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No dia 20 de
dezembro de 1971, Francisco Cândido Xavier
retornou ao Programa “Pinga-Fogo”, na TV Tupi de São Paulo,
Canal 4, às 22 horas. O programa que teve a duração de 4 horas e
25 minutos, foi transmitido para vários Estados via EMBRATEL, e
o auditório do Sumaré foi pequeno para abrigar tanta gente.
Centenas de pessoas que não conseguiram lugares nos estúdios, o
aguardavam à entrada do edifício, ávidos de manter, com o
médium, um contato ainda que rápido. A entrevista foi encerrada
com uma mensagem psicográfica de Castro Alves, poeta condoreiro,
concitando os aflitos de todos os lugares da Terra, ansiosos por
calor humano, a virem ao Brasil recebê-lo em largas proporções.
Almir Guimarães
– Cumprindo promessa feita há cinco meses atrás, a alta direção
dos “Diários e Emissoras Associados”, a divisão de
telejornalismo do Canal 4, São Paulo, TV Tupi, dá início a mais
um programa da série “Pinga-Fogo”. Nosso convidado desta noite
dispensa apresentações. Por dois motivos: primeiro, por ser
conhecido de Norte a Sul, de Leste a Oeste, pela posição de
excepcional destaque que ocupa em todos os quadros da doutrina
espírita em nosso País, apontado pelos mestres como um dos
maiores psicógrafos do mundo; segundo, porque esse Pinga-Fogo é
um prolongamento de um primeiro acontecido na noite de 28 de
julho passado. Aqui está um dos maiores médiuns psicógrafos do
mundo: 112 obras, de autores diversos, até o momento. Aí está
Francisco Cândido Xavier, Chico Xavier.
Chico Xavier, são
seus os instantes iniciais para a abertura dos nossos trabalhos
e o seu primeiro contato com milhares e milhares de
telespectadores que nos honram com sua audiência.
Chico
Xavier –
Sinceramente, devemos confessar que estamos aqui numa posição
imerecida. Emprestou-se tamanha solenidade a este programa que,
sinceramente, nos surpreendemos sobremaneira. Mas, era
impossível recusar um convite tão gentil da parte da TV Tupi
Canal 4, do nosso grande São Paulo, quando recebemos aqui tantos
testemunhos de respeito e de apreço, já que fomos convidados
para um encontro de Natal, de modo a comentarmos a doutrina
cristã, diante da vida contemporânea, razão porque solicitei de
todos os companheiros espíritas cristãos uma prece em meu favor
para que eu possa cumprir o dever a que fomos chamados. Devo
também declarar de público que, pessoalmente, não estou
representando o pensamento de nenhuma instituição espírita
evangélica do nosso País. A TV Tupi, por seus dignos
representantes neste programa, convidou-nos em caráter pessoal,
a fim de conversarmos do ponto de vista das nossas impressões
mediúnicas, em contato com os nossos amigos espirituais já
desencarnados, experiência essa na qual estamos desde o ano de
1927. Por último, pedimos licença para dizer que rogamos aos
nossos benfeitores espirituais que nos assistissem, que nos
inspirassem para que a palavra que eu possa dizer não venha a
ofender os nossos governantes, as nossas leis, as nossas
autoridades, porque nós sabemos que sem lei rolaríamos no caos.
Portanto, quaisquer enunciados verbais dos pensamentos que
venhamos a expor são filhos de nosso coração, de nossa fé, de
nossa profunda fé cristã. Pedimos tanto, que sentimos ao nosso
lado o nosso grande benfeitor, para mim, especialmente, grande
benfeitor Emmanuel, que me pede transmitir as palavras do
apóstolo São Paulo, na epístola a Tito, no capítulo 3,
versículos 1 e 2: “Lembra-lhes para que se sujeitem aos que
governam, às autoridades, sejam obedientes, sempre prontos para
as boas obras. Não difamem ninguém, não sejam altercadores, mas
cordatos, dando prova de cortesia para com todos os homens”.
Vicente
Leporace – Sr. Francisco Cândido Xavier, na qualidade de
jornalista bisbilhoteiro, responsável por um jornal radiofônico
de grande penetração, eu gostaria de saber de V. Excia. Qual o
tratamento que quer que lhe seja dispensado. De Chico, de
Francisco Cândido, de Excelência, ou vamos nos tratar como dois
amigos mineiros de longa data?
Chico
Xavier –
Apenas Chico já é demais.
Leporace –
De mineiro para mineiro?
Chico – De mineiro para mineiro, de irmão para irmão.
Leporace –
Então, Chico, quero saber até onde a sua religião, o
Espiritismo, admite, tolera ou contesta o Umbandismo?
Chico
Xavier –
Respeitamos, no Umbandismo, uma grande legião de companheiros
muito respeitáveis, consagrados à caridade, que Jesus nos legou,
grandes expositores da mediunidade, da mediunidade que auxilia,
alivia o próximo, credores do nosso maior carinho, da nossa
maior veneração, conquanto estejamos vinculados aos princípios
codificados por Allan Kardec, de nossa parte.
Leporace –
Muito obrigado. Na condição de praticante, ou militante, ou
simpatizante do Umbandismo, é que eu quero lhe fazer a primeira
pergunta, porque isto foi apenas prolegômeno. Admitamos, Chico
Xavier, que um médico ilustre, professor estudioso, uma espécie
assim de nosso convidado aqui do meio da mesa, Dr. Ernani, se
especialize em determinada matéria, chegue à cátedra, e depois,
sem que se espere, morra. A sua obra é truncada com a morte, ou
ele, depois de morto, pode continuar na evolução do espírito?
Chico
Xavier –
Perfeitamente. Conheço diversos médicos desencarnados que
prosseguem em tarefas edificantes, profundamente veneráveis para
nós todos e todos eles. Esses amigos nos informam que continuam
em seus apostolados, dentro da ciência, para lá da vida física,
não só cooperando no campo da assistência religiosa,
propriamente dita, mas inspirando os seus companheiros de
ministério dentro da ciência, amparando-os e promovendo meios
para retornarem ao nosso plano físico, a fim de executarem
programas imensos a benefício da Humanidade, já que uma
existência de 60 a 100 anos no corpo físico é muito curta,
principalmente para os grandes médicos, senhores de alevantados
idéias.
Freitas Nobre
– Desejo, antes de tudo, transmitir uma série de apelos e de
considerações que nos foram trazidos através do telefone durante
todo o dia de hoje, inclusive do Recife, de onde falou o
deputado Fernando Lira. Em primeiro lugar, para dizer aos
companheiros da TV-4 o entusiasmo pelo nível do programa. Em
segundo lugar, para homenagear não a Chico Xavier, mas àqueles
milhares de adeptos de Chico Xavier que, através do Brasil,
instalaram creches, asilos, sanatórios, hospitais e que dão
pelas suas mãos, com seus corações, aquela assistência que deve
muito ao estímulo deste grande coração que é Chico Xavier. E
vai, então, a primeira pergunta: estamos na semana do Natal.
Todos falam do Natal. Todos tentam interpretar o Natal. Para a
doutrina espírita e para Chico Xavier, que apresentação
especial, que significação especial tem o Natal?
Chico
Xavier – Os
espíritos amigos nos têm ensinado, por muitas vezes, que, ante o
Natal, reformulamos os nossos votos de cristianização da nossa
vida pessoal e coletiva, diante de Nosso Senhor Jesus Cristo, a
quem nossas vidas estão entregues em nome de Deus, Aquele que,
em sua infinita misericórdia, nos conserva junto de Seu coração
infinitamente amoroso, como tutelados no planeta terrestre,
abençoando-nos, orientando-nos, tolerando-nos as fraquezas e
encaminhando-nos para uma vida melhor. Devemos, com toda a
sinceridade, asseverar que, sem Jesus Cristo em nossas vidas
(seja qual for a interpretação que venhamos a dar aos seus
ensinamentos), não estaremos muito longe de uma regressão para
as selvas. Por isso mesmo, o Natal é importante; continuará a
ser importante. Embora muitas vezes cercado de incompreensões
humanas, o Natal há de ser o coração de Nosso Senhor Jesus
Cristo forçando no mundo, assim como estamos vendo o coração
maravilhoso de nosso Divino Mestre palpitando na alegria de toda
São Paulo, em festiva comemoração para a passagem do natalício
d´Aquele que é o maior amor das nossas vidas.
Dr. Ernani
Guimarães Andrade – Antes de formular a minha pergunta,
quero justificá-la. Eu pertenço ao Instituto Brasileiro de
Pesquisa Psicobiofísicas, uma entidade de natureza estritamente
científica. Todavia, eu, como parapsicólogo, reconheço na
extensa obra do Sr. Francisco Cândido Xavier um manancial
profundo, em que podem encontrar-se muitas informações de
natureza científica pertencentes ao ramo-campo da
parapsicologia. Em particular, eu aponto como a mais importante
contribuição nesse campo, aquilo que tange à natureza do homem.
Dentro da obra de Francisco Cândido Xavier, em particular a sua
série “Nosso Lar”, encontra-se abundante material que servirá,
no futuro, e num futuro muito próximo, aos parapsicólogos do
mundo todo, como meio de informação segura e bastante
científica. É por isso que eu dirijo ao Sr. Francisco Cândido
Xavier várias perguntas de caráter científico. A primeira
pergunta é a seguinte: Vários parapsicólogos, como o Dr.
Stevenson, da Universidade de Virgínia, nos Estados Unidos, e o
Professor Banerjee, da Universidade de Varanessi, na Índia,
estão estudando seriamente o problema de reencarnação. Já se
catalogaram mais de 2 mil casos que sugerem, fortemente, ser a
reencarnação uma lei biológica natural. Inclusive, na
Universidade de Virgínia, já estão sendo analisados em
computador eletrônico mais de 1000 casos sugestivos de
reencarnação ali catalogados. Em vista disso, solicito a
gentileza de um pronunciamento de Vossa Senhoria, Sr. Francisco
Cândido Xavier, sobre tão importante matéria, particularmente
quanto às conseqüências da eventual aceitação da lei da
reencarnação por parte da ciência oficial, fato esse que
pessoalmente eu acredito será para muito breve.
Chico
Xavier –
Agradecendo as palavras do nosso entrevistador, pedimos a ele
para que o tratamento a mim dirigido seja apenas o de Chico,
conforme sugeriu o nosso querido amigo e caro jornalista Vicente
Leporace. Emmanuel e outros amigos espirituais nossos, entre os
quais André Luiz e outros, são unânimes em afirmar que
semelhantes pesquisas são da mais alta importância para os
destinos da humanidade, porque apenas será interessante que os
nossos cientistas acrescentem ao sentido geral dessas
verificações o lado moral da reencarnação, ligando o fenômeno
biológico da reencarnação do espírito no planeta terrestre
àquela divina lei anunciada nos evangelhos. Porque nos
princípios cármicos colhemos sempre os efeitos de nossas
próprias realizações e de nossos próprios atos. Então, teremos
os estudos da reencarnação cada vez mais ricos de substâncias,
se conseguirmos aliar semelhantes constatações com o efeito
moral que elas encerram em si mesmas.
Durval Monteiro
– Nós estamos vivendo a era dos computadores. A cibernética
ilumina o mundo. Mais e mais, o homem vai sendo escravizado pela
máquina. A par disso, o recolhimento do homem para as coisas do
espírito me parece cada vez menor. Chico, honestamente, será que
a máquina fria, calculista, violenta, vai conseguir estrangular
o homem?
Chico
Xavier – A
pergunta do nosso caro amigo que nos entrevista é muito válida e
devemos reconhecer que hoje precisamos estudar até mesmo nos
nossos lazeres e que a nossa mente não tem estado tão
eficientemente preparada para o descanso que a máquina nos
trouxe e que, muitas vezes, nos impõe. A automação nos faz
viver, hoje, na presença do futuro. Por isso mesmo, os espíritos
amigos nos pedem para que sejamos cultores da chamada
prospectiva. Com a ciência da prospecção, precisamos compreender
que, dentro de uma estrada nebulosa, necessitamos de luz que nos
mostre à frente; necessitamos de reuniões de técnicos, de
religiosos, de cientistas, de pais de família, irmãs de família,
para não confundir o papel essencial da mulher na
sensibilização. Precisamos ouvir as pessoas amadurecidas na
experiência e os mais jovens, para compreendermos o que será de
nós, no dia de amanhã, se abandonarmos os nossos propósitos
espirituais de vidência na construção de um mundo melhor.
Precisamos compreender Cristianismo como sendo uma doutrina de
vivência humana, para que nós não venhamos a perder o calor da
fraternidade de uns para com os outros, para que não sejamos
transformados em simples números na vida econômica ou em meros
robôs em nossa vida social. Para isto, não basta ouvir os
adivinhadores da futurologia, conquanto respeitemos todos eles.
Mas, realizarmos, por nós, dentro do país, sob a custódia das
nossas autoridades, mesas-redondas, para compreendermos a
importância da família com as áreas de compreensão que a família
é hoje chamada a descerrar seus núcleos para nos adaptarmos à
era nova. Precisamos compreender a importância do lar como
célula da vida social, para que não venhamos a despencar num
caos do qual não saberemos, amanhã, como nos levantar. A
pergunta do nosso caro amigo Sr. Durval é muito válida e sugere
a nós todos um vasto movimento de meditação com respeito aos
nossos próprios destinos, porque as máquinas estão impondo, a
nós todos, um repouso para o qual muitos de nós não estão
preparados. Precisamos estudar intensivamente, compreendendo que
o estudo não é apenas uma obrigação para a mente
infanto-juvenil. Nós todos, aqueles que amadureceram na
experiência da vida, precisamos estudar os nossos próprios
caminhos de amanhã, para que não venhamos a entrar nas trevas do
espírito, porque isto seria o nosso regresso à desordem, e nós
não podemos pensar nisso, pois nos referimos ao Brasil. Nós
somos cristãos em nossa formação, devemos preservar este título
e respeitá-lo. Temos, nos ensinamentos de Jesus, bastante
material para superar a influência surpreendente da máquina. Diz
o nosso Emmanuel, que está presente: nós, como cristãos,
vencemos 300 anos de martírio nos primeiros séculos do
Cristianismo. Será possível que, agora, não saibamos vencer o
nosso próprio excesso de conforto para sermos cristãos? É uma
pergunta para nós também.
Saulo Gomes
– Chico, que pensam os chamados benfeitores espirituais quanto à
posição do Brasil atual, seja no terreno político ou social?
