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Rúbia da
Costa Guimarães, funcionaria da Federação Espírita
Brasileira até nossos dias, completou 50 anos de trabalho com o
livro espírita. Formada em secretariado, obteve grande
experiência em sua atividade de divulgação e venda do livro
espírita. Em entrevista, relata episódios vividos no
Departamento Editorial da FEB.
P: – Quando
a senhora começou a trabalhar na FEB?
R:
– Comecei a trabalhar na FEB ainda adolescente, no dia 5 de
março de 1956, e iniciei pela área de expedição do Departamento
Editorial, empacotando livros que eram remetidos pelo correio.
Naquela época estavam sendo lançados vários livros de Francisco
C. Xavier e a FEB encaminhava as novas obras – as “novidades” –
para um imenso cadastro. Depois passei para o setor de
Almoxarifado e, em seguida, para os setores de Correspondência,
Direitos Autorais, Vendas, e fui secretária dos presidentes
Francisco Thiesen e Juvanir Borges de Souza. Acompanhei algumas
reformas e ampliações do Departamento Editorial. Em 1972, quando
comecei a trabalhar no Setor de Vendas, entendi que deveria ler
todos os livros editados pela FEB. Não poderia atuar em vendas
sem conhecer os livros. Recorri a vários diretores da FEB para
me ajudarem no entendimento de muitas obras.
P: - A
Senhora já era espírita?
R:
– Nasci num lar
católico. Mesmo trabalhando há bastante tempo na FEB, só vim a
me interessar pela Doutrina Espírita com o incentivo da médium
Yvonne do Amaral Pereira. Naquela época, como a querida médium
encontrava-se em dificuldades para responder sua
correspondência, a pedido do Dr. Thiesen, passei a ir à
residência dela, no bairro da Piedade, e a datilografar suas
cartas. Um belo dia, dona Yvonne perguntou-me como eu voltaria,
e respondi-lhe que seria de ônibus. Ela me ofertou o livro Nas
Voragens do Pecado, sugerindo-me que aproveitasse para iniciar a
leitura no trajeto. Em seguida, li todas as obras mediúnicas de
dona Yvonne, apenas Memórias de um Suicida não consegui chegar
ao final.
P: – A
senhora teria algum relato interessante sobre Yvonne Pereira?
R:
– Dona Yvonne telefonou-me no dia de sua desencarnação, por
volta das 10 horas, e ligou também para dona Yola, esposa do Dr.
Juvanir. Dizia ao telefone que iria para o hospital, mas estava
só se despedindo porque não voltaria: “Vamos nos encontrar de
outro lado. Doutor Bezerra já me avisou que estaria me
esperando”. No mesmo dia, por volta das 22 horas, ela
desencarnou.
P: – A
senhora conheceu Chico Xavier?
R:
– Ainda jovem conheci Chico Xavier, pois ele e Waldo Vieira
vinham com freqüência ao Departamento Editorial. Chico gostava
de andar pelas suas dependências. Naquelas ocasiões, ouvi muitas
conversas dele, inclusive, transmitindo orientações de André
Luiz e Emmanuel sobre os livros. Chico se hospedava no lar de
Dr. Wantuil e demonstrava um carinho especial pelo Sr. Zêus
Wantuil. Em 1972, por solicitação do Dr. Thiesen, fiquei na
retaguarda de Chico Xavier, durante sua visita à FEB para as
comemorações dos 40 anos de lançamento do Parnaso de
Além-Túmulo. Durante muitos anos, recebi livros autografados que
me eram enviados pelo próprio Chico Xavier. E no dia do meu
casamento recebi uma carta deste famoso médium e também um
cartão de Divaldo Franco, os quais guardo com muito carinho.
P: – E seus
contatos com os presidentes da FEB?
R:
– Acompanhei o trabalho de vários presidentes: Wantuil de
Freitas, responsável pela construção do Departamento Editorial,
porém, trabalhei diretamente com Francisco Thiesen, Juvanir
Borges de Sousa, e agora Nestor João Masotti. Dr. Armando Assis,
por razoes profissionais, vinha menos ao Departamento Editorial.
Cada presidente teve suas características e, dentro das
condições de suas épocas, contribuíram com a área do livro.
