O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 

Título :
Pacto Áureo

Entrevistado:
Nestor João Masotti

Fonte:
Revista Reformador

ENTREVISTAS

 

Nestor João Masotti é presidente da FEB e comenta os 60 anos do Pacto Áureo.

Ao ensejo dos 60 anos do Pacto Áureo, o presidente da FEB, Nestor João Masotti, destaca o desenvolvimento das ações federativas em nosso país.

P: – Como surgiu o Pacto Áureo?
R: – Quando a Federação Espírita Brasileira foi criada em 1884, o Movimento Espírita estava iniciando, ainda com poucas instituições. A FEB surgiu como Entidade Federativa Nacional, como pólo de integração para um amplo trabalho de estudo. Difusão e prática da Doutrina Espírita e de relacionamento com as instituições espíritas, que seria realizado dentro dos princípios federativos, ou seja, de respeito à autonomia e à liberdade de ação das instituições integradas. Para um país continental como o Brasil, era necessário dar passos significativos e gradativos a fim de organizar a unificação do Movimento espírita. Nesse sentido, o trabalho de Bezerra de Menezes foi fundamental nas duas oportunidades em que esteve como presidente da FEB, em 1889 e no período de 1895 a 1900, direcionando o trabalho da FEB e do Movimento Espírita em torno do estudo da Doutrina, da prática da Caridade e do trabalho de União dos Espíritas. Em outubro de 1904, no Encontro Espírita que houve, no Rio de Janeiro, um dos pontos tratados foi o de estimular a criação de Entidades Federativas Estaduais, para propiciar um contato mais eficiente com os centros espíritas. Na década de 1940, já havia algumas Entidades Federativas Espíritas Estaduais, o que ensejou a realização do Congresso Brasileiro de Unificação Espírita, de 31 de outubro a 5 de novembro de 1948, na cidade de São Paulo, o qual serviu de preparo para os passos seguintes visando a união dos espíritas e a unificação do Movimento Espírita. Um ano depois, no dia 5 de outubro de 1949, decorrente do trabalho de companheiros representantes de algumas Entidades Federativas Estaduais, que se encontravam na cidade do Rio de Janeiro, realizou-se uma reunião dessas Federativas com a direção da FEB, ao final da qual foi assinado o Acordo de União dos Espíritas Brasileiros que passou a ser chamado de Pacto Áureo. Com base nesse Acordo, a FEB reorganizou o seu Conselho Federativo, anteriormente composto por centros espíritas de todas as partes do Brasil, transformando-o em Conselho Federativo Nacional – integrado pelas Entidades Espíritas representativas dos movimentos espíritas dos Estados do Brasil -, instalado em 1º. de Janeiro de 1950.

P: – Quais foram as conseqüências imediatas desse Acordo?
R: - A década de 1950 ensejou por vários companheiros espíritas representantes das Federativas dos Estados das regiões Sul e Sudeste visitarem os Estados do Norte e do Nordeste, informando sobre a criação do Conselho Federativo Nacional da FEB, esclarecendo sobre os seus objetivos, a sua importância para a difusão do Espiritismo, e convidando os companheiros daqueles Estados a organizarem as suas Entidades Federativas, no caso de não estarem organizadas, e a participarem desse trabalho de união dos espíritas. Na década de 1960 começaram os primeiros trabalhos mais objetivos de trocas de informações entre as Federativas Estaduais destinadas a dinamizar cada vez mais as atividades, especialmente, dos centros e mocidades espíritas, e a preservar a sua Diretriz Doutrinária. Iniciou-se com o Simpósio Centro Sulino, que ocorreu em Curitiba, em 1962, e que se repetiu nos anos seguintes nas regiões Nordeste, Norte e Centro. Na década de 1970, esse esforço de regionalização se transformou na criação dos Conselhos Zonais do CFN. Os Conselhos Zonais reuniam-se um a cada seis meses, em região Brasil, onde se analisava um único tema previamente escolhido pelo CFN, e que seria concluído em uma Reunião Plenária. O primeiro assunto abordado foi a Assistência Social à Luz da Doutrina Espírita, e o segundo ciclo de reuniões tratou da Mocidade e Juventude Espírita.

P: – Como o CFN começou a tratar dos centros espíritas em suas reuniões?
R: – Em 1975 o CFN escolheu, para assunto dos Conselhos Zonais, o tema: “A adequação do Centro Espírita para o melhor atendimento de suas finalidades”. Foi uma decisão muito oportuna, pois o Movimento Espírita, como um todo, começou a analisar e a descobrir a importância do Centro Espírita para o estudo, a difusão e a prática do Espiritismo, reconhecendo nele a Unidade Fundamental do Movimento Espírita. Este ciclo de estudo durou dois anos e meio, analisado pelas Entidades Estaduais de todo o Brasil, com o CFN aprovando um texto em novembro de 1977, que trazia conclusões sobre “o que é um Centro Espírita” e “o que basicamente sabe a ele fazer”. Na mesma reunião foi aprovada a continuação do Centro Espírita como tema do ciclo seguinte, destacando agora o “como fazer”. Depois de se ouvir, novamente, todo o Movimento Espírita do Brasil através das Entidades Federativas Estaduais, em julho de 1980 o CFN aprovou o texto “Orientação ao Centro Espírita”, contendo orientação básica aos dirigentes e trabalhadores dos centros espíritas, disponibilizada a título de sugestão e subsidio para as suas atividades.

P: – O CFN definiu alguma diretriz para o trabalho de unificação?
R: – A década de 1980 começou com o CFN voltando a sua atenção para esse assunto de extrema importância: “qual deve ser a diretriz a ser oferecida para o trabalho de unificação do movimento espírita?”, que passou a ser o tema do ciclo seguinte dos Conselhos Zonais. Depois de uma ampla análise por todo o Brasil, e tomando por base os próprios princípios espíritas e, em especial, a mensagem “Unificação”, transmitida por Bezerra de Menezes através da mediunidade de Francisco Cândido Xavier, em 1963, o CFN concluiu em sua reunião plenária de 1983 o texto “Orientação aos Órgãos de Unificação”, que recebeu o título “Diretrizes da Dinamização das Atividades Espíritas”. Neste, destacou-se a importância do trabalho de unificação, foram oferecidas sugestões de atividades na área federativa e ficou registrada a filosofia que norteia o trabalho de unificação do Movimento Espírita, que se baseia nos princípios de fraternidade, solidariedade, liberdade e responsabilidade que a Doutrina Espírita preconiza.