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Entrevista
concedida a Hebe Camargo, em rede nacional, na Tv Bandeirantes,
na noite de 20 de junho de 1985, com a participação da atriz
Nair Bello. Transcrito
do livro “Jesus Em Nós”, Edição GEEM.
Hebe:
– Chico, você é uma criatura que em toda a sua vida não fez, outra
coisa, senão o bem, doar-se ao próximo.
Nunca houve um momento na sua vida em que você dissesse
assim: estou cansado, vou parar, não quero mais me preocupar
com o meu semelhante...
Chico:
– Hebe, a sua bondade é imensa; eu devo dizer que não me sinto na
condição de alguém
que fez ou faz o bem, mas, durante toda a minha vida, procurei
sempre cumprir com o meu dever diante da comunidade e diante da
minha própria consciência.
Então, tenho, graças a Deus, muita tranqüilidade em
minha vida interior.
Hebe:
– Chico, quais as transformações
no mundo desde o nascimento de Jesus?
Chico: – Os Espíritos amigos sempre me explicam que as transformações da
Terra, desde o tempo de Jesus, são gradativas.
Essas transformações ainda não se complementaram,
porque o mundo precisava estabelecer para a sua própria
felicidade muitas renovações que eram difíceis e a lei de
Deus não permite violência. Então, essas transformações vêm sendo feitas de tempos a
tempos, de época para época.
Essas transformações que nós vemos, toda melhoria
espiritual da Humanidade, decorrem do tempo de Jesus para cá;
os hospitais, as penitenciárias, os processos de trabalho, o
relacionamento das pessoas umas com as outras, a felicidade na
vida doméstica. Todas
essas transformações nós devemos a Jesus, conquanto, muitas
vezes, quando estamos nos ápices da inteligência, nós não
queiramos reconhecer. Mas
as transformações do tempo de Jesus até nós são imensas,
mas exigiriam muito tempo para serem minudenciadas
Hebe:
– Alguém já falou que, ao
seu lado, a gente tem a sensação de estar em contato com
Jesus. Eu gostaria
que você transmitisse essa sensação aos nossos
telespectadores, porque você é exatamente a conexão da Terra
com o Mundo onde estão nossos entes queridos que já
partiram...
Chico:
– Você é sempre maravilhosa, porque a sua bondade transparece de
todas as suas palavras. Eu
não posso ter a presunção de um laço tão íntimo assim com
Nosso Senhor Jesus Cristo; eu tenho a fé que o cristão procura
e deve cultivar naquele que realmente é a luz dos nossos
caminhos. Logo
depois do nascimento de Jesus, houve, existiu uma figura que
sempre me impressionou muito; ela é descrita no versículo 25
do capitulo 2 do Evangelho do Apóstolo São Lucas.
É a figura de Simeão que viveu talvez mais de 80 anos
esperando Jesus. Quando
soube que uma criança tinha sido levada ao templo para ser
registrada, Simeão foi ao templo verificar e quando contemplou
os olhos de Jesus, ele, então, disse:
- “Senhor, agora despede em paz o teu servo, segundo a
tua palavra, porque os meus olhos viram a salvação”.
Esse homem se chamava Simeão e era um grande varão do
templo apostólico e que passou para a vida espiritual logo
depois de fixar os olhos em Jesus, Jesus recém-nascido.
Então, eu penso como teriam sido felizes aqueles que
realmente viram os olhos de Jesus, porque, por mais que eu
busque no Evangelho alguém que tenha visto diretamente os olhos
de Nosso Senhor Jesus Cristo recém-nato, eu não encontro ninguém,
além do grande Simeão que, já numa velhice muito avançada,
contemplou os olhos do menino e disse:
- “Senhor, despede em paz o teu servo, porque os meus
olhos já viram a salvação”. Eu imagino a beleza e a luminosidade dos olhos de Nosso
Senhor Jesus Cristo, mesmo recém-nato, iluminando os nossos
caminhos, porque o próprio Simeão, na saudação que
pronunciou, disse: - “Eis que Ele veio para alumiar os nossos
caminhos.” E
a gente nota que todas as comunidades, todos os grupos sociais
que se afastam de Jesus, como que entram numa certa perturbação
(parece-nos, mas este verbo não é bem próprio).