Chico
Xavier –
Vamos responder com muito respeito, segundo o que temos ouvido
de nossos benfeitores espirituais. A noite é consagrada ao Natal
de Nosso Senhor Jesus Cristo, em cujos ensinamentos empreendemos
a nossa formação como povo organizado. Por várias vezes, Nosso
Senhor Jesus Cristo se referiu à nossa necessidade da oração e
da vigilância. Nós sabemos que, segundo os nossos léxicos, orar
não é apenas endereçar a nossa palavra ou nosso pensamento a
Deus, em súplica ou louvor. Orar significa, também, discursar,
expor os nossos pontos de vista e, por isto mesmo, a oração é
uma das expressões mais vivas do espírito democrático do
Cristianismo, porque cada um de nós ora segundo as suas
possibilidades de crer ou de interpretar o fenômeno da fé.
Então, sem qualquer expressão eufemística, declaramos que a
posição atual do Brasil é das mais dignas e das mais
encorajadoras para nós, porque a nossa democracia está guardada
por forças que nos defendem contra a intromissão de quaisquer
ideologias vinculadas à desagregação.
Precisamos
honorificar a posição atual daqueles que nos governam, que
vigiam sobre os nossos destinos. A oração e a vigilância,
preconizadas por Nosso Senhor Jesus Cristo, se estampam, com
muita clareza, em nosso Governo atual. E nós todos vamos dizer
com os nossos benfeitores espirituais: devemos crer muito, pedir
muito a Deus e unir os nossos pensamentos para que a união seja
preservada, dentro das nossas Forças Armadas, para que nós
tenhamos o direito de orar, isto é, discursar, permutar
livremente os nossos pontos de vista, dar os nossos pareceres,
emitir as nossas opiniões em matéria de vivência particular e
coletiva. Portanto, com todo o respeito, sem nenhuma idéia de
bajulação, falo pessoalmente de minhas pequeninas confabulações
com os espíritos amigos e profundamente amigos do Brasil
cristão, em Nosso Senhor Jesus Cristo. Digo que nós devemos
pedir para que tenhamos a custódia das Forças Armadas, até que
possamos encontrar um caminho em que elas continuem nos
auxiliando como sempre, para que nós não venhamos a descambar
para qualquer desfiladeiro de desordem. Nós não podemos ignorar
– abramos um parêntesis – que, muitas vezes, muitos de nós
acreditam que as Forças Armadas devem apenas funcionar nas
ocasiões de beligerância, nas ocasiões de guerra, diante do
mundo civil. Mas, a verdade é que, espiritualmente, estamos em
grande conflito com idéias, trazidas ao nosso meio pelas
comunicações de massa, pelas impressões de nosso tempo, em que o
problema de massas tem que ser considerado. Nós precisamos
resguardar o nosso coração para que essas idéias não se
infiltrem em nossa vida pública, em nossa vida coletiva, para
que não venhamos a perder o dom da liberdade em Jesus Cristo.
Nós sabemos que a persuasão química, a própria chamada
felicidade química, podem ser trazidas com nosso povo, através
de governos que possamos aceitar, com invigilância. Essas
ocorrências eliminariam de nossa vida a possibilidade de
vivermos como povo livre. Essas ocorrências eliminariam a nossa
resistência psicológica, e acabaríamos, talvez, num povo, talvez
fantoche. Vamos agradecer a situação atual do Brasil, porque o
Brasil desfruta de ordem. O Brasil está sob o império da lei e
se a Terra está equilibrada no campo cósmico, é porque a Terra
obedece a leis. Se o homem está agora deslanchando para outros
mundos, através do nosso satélite, não foi desordenadamente que
os nossos grandes astronautas conseguiram semelhante realização.
Eles atenderam a leis, obedecem a leis. Os foguetes da
astronáutica obedecem a leis. Nós estamos sob o império da lei e
devemos ser gratos a Deus e cooperar para que não venhamos a
perder a ordem, porque a ordem é como a luz do Sol. De
recebermos tanto a lu\z do Sol, nós, muitas vezes, nos
esquecemos de agradecer esse dom da providência divina. \muitas
vezes, só compreendemos a ordem quando a desordem aparece. Nós,
como brasileiros, não devemos proceder em moldes de insensatez.
Reverenciemos aqueles que estão guardando o sentido da ordem em
nosso País e fazendo com que cada um de nós possa desfrutar esse
beneficio da ordem em nossa vida particular, em nossos lares, em
nossos grupos sociais, em nossas empresas de trabalho, dentro da
liberdade que estamos desfrutando. Porque só não estamos
desfrutando uma espécie de liberdade: aquela liberdade de
prejudicar a comunidade. E nós estamos no tempo das massas e não
devemos prejudicar a ninguém, muito menos à coletividade.
Almir Guimarães
– Tenho uma pergunta, que vem de Uberlândia. Quem formula esta
pergunta é o Dr. Domingos Pimentel de Ulhoa, reitor da
Universidade de Uberlândia. Ele, antes, faz um preâmbulo, uma
observação, que é a seguinte, referendo-se a uma entrevista que
você deu à revista “Realidade”: “Minha tarefa é livro, não é a
cura”. Apesar da afirmativa, o Sr., pelos seus guias, receita
dezenas ou centenas de vezes em cada sessão, muitas somente
exaltações inspiradas na moral, na fé e na esperança. Na
maioria, homeopatia e dinamização suave. Pergunta: “Qual o
objetivo: o sofrimento que a doutrina, julgo, considera como
processo de expiação e aprimoramento? A caridade de curar
algumas vezes e consolar sempre, com perdão da irreverência, é
simplesmente proselitismo?”.
Chico
Xavier – A
informação da revista “Realidade” é autêntica. Nós, desde o
princípio, temos estado convocados por nossos amigos espirituais
à manutenção do livro. E o livro, por nosso intermédio, vem
sendo produzido desde o ano de 1931, quatro anos depois de nosso
ingresso na doutrina espírita, explicada por Allan Kardec, com
base nos Evangelhos de Jesus Cristo. Compreendemos que as nossas
respostas – as respostas dos amigos espirituais por nosso
intermédio, aos amigos que nos visitam, em sua maioria quase que
esmagadora são sempre respostas baseadas na própria doutrina, em
nossa necessidade de paciência, de compreensão, de calma, de
humanidade, diante dos outros, e há um pequeno setor em que os
amigos espirituais a pedido de amigos que nos é liberado, nos
Estados Unidos da América do Norte e até, mesmo, em países da
Europa, como a Alemanha Ocidental, com plena aprovação do mundo
médico. Além da quinta dinamização, somente os nossos amigos
diplomados em Medicina têm autoridade para apresentar os
requisitos necessários ao tratamento ou cura dos enfermos.
Quanto ao problema do auxílio, nós nos recordamos daquela
palavra de Nosso Senhor Jesus Cristo, quando, dirigindo-se aos
sofredores, afiançou: “Vinde a mim, vós os que sofreis, que eu
vos aliviarei”. O próprio Senhor, não prometeu cura: Ele
prometeu alívio. Não estamos fazendo absolutamente qualquer
comparação. Conhecemos a nossa posição de subvermes em minha
condição pessoal. Quanto ao proselitismo, devemos informar ao
nosso caro consulente de Uberlândia que começamos nosso grupo
orando, a bem dizer, em família, um pequeno grupo. Se houvesse
da nossa parte qualquer impulso de proselitismo, nós estaríamos
recrutando os que sofrem nas cidades de que eles procedem, em
Pedro Leopoldo ou Uberaba. Nós estamos em nosso grupo muito
humilde de orações. Os amigos nos visitam. É impossível recusar
acolhimento, porque aqueles que nos visitam nos conferem uma
honra. Orar conosco, vir ao nosso encontro para uma prece: isto
é uma bênção para nós. Isto, para nós, é calor humano,
fraternidade, amor em Jesus, aproximação humana, vontade de nos
compreendermos uns aos outros, vontade de nos aquecermos de
coração para coração, mas não proselitismo, porque, em nossa
vida de 45 anos de doutrina espírita-cristã, ainda não fomos a
cidade alguma recrutar os nosso amigos para as nossas reuniões.
Saulo Gomes
– Dentre as inúmeras pessoas que já se propõem a fazer
perguntas,: seu nome, por gentileza?
- Maria Arruda Carvalho.
Saulo – Pode fazer a sua pergunta.
Maria Arruda Carvalho – Chico, nós sabemos que tudo tende a se
aperfeiçoar. Seria possível saber se há algum inconveniente para
as pessoas que fazem operações plásticas, do nariz, do queixo,
de rugas, no plano espiritual para o perispírito dessas pessoas
que se submetem a essas operações. Porque, às vezes, elas trazem
benefícios para a personalidade da pessoa, que se sente melhor.
Nós queremos saber a opinião de nossos irmãos espirituais. É
possível?
Almir Guimarães – Você entendeu a pergunta, Chico?
Chico
Xavier –
Cremos que sim.
Almir Guimarães
– De um modo geral, parece que ela quer saber se é pecado,
no plano espírita, fazer operação plástica.
Chico
Xavier –
Seria o caso de perguntarmos à rosa ou ao lírio, porque é que
eles são tão belos, perguntar à luz, porque a luz brilha tanto.
Se a providência divina nos concedeu a plástica regeneradora,
naturalmente será para que venhamos a valorizar, cada vez mais,
o veículo físico pelo qual nos externamos na Terra. A plástica
regeneradora, com orientação médica, é um fator a grandes
estímulos psicológicos para que a alegria de viver não feneça em
nossos corações e para que possamos trabalhar com mais
interesse, com mais estímulo, no rendimento de nossa vida para o
bem de todos. A plástica regeneradora é muito legítima, tanto
quanto à geriatria e à gerontologia, que chegaram no mundo pelas
mãos da ciência, para que, depois dos 40 anos, também saibamos
facear o período de madureza com a saúde de que possamos
desfrutar. Porque, nós não devemos ambicionar o suicídio
prematuro, através da inércia ou do descaso pela nossa
apresentação pessoal.
Vicente
Leporace – Meu amigo Chico Xavier, eu gostaria que, depois
de consultar o espírito de luz de Emmanuel, me respondesse a uma
pergunta que vem absorvendo a minha atenção desde há muito. O Zé
Arigó, falecido Zé Arigó, notabilizou-se, no Brasil e no
exterior, através de suas intervenções cirúrgicas. Ele era o
médium de um médico alemão, Fritz, Dr. Fritz. Eu pergunto se há
possibilidade, dentro da doutrina espírita, de que a
incorporação do espírito do Dr. Fritz continue se reproduzindo
no Brasil. Aqui em São Paulo, em 5 ou 6 locais, diferentes e
sabidos, tudo isso simultaneamente ao mesmo tempo, no mesmo dia,
na mesma hora e em locais diferentes. Isso é possível, Chico
Xavier?
Chico
Xavier –
Cremos que este caso merece estudos e considerações especiais.
Não duvidamos de que o espírito do Dr. Fritz, que realizou
tantas empresas de benemerência entre nós, através do médium
José Arigó, possa encontrar um outro veículo. Se bem que, no
gabarito da mediunidade de José Pedro de Freitas, o nosso Arigó,
essa integração dele com o médium seja um tanto ou quanto
difícil, porque a integração de um espírito, pelo menos notável
na beneficência ou bastante elevado, requer tempo.
Não podendo
apreciar pessoalmente, isto é, não sendo lícito a mim promover o
julgamento dos companheiros da mediunidade, estimaria, de minha
parte, um estudo “in loco”, com tempo suficiente para manifestar
uma opinião consentânea com a razão.
Freitas Nobre
– Os cientistas da NASA estudaram recentemente, este ano,
dois meteoritos e, nestes dois meteoritos, apuraram que 6 dos 18
aminoácidos do mesmo tipo dos encontrados nas células vivas,
aqui, no nosso mundo terráqueo, estavam presentes nesses
meteoritos. Ora, que forma, admitindo a existência de vida em
outros planetas, que forma poderiam ter os habitantes, os seres
viventes desses planetas? Podem os amigos espirituais responder
através de Chico Xavier essas indagações, que são de tantos e
tantos espectadores?
Chico
Xavier – A
pergunta de S.Exa., o nosso caro deputado federal Dr. Freitas
Nobre, é uma indagação muitíssimo atual. Dentro das minhas
pequenas possibilidades mediúnicas, tenho visto criaturas
humanas desencarnadas, carregando fenômenos semelhantes àqueles
que presidem a vida em nosso corpo físico. Allan Kardec, em
determinado tópico do livro dos médiuns, fala sobre a
diversidade da forma em outros planetas. E nosso Emmanuel, no
livro “O Consolador”, respondendo a uma pergunta nesse sentido,
há 32 anos, afirmou que não podemos esperar de outros planetas
formas físicas absolutamente iguais às do nosso mundo terrestre.
Mas, estamos numa época de indagações oportunas, de maravilhosas
pesquisas do gênero humano, das quais o nosso Camille Flamarion,
na França, foi um grande e inesquecível pioneiro. Esperemos que
a ciência se pronuncie e que nós possamos, do ponto de vista
espiritual, pesquisar, de nossa parte, e estudar, tanto quanto
possível, as ocorrências da sobrevivência humana para lá da
morte física, com os resultados, as conseqüências da vida que
tenhamos empreendido neste mundo.
Dr. Ernani
– Na União Soviética, os parapsicólogos estão desenvolvendo
intensamente a técnica da efluviografia, que foi descoberta pelo
casal Semion e Valentina Kerlian. Refinados métodos usados pelos
investigadores soviéticos permitiram a obtenção de fotografias
da aura dos seres vivos. Os espantosos resultados obtidos,
através desta técnica, levaram os cientistas soviéticos a
admitir a existência real de um corpo fluídico intimamente
relacionado com o soma físico. Deram a esse duplo somático o
nome de corpo bioplasmático. Consulto a você, Chico, acerca das
relações existentes entre tais descobertas e as afirmações da
doutrina espírita, concernentes ao corpo espiritual ou
perispírito.
