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Perguntas
elaboradas por Waldenir Aparecido Cuin e respondidas por: Carlos
Baccelli, Divaldo Pereira Franco, Henrique Rodrigues, José Raul
Teixeira e Richard Simonetti.
P:
- Por que o homem insiste em utilizar os conhecimentos científicos
para desenvolver a tecnologia da guerra, que desencadeia rios de
lágrimas, considerando-se que a ciência deveria buscar o
bem-estar da Humanidade?
R:
– Essa situação é simples resultado do contraste entre o
superdesenvolvimento intelectual do homem e seu
subdesenvolvimento moral. Somos capazes de subir à Lua, mas não conseguimos
elevar-nos alguns centímetros acima das paixões humanas.
(Richard Simonetti).
R:–
Bem, o homem não se tem dedicado só à ciência da guerra.
Grande parte tem se devotado à pesquisa de novos
medicamentos, às cirurgias de transplantes.às comunicações.
Mas, evidentemente, o ser humano tem sede de poder, de
domínio, porque com este ele se sente mais seguro para explorar
melhor os outros, em seu próprio beneficio.
É por isso que tem sido sempre observado esse desejo de
conquista do poder, mesmo que seja pela força das armas.
(Henrique Rodrigues).
P:
– O homem tem alcançado notáveis conquistas no campo
cientifico, mas ainda não conquistou a paz.
O que está faltando?
R:
– A viagem para o seu mundo íntimo.
O tecnicismo, a tecnologia e os valores da inteligência
devem ser considerados conquistas da horizontal, mas o homem é
algo mais do que modismo e repetitismo.
É o mergulhador do oceano de valores para descobrir quem
é, o que pode fazer de si, e, acima das conquistas externas,
conquistar-se a si mesmo, porque o desafio de Delphos, de mais
de dois mil e quatrocentos anos, continua válido: “conhece-te
a ti mesmo”. (Divaldo Pereira Franco).
P:–
O mundo todo grita pela paz.
No entanto, os arsenais bélicos continuam grandes e a
ameaça da guerra de extermínio ainda ronda as nações.
Como encontrar a paz?
R:
– A paz tem sido buscada de uma forma equivocada. Pensa-se que a paz pode ser alcançada através de
assinaturas de documentos, através de acordos governamentais.
Enquanto essas coisas ocorrem, nós estamos vivendo em
guerra de extermínio, muitas vezes dentro do próprio lar. A grande guerra, que destrói e apavora, distante ou próxima
de nós, é a que começa no descompasso dos casais, dentro de
casa; na violência entre pais e filhos; no desrespeito entre
irmãos; na traição entre amigos.
É tudo isso que faz evolar-se da criatura humana esse
plasma vibratório, essa energia ou esse fluido que vai nutrir
as cabeças belicosas que estão chefiando os povos do mundo.
Dessa maneira, para que nós atinjamos de fato a paz, não
será necessário assinar documentos, mas assumirmos com nós
mesmos os compromissos de realiza-la.
Quando Tereza de Calcutá foi viver na Índia, depois da
Segunda Guerra Mundial, para atender aos mais necessitados, ela
sabia da situação difícil que haveria de enfrentar, trocando
uma vida de maior comodidade por uma vida de tormentas, de
lutas. Mas isso a
fazia feliz pelo impulso de servir ao Cristo no meio dos mais
pobres. Quando
Francisco Cândido Xavier assumiu a tarefa da mediunidade, do
socorro aos necessitados espirituais, de um modo geral, ele
sabia da luta que haveria de enfrentar e dos combates que
deveria travar contra os maus.
No entanto, a sua paz interior vai crescendo cada vez que
ele assume e mantém, com coragem e disposição, esse trabalho
que já dura mais de seis décadas.
Quando Divaldo Pereira Franco decidiu criar filhos da
carne alheia, fazendo campanha entre populares, e trabalhando
ele próprio para esse mister, sabia das lutas árduas que iria
enfrentar, das calúnias que iria sofrer.
Mas, com a paz interior que o caracteriza, resolveu
assumir e é hoje um homem feliz pelos frutos já colhidos da árvore
do seu trabalho. Quando
Gandhi decidiu trabalhar pela paz, sabia que estava ameaçado de
morte, a qualquer momento. Mas deu a sua vida para que a paz se
estabelecesse entre os seus.
Quando Pierre Dominique L’Overture resolveu fugir, na
condição de escravo que era das propriedades dos Condes de
Nois, na França, e voltar para o Haiti, para expulsar dali os
franceses e espanhóis, sabia que a morte o rondava. E, logo mais, de fato, seria capturado pelas forças de
Napoleão, terminando seus dias na prisão.
Todos eles sabiam, tinham a convicção de que a paz não
se alcança com acomodação, não se resolve num gabinete de
conversas, mas que a paz é um trabalho da intimidade das almas.
Enquanto o homem assina papéis e não refaz a palavra, não
reestrutura sentimentos, não revê procedimentos, ele assina
decretos, mas não consegue vivê-los, colocá-los em prática.
Quando vemos, dessa forma, os tratados de armistícios
que são assinados entre papéis de guerra, quando vemos as
decretações de paz que são feitas sob a guarda de canhões e
metralhadoras, com o pavor de que se apertem os botões
assassinos, acreditamos que essa paz assinada é uma paz
mentirosa. A paz
verdadeira é aquela que se estabelece, a priori, na alma das
criaturas. E foi
por isso que Jesus asseverou: “a minha paz vos deixo, a minha
paz vos dou. Não
vo-la dou, porém,
como o mundo a dá”. Emmanuel,
comentando mais tarde essa passagem, através de Francisco Cândido
Xavier, dizia: “a paz do mundo costuma ser preguiça rançosa
a exterminar-se na putrefação dos cadáveres.
A paz do Cristo, porém, é trabalho constante em prol do
bem”. (José Raul Teixeira).
P:
– Qual a receita ideal para que venhamos a encontrar a paz que
almejamos?
R:–
A receita ideal é a do Cristo: “amai-vos uns aos outros, como
eu vos amei”. Somente
através do amor, da compreensão, do bem, da renuncia e da
renovação íntima é que o homem estará em paz com ele mesmo.
(Carlos Baccelli).
P:
– As últimas conquistas cientificas melhoraram e facilitaram
sensivelmente a vida do homem.
No entanto, não proporcionaram paz às famílias, à
sociedade, e, tampouco, às nações.
O que estaria faltando para o homem ser feliz?
R:
– Falta-lhe exercitar a faculdade que o distingue dos animais:
a reflexão, buscando, como ensina a sabedoria grega,
conhecer-se a si mesmo. (Richard Simonetti).
P:
– O homem sonha com a felicidade. Por que não a consegue?
R:–
Deixo a resposta com Vicente de Carvalho: “porque está sempre
apenas onde a pomos, e nunca a pomos onde nós estamos”.
(Richard Simonetti).
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