A gente compreende que sem Jesus a nossa vida não tem
significação exata que deveria ter e nós nos perdemos, nos
tresmalhamos, porque estamos sem aquela bússola que nos indica
o caminho.
Nair:
– Bom, para alegrar um pouquinho o ambiente, já que nós estamos
chorando desde que começou o programa, porque o Chico Xavier
transmite uma emoção tão grande, como a Hebe falou, que a
gente não consegue nem falar... Agora, neste mês de dezembro,
vai fazer 10 anos que o meu filho morreu.
Depois de um ano e meio, após várias idas a Uberaba, eu
tive a graça de receber uma carta psicografada de 90 páginas
naquela noite, não é Chico?
E com muitos detalhes, com muitas coisas lindas. Claro
que eu fico comovida, desculpem-me, mas para mim foi muito bom,
porque eu aprendi com Chico Xavier, e com a mensagem também,
que a gente tem, mais que tudo na vida, é que ter fé em Deus.
Então, o Chico, mais do que a mensagem, me ensinou isso:
que se você tem família, se você tem outros filhos, você tem
que fazer até uma força sobre-humana para superar essa dor que
é a perda de um filho, para o resto da família não sentir.
Chico:
– É verdade.
Nair:
– Você estava falando sobre Jesus Cristo e eu quero perguntar de que
modo fiam as pessoas que não acreditam em Jesus, qual ocorre
com os Judeus, por exemplo.
Chico:
– Eu tenho aprendido com os amigos espirituais que o Antigo Testamento
é o símbolo do homem batendo às portas da Providência
Divina, pedindo uma revelação de luz para que a estrada da
criatura humana seja iluminada, e que o Novo Testamento é a
resposta da Divina Providência ao homem, muitas vezes,
desesperado e se dando a esse caminho.
Os profetas significam a pergunta e Jesus a resposta.
Então, eles ensinam, esses amigos da Espiritualidade,
que nós devemos considerar os antigos profetas como nossos
antepassados autênticos, aqueles que nos deram bases para que
fosse feita a genealogia de Nosso Senhor Jesus cristo, aqui na
Terra, sabendo nós que Ele é considerado filho de nossa Mãe
Santíssima, Maria de Nazaré, da tribo de Davi.
Nós devemos aos nossos antepassados o maior respeito e
no texto de Isaias, no Antigo Testamento, existem trechos que são
absolutamente proféticos, anunciando aquele que viria até nós
para se sobrecarregar de nossas dificuldades, para liquidá-las.
Basta que se leia o livro de Isaias, para que vejamos a
importância do Judaísmo e que o Cristianismo é filho do Judaísmo.
Conseqüentemente, portanto, nós não poderemos
encontrar diferença nenhuma, mas sim, um respeito muito grande
para com aqueles que sofreram e lutaram para que Jesus viesse até
nós.
Hebe:
– Chico Xavier, nós estamos
muito preocupados com o mundo de hoje.
Eu não sei, essas enchentes, de repente, secas terríveis,
terremoto, as últimas catástrofes que aconteceram no México,
na Colômbia, nos Estados Unidos, será que isso tudo que está
acontecendo agora, está realmente chegando o fim e nós ainda não
nos apercebemos ou isto é um alerta, porque está enfraquecendo
a fé que sempre existiu nos povos e, de repente, a falta de fé,
talvez esteja levando o mundo a estas coisas tão catastróficas
que estão acontecendo.
Chico:
– Hebe, muitas vezes nós falamos em fim do mundo, mas a verdade é
que se houver um fim do mundo, esse fim do mundo se debitará à
ambição e ao ódio entre os homens, mas não a uma ordem
divina. Vejamos bem
a questão dos armamentos.
Os armamentos são cada vez mais especializados para
veicular a morte de milhões de pessoas.