Chico
Xavier –
Uma questão muito importante. Num dos últimos números de um
jornal de Londres, o nosso amigo espiritualista da Inglaterra,
Mr. Maurice Barbanel apresentou fotografias muito expressivas do
fenômeno que vem sendo estudado por nossos irmãos no norte da
Europa. Esperamos que, com o amparo da Divina Providência,
através dos grandes beneméritos da humanidade, os cientistas
desencarnados, estudiosos que continuam interessados no auxílio
ao gênero humano, possam amparar, inspirar a nossa ciência na
positivação da existência do corpo espiritual, como modelador do
nosso corpo físico. Só por intermédio do corpo espiritual
poderemos compreender ocorrências orgânicas, como sejam a
produção da adrenalina, através da medular, da supra-renal. Com
a distribuição no mundo orgânico pelo simpático, poderíamos
compreender a produção do acetilcolina no parassimpático. Ambos,
acetilcolina e adrenalina, a se frenarem um ao outro para
equilíbrio da nossa vida física e o padrão de robustez e de
equilíbrio desejáveis. Só pelo corpo espiritual poderemos
compreender a existência da bradicilina no mecanismo da dor e
tantos fenômenos neste mundo prodigioso que é o nosso próprio
cérebro, cabina maravilhosa, dentro da qual, ou por intermédio
da qual, a nossa mente pode viver e se manifestar. Alguns
cientistas disseram que a mente não tem existência sem a
organização física, mas estamos absolutamente certos de que, sem
a mente, não temos a existência na organização física, e que a
mente não depende da organização física para se manifestar em
seu pleno equilíbrio, porque, cessadas certas possibilidades do
cérebro, é natural que a mente esteja na condição do artista que
encontrou um violino desafinado ou sem cordas ou apenas com
algumas cordas para execução de uma partitura, em determinado
concerto.
Durval Monteiro
– Chico, e apenas Chico, com uma condição: você retira o doutor
da resposta anterior. A inquietação da juventude é uma constante
desde muitos séculos. O homem, numa faixa que geralmente vão dos
16 aos 23 anos, é um rebelde. Depois, quase sempre, ele acaba se
adaptando, se integrando na sociedade. No exato instante em que
o homem se adapta, seu espírito evoluiu ou se acomodou?
Chico
Xavier –
Quando nós nos adaptamos para o bem, e o bem, essencialmente, é
sempre o bem dos outros, porque é do bem dos outros que nasce o
nosso próprio bem. Hoje, muitas vezes, queremos tratar os nossos
jovens como se eles fossem inimigos, e isso é um erro. Os nossos
jovens são os nossos continuadores. Trazem consigo uma vida
diferente da nossa. Impulsos originais que nós não podemos
auscultar em toda a sua extensão. Os nossos jovens de ambos os
sexos necessitam, principalmente hoje, de nossa compreensão.
Naturalmente, que não podemos empurrá-los para a libertinagem,
mas não devemos frenar neles o impulso à libertação, para que
eles se realizem, para que eles se desvinculem da nossa vida
pessoal. Todos nós na condição de criaturas amadurecidas na
experiência física, podemos, igualmente, e temos independência
deles e não devemos escravizá-los aos nossos pontos de vista.
Falamos numa experiência de mais de quatro decênios, em que
temos visto centenas, talvez milhares de jovens e adultos
chorando sobre os nossos ombros em vista do amor possessivo, que
tantas vezes nos retarda o progresso individual e ocasiona
tantos distúrbios em nossa vida familiar e coletiva. Tantos
jovens que se doparam em drogas. Tantos que se refugiaram em
casa de saúde. Tantos que abandonaram os seus próprios deveres e
fugiram para a indisciplina, que desertaram de tudo, muitas
vezes por causa de uma influência opressiva daqueles que foram
chamados a orientá-los na vida prática. E, ao mesmo tempo, vemos
tantos pais, tantas mães e tantos orientadores e tutores
chorando porque não podem escravizá-los à sua própria vida. Por
que é que nós não podemos amar uns aos outros, na condição de
jovens e adultos, cada qual vivendo dentro da sua época de
experiência física? Por que nós, como adultos, não podemos
resguardar a nossa independência, dando independência àqueles
jovens que são a esperança da humanidade, que são nossos filhos,
nossos continuadores, para que eles realizem as empresas a que
foram chamados pela reencarnação? Allan Kardec, através da
questão n. 385, no Livro dos Espíritos, trata disso com muita
propriedade, e isto há mais de cem anos. Nossos filhos são
espíritos que vieram de outras condições, diferentes das nossas.
São credores do nosso maior respeito. Nós falamos em diálogo e
precisamos do diálogo. Falamos em comunicação e precisamos da
comunicação, não apenas no dia dos desastres sentimentais.
Conversar com os nossos jovens, conversar com os nossos pais
como grandes amigos que se interligam através das suas
experiências.
O diálogo nunca
foi pancadaria verbal. A comunicação nunca foi uma oficina de
censura sistemática. Não estamos, de maneira nenhuma, reprovando
adultos, nem censurando jovens. Estamos atentos à lição de nosso
Emmanuel, que nos pede considerar que, dentro da civilização do
Ocidente é que nasceu a Psicanálise, com Sigmund Freud, para que
nós sejamos tratados especificamente, individualmente, para nos
ajustarmos ao amor que Jesus nos ensinou. Jesus nos ensinou:
“Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”. Esse enunciado não
veio de nenhuma decretação humana. Veio daquele que nós temos
como Nosso Senhor. Por que não podemos amar os nossos jovens,
auxiliá-los, para que eles sejam eles mesmos? E por que é que
nós não podemos receber deles o auxílio, não para que vivamos,
como muitas pessoas maduras estão vivendo em países da Europa,
em grandes palácios dourados, nomeados como cemitérios dos
elefantes, em que pessoas, amadurecidas na experiência humana,
se recolhem como pessoas inúteis e vivem uma vida de
entretenimentos, como se fossem marginalizadas pela idade
física? Não. Como adultos, podemos tratar de nossa saúde, ser
independentes, amparar os nossos filhos e eles também ampararem
a nós outros, para que cada um de nós tenha a sua casa, tenha as
suas afinidades, as suas relações, os seus afetos, a sua vida.
Ao mesmo tempo, eles também podem ter as suas famílias
independentes, com muito amor de nós uns para com os outros.
Pedimos perdão ao nosso mediador, Dr. Almir Guimarães, e ao
nosso distinto entrevistador, Dr. Durval Monteiro, para nos
estendermos tanto nas respostas. Mas, a pergunta é válida e nós
não podemos tratar-nos uns aos outros como se fossemos inimigos.
Nós somos irmãos, somos pais, filhos, parentes, amigos, esposos,
esposas, tios, tias, companheiros, mas, acima de tudo, somos
espíritos imortais, filhos de Deus. Cada qual sendo um mundo
original criado por Deus. Aconselhemos os nossos jovens.
Amparemos os nossos jovens com as nossas experiências e que eles
nos amparem com a sua força e nos amem, que nós todos precisamos
de amor. Mas, que haja aquela fronteira, que nós chamamos de
respeito, para que cada um seja ele mesmo e para que nós
possamos viver em paz uns com os outros, sem necessidade de
cairmos em neuroses e depois em psicoses e recorrermos aos
nossos amigos da Medicina, como doentes graves, arredados da
vida e arredados do trabalho, porque a vida para nós deve ser
uma escola sem férias, com as pausas de descanso, mas todos
fomos chamados a trabalhar.
Almir Guimarães
– Muito bem. Eu não fico zangado com você pelo fato de você se
alongar nas suas respostas, mas, se me chamar de doutor eu fico.
Saulo Gomes
– Em pelo menos dez estados dos Estados Unidos da América do
Norte, ainda no Oriente Médio, em execuções recentes, produtos
das guerras, e aqui no Brasil, em conseqüência de problemas
políticos, nós temos um dos mais debatidos temas do mundo
jurídico universal: a pena de morte. Como vêem os espíritos que
o iluminam e o acompanham, como vê você, Chico Xavier, com a sua
autoridade e responsabilidade a aplicação da pena de morte, por
qualquer que seja o motivo, em qualquer parte do mundo?
Chico
Xavier –
Nosso Emmanuel, que está presente, nos pede considerarmos – já
que a personalidade de Nosso Senhor Jesus Cristo está recebendo
o enfoque de nossos pensamentos e de nossas palavras – nos
convida a recordarmos com a máxima veneração pelas nossas leis e
pelas autoridades que as expõem, ele nos solicita recordarmos,
na condição de cristãos, a parábola do Bom Samaritano, um
ensinamento considerado antigo, mas que há dentro dele uma nota
de profunda significação. É que, dentro da parábola, existem
todas as qualificações, menos uma: “Um homem descia de Jerusalém
para Jericó e caiu em poder de malfeitores que o feriram e o
deixaram sem nenhuma comiseração. Em seguida, passou um
religioso, que o viu e seguiu adiante, Em seguida, veio um
levita, que o viu também e passou adiante. Em seguida, veio um
samaritano, considerado homem até mesmo sem nenhuma qualificação
religiosa, mas era um samaritano e fez ali o papel da caridade,
do amor que devemos uns aos outros. Em seguida, aparece um
hospedeiro”. Todos os que apareceram foram qualificados pelo
Senhor, menos a vítima: era um homem. E o homem, seja quem seja,
merece o nosso respeito. Os últimos, que estão nas prisões, por
crimes catalogados em nosso Código Penal, são doentes;
naturalmente que a Justiça exerce a função de Medicina
espiritual. Cada sentença é uma cirurgia no corpo espiritual
daquele que necessitou da segregação para ser convenientemente
tratado. Mas, nós somos cristãos. Não podemos censurar ninguém,
mas devemos pedir a Deus para que os nossos magistrados, os
responsáveis pelos nossos tribunais de Justiça se compadeçam de
nós e que ninguém morra em nome da Justiça. Porque nós todos
somos irmãos. O cárcere evoluiu tanto depois de Jesus! Nós temos
penitenciárias que são verdadeiras escolas. Conheço,
pessoalmente, a penitenciária de Neves, a 18 quilômetros da
terra em que eu nasci, que honra o Governo do Estado de Minas
Gerais. Nós devemos acreditar que a Justiça terá recursos para
criar sentenças de tratamento espiritual, para segregar a nós
outros quando nós estivermos em desacordo com os princípios da
fraternidade e de respeito, que nos regem uns diante dos outros.
Mas, a pena de morte é alguma coisa que merece a nossa oração,
pelos nossos magistrados, para que eles não percam a alma
cristã, o coração cristão, que lutamos tanto para edificar.
Dizemos isto respeitando as determinações da Justiça em nossos
tribunais. Mas, a vítima era um homem, um homem que, na
parábola, não se sabia quem era, se ele era abastado ou menos
abastado, se ele era amadurecido, se era jovem, se ele era um
elemento da sexualidade dita normal ou uma criatura filiada a
conflitos sexuais muito grandes – nós não sabemos a que classe
pertencia aquele homem, de onde é que ele vinha, a que família
pertencia, o que ele buscava. A vítima era um homem. E aqueles
que estão considerados fora da lei são doentes que a Justiça
saberá tratar, para os devolver ao equilíbrio e à normalidade.
Mas, a vítima, na parábola, podia ser um de nós...
Almir Guimarães
– Chico, enquanto o Saulo se prepara para formular a segunda
pergunta do telespectador do auditório, formulo duas perguntas
de telespectadores que endereçaram cartas e outro que telefonou
há instantes. Américo Bastos diz que você repetiu duas vezes já,
que Emmanuel, o chefe dos seus guias espirituais, está presente.
Ele quer que você confirme ou desminta se é exato que Emmanuel
foi em vida o, padre Manuel da Nóbrega.
Chico
Xavier –
Ele sempre confirmou isso. E dou disso testemunho. Creio mesmo
que a minha presença junto deste auditório, dentro da minha
pequenez, se deve a ele e à missão apostólica que sempre
desempenhou no Brasil, desde os primórdios da nossa formação
como nacionalidade e desde as primeiras fundações de São Paulo.
Devo a ele a minha presença aqui, a ele que tanto tem amado o
nosso País e cujo coração está sempre voltado para São Paulo, de
onde ele recebe tanto amor e tanta oração, a que consagra,
igualmente, tanto carinho. Aceito plenamente, convictamente a
revelação dele mesmo, de que foi o padre Manuel da Nóbrega,
companheiro do grande Anchieta.
Almir Guimarães
– E Anchieta, onde estará? E o padre José de Anchieta, onde
estará?
Chico
Xavier – Ao
que sabemos, no mundo espiritual.
Freitas Nobre
– Permita uma observação rápida e histórica. Eu escrevi um livro
sobre Anchieta, que obteve inclusive um prêmio nas comemorações
nacionais de Anchieta e tive a oportunidade de encontrar e
fotografar uma assinatura de Manuel da Nóbrega, aquelas
assinaturas antigas, Ermano Manuel ou E. Manuel e tive ocasião
inclusive de xerocopiar essa assinatura e encaminhá-la a Chico
Xavier, dada a identidade que se apresentava entre Manuel da
Nóbrega, que se assinava Emmanuel.
Almir Guimarães
– E eu pergunto a você, Chico, ainda falando em Manuel da
Nóbrega. É exato que, certa ocasião, há muitos anos, ele o
conduziu ao pátio do Colégio e dali mostrou, então, a você,
assim, uma visão panorâmica do que seria o São Paulo de hoje?
Chico
Xavier –
Sim, é verdade. Ele nos convidou a irmos até o pátio do Colégio,
onde ele, muitas vezes, orou – afirma ele – pedindo a Deus
abençoasse o chamado Planalto Piratiningano, esperando que,
naquelas campinas que se alongavam aos olhos dele, nascesse a
grande metrópole que é hoje a Grande São Paulo.
Almir Guimarães
– Muito bem. Chico, Valter de Matos Correia pergunta: a ciência
biológica tem cogitado da possibilidade de se congelar o ser
vivo, humano ou animal, e, depois de passado algum tempo,
fazê-lo voltar à vida. Considerando a intrincada rede de
ligações existentes entre o perispírito e o corpo físico,
perguntou: se, a luz do Espiritismo, isto seria possível. O
espírito ficaria adormecido durante o congelamento ou este
determinaria a imediata ruptura dos laços fluídicos vitais?
Chico
Xavier –
Segundo as instruções dos nossos benfeitores espirituais, se
essa criatura está com a sua vida orgânica assegurada por
métodos científicos, naturalmente que o espírito está mais ou
menos relativamente ligado ao corpo em atividade, ou mais ou
menos em posição de inércia, conforme o grau de relação de que
esse espírito seja portador.
Almir Guimarães
– Fica mais ou menos assim de plantão, aguardando o
desfecho.
Chico
Xavier –
Aguardando, e como num desdobramento, em que a criatura trabalha
muitas vezes fora do corpo, esse espírito poderá, também, estar
desempenhando alguma tarefa se ele está, realmente, ligado ao
corpo congelado.