P: - O que
a senhora comenta sobre a ampliação da difusão do livro
espírita?
R:
– O principal objetivo da FEB é a divulgação do livro, seja
através de venda ou de doação, desde que a mensagem chegue a
quem dela necessita. Então me ocorreu que a maioria dos centros
espíritas tinha poucas condições de vender livros. Comecei a
visitá-los e a sugerir que deveriam vender livros, mesmo de uma
forma inicialmente simples. Certo dia, conversando com o Dr.
Thiesen, verificamos que não havia distribuição de livros
espíritas no Brasil. Concluímos que algo deveria ser feito para
aumentar as vendas. Assim, surgiu a idéias de criar o mecanismo
de distribuição de livros espíritas no País. Doutor Thiesen
burilou muito a idéia e considerou que o grande objetivo seria
ampliar a divulgação do Espiritismo. Isso aconteceu em 1973, e o
primeiro distribuidor de livros credenciado pela FEB foi o IDE
(Instituto de Difusão Espírita), de Araras (SP). Um fato
marcante na vida do Departamento Editorial foi a disseminação
das distribuidoras e algumas delas não eram espíritas. Várias
distribuidoras de São Paulo foram responsáveis por um
significativo aumento nas vendas de livros. O curioso é que na
época em que o Brasil tinha inflação alta, e como as
distribuidoras estavam interessadas em manter estoques e
aproveitar preços, foi um período de alta vendagem de livros.
Depois, com a estabilidade financeira, muitas distribuidoras de
livros encerraram suas atividades. Ultimamente, a qualidade das
impressões deu um toque especial à literatura excelente editada
pela FEB.
P: – Quais
outras providências contribuíram para o aumento de vendas de
livros?
R:
– Um fato marcante foi a edição “popular” das obras de Kardec,
que provocou vendas de livros em grandes quantidades. Na mesma
época surgiu o projeto “Clube do Livro Espírita”. Richard
Simonetti esteve conversando com o Dr. Thiesen e deu início à
nova proposta conhecida como “o ovo de Colombo”. Cresceu a
quantidade de “clubes do livro espírita” em todo o País e surgiu
as “feiras do livro espírita” que também movimentaram muito e
propiciaram mais trabalho para nós. As promoções mensais de
livros, com desconto maior, também ampliaram muito a vendagem de
livros. Considero a divulgação através do marketing um passo
importante.
P: – E
sobre a presença do livro-espírita em ambientes externos?
R:
– A participação da FEB nas Bienais Internacionais do Livro tem
sido bem interessante. Aprendi muito desde as primeiras, que
eram pequenas. A integração e a união dos estandes espíritas
durante a Bienal, com a criação da Rua dos Espíritas, também
contribuiu bastante para a divulgação de um modo geral. Outra
coisa boa foi a colocação de livros espíritas em livrarias
leigas. Foi difícil e, de início, houve resistência. De uns três
anos para cá é que se ampliou a colocação de livros espíritas
nessas livrarias. Um dos fatores que ajudou muito, e isto
ocorreu num final de ano, foi a experiência de oferecer a
coleção de obras de Kardec dentro de caixas bem preparadas,
seguindo-se a entrada dos kits que embelezaram as obras.
P: – Como a
senhora vê a presença de livros da FEB no Exterior?
R:
– Sobre a participação dos livros da FEB no Exterior acho
fantástico, pois, pessoas de todas as nacionalidades necessitam
das mensagens do Consolador Prometido. O trabalho em si é um
passo gigantesco. As obras editadas pela FEB têm valor capaz de
suprir todas as necessidades espirituais da Humanidade.
P: - O que
a senhora teria a dizer sobre o Sesquicentenário do Espiritismo?
R:
- Quando recebi as primeiras informações sobre os preparativos
para o Sesquicentenário do Espiritismo, levei um susto porque me
lembrei de que no Centenário eu já trabalhava na FEB! Recordo-me
da edição especial de Reformador e dos comentários dos espíritas
em geral. Será uma honra participar dessa nova comemoração da
publicação de O Livro dos Espiritos. Agradeço muito a
oportunidade de conhecer a Doutrina Espírita e de ter
contribuído um pouco com a FEB em sua difusão, e desejo que cada
vez mais pessoas passem a ser auxiliadas através do livro
espírita.
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