Então, o homem não tem o que indagar sobre o fim do
mundo, porque qualquer transformação mais trágica do mundo
virá do homem e não da bondade de Deus.
Agora, sobre os nossos tempos, nós vamos pensar num
problema que deve ser examinado.
Nós estamos no término de um milênio, o segundo milênio
da vida cristã. Este
segundo milênio foi caracterizado por guerras quase que
constantes, sendo que a primeira durou 195 anos em que os homens
se exterminaram uns aos outros, criando dificuldades cármicas
muito grandes para a humanidade.
Foram as guerras das cruzadas.
Elas persistiram pelo espaço de quase 200 anos, de 1098
a 1229, de mais ou menos por aí, de modo que começou a guerra
entre cristãos e não cristãos. E as lutas foram terríveis.
De acordo com as possibilidades bélicas daquele tempo,
no princípio do milênio, elas foram tão cruéis quanto as de
agora em que a inteligência humana refinou o processo de extermínio.
De modo que tivemos guerras numerosas, entre as quais,
vamos destacar, uma que durou cem anos, entre a França e a
Inglaterra, no século XIV e no século XV.
Essas guerras não foram brincadeira.
As criaturas humanas adquiriram fichas cármicas muito
dolorosas, porque tudo aquilo que nós semeamos, nós devemos
colher. Então, no
fim deste século, nós estamos colhendo o que nós temos
semeado, quase que desde seu princípio.
Tivemos, agora, ao que nos parece, se é verdade o que a
Imprensa veiculou sobre o encontro de Genebra, os maiores
estadistas, os chefes das superpotências, eles combinaram que não
se deve endossar nem praticar a guerra nuclear, porque nessa
guerra nuclear não haverá vencedores.
Isto já é o princípio de uma bênção de Nosso Senhor
Jesus Cristo para sossegar a fúria do ódio entre as Nações e
atenuar os sofrimentos criados pelos próprios homens sobre as
suas próprias cabeças.
Hebe:
– Mas, Chico, paira sobre
nossas cabeças a profecia de uma terceira guerra...
Chico: –
Tudo indica que se não trabalharmos coletivamente com todos os
meios ao nosso alcance para que isto seja evitado, de fato uma
nova calamidade pode ocorrer sobre nós. Agora, vamos fazer a força possível para que isto não
aconteça ou que aconteça pelo mínimo, se é que nós não
podemos estar livres de débitos tão grandes.
De modo que se nós pudéssemos incentivar o princípio
de paz em todos os lugares, em todos os corações, se nós
conseguíssemos levar a mensagem de Nosso Senhor Jesus Cristo
sem reparação, sem dogmas, sem qualquer idéia de hegemonia de
interpretação de um ponto de vista religioso sobre outro, se nós
pudéssemos levar para frente aquela bandeira que ele nos deu,
declarando positivamente: -
Amai-vos uns aos outros, como eu os amei. Ele não esperou por nosso amor e nem espera nosso
amor. Ele nos ama
e, por isto, não nos abandona.
Depois de toda a tragédia do Calvário, quando Ele volta
ao convívio dos seus próprios companheiros, Ele diz:
- Estarei convosco até o fim dos séculos.
Ele não se queixa, não se lamenta.
Ele não acusa ninguém.
Não há notícia no Evangelho de que Jesus tenha voltado
do Reino Espiritual, onde Ele é a luz refletindo o próprio
Deus; não consta no Evangelho que ele tenha vindo reclamar
contra Pedro ou contra Tiago (esperando que me desculpem esta
intimidade, porque devemos dar os títulos merecidos às
personalidades do Evangelho), Ele não recriminou companheiro
algum pela deserção. Ele
apenas disse: - Estarei convosco até o fim dos séculos.
Hebe:
– Você tem noção,
Chico, de tudo o que você representa para todos nós do mundo?
Chico: – Ah, eu represento aquilo que um pé de grama representa, numa
cancha de futebol. Um
pé de grama desaparece, outro aparece, se entrar um animal
naturalmente vai consumir aquela grama.