Nelson Mancuso
(do Auditório) – Irmão Chico, gostaria que me esclarecesse
sobre a alimentação de carne, assunto dos mais controvertidos,
quando sabemos que, segundo alguns, esse sacrifício dos nossos
irmãos inferiores faz parte da evolução dos mesmos. Há muito
tempo queria ouvir o esclarecimento do nosso querido irmão
Chico, com a assistência do nosso Emmanuel.
Chico
Xavier –
Essa questão é uma questão antiga no mundo espiritualista. Nós
temos nos apropriado da cooperação compulsória dos animais há
muitos, muitos milênios. O nosso corpo espiritual está
condicionado, em grande maioria de nós outros, à absorção das
proteínas do reino animal. Então, se nós estamos ainda
subordinados à necessidade de valores protéicos que recebemos da
carne, não devemos entrar em regimes vegetarianos, de um dia
para o outro, e sim educar o nosso organismo para realizarmos
essa adaptação. Nesse sentido, muitas vezes, quando a nossa
vontade já não mais se dirige para a alimentação com base na
carne, precisamos considerar o nosso problema de saúde, ouvir um
médico amigo, que possa nos aconselhar quanto ao problema de
nossa alimentação, para que os nossos problemas de nutrição
sejam resolvidos com harmonia e segurança, para não cairmos na
perda de memória e em determinados desastres orgânicos, por
falta de valores protéicos intensivos em nosso campo celular.
Vamos pensar nisto e muitos de nós precisamos ainda da
alimentação com base na carne, embora essa alimentação tenha
para nós um valor de terapêutica. Isso parece uma
racionalização, em Psiquiatria. Parece que nós estamos criando
uma desculpa para comer a carne. Mas, não é bem isso. A maioria
de nós ainda necessita da carne e para dispensarmos esse tipo de
concurso dos animais precisamos tempo, para que a nossa
reencarnação possa produzir os valores a que somos chamados. Nós
todos somos chamados a produzir algo de bem e precisamos saúde,
vida saudável, vida robusta. A pecuária ainda é um dos fatores
da economia humana. Nós podemos tratar estes casos com
ingenuidade, conquanto os animais nos mereçam o máximo respeito
e não devemos criar situações de extermínio desnecessário para
eles. Nós precisamos ainda da carne, precisamos de leite, dos
laticínios, precisamos de muitos modos da cooperação dos
animais, na farmacologia, na nossa vida comum. Por enquanto não
podemos dispensar, mas, também, não devemos estar como senhores
absolutos da natureza. Querendo bife de filé, carne de cabrito e
peixe e carneiro, tudo de uma vez. Um pedacinho de carne...
Vitório
Micheletti (Telespectador) – O nosso irmão Chico Xavier, do
qual eu sou grande admirador, afirmou que a única salvação, a
nossa salvação, é Jesus Cristo. Eu sou cristão. No entanto, eu
perguntaria a ele – e aqui presente mesmo eu reconheço a
presença de muitas pessoas que não são cristãs, são de várias
religiões – aqueles do mundo, da humanidade, que não são
cristãos, então, não alcançarão a salvação? Assim como, por
exemplo, 800 milhões de chineses e outros tantos. A salvação
está só em Jesus Cristo?
Chico
Xavier – Há
tempos, uma senhora nos procurou e alegou que o esposo não tinha
religião, que era um homem reto e bom, mas, na condição, de
companheira dele, ela sentia falta da religião no marido e pedia
ao nosso Emmanuel que se externasse com respeito ao assunto, já
que ela desejava fosse o marido portador da fé cristã. Então,
disse o nosso Emmanuel que a Providência Divina tem pressa de
que o homem seja bom, mas acreditar, isso fica para quando o
homem possa realizar em si mesmo o campo da sua própria fé. Deus
é pai de misericórdia, não deserda filho algum e precisamos
adaptar a nossa fé cristã às dimensões do mundo de hoje, em que
nós todos nos aceitamos como filhos de Deus, para termos uma
vida de respeito recíproco. Temos as nossas idéias dispares, os
nossos pontos-de-vista diferentes, mas, no fundo, somos todos
filhos de Deus, e o conceito de salvação, também, sem qualquer
ofensa aos nossos pontos-de-vista tradicionais em religião, o
conceito de salvação sofre no mundo de hoje uma certa diferença.
Quando nós dizemos: “O navio foi salvo. Foi socorrido e salvo. A
casa foi salva do incêndio pelo Corpo de Bombeiros”. A casa foi
salva para ser novamente habitada. O navio foi salvo para
trabalhar. A salvação quer dizer reequilíbrio, reestruturação da
nossa vida em Cristo Jesus, para que nós possamos servir a
Cristo, servindo-nos uns aos outros. Agora, o Senhor,
naturalmente, não tem os pensamentos de crítica nem de vingança
contra nós, quando não possamos ter uma fé. Se nós nos amarmos
teremos realizado o prodígio da felicidade humana, com a bênção
dele. E amando-nos, vamos descobri-lo em nós mesmos.
Vicente
Leporace – Meu prezado Chico Xavier, vou lhe fazer uma
pergunta que precisa primeiro de uma preparação. O seu benfeitor
principal, o espírito de luz Emmanuel, já teve possibilidade de
se manifestar diversas vezes, corporificando-se, como acaba de
dizer, em Manuel da Nóbrega, o padre Manuel da Nóbrega, e
anteriormente corporificou-se no senador Públio Lêntulos, que
foi contemporâneo de Jesus Cristo. Ele, através da figura de
Emmanuel, seu guia, seu benfeitor, tem produzido milagres.
Então, em sucessivas incorporações, ele adquiriu luz, a luz que
se tem como ideal no espiritualismo. Então, é lugar-comum
dizer-se que estamos de passagem sobre a face da Terra. Cada um
de nós tem uma missão a cumprir. Chico Xavier, você tem a sua,
de abnegado pastor e paciente ouvinte desses que fazem as
perguntas mais disparatadas, e a todas dá uma resposta exata,
dentro daquilo que se convencionou chamar, e você faz questão
que se diga que nada mais é que o instrumento do espírito de
luz, evoluído, de Emmanuel. Então, se cada um de nós vem
cumprir, na terra, uma missão, depois dessa missão cada um de
nós, então, acrescenta pontos às suas vidas pregressas, para
disputar uma auréola, eu gostaria de perguntar, Chico Xavier,
que espécie de missão vêm cumprir essas crianças que lotam aqui,
em São Paulo, a Casa de Saúde André Luiz. São crianças que
nascem cegas, surdas, mudas, aleijadas e a gente só sabe que
vivem porque respiram. Então, eu pergunto, onde, dentro dos
fenômenos cármicos, onde, dentro da evolução espiritualista, nós
podemos condicionar essas crianças, essas criaturas de Deus? Que
fazem elas sobre a face da terra, além de sofrer e de inspirar
piedade aos que as cercam, aos que as abrigam, aos que as
asilam, aos que as protegem e aos que as mantêm? Eu gostaria de
uma resposta sua a essa pergunta, Chico.
Chico
Xavier –
Algumas vezes, temos sido orientados quanto à instrução a que se
refere o nosso querido entrevistador, nosso amigo, Sr. Vicente
Leporace. Quando cometemos o suicídio, quando perpetramos o
homicídio, conscientemente, dilapidamos, em nós mesmos,
determinadas estruturas do nosso corpo espiritual. Passamos,
então, à condição de criaturas claramente alienadas, do
ponto-de-vista do equilíbrio mental, na vida próxima. Sem o
corpo, somos hospitalizados em cidades e colônias do mundo
espiritual, pela benemerência de Nosso Senhor Jesus Cristo,
através dos seus mensageiros, como verdadeiros doentes mentais
em estado grave. E tão-somente o regresso ao corpo físico pode
operar em nós, isto é, facultar-nos a possibilidade da
reestruturação daqueles mesmos implementos do corpo espiritual
que nós destruímos. Muitas vezes, a idiotia não é senão o
processo de internação que solicitamos, por nós mesmos, de
acordo com as nossas necessidades, para que venhamos a entrar
num período de autotratamento intensivo. E nada dói tanto, e
nada nos suscita tanto amor quanto uma criança doente. Pais,
mães, conselheiros, orientadores, amigos, uma criança doente nos
enternece! Uma criança doente é uma obra de Deus mutilada em
nossas mãos! Mas, isso não vem de Deus, porque Deus nos criou
para a harmonia, para a felicidade. Agora, nós criamos os
mecanismos do sofrimento, da expiação, nós mesmos. O inferno
reside em nossa própria mente quando nós infernizamos a nossa
vida; quando entramos num processo de culpa intensiva, absoluta,
conscientemente, nós estragamos a mossa vida cerebral, o nosso
mundo mental. Nós obstruímos os canais do equilíbrio, perdemos a
conexão com aqueles que são os benfeitores máximos da nossa
vida, e eles mesmos, por amor a nós, nos ajudam, nos colocando
em braços de mães maravilhosas, de pais abnegadíssimos, que nos
ajudam em nossa própria reestruturação. Nada dói tanto como uma
criança doente. Muitas vezes, ouvi amigos, com muita experiência
da vida, indicando a eutanásia para os casos de idiotia. Mas, em
nome de Jesus, nunca devemos fazer isto! Amar sempre os nossos
filhos, os nossos descendentes que estejam nessa condição e,
tanto quanto possível, ampará-los quando eles estejam
desprovidos de lar. É uma bênção amparar alguém; amparar alguém
como esses nossos irmãos, que estão em condições assim tão
dolorosas, porque, amanhã, eles serão, também, nossos
benfeitores. Bem-aventurados aqueles que puderem estender o
coração e as mãos para as criancinhas que nascem nessa condição.
Freitas Nobre
– Estando em vista a alta oportunidade da pergunta que foi
formulada pelo nosso companheiro Ernani Guimarães Andrade,
desejo apenas lembrar algumas anotações de atualidade sobre esta
pergunta: os soviéticos fotografaram uma aura, ou como dizem
eles, um corpo bioplasmático, interpenetrando o organismo
físico, segundo revela a publicação americana “Notícias
Psíquicas”, de setembro último. Esta informação vem
complementada por outra, que certas doenças, antes de se
manifestarem no corpo físico, se manifestam neste corpo
bioplasmático. Não seria este corpo bioplasmático dos soviéticos
a aura que envolve os grandes vultos da igreja católica, e o que
os espíritas denominam perispírito? Teria esta constituição
bioplasmática uma composição mais ou menos ectoplasmática? Ora,
a pergunta foi plenamente respondida por Chico Xavier, e eu só
li as observações dada a sua atualidade, em publicação
recentíssima que foi acompanhada pelo eminente professor Ernani
Guimarães Andrade. Então, a minha pergunta, agora, é com
referência ao planejamento familiar: entendem os espíritos que o
assistem, Chico Xavier, que o casal deve ter filhos à vontade,
ou deve ou pode planejar a sua vida de acordo com as
possibilidades do casal?
Almir Guimarães – Há, pelo menos, 10 perguntas no mesmo
sentido, de telespectadores.
Chico
Xavier –
Allan Kardec, em “O Livro dos Espíritos”, afirma que não devemos
– cremos estar traduzindo pensamentos do Codificador – não
devemos controlar as ocorrências da natalidade enquanto estas
ocorrências não perturbam os mecanismos da natureza. Diante da
vida de hoje, a pergunta de Sua Excelência, o deputado Dr.
Freitas Nobre, é muito válida, porquanto nós nos empenhamos,
cada vez mais, para uma participação sempre mais ampla do Estado
na assistência à Família, e, muito particularmente à criança, em
vista dos problemas que a criação de alguém, que chega à terra,
envolve, na atualidade. Precisamos solucionar muitas questões de
assistência, instrução, de manutenção, de orientação, no lar e
no grupo social, e, portanto, um casal tem o direito, perante as
leis divinas, a considerar as suas possibilidades; é muito
melhor considerar estas possibilidades do que entrarmos pela
perpetração do delito do aborto, de vez que o aborto traz
conseqüências ruinosas, claramente deploráveis, ao corpo
espiritual da criatura. Sua Excelência, nosso deputado, Dr.
Freitas Nobre, se refere à aureola dos santos que, sem dúvida, é
constituída por emanações sublimes do estado de elevação em que
o espírito dos heróis santificados do Cristianismo se encontra,
mas, em contraposição, temos as criaturas que, no mundo
espiritual inferior, se encontram num campo de sombras, às vezes
quase que absolutas. Em 1936, conhecemos uma senhora amiga que
praticou diversas vezes o aborto. Não era uma criatura perversa,
mas entendia que estava agindo bem. Depois da sua desencarnação,
depois de seis abortos, vimo-la no mundo espiritual, e ela
estava em condições muito lamentáveis, e se lastimava da
situação de irresponsabilidade a que se entregara nos domínios
do aborto inconseqüente, do aborto sem orientação médica, do
aborto terapêutico. Em companhia de amigos espirituais, então,
perguntei pelo caso dela, e eles nos disseram que ela se
reencarnaria, dentro de pouco tempo. Realmente, logo depois de
1942, ela reencarna, e, ultimamente, encontramos essa mesma
senhora reencarnada no campo de nossas relações, e, com grande
surpresa, mas com grande motivo para meditação, encontramo-la
numa angústia muito grande, querendo se descartar de uma
esterilidade que, para ela, nesta encarnação, é irreversível.
Perguntei ao nosso amigo André Luiz, e ele, então, me disse que,
de fato, nesta vida, ela, pelo anseio de ser mãe, vai
reconstituir os seus órgãos genésicos para ser mãe em vida
próxima. E ouvindo, também, um amigo médico, a quem eu perguntei
sobre o assunto, ele me disse que esta criatura podia receber um
diagnóstico claramente identificável na patologia comum, e
amigos espirituais nos disseram que ela era portadora, segundo
conceitos médicos, de hiperplazia glandular cística do
endométrio. Além do mais, com resultados, com derivações muito
lamentáveis em seus órgãos femininos. De modo que a vida no lar,
nas grandes cidades de hoje, na vida de hoje, dentro de uma vida
consciente, se podemos ser pais e mães, devemos emprestar as
nossas possibilidades aos nossos amigos que precisam e desejam
voltar à terra, mas, naturalmente subordinando isto ao nosso
critério de administração da família.
Ernani
Guimarães Andrade – Chico Xavier, alguns cientistas
europeus, como o Dr. Constantin Reudvar, estão logrando obter,
por processos eletrônicos, comunicações verbais com seres
inteligentes de um outro mundo. Suspeita-se que tal mundo seja
aquele habitado pelos que já viveram aqui e estão desencarnados.
