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Espírita há quase
30 anos e com experiência profissional na área internacional,
nossa entrevistada relata as atividades espíritas na Suíça e
Europa. Entre elas o desafio de lançar um boletim num país que
usa quatro línguas oficiais. Com destaque para o pioneirismo da
Senhora Terezinha Rey, que fundou o primeiro grupo espírita na
Suíça contemporânea, os leitores encontrarão farto material no
texto da entrevista concedida à RIE.
A influência de
brasileiros no movimento espírita em outros continentes tem sido
expressiva. Levando a experiência vivenciada no Brasil,
Suzana Maia fundou em 1991 a Associação Filosófica Espírita
Francisco de Assis – Zurique -, que secretaria atualmente.
Também preside a União de Centros de Estudos Espíritas na Suíça
e tem participação no movimento espírita europeu.
P: – Acaba de ser
lançado na Suíça o Boletim Bimestral Quo Vadis, da União Dos
Centros de Estudos Espíritas na Suíça. Observamos a edição em 4
idiomas. Qual a experiência a relatar?
R: – Lançar o Quo Vadis foi um desafio a começar pela escolha do
nome. A Suíça é um país onde há quatro línguas oficiais: alemão,
Frances, italiano e o reto-românico, este último falado por
pouquíssimas pessoas em uma pequena região alpina. Além disso,
em se tratando de Espiritismo, não se pode deixar de lado o
português, uma vez que a maioria dos espíritas na Suíça ainda é
de brasileiros. Assim, era necessário escolher um nome que fosse
agradável a toda essa babel. O nome Quo Vadis nos veio por
inspiração e o adotamos imediatamente. Trata-se de expressão
latina significando “Aonde Vais?, que evoca o episodio belíssimo
e marcante do cristianismo nascente, relembrando o encontro de
Pedro com Jesus, às portas de Roma, quando o velho Apóstolo
fugia das perseguições contra cristãos. Nesta fase inicial do
boletim iremos dedicar algumas páginas para cada língua,
tentando tornar a leitura o mais agradável e variada possível
para a comunidade espírita na Suíça. Eliminamos o reto-românico,
por ser pouco usado, e assim teremos artigos nas outras línguas.
Em uma fase posterior a intenção é fazer edições separadas em
cada língua. Há sempre muitas traduções a serem feitas, além das
conseqüentes revisões, o que no final triplica o trabalho, mas
nos sentimos muito contentes e gratificados, pois o primeiro
número saiu dentro do cronograma estabelecido.
P: – Como está
hoje o Espiritismo na Suíça e qual a influência dos grupos
espíritas na Europa?
R: – O Espiritismo se encontra em expansão na Suíça. Nos últimos
seis anos tivemos a fundação de 6 novos grupos, que se
transformaram em florescentes Centros Espíritas. Devemos nos
recordar que no tempo de Kardec a Doutrina florescia por aqui,
com nomes de destaque, como Antoinette Bourdin, que publicou
inúmeros livros, em Genebra, no final do século, mas em
determinado momento houve um esvaziamento da Doutrina. A partir
da década de 70, entretanto, começou o renascimento da Doutrina
na Suíça, graças ao pioneirismo da Dra. Terezinha Rey, que deu
início à formação do primeiro grupo espírita na Suíça
contemporânea. A Dra. Terezinha sempre teve atuação marcante no
Movimento Espírita Europeu, tendo sido a fundadora da União dos
Centros de Estudos Espíritas na Suíça, em 1998, da qual foi sua
primeira Presidente. Temos procurado participar ativamente das
reuniões efetuadas na Europa, dando sempre a nossa contribuição
sob a forma de opiniões e sugestões.
P: – Há quanto
tempo a senhora mora na Suíça? E quando e como tornou-se
espírita? No Brasil ou na Suíça?
R: – Este é o meu segundo período na Suíça, pois já havia morado
aqui de 1991 a 1995. Entretanto, por razões profissionais,
mudei-me e retornei em outubro de 2000. Tornei-me espírita em
1972, em Brasília, onde freqüentava a comunhão espírita.
P: – Qual sua
profissão na Suíça?
R: – Sou funcionária do Ministério das Relações Exteriores e
exerço minhas funções no Consulado-Geral do Brasil, em Zurique.
P: – E quais suas
atribuições no movimento espírita suíço?
R: – Participamos ativamente do Movimento Espírita na Suíça,
tendo as funções de Secretária da Associação Filosófica Espírita
Francisco de Assis, em Zurique, a qual fundamos em 1991 e que
está agora comemorando os seus 10 anos de existência e onde,
entre outras coisas, somos palestrante e dirigente de grupo.
Somos também a Presidente da União de Centros de Estudos
Espíritas, na Suíça, cargo para o qual fomos eleita
recentemente, em março de 2001.
P: – Brasileiros
não espíritas na Suíça chegam a procurar os grupos espíritas,
atraídos pela presença e atuação dos brasileiros aí envolvidos
com a Doutrina Espírita?
R: – Na verdade a maioria dos freqüentadores dos Centros
Espíritas, na Suíça, é de brasileiros que não eram espíritas no
Brasil e que conheceram a Doutrina já na Suíça. Eles vêm aos
Centros atraídos pelas palestras ou então em busca de consolo e
tratamento espiritual.
P: – E os suíços,
como tem aceito os ensinos da Doutrina Espírita?