Há pouco tempo, uma senhora de Goiânia me trouxe um
livro e me disse: eu vou pedir a você para verificar, porque
este autógrafo está adulterado – está assinado Cisco
Xavier. Então eu
disse a ela: - Não senhora, fui eu mesmo que assinei assim,
porque eu me sinto como um cisco ou, então, como uma lata de
cisco. Eu assinei
Cisco Xavier, achei que era mais próprio.
Nair:
– Chico, um filho excepcional é um carma, uma prova para os pais?
Chico: – Nair, a criança excepcional sempre me impressionou pelo sofrimento
de que ela é portadora, não somente em se tratando dela mesma,
mas, também, dos pais e isso tem sido o tema de várias
conversações minhas com nosso Emmanuel, que é o guia
espiritual de nossas tarefas, e ele, então, diz que, regra
geral, a criança excepcional é o suicida reencarnado,
reencarnado depois de um suicídio recente, porque a pessoa que
se aniquila, está apenas estragando ou perdendo a roupa que a
Providência Divina permite de que ela se sirva durante a existência,
que é o corpo físico. A
verdade é que ela em si é um corpo espiritual; então, os
remanescentes do suicídio acompanham a criatura que praticou a
autodestruição para a vida do Mais Além.
Lá ela se demora algum tempo amparada por amigos que
toda criatura tem, afeições por toda parte, mas volta à Terra
com remanescentes que ela levou daqui mesmo, após o suicídio.
Se uma pessoa espatifou o crânio e se o projétil
atingiu o centro da fala, ela volta com a mudez.
Se atingiu apenas o centro da visão, ela volta cega, mas
se atingiu determinadas regiões mais complexas do cérebro, ela
vem em plena idiotia e aí os centros fisiológicos não
funcionam. A
Endocrinologia teria de fazer um capítulo especial para estudar
uma criança surda, muda, cega, paralítica, porque aí a
criatura feriu a vida no santuário da vida que é a parte mais
delicada do cérebro. Se
ela suicidou-se, mergulhando-se em águas profundas, ela vem com
a disposição para o enfisema, um enfisema infantil ou da
mocidade, ou dos primeiros anos da vida.
Se ela, por exemplo, se enforcou, ela vem com a
paraplegia, depois de uma simples queda que toda criança cai do
colo da ama, do colo da mãezinha; então, quando o processo é
de enforcamento, a vértebra que foi deslocada, no enforcamento,
vem mais fraca e, numa simples queda, a criança é acometida
pela paraplegia. E
nós vamos por aí. Outras
crianças que vêm completamente perturbadas; a esquizofrenia,
por exemplo, diz-se que é o suicídio, depois do homicídio.
O complexo de culpa adquire dimensões tamanhas que o
quimismo do cérebro se modifica e vem a esquizofrenia como uma
doença verificável, porque através dos líquidos expelidos
pelo corpo é possível detectar os princípios da
esquizofrenia. Mas
a esquizofrenia é o homicida que se fez suicida, porque o
complexo de culpa é tão grande, o remorso é tão terrível
que aquilo se reflete na própria vida física da criatura
durante algum tempo ou muito tempo.
Hebe:
– Mas, uma criança retardada, ela sente o que a mãe e o pai
falam para ela! Por
exemplo, palavras de amor, palavras sem amor, bruscas, elas
sentem?
Chico:
– Sentem, sentem e ouvem; registram e sabem de que modo estão sendo
tratadas; elas são profundamente lúcidas na intimidade do próprio
ser. A criança vem
somente com aqueles que têm capacidade para amá-la e ajudá-la
a passar aquele transe temporário de 13, 20,30 anos.
Geralmente os excepcionais desencarnam muito cedo.
Certa feita uma senhora em Uberaba nos procurou e disse:
- Eu sou mãe dessa criança excepcional; eu me sinto uma
criatura amarga, eu sofro muito com isso, o que é que Emmanuel
diz para mim? Eu
lhe disse assim: - Minha filha, a maternidade é um privilégio
que Deus concedeu à mulher; então, toda mulher desfruta deste
privilégio da Providência Divina, mas os filhos excepcionais são
confiados tão-somente às grandes mulheres que têm capacidade
de amar até o infinito.