Pedimos a gentileza de nos informar se, realmente, já se está
conseguindo tal intercomunicação eletrônica entre os vivos e os
desencarnados, e, em caso afirmativo, perguntamos, também, se
futuramente irá a humanidade conseguir ver desencarnados, usando
aparelhos eletrônicos como, por exemplo, uma câmara
espiritoscópica?
Chico
Xavier –
Emmanuel nos informa que cabe a nós todos formular os mais
ardentes votos para que a ciência do mundo atinja esta
realização. Até agora, o problema da comunicação entre os vivos,
no plano físico, e os vivos, além da Terra, tem-se verificado
através de processos mediúnicos, com emprego da própria criatura
humana, na condição de veículo mediunêmico, mas esperemos que,
coletivamente, sejamos merecedores de uma realização tal alta,
porque, quando pudermos espraiar a convicção da imortalidade da
alma sem o concurso deficiente de criaturas humanas – como eu
mesmo, que tenho tido a tarefa de entrar em comunicação com
amigos desencarnados, com profundo demérito de minha parte –
quando nós chegarmos a esta condição de conquistar este processo
de comunicação com fatores da ciência, naturalmente que a
sobrevivência do espírito trará um novo sentido à civilização
cristã no mundo, compreendendo-se que o nosso Divino Mestre nos
deu a lição da imortalidade, com a sua própria ressurreição.
Durval Monteiro
– Antes, eu queria fazer mais um protesto pelo recente “doutor”.
Sabe, Chico, a velha mania de repórter fez com que seu amigo
passasse uns três dias consultando livros, buscando a melhor
fórmula para fazer as perguntas, tentando encontrar maneira para
levantar polêmica, buscando incoerências nas idéias que você
defende. De repente, a velha mania cai por terra, e o repórter
se sente muito pequeno, ante um homem que, em meio ao caos do
século, em meio a tanto desamor, estaria humildemente se
balançando numa cadeira e falando do amor das cadeiras, do amor
das coisas, do amor. Um homem que está aí exalando paz e amor.
Foi exatamente aí que ocorreu a próxima pergunta: paz e amor.
Estas duas palavras encerram a filosofia de um movimento jovem,
que está tomando conta do mundo, o movimento “hippie”, eu acho
que todos conhecem. Como é que você, Chico Xavier, vê o
movimento “hippie”? Eles não seriam espíritos privilegiados?
Chico
Xavier –
Etnologicamente, eu vou informar ao nosso caro entrevistador,
Dr. Durval Monteiro, que não conhecemos a significação da
palavra. Tivemos oportunidade de conhecer irmãos nossos,
filiados ao movimento “hippie” no Exterior. Ficamos a meditar se
seria um protesto válido deixar o estudo e o trabalho, ou as
disciplinas construtivas da vida, para edificarmos uma vida
nova. Não pude, naturalmente, dentro da minha insignificância,
formular qualquer julgamento, mas, sinceramente, tenho visitado,
por várias vezes, a praça da República, na Grande São Paulo e
visitado a chamada “Comunidade do Embu”, dentro da Grande São
Paulo, e vejo que os “hippies” do Brasil apresentam trabalho, e
onde há trabalho humano, há dignidade humana. Creio que seria
válida uma pesquisa das autoridades competentes, ouvindo os
nossos jovens, procurando conhecer quase as aspirações deles,
como é que se estrutura o movimento “hippie” no Brasil, de que
maneira este movimento pode ajudar a comunidade, porque sempre o
espírito de Emmanuel me ensinou a filiar os meus impulsos a este
princípio: respeitar a criatura humana pelo trabalho que ela
oferece à comunidade, nunca escogitar, vascolejar o coração dos
nossos irmãos, nem a consciência dos nossos irmãos, sejam elas
quais sejam, mas respeitá-las pelo trabalho que nos ofereçam, e
os nossos irmãos, dentro do movimento “hippie” no Brasil,
mostram um trabalho artístico, artesanato admirável. Gostaria,
de minha parte, de ouvi-los, saber deles como é que se organiza
o movimento “hippie” e em que ponto poderíamos – o Senhor Durval
Monteiro, que é um técnico de comunicações – como é que podemos
dialogar, comunicar-nos uns com os outros, para sabermos qual é
o nosso comportamento para com eles., que merecem o respeito e o
apreço pelo trabalho que nos oferecem.
Almir Guimarães
– Mas, aí eu acrescentaria à pergunta do Durval, com a sua
permissão, Chico: então, o que diz você dos “hippies” dos
Estados Unidos, que têm comportamento inteiramente diverso deste
a que você se refere, no Brasil?
Chico
Xavier –
Não pude formular um juízo porque os nossos companheiros de
humanidade na Grande São Paulo, que eu tenho conhecido mais
intimamente, ultimamente, por espetáculo brilhante de trabalho
que eles apresentam. Eles nos apresentam tarefas edificantes,
concursos artísticos e realizações artísticas, às vezes
admiráveis no lance a que eles conseguem atingir. Nos Estados
Unidos e na Inglaterra não pude penetrar assim no movimento
“hippie”. Estimaria vê-los trabalhando, para que eu pudesse
ajuizar com mais segurança sobre o movimento, já que toda
criatura humana é digna do nosso maior respeito. Refiro-me a
“hippies” em Nova York e Londres.
Saulo Gomes
– Como repórter privilegiado que fui durante 14 anos, há três
anos e meio, recordo que trouxe para estas mesmas câmaras uma
das mais sérias e importantes mensagens suas. No momento em que
o mundo assistia ao início sério do transplante de coração, e
que Barnard e Zerbini, nas respectivas posições, davam os seus
grandes pacientes como quase inteiramente recuperados, produtos
daqueles transplantes, trouxemos, em “tape”, o produto da
mensagem psicografada por você, do professor Bezerra de Menezes,
e que tecnicamente desaconselhava, àquela época, estes
transplantes. Realmente, todos os transplantes se foram. Nenhum
deles no dá, nesse momento, a certeza de que aquela mensagem não
dizia a verdade. Em que termos você colocaria hoje o mesmo
assunto, a mesma mensagem? Os transplantes ainda estariam em
termos de 3 anos e meio, ou há uma posição diferente, já, para
você dizer a todos?
Almir Guimarães
– Sobre a pergunta do Saulo, tenho aqui, Chico, várias perguntas
de telespectadores.
Durval Monteiro
– Eu queria aproveitar e complementar, Almir, a mesma pergunta,
só que com um adendo a mais: há alguma imposição espiritual, no
fenômeno da rejeição, muito comum nos transplantes?
Chico
Xavier – O
assunto tem sido objeto de vários estudos, e nesta parte, com
Emmanuel, com nosso amigo espiritual André Luiz, e outros
benfeitores desencarnados. O problema da rejeição é nitidamente
um problema de incompatibilidade dos tecidos do doador com os
tecidos do receptor, mas o nosso André Luiz afirma, muitas vezes
– e isso, respondendo ao nosso caro entrevistador, o nosso amigo
e jornalista, Sr. Saulo Gomes – nosso André Luiz, que foi médico
no plano físico, assevera que os transplantes devem merecer
continuar merecendo o máximo cuidado, a máxima atenção da
ciência, e que não podemos esquecer que, quando se verificou o
transplante de córnea, com absoluto sucesso, em uma nação do
norte da Europa, experimentou-se muitas vezes, até que se
verificou que o transplante da córnea era possível
conservando-se o tecido em câmara fria. O problema dos
transplantes deve merecer o nosso respeito, e vamos pedir para
que a nossa ciência médica continue para frente, conquanto não
devem desprezar os órgãos chamados plásticos, tanto quanto
possível, na substituição de órgãos no veículo físico, mas os
transplantes merecem a nossa consideração, e devemos prosseguir.
Almir Guimarães
– Chico, a jornalista Vilma, da revista Intervalo, presente
ao auditório, está muito preocupada com as mortes coletivas. Ela
quer saber, dentro da Doutrina Espírita, como se explicam as
mortes assim aos milhares, em guerras, enchentes, em toda
espécie de catástrofe. Justamente esta última aí, da Índia, da
guerra com o Paquistão.
Chico
Xavier –
São estas provações coletivas que coletivamente adquirimos do
ponto de vista de débitos cármicos. Às vezes, empreendemos
determinados movimentos destrutivos, em desfavor da comunidade
ou do individuo; às vezes, operamos em grupo; às vezes, em
vastíssimos grupos, e, no tempo devido, os princípios cármicos
amadurecem e nós resgatamos as nossas dívidas, reunindo-nos uns
com os outros, quando estamos cumpliciados nas mesmas culpas,
porque a lei de Deus é a lei de Deus: formada de justiça e de
misericórdia.
Almir Guimarães
– Muito bem. Dona Olga, Chico, pergunta: o plano espiritual
admite a cremação de corpos?
Chico
Xavier –
Emmanuel, no livro “O Consolador”, afirma que a cremação é um
processo legítimo de liberação do espírito desencarnado, apenas
aconselhando que o tempo de expectativa deve ser mais longo nos
climas tropicais e subtropicais, nada menos de 72 horas de
câmara fria para o nosso veículo carnal, quando nos
desvencilhamos dele, no caso de optarmos pela cremação.
Almir Guimarães
– Desta pergunta até eu estou interessado na resposta. Ela
vem de Uberlândia, e quem a traz é a doutora Ruth de Assis,
professora de Direito Internacional Público, da Faculdade de
Direito da Universidade daquela cidade, Uberlândia, e a faz por
intermédio da TV Triângulo Mineiro, Canal 8, que está em rede
com o Canal 4 apresentando este programa. Pergunta ela: o homem
teme a morte porque a julga o fim de tudo, mas, para o
Espiritismo, a morte é o renascimento. Como devemos agir para
conseguir uma morte suave e tranqüila? É difícil, não é, Chico?
Chico
Xavier – O
Espiritismo não oferece a solução do problema como novidade,
porque o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo é u m hino à
imortalidade da alma, e ele próprio nos deu o quadro
inesquecível da sua própria ressurreição. A morte suave, do
ponto de vista de continuidade de paz, para além desta vida, se
deve à consciência tranqüila. Cumpramos os nossos deveres,
compreendendo que a nossa responsabilidade tem o tamanho do
nosso conhecimento. Cumpramos as nossas obrigações, e a morte
será sempre uma passagem para uma vida melhor. Mas, se
adquirirmos complexos de culpa, nós estaremos criando cadeias
que nos aprisionam a processos de vida inferior, e vamos emitir,
de nós mesmo, irradiações perturbadoras, suscetíveis de criar
muita luta, muito conflito, naqueles de quem nos aproximamos,
porque criamos estes conflitos em nós mesmos.
Anselmo Duarte
– Ao nosso caro irmão Chico Xavier é para mim uma honra
poder dirigir a palavra e fazer uma pergunta que tenho a
impressão seria uma pergunta que muita gente gostaria de fazer.
O que pensa você, como analisa os chamados milagres da Igreja
Católica, ou seja, o aparecimento, a aparição de Nossa Senhora
mãe de Cristo, em Lourdes, em Fátima, e, no caso de tratar-se de
uma materialização espiritual, queria saber se, em algumas
oportunidades, os chamados santos da Igreja Católica têm deixado
mensagens através da religião espírita?
Chico
Xavier –
Nós nos sentimos muito honrados com pergunta do nosso grande
líder de arte no Brasil, que é nosso querido e festejado Anselmo
Duarte. Em nossa infância, e na primeira juventude, freqüentamos
a Igreja Católica com o mesmo respeito com que nos dirigimos,
hoje, a uma reunião espírita cristã, e sempre sentimos e
reconhecemos, dentro da Igreja Católica, prodígios de
espiritualidade inimagináveis. Muitas vezes, principalmente nas
missas da manhã, quando era possível a comunhão de vibrações
espirituais de todos os crentes numa só faixa de espiritualidade
e de fé em Jesus, tivemos oportunidade de ver espíritos
santificados que abençoavam as hóstias, e elas se transformavam
como se fossem flores de luz, que o sacerdote oferecia na mesa
da comunhão. Muitas vezes, principalmente no altar daquela que
nós veneramos como sendo nossa mãe santíssima, vimos irradiações
de luz que alcançavam toda a assembléia. Do altar consagrado a
Santa Terezinha de Lisier, muitas vezes, vimos partirem rosas
trazidas por criaturas desencarnadas, amigos e amigas católicos
da cidade de Pedro Leopoldo, sem que eu pudesse explicar o
fenômeno. Tivemos ocasião de, por misericórdia de Deus, e com
amparo da comunidade espírita cristã, e sobretudo com a
assistência de dois amigos extremamente queridos para nós, um de
Uberaba e outro de São Paulo, tivemos oportunidade de visitar,
pessoalmente, a cidade de Lourdes, e vimos, ali, demonstrações
extraordinárias de fé, sentimos a espiritualidade do Evangelho,
como se o Cristianismo estivesse renascendo na procissão em toda
a sua pureza. Portanto, todos os fenômenos de bondade divina,
através da Igreja Católica, que nós consideramos como mãe de
nossa civilização, todos são legítimos, credores de nossa
veneração. Nós não estamos separados, os evangélicos reformistas
e os espíritas cristãos, por diferenças fundamentais. Os
espíritos nos ensinam que nós estamos em faixas diferentes de
interpretação, mas somos uma família só, diante de Nosso Senhor
Jesus Cristo, e que reverenciamos em sua santidade, o Papa, em
nossos eminentes cardeais do Brasil, os protetores da nossa fé.
Nós não podemos esquecer isto, e amamos a religião tradicional
em tudo o que ela tem de belo, em tudo o que ela tem de divino,
embora estejamos, pessoalmente, na faixa de um Espiritismo
cristão, dentro das conceituações de Allan Kardec, porque a
mediunidade nos chamava para este campo de trabalho, que também
é profundamente cristão, e para ele, um dia, partimos de nossas
atividades da Igreja Católica, com a bênção do sacerdote a quem
nós amávamos como se ama a um pai.
Freitas Nobre
– Pode-se dizer, então, ecumenicamente que religião boa é a
que melhora o homem?
Chico
Xavier – A
religião é sempre boa, e toda religião é boa, isto é, quando
fundada nos princípios do bem, que tornam os homens bons. Esta
religião é o processo de ligação, processo de comunicação, vamos
dizer assim, nos conceitos modernos de nossa vida nos tempos de
hoje; é um processo de comunicação com as nossas forças divinas,
que emanam de Deus. Todas as religiões que objetivam o
burilamento da criatura humana, toda religião que nos traz esta
legenda de paz e de amor autênticos, mas profundamente
autênticos, sem nenhuma ofensa para ninguém, sem nenhuma
desconsideração para ninguém, a que se referiu o nosso querido
entrevistador, Dr. Durval Monteiro, a religião baseada nestes
princípios é um caminho santo, que nós, como espíritas cristãos,
respeitamos e devemos respeitar cada vez mais.
