O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 

Título :
50 Anos de Dedicação ao Livro Espírita

Entrevistado:
Rúbia da Costa Guimarães

Fonte:
Reformador
Abr/2007

ENTREVISTAS

          

Rúbia da Costa Guimarães, funcionaria da Federação Espírita Brasileira até nossos dias, completou 50 anos de trabalho com o livro espírita. Formada em secretariado, obteve grande experiência em sua atividade de divulgação e venda do livro espírita. Em entrevista, relata episódios vividos no Departamento Editorial da FEB.


P: – Quando a senhora começou a trabalhar na FEB?
R: – Comecei a trabalhar na FEB ainda adolescente, no dia 5 de março de 1956, e iniciei pela área de expedição do Departamento Editorial, empacotando livros que eram remetidos pelo correio. Naquela época estavam sendo lançados vários livros de Francisco C. Xavier e a FEB encaminhava as novas obras – as “novidades” – para um imenso cadastro. Depois passei para o setor de Almoxarifado e, em seguida, para os setores de Correspondência, Direitos Autorais, Vendas, e fui secretária dos presidentes Francisco Thiesen e Juvanir Borges de Souza. Acompanhei algumas reformas e ampliações do Departamento Editorial. Em 1972, quando comecei a trabalhar no Setor de Vendas, entendi que deveria ler todos os livros editados pela FEB. Não poderia atuar em vendas sem conhecer os livros. Recorri a vários diretores da FEB para me ajudarem no entendimento de muitas obras.

P: - A Senhora já era espírita?
R: – Nasci num lar católico. Mesmo trabalhando há bastante tempo na FEB, só vim a me interessar pela Doutrina Espírita com o incentivo da médium Yvonne do Amaral Pereira. Naquela época, como a querida médium encontrava-se em dificuldades para responder sua correspondência, a pedido do Dr. Thiesen, passei a ir à residência dela, no bairro da Piedade, e a datilografar suas cartas. Um belo dia, dona Yvonne perguntou-me como eu voltaria, e respondi-lhe que seria de ônibus. Ela me ofertou o livro Nas Voragens do Pecado, sugerindo-me que aproveitasse para iniciar a leitura no trajeto. Em seguida, li todas as obras mediúnicas de dona Yvonne, apenas Memórias de um Suicida não consegui chegar ao final.

P: – A senhora teria algum relato interessante sobre Yvonne Pereira?
R: – Dona Yvonne telefonou-me no dia de sua desencarnação, por volta das 10 horas, e ligou também para dona Yola, esposa do Dr. Juvanir. Dizia ao telefone que iria para o hospital, mas estava só se despedindo porque não voltaria: “Vamos nos encontrar de outro lado. Doutor Bezerra já me avisou que estaria me esperando”. No mesmo dia, por volta das 22 horas, ela desencarnou.

P: – A senhora conheceu Chico Xavier?
R: – Ainda jovem conheci Chico Xavier, pois ele e Waldo Vieira vinham com freqüência ao Departamento Editorial. Chico gostava de andar pelas suas dependências. Naquelas ocasiões, ouvi muitas conversas dele, inclusive, transmitindo orientações de André Luiz e Emmanuel sobre os livros. Chico se hospedava no lar de Dr. Wantuil e demonstrava um carinho especial pelo Sr. Zêus Wantuil. Em 1972, por solicitação do Dr. Thiesen, fiquei na retaguarda de Chico Xavier, durante sua visita à FEB para as comemorações dos 40 anos de lançamento do Parnaso de Além-Túmulo. Durante muitos anos, recebi livros autografados que me eram enviados pelo próprio Chico Xavier. E no dia do meu casamento recebi uma carta deste famoso médium e também um cartão de Divaldo Franco, os quais guardo com muito carinho.

P: – E seus contatos com os presidentes da FEB?
R: – Acompanhei o trabalho de vários presidentes: Wantuil de Freitas, responsável pela construção do Departamento Editorial, porém, trabalhei diretamente com Francisco Thiesen, Juvanir Borges de Sousa, e agora Nestor João Masotti. Dr. Armando Assis, por razoes profissionais, vinha menos ao Departamento Editorial. Cada presidente teve suas características e, dentro das condições de suas épocas, contribuíram com a área do livro.

