O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 
Título :
Entrevista com Richard Simonetti

Entrevistado:
Richard Simonetti - Orador jornalista e escritor espírita

Fonte:
Livro: Perguntando e Aprendendo
Autor: Waldenir Cuin

ENTREVISTAS

       

Richard Simonetti, funcionário aposentado do Banco do Brasil, residente em Bauru, SP. É orador, jornalista e escritor espírita, ocupando atualmente o cargo de presidente do Centro Espírita "Amor e Caridade". Livros publicados: "Quem Tem Medo da Morte?", "Uma Razão Para Viver", "Atravessando a Rua", entre outros.

P: - Alguns grupos feministas lutam pela legalização do aborto. O que você pensa a respeito?
R: - Trata-se de uma pretensão tão inconcebível como a legalização do assassinato. O ser que a mulher asila no seu ventre a partir da concepção não é uma simples promessa de vida. Trata-se de uma vida em desenvolvimento, sustentada pela presença de um Espírito em experiência reencarnatória.

P: - Quando o Espírito se une ao novo corpo no processo reencarnatório? E no caso do aborto, o que acontece com o Espírito reencarnante?
R: - O processo reencarnatório inicia-se tão logo o óvulo é fecundado pelo espermatozóide, originando o embrião. O aborto provoca o desligamento ou a desencarnação do Espírito, que agirá no retorno à espiritualidade de acordo com o seu grau evolutivo. Se amadurecido, retornará à personalidade anterior. Se menos evoluído, permanecerá no plano espiritual como um recém-nascido, à espera de novo ensejo reencarnatório, ou assumindo ao longo de algum tempo, a consciência de si mesmo. No aborto criminoso, se o Espírito for atrasado, inimigo da futura mãe, com a qual deveria reconciliar-se no relacionamento familiar, com o abençoado esquecimento do passado, ele poderá voltar-se contra ela, inconformado com a expulsão pelo aborto. Muitos problemas graves, físicos e mentais, experimentados por mulheres que procuraram o aborto, são decorrentes da agressão espiritual do abortado.

P: - Acontecendo a gravidez não programada, e sendo a criança criada apenas pelo pai ou pela mãe, ou seja, com a ausência de um dos genitores, terá ela uma formação idêntica à das outras, nascidas em lares regularmente constituídos?
R: - Os pais são os primeiros modelos. Na ausência de um deles, faltará o referencial correspondente, com repercussões negativas em sua formação. Naturalmente, a extensão desse prejuízo vai depender de sua posição evolutiva. Espíritos mais amadurecidos superam limitações impostas pelas falhas e omissões dos pais, preservando suas conquistas.

P: - Percebe-se nos jovens uma busca constante pelo casamento. No entanto, nos dias atuais, os desentendimentos e separações são muito freqüentes, originando dramas dolorosos. Por que isso vem ocorrendo?
R: - A liberdade sexual, chamada erroneamente de amor livre(o sexo é apenas parte do amor), favorece o envolvimento passional entre os jovens, originando uniões superficiais, sem raízes de afetividade legítima, não raro em decorrência de inesperada gravidez. Casamentos assim são muito frágeis e não resistem aos desafios de uma vida em comum.

P: - Observando o grande número de separações conjugais, perguntamos: o casamento é, na atualidade, uma instituição superada?
R: - Nunca vi casamentos superados. Isto ocorre apenas com pessoas que vivem juntas, mas sem jamais cultivarem os valores da verdadeira união, como lealdade, fidelidade, compreensão, respeito, solicitude, amizade e, sobretudo, amor. Aquele amor legitimo que tem por marca o empenho de doar-se em favor do ser amado. Antigamente, esses "casais descasados", sustentavam uma vida em comum porque havia impedimentos legais e o anátema social. Hoje, assumem livremente seus fracassos, com a possibilidade de repetirem seus enganos, até que se disponham ao casamento de verdade.

P: - Se o casal faz uma programação no mundo espiritual, visando receber determinados Espíritos como filhos em experiência conjugal, mas, antes que isso aconteça, um deles se envolve com outro parceiro, assumindo compromisso, como ficará a situação da prole planejada?
R: - A programação espiritual para a nossa experiência reencarnatória não é inflexível, porquanto os benfeitores do além, que nos ajudam a elaborá-la, sabem que, imaturos, dificilmente a cumpriremos integralmente. Assim, há freqüentes reprogramações, na medida em que deixamos de observar nossos compromissos. A misericórdia infinita de Deus pressupõe infinitas oportunidades de reabilitação em nossos transviamentos.

P: - E se o companheiro que deliberou andar por outros caminhos encontrar, no futuro, a pessoa com quem se compromissou? O que pode acontecer?
R: - Esse é o grande problema em semelhantes desvios. Lembramos aqui o ditado popular: "se correr, o bicho pega, se ficar, o bicho come". Em qualquer opção haverá prejuízos. Se a pessoa guardar fidelidade à família que constituiu, o que nos parece mais razoável, ficará a frustração de um amor não realizado; se partir para a nova ligação, atendendo aos reclamos do coração, estará lesando o cônjuge e a prole. O consolo é que desses desastrosos desvios na imaturidade emergirá o indivíduo responsável do futuro.

P: - Você acredita que alguém possa dar cabo da própria vida, ou mesmo matar alguém por amor?
R: - Amar é querer o bem do outro. O amor que mata é mera exacerbação do egoísmo, que jamais admite ser contrariado.