Almir Guimarães
– Chico, estamos nos aproximando de três horas de programa.
Tenho certeza que nem o público presente a este auditório, nem
os telespectadores estão cansados, mas acredito que você já
comece a sentir um certo cansaço.
Chico
Xavier –
Não.
Almir Guimarães
– Vou pedir ao Saulo que formule mais uma pergunta a um
espectador do auditório, ou telespectadora, para que possamos,
então, passar a penúltima rodada da noite, porque a última você
mais ou menos sabe de que forma irá se desenvolver.
Saulo Gomes
– Pois, parece podemos dizer ao telespectador, que uma etapa do
mundo israelita aqui está presente. É o professor Beni, que, em
nome deste grupo de São Paulo, formula a sua pergunta. Ele tem
um pouco de sotaque, porque não se trata de brasileiro.
Professor Beni
– Tenho grande prazer de estar aqui, porque me interesso
muito pelo estudo do Espiritismo. Gostaria de saber: eu fui
convidado por umas pessoas do professor Herculano para assistir
um trabalho de materialização, e eu cumpri as recomendações que
me foram concedidas previamente. Eu presenciei alguma coisa, vi
algo lá, não me lembro, aqui num bairro de São Paulo. A pessoa
que foi comigo, outra pessoa israelita, eu vi tudo isto lá e ela
me disse que não viu, absolutamente, e me acusou de
mistificador. Eu gostaria de saber porque que eu vi esta
manifestação e esta pessoa não viu?
Almir Guimarães
– Entendeu, Chico? Ele participou de uma sessão de fenômenos de
materialização, assistiu, viu as pessoas, viu os espíritos se
materializarem, e o amigo não viu, e o amigo, então, o tachou de
embusteiro, de mistificador. Ele quer saber porque, em sessões
desta natureza, algumas pessoas podem observar a verificação
destes fenômenos e outras não?
Chico
Xavier –
Cremos que o problema estará filiado à sensibilidade visual do
ponto de vista psíquico, de nosso amigo, porque muitas vezes
temos ido pessoalmente a reuniões, verificamos a presença de
determinadas entidades, que nossos amigos não vêem. Acreditamos
que o nosso amigo é portador do que nós chamamos clarividência
mediúnica, talvez não muito desenvolvida, por enquanto, mas
suscetível de encontrar um grau muito elevado de evolução,
propiciando a ele mesmo ensinamentos muito grandes e lições que
serão, para ele, verdadeiras bênção da espiritualidade superior.
Almir Guimarães
– O Chico faz questão que se saiba que ele é de família
muito humilde. O pai dele era vendedor de bilhetes, e, quando
estava se aproximando o fim, estava próximo a deixar a Terra,
ele disse ao Chico: “Olha, meu filho, por ocasião do Natal, Ano
Bom, destes grandes prêmios da Loteria Federal, você não deixe
de comprar um bilhetinho, porque eu vou tentar parar a roda”.
Esta é uma história engraçada.
Chico
Xavier – De
fato, é um caso tocado de humor. De início, devo explicar que
isto não significa qualquer desdouro à memória de meu pai,
porque ele foi para mim meu melhor amigo. Ele era pai de 15
filhos, duas famílias: 9 da primeira família, seis da segunda, e
nos tratava a todos na condição de um grande companheiro, que
nos queria ver muito alegres e muito animados para viver e para
trabalhar. Então, podemos rir, pois eu sei que ele, tendo
conhecimento no mundo espiritual do que eu vou contar, ficará
satisfeito, e se rirá muito conosco, porque meu pai era muito
alegre neste mundo, e continua, também, muito contente e muito
otimista no outro. Mas, em 1939, atravessávamos um período de
muita dificuldade em nossa família. Muitas lutas, morte de
irmão, que nos deixava a viúva, com 2 órfãos, 6 crianças
menores, 3 não muito menores, mas, também, ocupando a nossa
atenção, e meu pai e eu trabalhando. Meu pai, que era um homem
muito arrojado para saciar os tropeços da vida, mas não tendo
muitas letras, teve muita dificuldade em prosseguir no emprego
que ocupava, no ano de 1925. Então, desde essa data, sentindo
muita dificuldade para sobreviver como trabalhador, ele se
entregou à profissão de cambista, vendia bilhetes de loteria, e
vendeu bilhetes de loteria por mais de trinta anos consecutivos.
Mas, enfim, tão logo meu pai caiu em estado grave, com um
reumatismo muito renitente, este reumatismo impôs a ele uma
certa paralisia durante algum tempo. Nesta ocasião, as duas
pessoas que trabalhavam em casa éramos ele e eu. Mas, não
conseguíamos muita coisa além dos duzentos mil reis. De modo que
os médicos aconselharam que ele usasse um tipo de injeções que,
naquele tempo, eram chamadas de injeções de ouro. Eu não
classificaria do ponto de vista de farmacologia, o termo exato,
mas cada injeção custava, naquele tempo, 150 mil réis. Ele era
obrigado a usar duas por mês. Então, o nosso numerário dava mais
ou menos para as duas injeções, e ficamos atrasados com as
despesas da família durante quase um ano, porque as injeções
restituíram a ele a saúde, ainda por muito tempo. No ápice da
moléstia, saiu a lume a obra “Brasil, coração do mundo, Pátria
do Evangelho”, de autoria de um dos nossos maiores escritores
desencarnados no Brasil, e amigos de Belo Horizonte chegavam em
nossa casa comentando o êxito do livro, porque o livro estava
sendo muito bem aceito. Meu pai ouvia tudo aquilo com muita
curiosidade. Então, um dia, quando ele estava ainda sem poder
manejar as mãos nem as pernas – até que as injeções de ouro o
restabelecessem, os banhos, aquele movimento de arranjo no leito
eram feitos por nós, ele e eu, a sós – então, ele me disse:
“Chico, eu soube que este livro que saiu de você foi entregue a
beneficio das almas, e nós também somos almas, e dizem que você
também entregou este livro a benefício da pobreza, e eu creio
que não existem pobres mais pobres do que nós, agora. E você
podia, agora, arranjar um livro para nós ganharmos algum
dinheiro, porque nós estamos muito atrasados no armazém”. Eu
disse: “Papai, o senhor não deve pensar nisto, porque o senhor
sabe, nós temos muitos amigos, todos nos ajudam; mas, como paga,
vender o trabalho dos bons espíritos, isto não é possível, eles
não permitem isto. Nós estamos na mediunidade com absoluto
desinteresse. Os livros são deles, não são nossos, e eu peço ao
senhor não pensar nisso, não. O senhor não fique preocupado com
isto, não, porque suas filhas, minhas irmãs, os filhos, os
pequenos vão crescer, isto tudo vai melhorar, nós todos vamos
trabalhar, e, na hora da dificuldade, nós todos devemos, mas
depois pagamos, e os nossos amigos de Pedro Leopoldo são sempre
boníssimos, eles vão nos ajudar, os nossos credores”. Ele disse:
“Mas, meu filho, você não pode receber um tostão destes livros?”
Eu falei: “Como paga, meu pai, não posso receber”. Ele disse:
“Meu filho, então seus espíritos estão muito atrasados. Isto é
gente que já morreu há muitos mil anos, no tempo que nada tinha
preço”. E meu pai, que não entendia bem de literatura, nem deste
mundo nem do outro, me disse assim: “Imagine que eles são bem
antigos, que em vez de assinarem Manuel, assinem Emmanuel. É
gente do Egito, gente que não conheceu rádio, que não conheceu
preço do feijão, porque eu acho que estes espíritos, se são
caridosos, deviam ter dó de nós”. Eu fiquei, assim,
constrangido, porque, de fato, era meu pai. Aquela queixa dele
era a queixa de um doente, que eu não podia transmitir a
ninguém, então foi um dia que eu fiquei muito triste, com os
olhos cheios de água, pois ele era muito bom. Então, ele falou
comigo assim: “Olha, eu não vou te acariciar, porque minhas mãos
não estão funcionando, mas não fica triste com o que eu falei,
segue para frente com teus livros, com teus espíritos, porque eu
vendo bilhetes de loteria, e, naturalmente, breve eu vou partir
para o outro mundo, e eu, lá, à hora que morrer, meu filho, vou
parar a roda para você. Quando for o mês de junho, mês de
dezembro, você compra bilhete da Loteria Federal, que eu vou
parar a roda e as bolas para você ganhar”. Então, até hoje eu
compro, não é?... A Loteria Federal é a felizarda... Eu continuo
comprando... Mas, eu, em junho e dezembro, continuo comprando.
Almir Guimarães
– Chico, depois de amanhã correm os nove milhões de cruzeiros.
Você já comprou o seu bilhete?
Chico Xavier
– Comprei
cinco tiras.
Almir Guimarães
– De números diferentes?
Chico
Xavier –
Estão nas mãos de um amigo nosso, chamado Sr. Wicker Batista, de
Uberaba. Ele fez a compra para mim, a meu pedido, para que
depois eu fizesse o pagamento a ele. Guardei as cinco tiras,
porque ele me entregou para guardar. Agora, sinceramente, eu não
sei o dia que corre.
Almir Guimarães
– Quarta-Feira, depois de amanhã.
Chico
Xavier -...
Muito caro, mas cinco tiras eu tenho.
Almir Guimarães
– Chico, um telespectador quer saber de você, antes de passarmos
à penúltima pergunta, com a equipe interna, se nas suas
comunicações com seus guias do além, no espaço, existe também
censura. Eu explico: censura de que maneira: se eles comunicam
um fato a você que possa acontecer, ou qualquer coisa de maior
importância, e impedem você de transmitir aos seus adeptos, aos
seus fieis, esta comunicação.
Chico
Xavier –
Desde muito tempo o espírito de Emmanuel nos orienta que nós
somos responsáveis pelas imagens que criamos na mente dos nossos
irmãos. Portanto, ele nos ajuda a censurar tudo aquilo que possa
vir por nosso intermédio. Até hoje tem sido assim, conquanto
essa censura não impeça o auxílio que ele e outros amigos
espirituais vão dar às pessoas necessitadas de socorro. Do ponto
de vista literário, muitas vezes tenho tido a visita de poetas e
escritores que desejam escrever nos temas que os sensibilizaram
neste mundo, mas sem maior proveito para a fé. Eles, às vezes,
querem escrever, conversam, falam de páginas maravilhosas se
fossem escritas. Emmanuel corrige o assunto e não permite que as
páginas venham por nosso intermédio, porque ele considera que,
do mundo espiritual, para nós, deve vir àquilo que for
construtivo, que possa nos ajudar.
Vicente
Leporace – Apenas para esclarecer, Chico, que o seu pai,
quando desencarnou, o sistema da Loteria Federal era diferente.
Agora, não adianta que ele insista em parar a roda porque não é
mais no sistema fichê. Agora, são esferas com o número completo.
Cada esfera tem cinco algarismos. É uma roda como, por exemplo,
essa que a gente vê em programa de televisão; são os números
completos; são, 56 mil bolinhas enterradas numa urna e numa
outra urna, posterior, na outra urna ligada, e se os prêmios,
primeiro prêmio, segundo prêmio, etc., quer dizer que o seu pai
estiver preocupado em parar a roda...
Chico
Xavier (interrompendo)
– Ah, eu acho que
ele não consegue nem a guarda nem a dona. E eu devo estar muito
feliz, porque não me falta nada e todas as dívidas foram muito
bem pagas. Estamos muito bem, as meninas cresceram, se casaram,
os rapazes, também, têm outras vidas. Estamos muito bem, eles e
eu. Damião furou na loteria.
Vicente
Leporace – E, depois, há mais a acrescentar o seguinte,
Chico Xavier: acontece que os nossos números, o seu e o meu,
estão sempre escritos em esferas bem maiores que aquela do
buraco onde elas possam atravessar. Não vai sair nunca o prêmio
para nós.
Chico
Xavier – E,
nosso caro amigo Vicente Leporace, falando...
Vicente
Leporace – Eu quero falar justamente sobre meu pai, Chico
Xavier. Aquele que lê, como eu leio, as coisas que dizem
respeito ao Espiritismo, que praticam, que o evitam, também, num
ramo do Espiritismo, eu estranho, Chico Xavier, e não acho quem
o explique. Meu pai desencarnou em 1938, há 33 anos, portanto, e
até hoje não chegou ao meu conhecimento, nem a ninguém da minha
família, que, em qualquer circunstância, o espírito de meu pai
tivesse se manifestado através de um médium, não só nas nossas
relações como extra-relações, nunca soube que o espírito tivesse
baixado. Então, eu lhe pergunto, Chico, meu pai tinha espírito
gaiato, galhofeiro e transmitiu este espírito ao filho. Eu
pergunto se um espírito, para se tornar superior e baixar à
terra e ser pindocado, precisa passar por um crivo especial, se
subordinar a um tratamento especial, como se opera esse fenômeno
do espírito que baixa, vem à terra e se manifesta?
Chico
Xavier – É,
o assunto, devemos dizer, não é novo na Humanidade e a ausência
aparente do senhor seu pai não implica numa falta d elevação.
Ele estará continuando a dispensar aos familiares a mesma
ternura de sempre e ter-se-á naturalmente subido, ter-se-á
elevado muito. Mas, provavelmente, ele não terá encontrado
ainda, os recursos à manifestação no plano físico: a ausência de
um médium, condições adequadas para que ele se faça claramente
reconhecido. Muitas vezes, os nossos queridos familiares
encontram oportunidade para se expressarem em nosso benefício,
mas, às vezes, o médium está em condições deficientes, e eles
desistem de se comunicar conosco de modo imperfeito, porque
provavelmente sairíamos numa surpresa menos construtiva e a
perplexidade agiria em nosso desfavor. Acredito que o senhor seu
pai estará auxiliando muito ao nosso amigo e a todos aqueles que
ele deixou na terra. Estará esperando oportunidade.
