O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 

Título :
O Espiritismo na Amazônia

Entrevistado:
Manuel Felipe Menezes da Silva Jr.

Fonte:
Reformador
Agosto de 2009
 

ENTREVISTAS

          

P: – Como você avalia o desenvolvimento do Movimento Espírita na Região Norte?
R:  – Desde 1989, quando participamos pela primeira vez em Comissões Regionais na Amazônia, observamos um crescimento do Movimento Espírita em progressão geométrica. Com o advento da Caravana da Fraternidade, em 1950, e, na década de 70, com a atuação de José Jorge, sempre houve o estímulo para a fundação de Federativas nos Estados onde não existiam, ocorrendo um grande avanço, não só no sentido quantitativo. Nesse passo, a criação dos Encontros dos Conselhos Zonais, depois transformados em Reuniões das Comissões Regionais do CFN, desempenhou um papel preponderante nesse aperfeiçoamento, pela possibilidade de troca de experiências exitosas. Também não poderíamos deixar de destacar o papel de Nestor João Masotti, que foi o organizador e coordenador das Comissões Regionais por mais de uma década, sempre apoiando as Federativas com sua experiência e ponderação. Hoje, constatamos um avanço na divulgação da Doutrina em terras amazônicas e um crescimento exponencial no número de casas espíritas nas capitais, nas comunidades ribeirinhas e em plena floresta densa. Não podemos esquecer também do apoio da Cruzada dos Militares Espíritas na expansão de nosso movimento.

P: – Há algumas dificuldades, típicas da Região Amazônica, para acesso e comunicação com as instituições?
R: – A maior dificuldade, que o amazônida encara como desafio, é a estupenda distância a ser enfrentada nos deslocamentos. Existem municípios cujo acesso só pode ser feito por barco, em viagens que podem durar mais de um dia. Há locais, distantes mais de mil quilômetros, sem energia elétrica, onde se lê à luz de velas, em que não há Internet, televisão, telefone fixo ou celular, onde irmãos brasileiros estão totalmente isolados do mundo e da informação. Há notícias de onças rondando o Centro Espírita enquanto se estuda Kardec. É uma verdadeira aventura levar a Doutrina e esses rincões, porém, a satisfação íntima resultante da tarefa é indescritível.

P: – E o interesse pela mensagem espírita?
R: – Quanto maior a necessidade material e espiritual, maior o interesse pelo consolo que resulta do contato com a Doutrina. No Norte não é diferente, o interesse é intenso. Assistimos ao crescente número de visitas de companheiros divulgadores aos interiores distantes para palestras e realização de feiras de livros espíritas.

P: – Como se implementam o “Plano de Trabalho” e as Campanhas “Família, Vida e Paz” na Região?
R: – Com ações a partir das Federativas Estaduais, que criam comissões de trabalho para o serviço de interiorização dessas atividades. São companheiros valorosos que enfrentam as longas e perigosas viagens às comunidades e municípios distantes. São promovidos seminários e encontros para a realização do trabalho de unificação do Movimento e união dos espíritas em torno das diretrizes nacionais para as ações coordenadas.

P: – Qual a sua visão sobre as reuniões das Comissões Regionais do CFN?
R: - Vemos como um prolongamento do próprio CFN. Nessas Comissões se aprofundam as discussões ali surgidas, formam-se novas idéias, trocam-se experiências. Há também uma grande vantagem, que é a separação de grupos por área de atuação no Movimento. Os companheiros aprofundam os assuntos específicos com seus pares, nas reuniões dos dirigentes e das Áreas da Mediunidade, do Serviço de Assistência e Promoção Social Espírita, Atendimento Espiritual, Infância e Juventude, Comunicação Social e Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita, o que possibilita um aprofundamento no conhecimento específico em suas áreas de atuação. Os trabalhadores espíritas do local onde as mesmas são realizadas têm oportunidade de conhecer a organização do Movimento, bem como ter contato e interagir com os da Federação Espírita Brasileira e coordenadores de Áreas, o que renova suas energias no trabalho cotidiano.

P:– Algum exemplo de funcionamento de Centro Espírita no interior da Amazônia?
R: - Os centros espíritas do interior amazônico caracterizam-se pela simplicidade e pelo contato com a exuberância da natureza selvagem. Há casos em que funcionam na residência de algum confrade, outros em que existe só o telhado de palha e o chão de barro batido. Nós mesmos já proferimos palestras em um centro espírita que funcionava em pequena sala nos fundos de um restaurante, medindo nove metros quadrados. A platéia era pequena, mas o interesse era o mesmo ou maior do que em um Centro da cidade grande. Em suma, os centros espíritas amazônicos são simples e pequenos, entretanto, em todos vigoram o ideal do bem e a presença do Cristo.

P: – Como entende o “Projeto Centenário de Chico Xavier”?
R: – Entendemos como elevada oportunidade de divulgação da Doutrina Espírita, ancorada na figura impar do “Mineiro do Século”, que foi um dos grandes responsáveis pela propagação do Espiritismo no Brasil e no mundo. É também tributo justo à sua obra e dedicação ao bem. Nada que fizermos pela Doutrina será o bastante em face do seu valor para a Humanidade. Apesar do Chico nunca ter vindo à Amazônia, em pessoa, sua obra inspira a todos nós.