o centro ou a
instituição espírita não se tornem joguetes de manipulação na
busca desenfreada de votos. Infelizmente, ainda no plano
político, as boas intenções aparecem muito obscurecidas por
interesses escusos e ambições pessoais. Não podemos cair na
armadilha em que caem certas denominações religiosas, de
angarias partidários e votos através das próprias instituições.
A política, como ramos do conhecimento humano, pode e deve ser
discutida nas instituições espíritas. Mas as instituições devem
ficar acima da politicagem, dos jogos partidários e das disputas
mesquinhas de poder.
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