Freitas Nobre
– Vou usar de um recurso, mas muito legitimo, porque vou
fazer duas perguntas dada a premência do tempo e a necessidade
de fazê-las. A primeira é a seguinte: o texto evangélico lembra
que não devemos separar o que Deus uniu. Argumenta-se, de um
lado, que o casamento, portanto, é indissolúvel, e, de outro
lado, que aquilo que Deus não uniu pode ser separado, porque não
foi Deus que uniu. Pergunto, então, como os mentores espirituais
de Chico Xavier interpretariam o texto bíblico e, em segundo
lugar, há uma preocupação, ainda hoje os nossos companheiros de
rádio me pediram: “Pergunte ao Chico Xavier, já que você vai ser
um dos perguntadores, pergunta como é que a população deste
mundo cresce desta maneira, se com o problema da reencarnação a
fonte de vida para toda essa população teria origem exatamente
onde?”. Essa pergunta dos companheiros de rádio é uma pergunta
que ainda, anda, às vezes, nas preocupações gerais de muitas
pessoas. É evidente que muitos de nós aqui podemos ter o nosso
entendimento, a propósito do assunto, mas os nossos companheiros
de rádio, que hoje estão tão interessados nesta matéria de
espírito, me pedem para formular a pergunta e aí ficam as duas
interrogações, pedindo a você desculpas pelo expediente que usei
para formulá-las.
Chico
Xavier – A
primeira questão apresentada pelo nosso digno amigo, Sr.
Deputado federal, Dr. Freitas Nobre, envolve o problema do
divórcio no Brasil. Isso traz uma outra questão, que é a do
desquite. Sem nenhum desrespeito às nossas leis, com absoluta
veneração aos nossos magistrados, que são zeladores da nossa
dignidade como povo cristão, mas os nossos amigos espirituais
consideram que o desquite, facultado pelo artigo 316, de algum
modo, sem qualquer irreverência, pode ser comparado, com todo o
respeito nosso à dignidade dos nossos governantes e dos nossos
legisladores, o desquite no Brasil pode ser comparado ao
presente de um carro de luxo, que é doado sem o motor. O carro
não pode funcionar porque o motor está de um lado e a estrutura
do veículo de outro. No artigo número 323, do nosso Código
Civil, existe a possibilidade da reconciliação dos cônjuges,
seja de que modo for, e a lei, então, aprova a reaproximação dos
cônjuges que não puderam viver juntos. Então, é o trazimento do
motor ao carro, para que o carro venha a funcionar, da mesma
forma pela qual o mesmo foi considerado em dificuldade antes do
reajuste. Por isso mesmo, nós hoje vivemos em dimensões
econômicas diferentes, em dimensões de intercâmbio diferentes,
dimensões comerciais, dimensões diplomáticas muito diferentes
daquelas que nos caracterizavam até 1916, quando o nosso Código
era herdeiro de muitas das idiossincrasias do Código de
Napoleão, e já diferente da lei 4.121, de 27 de agosto de 1962,
considerada como sendo o estatuto da mulher casada. Nós, que
vivemos hoje em dimensões tão grandes de compreensão humana,
consideramos o divórcio como medida humana, medida legitima,
porquanto dói ao nosso coração quando ouvimos, nas palavras
públicas de nossos grandes magistrados, a palavra – desculpem-me
– a palavra concubina para designar senhoras distintíssimas,
grandes mães de família que estão em segunda, terceira ou quarta
união, com absoluto respeito ao regime monogâmico que impera em
nossas relações. Peçamos a Deus que as nossas autoridades possam
ouvir os nossos sentimentos, mas não apressadamente, porque as
leis não devem se alterar de um dia para outro, para que
determinadas alas de criaturas, ainda não matriculadas na escola
da compreensão humana, da ternura humana, venham a usar da
magnanimidade de nossos preceitos legais. Nós vamos esperar que
dias melhores venham para a família brasileira, e que o divórcio
possa ser consagrado, como nós todos, como medida humana, porque
do ponto de vista espírita-cristão, muitos, talvez, afirmem:
mas, e a dívida de outras reencarnações? Muito bem, mas os
nossos bancos fornecem moratórias, fornecem reformas, será que o
banco da providência divina está em penúria tal que não possa
dar tempo para depois resgatarmos as nossas dívidas, com
determinados companheiros ou companheiras, para que nós não
venhamos a cair, muitas vezes, em delinqüência, para
salvaguardar os nossos interesses, a nossa integridade mental,
mesmo? O divórcio é uma medida humana, mas nós devemos
considerar – e isso torna digna a condição de espírita – nós, os
espíritas, precisamos e sabemos respeitar a maioria católica da
Nação brasileira. Por isso mesmo, fazemos votos para que o
Soberano Pontífice, que nós tratamos com a máxima veneração, e
que suas eminências, os cardeais do Brasil, e suas excelências,
os senhores arcebispos e bispos do Brasil possam também obedecer
esses nossos ideais, para que o divorcio venha tranqüilizar
tantos adultos e legalizar tantos adultos e jovens que
necessitam de semelhante medida, para que a paz e o amor – na
fala do nosso entrevistador, Dr. Durval Monteiro – para que a
paz e o amor reinem dentro do lar pátrio, do território brasílio,
isto sem desconsiderar os princípios monogâmicos, os princípios
de fidelidade que os cônjuges devem entre si, dentro das novas
dimensões psicológicas em que os nossos grupos sociais são
chamados a viver. Nós temos dois fantasmas que precisamos abolir
do campo de nossas vidas, que são a promiscuidade e a
prostituição. Nós podemos vencer a prostituição com a dignidade
do trabalho, porque, pelo trabalho, cada criatura se faz
respeitada pelo rendimento de sua própria vida no grupo social,
e a promiscuidade pela orientação médica que vai liberar a nossa
mente de aventuras suscetíveis de comprometer o futuro de nossos
descendentes. Mas, o divórcio sem nenhum respeito à família
brasileira, que é profundamente cristã, é medida humana, pelo
que devemos esperar que os nossos magistrados reconsiderem os
pontos de vista em andamento, e quem processos novos de vivência
possam inspirar essa lei de libertação, que é uma lei justa em
favor da paz de nossos lares, com emancipação para o homem e
para a mulher, sem as ilusões e fantasias do amor possessivo, do
amor egoístico, de um lado ou de outro, porque cada um é senhor
do próprio destino. Quanto à população, nós podemos dizer,
podemos esclarecer ao nosso caro informante, que a população,
vamos dizer, flutuante do globo terrestre é muito grande, e que
os orientadores de economia na Europa são quase unânimes em
asseverar, a maioria deles, que o nosso planeta ainda comporta,
talvez, mais de 30 bilhões de habitantes, desde que, venhamos a
explorar, também, as possibilidades no mar, porque há toda uma
flora e toda uma fauna a esperarem por nós no mar. Conversando a
esse respeito, há algum tempo, com alguns jovens, quando
falávamos a respeito da pecuária com base na produção, um deles
me disse, com muita propriedade, em seu sentimento cristão:
“Mas, Chico Xavier, será possível, que vamos viver até à morte
matando para comer?”. Sinceramente, eu me envergonhei, porque é
verdade: matarmos, matarmos para comer. Mas, com base na
pecuária justa, com base na economia bem dirigida, nós
precisamos viver, ainda, talvez milênios necessitando dos
valores protéicos, adquiríveis na carne.
Ernani Guimarães
Andrade – Chico, nós sabemos, atualmente, pelos estudos que se
fazem no tocante à reencarnação, estudos esses levados a efeito
por cientistas de grande gabarito, como o professor Ian
Stevenson, que é professor de psiquiatria e neurologia na
Universidade de Virgínia, nos Estados Unidos – sabemos, hoje,
com base em observação experimental, que o espírito pode, de uma
encarnação para outra, mudar de sexo, e poderíamos até dar um
nome a esse fenômeno de transexualidade. Eu pergunto a você:
haveria alguma relação entre o homossexualismo e transexualidade
no sentido encarnatório?
Chico
Xavier – Na
maioria dos casos, sim, conquanto o serralho, na antiguidade, e
as guerras de longo curso tenham estimulado determinando tipo de
costumes menos construtivos; mas não devemos desconsiderar, de
maneira nenhuma, a maioria de nossos irmãos que vieram e que
estão na terra em condições inversivas, do ponto de vista de
sexo, realizando tarefas muito edificantes em caminho de
redenção de seus próprios valores íntimos. Consideramos isso com
muito respeito e acreditamos que a legislação do futuro, em suas
novas faixas de entendimento humano, saberá criar, dentro da
família, sem abalar as bases da família, a legislação humana
saberá incorporar à família humana todos os filhos da
humanidade, todos os filhos da terra, sem que a frustração
afetiva venha a continuar sendo um flagelo para milhões de
pessoas. Num congresso de neurologia, realizado há muito pouco
tempo, se deu especial destaque ao problema da fome. É verdade
que o problema da fome é removível com a redistribuição do
trabalho, com a administração criteriosa do trabalho para a
criatura humana em todas as idades de sua posição válida no
plano físico. Mas, a frustração afetiva é um tipo de fome capaz
de superlotar os nossos sanatórios e engendrar os mais obscuros
processos de obsessão e, por isso mesmo, devemos ter esperança
de que todos os filhos de Deus, na Terra, serão amparados por
leis magnânimas, com base na família humana, para que o caráter
impere acima dos sinais morfológicos e haja compreensão bastante
para que os problemas afetivos sejam resolvidos com o máximo
respeito às nossas leis e sem abalar, de um milímetro, o
monumento da família que é base do Estado.
Durval Monteiro
– Minha pergunta é rápida, Chico. Em que instante da gestação
ocorre a reencarnação e o espírito tem consciência disso?
Chico
Xavier – O
nosso André Luiz costuma dizer que a consciência disso é um
fenômeno raríssimo. Na maior parte, talvez 99% dos casos de
reencarnação, a criatura está na posição de quem dorme, no
claustro materno, para o renascimento dentro de um processo um
tanto ou quanto semelhante à anestesia para as cirurgias no
terreno humano: um certo torpor, e a criatura vão acordando aos
poucos; aos poucos, a ciência vai verificar que a recapitulação
do processo evolutivo não se verifica tão somente na fase
embrionária da nossa vida fetal, mas, alguns anos depois do
nascimento, a criança está repetindo, na sua feição de
criaturinha impulsionada por movimentos saltuários, determinados
tipos de impulsos que ficaram na retaguarda. E o próprio
complexo de Édipo, que muitos dos nossos psicoanalistas
consideram como sendo um período que vai de depôs dos três, dos
seis meses de nascimento até 6 ou 8 anos, com as eliminações
desse mesmo complexo às derivações edipianas – esses complexos
todos são plenamente compreensíveis com o fenômeno da
reencarnação e do nascimento da criatura em estado de reajuste
gradativo.
Saulo Gomes
– Acho que é importante e necessária uma sua mensagem sobre o
tema: Amor Livre.
Chico
Xavier –
Diz o nosso irmão que o amor, como fonte divina de manifestação
de Deus, é o oceano de força em que nós todos vivemos, porque
nós todos vivemos num oceano de amor, mas que p sexo é
responsável quando instrumento do amor. Portanto, as nossas
ligações de natureza sexual devem obedecer ao critério da lei,
da palavra empenhada, do compromisso, da monogamia, enfim,
embora nos amemos infinitamente uns aos outros; mas, no terreno
do sexo, o amor precisa de represa para que ele não faça uma
inundação destrutiva, criando calamidades sentimentais
suscetíveis de arrasar com a família, com a nossa organização
social. O amor, vindo de Deus, é livre, mas, no sexo, ele, o
amor, é responsável.
Almir Guimarães
– Chico, o nosso irmão D´Angelo Neto – você deve conhecer – já
desencarnado, preocupado com a questão da legalização do jogo no
Brasil, cuja tese já ganhava o apoio de espíritas, comandado na
Câmara Federal ou no Senado da República, pediu a opinião do Dr.
Bezerra de Menezes, e, por seu intermédio, obteve resposta:
legalizado ou não, o jogo é imoral. Que pensa você à respeito?
Dr.Bezerra estava certo ou errado?
Chico
Xavier –
Gostaria de futuramente reconsiderar o assunto, num estudo mais
pormenorizado, porque o assunto é dependente de deliberações
legais daqueles que nos governam e que nós precisamos tratar com
o máximo respeito. Futuramente, espero que o Dr. Bezerra de
Menezes confirme ou não, guardadas as dimensões, as finalidades,
os objetivos, as diretrizes do assunto.
Almir Guimarães
– Tem aqui uma outra pergunta feita, também, pelo Dr. Domingos
Pimentel de Ulhoa, que é o reitor da Universidade de Uberlândia.
Ele pergunta: “O senhor, com segura obstinação, afirma não ser o
autor das 111 obras psicografadas, já editadas. Entretanto, o
senhor, em entrevistas, pronunciamentos, escritos vários, em
estado não mediúnico, demonstra excelentes qualidades
intelectuais. Pergunta: está ou esteve em suas cogitações
escrever e editar uma obra não psicografada? Não seria a mesma
de uma utilidade, quando menos para um estudo de literatura
comparada, capaz de dirimir algumas dúvidas residuais ainda
presentes na análise do seu trabalho?”.
Chico
Xavier –
Quando vimos à televisão estimamos falar com nosso coração
dentro de toda a nossa autenticidade, enquanto nos reconheçamos
uma criatura microscópica ao estarmos na presença de um
auditório assim tão seleto. Mas, aos 12 anos de idade,
compreendi que a minha vida estava em conflito, grande conflito
de sentimentos. O sacerdote católico que me orientava me
auxiliou muito, até que os amigos espirituais chegassem à minha
vida e me trouxessem o benefício da doutrina espírita, com a
orientação para os pequenos recursos mediúnicos de que sou
portador. Quando ouvimos o espírito de Emmanuel pela primeira
vez, e que ele nos fez compreender a importância do assunto, nós
nos informamos com ele de que, em outras vidas, abusamos muito
da inteligência, nós, em pessoa, e que nesta consagraríamos as
nossas forças para estar com ele na mediunidade, nos serviços de
Nosso Senhor Jesus Cristo, no Espiritismo e, por isso mesmo,
coloquei minha vida nas mãos de Jesus e nas mãos dos bons
espíritos. Creio que, se fosse escrever, conseguiria escrever
alguma coisa, mesmo porque, depois de 40 anos de livros
mediúnicos, seria impossível que eu não pudesse traçar algumas
páginas. Mas, renuncio a isto, porque considero a imensa
significação dos trabalhos dos bons espíritos por nosso
intermédio. Não vemos nenhum proveito com a nossa intromissão na
obra deles, respeitamo-la como todos aqueles que se beneficiam
dos livros deles. Sabemos que os livros não são nossos. Quanto
mais avança o nosso tempo de idade física na terra, mais
reconhecemos que a nossa pequenez é cada vez mais reconhecível,
mais identificável e que a bondade dos bons espíritos é sempre
mais ampla em se tratando do meu caso pessoal, que não mereço,
absolutamente, a consideração deles. Então, eu devo declarar de
público que, embora eu nada tenha para dar, como um animal, que
vai a uma carroça para cooperar na distribuição, vamos dizer, de
cartas ou de medicamentos ou de certos benefícios ou de algumas
utilidades, eu aceitei o serviço com os bons espíritos e peço a
Deus que me dê a felicidade de desencarnar nesta função.