P: - O que a senhora comenta sobre a ampliação da difusão do livro espírita?
R: – O principal objetivo da FEB é a divulgação do livro, seja através de venda ou de doação, desde que a mensagem chegue a quem dela necessita. Então me ocorreu que a maioria dos centros espíritas tinha poucas condições de vender livros. Comecei a visitá-los e a sugerir que deveriam vender livros, mesmo de uma forma inicialmente simples. Certo dia, conversando com o Dr. Thiesen, verificamos que não havia distribuição de livros espíritas no Brasil. Concluímos que algo deveria ser feito para aumentar as vendas. Assim, surgiu a idéias de criar o mecanismo de distribuição de livros espíritas no País. Doutor Thiesen burilou muito a idéia e considerou que o grande objetivo seria ampliar a divulgação do Espiritismo. Isso aconteceu em 1973, e o primeiro distribuidor de livros credenciado pela FEB foi o IDE (Instituto de Difusão Espírita), de Araras (SP). Um fato marcante na vida do Departamento Editorial foi a disseminação das distribuidoras e algumas delas não eram espíritas. Várias distribuidoras de São Paulo foram responsáveis por um significativo aumento nas vendas de livros. O curioso é que na época em que o Brasil tinha inflação alta, e como as distribuidoras estavam interessadas em manter estoques e aproveitar preços, foi um período de alta vendagem de livros. Depois, com a estabilidade financeira, muitas distribuidoras de livros encerraram suas atividades. Ultimamente, a qualidade das impressões deu um toque especial à literatura excelente editada pela FEB.

P: – Quais outras providências contribuíram para o aumento de vendas de livros?
R: – Um fato marcante foi a edição “popular” das obras de Kardec, que provocou vendas de livros em grandes quantidades. Na mesma época surgiu o projeto “Clube do Livro Espírita”. Richard Simonetti esteve conversando com o Dr. Thiesen e deu início à nova proposta conhecida como “o ovo de Colombo”. Cresceu a quantidade de “clubes do livro espírita” em todo o País e surgiu as “feiras do livro espírita” que também movimentaram muito e propiciaram mais trabalho para nós. As promoções mensais de livros, com desconto maior, também ampliaram muito a vendagem de livros. Considero a divulgação através do marketing um passo importante.

P: – E sobre a presença do livro-espírita em ambientes externos?
R: – A participação da FEB nas Bienais Internacionais do Livro tem sido bem interessante. Aprendi muito desde as primeiras, que eram pequenas. A integração e a união dos estandes espíritas durante a Bienal, com a criação da Rua dos Espíritas, também contribuiu bastante para a divulgação de um modo geral. Outra coisa boa foi a colocação de livros espíritas em livrarias leigas. Foi difícil e, de início, houve resistência. De uns três anos para cá é que se ampliou a colocação de livros espíritas nessas livrarias. Um dos fatores que ajudou muito, e isto ocorreu num final de ano, foi a experiência de oferecer a coleção de obras de Kardec dentro de caixas bem preparadas, seguindo-se a entrada dos kits que embelezaram as obras.

P: – Como a senhora vê a presença de livros da FEB no Exterior?
R: – Sobre a participação dos livros da FEB no Exterior acho fantástico, pois, pessoas de todas as nacionalidades necessitam das mensagens do Consolador Prometido. O trabalho em si é um passo gigantesco. As obras editadas pela FEB têm valor capaz de suprir todas as necessidades espirituais da Humanidade.

P: - O que a senhora teria a dizer sobre o Sesquicentenário do Espiritismo?
R: - Quando recebi as primeiras informações sobre os preparativos para o Sesquicentenário do Espiritismo, levei um susto porque me lembrei de que no Centenário eu já trabalhava na FEB! Recordo-me da edição especial de Reformador e dos comentários dos espíritas em geral. Será uma honra participar dessa nova comemoração da publicação de O Livro dos Espiritos. Agradeço muito a oportunidade de conhecer a Doutrina Espírita e de ter contribuído um pouco com a FEB em sua difusão, e desejo que cada vez mais pessoas passem a ser auxiliadas através do livro espírita.