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P: – Como
você avalia o desenvolvimento do Movimento Espírita na Região
Norte?
R:
– Desde 1989, quando participamos pela primeira vez em Comissões
Regionais na Amazônia, observamos um crescimento do Movimento
Espírita em progressão geométrica. Com o advento da Caravana da
Fraternidade, em 1950, e, na década de 70, com a atuação de José
Jorge, sempre houve o estímulo para a fundação de Federativas
nos Estados onde não existiam, ocorrendo um grande avanço, não
só no sentido quantitativo. Nesse passo, a criação dos Encontros
dos Conselhos Zonais, depois transformados em Reuniões das
Comissões Regionais do CFN, desempenhou um papel preponderante
nesse aperfeiçoamento, pela possibilidade de troca de
experiências exitosas. Também não poderíamos deixar de destacar
o papel de Nestor João Masotti, que foi o organizador e
coordenador das Comissões Regionais por mais de uma década,
sempre apoiando as Federativas com sua experiência e ponderação.
Hoje, constatamos um avanço na divulgação da Doutrina em terras
amazônicas e um crescimento exponencial no número de casas
espíritas nas capitais, nas comunidades ribeirinhas e em plena
floresta densa. Não podemos esquecer também do apoio da Cruzada
dos Militares Espíritas na expansão de nosso movimento.
P: – Há
algumas dificuldades, típicas da Região Amazônica, para acesso e
comunicação com as instituições?
R:
– A maior dificuldade, que o amazônida encara como desafio, é a
estupenda distância a ser enfrentada nos deslocamentos. Existem
municípios cujo acesso só pode ser feito por barco, em viagens
que podem durar mais de um dia. Há locais, distantes mais de mil
quilômetros, sem energia elétrica, onde se lê à luz de velas, em
que não há Internet, televisão, telefone fixo ou celular, onde
irmãos brasileiros estão totalmente isolados do mundo e da
informação. Há notícias de onças rondando o Centro Espírita
enquanto se estuda Kardec. É uma verdadeira aventura levar a
Doutrina e esses rincões, porém, a satisfação íntima resultante
da tarefa é indescritível.
P: – E o
interesse pela mensagem espírita?
R:
– Quanto maior a necessidade material e espiritual, maior o
interesse pelo consolo que resulta do contato com a Doutrina. No
Norte não é diferente, o interesse é intenso. Assistimos ao
crescente número de visitas de companheiros divulgadores aos
interiores distantes para palestras e realização de feiras de
livros espíritas.
P: – Como
se implementam o “Plano de Trabalho” e as Campanhas “Família,
Vida e Paz” na Região?
R:
– Com ações a partir das Federativas Estaduais, que criam
comissões de trabalho para o serviço de interiorização dessas
atividades. São companheiros valorosos que enfrentam as longas e
perigosas viagens às comunidades e municípios distantes. São
promovidos seminários e encontros para a realização do trabalho
de unificação do Movimento e união dos espíritas em torno das
diretrizes nacionais para as ações coordenadas.
P: – Qual a
sua visão sobre as reuniões das Comissões Regionais do CFN?
R:
- Vemos como um prolongamento do próprio CFN. Nessas Comissões
se aprofundam as discussões ali surgidas, formam-se novas
idéias, trocam-se experiências. Há também uma grande vantagem,
que é a separação de grupos por área de atuação no Movimento. Os
companheiros aprofundam os assuntos específicos com seus pares,
nas reuniões dos dirigentes e das Áreas da Mediunidade, do
Serviço de Assistência e Promoção Social Espírita, Atendimento
Espiritual, Infância e Juventude, Comunicação Social e Estudo
Sistematizado da Doutrina Espírita, o que possibilita um
aprofundamento no conhecimento específico em suas áreas de
atuação. Os trabalhadores espíritas do local onde as mesmas são
realizadas têm oportunidade de conhecer a organização do
Movimento, bem como ter contato e interagir com os da Federação
Espírita Brasileira e coordenadores de Áreas, o que renova suas
energias no trabalho cotidiano.
P:– Algum
exemplo de funcionamento de Centro Espírita no interior da
Amazônia?
R:
- Os centros espíritas do interior amazônico caracterizam-se
pela simplicidade e pelo contato com a exuberância da natureza
selvagem. Há casos em que funcionam na residência de algum
confrade, outros em que existe só o telhado de palha e o chão de
barro batido. Nós mesmos já proferimos palestras em um centro
espírita que funcionava em pequena sala nos fundos de um
restaurante, medindo nove metros quadrados. A platéia era
pequena, mas o interesse era o mesmo ou maior do que em um
Centro da cidade grande. Em suma, os centros espíritas
amazônicos são simples e pequenos, entretanto, em todos vigoram
o ideal do bem e a presença do Cristo.
P: – Como
entende o “Projeto Centenário de Chico Xavier”?
R:
– Entendemos como elevada oportunidade de divulgação da Doutrina
Espírita, ancorada na figura impar do “Mineiro do Século”, que
foi um dos grandes responsáveis pela propagação do Espiritismo
no Brasil e no mundo. É também tributo justo à sua obra e
dedicação ao bem. Nada que fizermos pela Doutrina será o
bastante em face do seu valor para a Humanidade. Apesar do Chico
nunca ter vindo à Amazônia, em pessoa, sua obra inspira a todos
nós.
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