Blecaute
(cantor) – Senhor Francisco Xavier, a emoção é tão grande
que eu não sei se é uma pergunta, não sei se é um conselho. Eu
sou pinhalense, sou de Pinhal. Minha mãe foi mãe preta da
família Vergueiros, Márcio Porto, e aos 6 anos vim para a
Capital, São Paulo, já órfão, me criei nesta cidade e a música
fez com que eu entrasse para o meio artístico. Vivo no Rio,
tenho uma família linda, tenho quatro filhos, todos os filhos
nasceram em São Paulo, sendo que o caçula tem 6 aninhos. Mas,
caçula adotiva, minha filha já é professora, meu filho caminha
para a eletrônica; o meu desespero é o problema de saúde. Estou
desesperado. Estou trabalhando aqui, na TV - Tupi, programa
Airton Rodrigues, e sempre fui um homem calmo, um homem
tranqüilo, um homem alegra. Agora, enfrento problemas na minha
família. Meu irmão Benê está doente., o meu irmão Antonio é um
homem cristão, um homem que está na linha de Allan Kardec,
porque estuda muito sobre o Espiritismo. Ele é mariano, pertence
à Igreja Santa Rosa dos Perdizes e é uma das pessoas de ligação
do frei Vicente. Eu estou numa situação difícil. Há bem pouco
tempo, tive um problema de coração, fui socorrido no Itaim, no
Pronto Socorro Itaim, levado por um colega de imprensa, que é o
Otavio (do Jornal da Tarde), que me conduziu no seu próprio
carro. Eu gostaria que o senhor me desse um conselho, pois estou
desesperado. Minha patroa está no Hospital, no Rio de Janeiro,
Ordem da Terceira Penitência, leito 306, chama-se Rosa de
Oliveira, também Pinhalense; eu queria que o senhor me desse uma
proteção, me desse um caminho...
Chico
Xavier –
Nós queríamos dizer ao nosso caro amigo, que é credor de tanto
carinho e de tanto respeito de nossa parte e no Brasil inteiro,
que a sua palavra suscita em nós a máxima simpatia. De minha
parte, posso tão pouco, mas, vamos pedir a nossos amigos
espirituais que inspirem os nossos médicos, tão humanitários,
tão generosos, que nos possam estender as mãos, em benefício de
nosso querido companheiro e dos seus familiares. A sua palavra é
uma palavra iluminada de amor que nos toca profundamente o
coração. E nós todos havemos de vibrar, de orar, de compartilhar
da sua luta, tanto quanto nos seja possível, e estejamos
convencidos disso que não faltará o apoio necessário ao nosso
querido amigo, tanto da nossa comunidade, aqui presente, como
também de nossos benfeitores espirituais. A dor tem a sua função
em nossa vida, mas o próprio Jesus aceitou o amparo de um
cirineu. É muito natural que choremos, muito natural que
gemamos, mas, nós temos bons amigos, bons companheiros. Sempre
os encontrei. Nunca me faltou a bênção de Deus, e nos dias mais
difíceis, quando tudo parecia à minha frente dificuldade
insuperável, solidão irremovível, apareceu sempre a luz , no
campo da amizade, naturalmente inspirada por Nosso Senhor Jesus
Cristo, para me amparar, e nosso amigo também há de receber.
Vicente
Leporace – Eu não quero perder a oportunidade que me oferece
um cidadão presente aqui, que pediu que não lhe declinasse o
nome. Ele quer saber do próprio Chico Xavier a resposta à
pergunta que ele formula por meu intermédio: Chico Xavier, por
que até determinada data você se negava, peremptoriamente, a
conceder entrevistas em público, principalmente na televisão,
dizendo-se impedido pelos seus espíritos guias, espíritos
benfeitores, espíritos superiores, e, de um certo tempo a esta
parte, esses espíritos guias permitiram que você aparecesse em
público? Isso quer dizer o que? Que você vai se reunir aos
espíritos superiores em futuro bem próximo?
Chico
Xavier –
Agradeço muito ao nosso querido amigo, entrevistador, Vicente
Leporace, porque esta pergunta complementa a questão suscitada
por nosso amigo de Uberlândia. O nosso Emmanuel sempre me disse:
“Depois que você for o aparelho mediúnico para o lançamento de
100 livros, nós permitiremos que você converse algumas vezes
publicamente, com os nossos irmãos. Você não escreverá livros em
pessoa, porque você mesmo renunciou a isso. Não é um ponto de
vista nosso, seus amigos espirituais, mas de seu espírito
fatigado de mitos abusos (Eu me refiro a mim), dentro da
intelectualidade, que quis agora ceder as suas possibilidades
físicas a nós outros os amigos espirituais”. Então, depois de
100 livros, o que foi completado em 1969, ele permitiu que eu
viesse algumas vezes à televisão. Agradeço muito àqueles
companheiros, àquelas autoridades que me têm convidado para
outros programas. Devo declarar que eu estou impossibilitado de
assumir compromissos para vir à televisão, periodicamente, com
muita freqüência, porque não posso; não posso porque as tarefas
mediúnicas no livro, em nossas reuniões públicas de
evangelização, nos tomam a possibilidade. Muitas vezes nos
comovemos diante de cartas, de apelos de amigos, que nos viram
através da TV e que nos escrevem às vezes, esperando uma carta
mais longa. Eu tenho respondido tanto quanto possível a todos,
mas aproveitamos esta hora, que o nosso caro amigo, o Sr.
Vicente Leporace, nos possibilita com a sua bondade, para rogar
perdão a quem ainda não respondemos, porque isto não depende da
nossa vontade, é porque o serviço tem que ser feito por nossas
próprias mãos e o espírito de Emmanuel nos reclama, e com muita
propriedade, que todas as páginas do mundo espiritual saiam da
máquina de escrever com revisão deles, embora tenhamos muitos
amigos que nos ajudam a datilografar essas páginas.
Especialmente, peço perdão a uma grande dama paulistana, a
senhora escritora dona Kátia Seeirupe, cujas cartas me
sensibilizaram tanto. Eu rogo ao coração de mãe dessa senhora
que me perdoe, por eu não ter respondido ainda. Mas, o seu
coração de mãe está em meu coração e Deus há de ampará-la e há
de abençoá-la em seu apostolado. A fala na televisão é depois
dos 100 livros, mas eu não mereço.
Freitas Nobre
– No plano da criação, entendendo Deus como criador, o
Espiritismo considera o homem como co-criador em ponto menor?
Chico
Xavier – Em
ponto menor. Diz Emmanuel que era como, guardadas as devidas
proporções, numa firma doméstica familiar. O pai tem os filhos.
O pai empreende muitas empresas, mas, o filho também pode
empreender e aperfeiçoar o trabalho paterno, ou, às vezes,
também, complicar para depois vir a ajustar e aperfeiçoar, de
acordo com a vontade paterna. Porque a maravilha da criação é
que o Senhor nos permite errar para aprendermos, mas o homem é
co-criador do criador, cooperador consciente de Deus.
Liba Friedman
– Eu queria perguntar ao Chico por que todas as grandes
conquistas da humanidade acabam virando armas de extermínio?
Chico
Xavier – Há
um ponto que nós precisamos considerar, é que nós outros, os
religiosos, não temos sido tão fieis quanto deveríamos ser aos
postulados, às convicções que aceitamos. Nós vemos que a
ciência, supostamente materialista, mas a ciência acreditou na
eletrônica e já chegou à Lua. Nós estamos com o amor que Jesus
nos legou para colocar em prática, a benefício da fraternidade
humana, e ainda não o conseguimos. Pedimos, então, à nossa
querida Liba Friedman – que nós admiramos muito em todas as suas
páginas, transbordantes de ternura humana – pedimos à nossa
querida companheira e distinta jornalista Liba Friedman para
considerar que este assunto é pertinente a todos nós que
aceitamos o Cristianismo; ou então, como diz um dos nossos
amigos que escreveram uma pergunta, aqui: e os outros povos que
ainda não conhecem Jesus? Eles também estão sob a tutela do
governador espiritual da terra, que é Nosso Senhor Jesus Cristo,
receberam e recebem mensageiros de toda a ordem, e há muitos
milênios e muitos séculos para que também se aperfeiçoem; todos
eles recebem de Jesus a manifestação de socorro conquanto não o
conheçam, como muitos dos brasileiros que não conhecem as
autoridades pessoais que nos governam e de cuja atuação nós
recebemos os benefícios de cada dia. Então, o dia que colocarmos
os preceitos de Jesus em prática, em nossa vida particular e
coletiva, nós chegaremos à paz e ao amor.
Almir Guimarães
– Vamos, então, para a apresentação da última parte do nosso
Pinga-Fogo Especial desta noite, que lhes apresentou uma das
figuras de maior projeção no campo espírita do Brasil e do
mundo, o médium Chico Xavier. Ele, neste instante, está se
concentrando, a fim de que possa atender nosso pedido,
psicografando uma mensagem de Ano Bom a todo este auditório que,
depois de 4 horas de programa, permanece firme aqui no Canal 4 e
aos milhares e milhares de telespectadores da Capital de São
Paulo, de todo o Interior de nosso Estado e de demais Estados
Brasileiros, que também assistem esta noite com o maior carinho
Chico Xavier. Ele se concentra para psicografar esta mensagem
solicitada pelo mediador.
(Depois de
psicografar durante alguns minutos, lê alto, para todos ouvirem)
Brasil
Brasil, o mundo a escutar-te
Pergunta hoje o que é.
Ah! Terra de minha vida
Responde as Nações de pé.
Das montanhas
altaneiras
Dentro das próprias fronteiras
Alonga os braços Sansão
Sem prepotência ou
vanglória
Grava no livro da História,
Novo Rumo à evolução.
Contempla a sombra
da guerra
Dragão de lodo a rugir
Envenenando a cultura
Ameaçando o porvir.
Fala assembléia de
braços
Aos milhões de homens escravos
Sábios, loucos Prometeus.
Do píncaro a que
te elevas
Dissolve os grilhões das trevas
Na fé que te induz a Deus.
Brada gigante das
gentes
Proclama com destemor
Que o Cristo aguarda na terra
Um novo mundo de amor.
Ante a grandeza
que estampas
Os mortos voltam das campas
Sublimando-te a visão.
Ao progresso
Fernão Dias,
O dever mostra Caxias,
Deodoro a Renovação.
Dos sonhos de
Tiradentes
Que se alteiam sempre mais
Fizeste apóstolos, gênios,
Estadistas, generais.
De todos os teus
recantos
Despontam palmas de santos,
Augustos pendões de heróis.
Astros de brilhos
tamanhos
Andrada, Feijó, Paranhos,
Em teus céus brilham por sois.
Desde o dia em que
nasceste
Ao fórceps de Cabral,
O tempo se iluminou
Na Bahia maternal.
Hoje que mundo te
espera
Para as leis da Nova Era
Por Brasília envolta em luz.
Que em ti a vida
se integra
De Manaus a Porto Alegre
No espírito de Jesus.
Ao resguardar o
Direito
Mantendo a Justiça e o Bem
Luta e rasga o próprio peito
Mas não desprezes ninguém.
Levanta o grande
futuro
Ergue tranqüilo e seguro
A Paz nobre e varonil.
A humanidade que
chora
Clamando: “Senhor, e agora?”.
O Cristo aponta: Brasil.
Castro Alves.
Almir Guimarães
– Chico, a você os nossos melhores agradecimentos, mais uma
vez, pela presença no Pinga-Fogo. Digo a você que volte a
Uberaba, como disse da outra vez, levando consigo a certeza de
que você proporcionou esta noite, a milhares e milhares de
brasileiros, horas bem felizes de esperanças no futuro, que, por
certo, há de vir. Chico, são seus instantes finais do nosso
Pinga-Fogo desta noite, para o seu até breve aos telespectadores
e ainda ao público que lota literalmente este auditório.
Chico
Xavier –
Nós agradecemos à bondade de Jesus, a oportunidade que nos foi
concedida nesta noite, pela TV – Tupi Canal 4, e a todos os
companheiros que, em São Paulo, nos ampararam tanto com a sua
presença e com sua bondade. Nós estamos agradecendo à nossa
grande cidade de São Paulo este carinho, esta bondade, que nos
seguem todos os dias, sem palavras que possam expressar o nosso
reconhecimento. E pedimos, ainda, a oportunidade, ao nosso caro
amigo Dr. Almir Guimarães, tanto quanto rogamos aos nossos
amigos presentes, nossos queridos companheiros paulistanos e
paulistas, permissão para enviar, simbolicamente as flores que
nos foram oferecidas aos nossos irmãos e benfeitores da terra de
Uberaba, a cidade mansão, a cidade bênção, de cuja bondade
imensa tanto temos recebido. Nós pedimos a São Paulo e a
Uberaba, permissão para levar o nosso coração reconhecido ainda
mais longe. Dizem que os ingratos perdem a memória e que acabam
sem identificar eles mesmos. Quero agradecer a Pedro Leopoldo a
reencarnação que me deu, a bondade com que me criou e acompanhou
todos os passos, em nossa cidade, na colina onde nós
reverenciamos os nossos mortos, pedindo-lhes a bênção até os
últimos eucaliptais, quando nos ligam à capital de Belo
Horizonte. Nós sempre celebramos o Natal, seja nos templos
católicos, casas espíritas cristãs, com o espírito de união. Lá,
nossos pais nos criaram amando a Jesus, e amando tanto, que a
imagem de Jesus nunca se separou de nossa memória nem da nossa
lembrança. Fôssemos ou sejamos católicos reformistas,
reformistas ou espíritas evangélicos – com permissão de São
Paulo e com o consentimento de Uberaba, cidades, comunidades a
quem devo tanto, a quem empenho meu coração – meu pensamento vai
até Pedro Leopoldo a nos unirmos com os nossos cânticos de Natal
e dizer a todos os nossos amigos presentes aqui ou não, em seus
lares: Glória a Deus nas Alturas, Paz na Terra r Boa Vontade
para com todos os homens. Feliz Natal a São Paulo e a todos!
Muito obrigado.
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