R: – O número de suíços freqüentadores dos Centros ainda é muito
reduzido. Atraí-los é um trabalho difícil, também porque o
Espiritismo não faz proselitismo, e os suíços são muito
conservadores em suas escolhas religiosas e têm muita
resistência a idéias novas e diferentes, nessa área
filosófico-religiosa. Mas quando chegam a compreender o que é a
Doutrina, são muito sérios e se tornam bons trabalhadores das
casas espíritas.
P: – A recente
reunião do CEI, em Berlim, (29 a 31 de março de 2001), bem como
o encontro com Grupos Espíritas na Alemanha, trouxe algum
resultado direto para o Movimento Espírita na Suíça?
R: – Foi a primeira participação da UCESS como membro do CEI e a
minha estréia, pois há apenas um mês e meio havia assumido a
presidência da União. Com muita alegria conheci o0s líderes do
Movimento Espírita na Europa e a confraternização e troca de
experiências foi enriquecedora. Sem dúvida a reunião foi de
grande interesse para o Movimento Espírita, na Suíça, e trouxe
grande estímulo para que possamos continuar as nossas lutas em
prol da difusão da Doutrina Espírita neste belo país.
P: – A UCESS tem
tido contato com o Brasil? De que forma?
R: – A UCESS tem tido contato constante com o Brasil, através do
CEI e também em contatos diretos com a RIE e com dirigentes de
Centros e outras entidades espíritas. O Brasil é sempre uma
fonte de inspiração e alento para nós, brasileiros espíritas e
trabalhadores da Será divina, que nos encontramos em terras
alheias.
P: – Brasileiros
no Brasil têm contatado o grupo através de e-mails?
R: – Os contatos ainda são poucos, mas estaremos lançando em
breve a nossa página na Internet, que também será em quatro
línguas (português, francês, italiano e alemão), o que espero
vai facilitar um melhor intercâmbio entre brasileiros e a UCESS.
A troca de informações e experiências é sempre válida e alarga
horizontes.
P: – As notícias
internacionais publicadas pela RIE têm trazido algum resultado
na Suíça e Europa?
R: – A RIE é muito conceituada na Suíça e acredito que no resto
da Europa. Seus artigos são de excelente nível e têm contribuído
bastante para a difusão do Espiritismo por essas bandas do
mundo.
P: – Que tipo de
intercâmbio seria salutar, neste momento, entre brasileiros e
suíços , para o Movimento Espírita nos dois países?
R: – O apoio dos brasileiros espíritas, que têm muita
experiência na Doutrina e possuem uma vasta literatura a dispor,
é sempre muito bem vindo. Penso que uma grande colaboração pode
vir sob a forma de traduções como, evidentemente de Kardec, mas
também de Francisco Cândido Xavier e de Divaldo Pereira Franco.
Em alemão, por exemplo, há pouquíssimos títulos e mesmo O
Evangelho Segundo O Espiritismo ainda não teve a sua tradução
concluída, o que dificulta enormemente a compreensão da Doutrina
e sua divulgação. Atualmente já recebemos a visita anual de
ilustres conferencistas como Divaldo Pereira Franco, Miguel de
Jesus Sardano e outros, que vêm enriquecer o nosso conhecimento
e enfatizar pontos doutrinários de importância, mas sempre seria
bom se pudéssemos contar também com outros palestrantes além dos
já citados. Gostaríamos de relembrar aos espíritas do Brasil a
bênção que é morar nessa pátria cheia de luz, que é
verdadeiramente a Pátria do Evangelho e o Coração do Mundo. O
Brasil é o celeiro de onde partimos nós, os espíritas
brasileiros que operam pelo mundo, na disseminação da semente
bendita do Evangelho.
P: – A Revista
Veja, edição de 16/05/2001, editada semanalmente no Brasil,
publicou matéria referente ao enorme desinteresse dos europeus
pelas religiões tradicionais (católica e protestante). O
Espiritismo poderá despertar o interesse entre os europeus?
Como?
R: – A Europa está atravessando uma fase de grande prosperidade
econômica, o que naturalmente traz junto o materialismo. Com
este vem o desencanto pela vida e a perplexidade diante dos
problemas do cotidiano, o que justifica o uso de drogas, a
defesa da eutanásia e do chamado suicídio assistido, o aborto,
etc. São mazelas de uma sociedade culta e rica que não encontra
um sentido para a vida. O trabalho de penetração do Espiritismo
é muito difícil, dadas as características do pensamento europeu,
racional e positivista. O Espiritismo sendo reencarnacionista e
com sua mensagem de vida e melhor compreensão da vida, tem um
grande papel a desempenhar junto a essa sociedade com
características de cultura e materialidade. Cabe a nós,
trabalhadores do Movimento Espírita na Europa, encontrarmos os
meios de furar essa cortina de indiferença e levarmos a todos
eles a mensagem do Consolador, capaz de redimir-nos a todos e
transformar nossas vidas. Tudo então poderá mudar para melhor,
com as sociedades sendo mais justas e os indivíduos mais
harmônicos e felizes.
P: – São suas as
palavras finais.
R: – Agradeço imensamente à RIE por esta oportunidade
inigualável de poder transmitir aos seis leitores um pouco das
nossas experiências de brasileiros espíritas expatriados e
trabalhando no Movimento Espírita Europeu. Esperamos que muitos
contatos proveitosos possam ser feitos a partir de agora, que
venham contribuir para a solidificação da Doutrina na Europa,
que afinal foi o seu berço. Peço ainda as orações de todos os
espíritas brasileiros, com vistas a amparar e fortificar o
implante de novos Centros Espíritas nas terras européias e para
que o Movimento Espírita Europeu possa crescer cada vez mais
pujante.
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