Nair:
– Chico, conte-me uma coisa: existirá significado especial no nome de
Jesus – você poderia citar, para todos nós, um fato pessoal
do seu conhecimento?
Chico: – Eu peço licença para contar alguma coisa a respeito.
Aí por volta de 1953 até 1959, quando mudamos para
Uberaba, nós sempre, desde muitos anos, fazíamos assistência,
uma assistência carinhosa de levar uma oração ou a expressão
de fraternidade a doentes, a necessitados, quando uma senhora
nos pediu para visitar a irmã dela que tinha se tornada hemiplégica
e muda. A moça
tinha 40 anos, chamava-se Valéria. Então, fomos a primeira vez; nós fazíamos sempre aos sábados
nossas visitas. Íamos
visitar Valéria, levávamos um pedaço de bolo, algumas balas,
isto que se dá a uma criança, porque a gente não podia fazer
mais, mas visitávamos Valéria com muito carinho; eram diversas
casas e ela, Valéria, estava numa delas.
A irmã dela chamava-se D.Laura.
A casa se erguia num lugar onde em Pedro Leopoldo se
construiu o recinto das exposições pecuárias; eu estou
explicando, porque alguém na minha cidade poderá perguntar
onde estava esta casa; estava no lugar onde está o recinto das
exposições pecuárias. Então, todos os sábados, durante uns seis anos, visitávamos Valéria e levávamos uma prece e ela
guardava um pedaço de bolo debaixo do travesseiro. A irmã dela, a dona da casa, muito distinta, muito amiga,
nos recebia com muito carinho.
Num sábado, eu fazia a prece; no outro sábado, outro
amigo fazia a prece; no outro, uma senhora fazia a prece, e,
assim, estávamos há uns seis anos, quando Valéria foi
acometida por uma gripe pneumônica muito séria e D. Laura
chamou um médico e o médico avisou que ela estava às portas
de uma pneumonia e a pneumonia se manifestou.
A pneumonia se manifestou e nós chegamos no sábado, ela
estava muito abatida e todas as vezes que nós íamos, eu
falava: - Valéria, agora você fala Deus! Ela lutava muito para
falar, porque ela entendia tudo, mas não conseguia.
Eu falava assim: - Jesus, Valéria!
Ela fazia força, mas a língua enrolava e ela não
conseguia; isso se repetiu mais de seis anos, mas neste sábado,
a pneumonia..., eu falei: - D. Laura, ela está com febre muito
alta, o que diz o médico?
- Bem, o médico que está tratando já deu bastantes
antibióticos e ela está bem medicada. E eu falei assim: - Está bem, agora, ao invés de virmos aos
sábados, viremos todos os dias.
E ela sempre piorando.
Então, num sábado, no último sábado, depois que
fizemos a prece, eu falei: - Valéria, fala Jesus, fala Deus!
E ela: ã, ã, ã, ã, mas não falava.
Eu falei: - Valéria, Jesus andou no mundo, curou tanta
gente, tantos iam buscá-lo nas estradas, na casa onde ele
permanecia, e pediam a ele a graça da melhora, da cura, e foram
curados. Lembra de
Jesus andando e você caminhando, embora você não esteja
caminhando há tantos anos, lembre de você caminhando e
chegando aos pés dele e dizendo: Jesus! Fale Jesus!
Aí ela falou: - Josusu, Josusu!
Eu falei: - Meu Deus, mas que alegria, Valéria falou o
nome de Jesus, que coisa maravilhosa! D. Laura, venha cá para a senhora ver! Ela com muita febre, mas ficou satisfeita falando: - Josusu!
Josusu! E não me
esqueço daquele nome vibrando nos meus ouvidos.
Eu falei: -
Ela vai melhorar, ela está falando Jesus, D. Laura.
Nós todos muito alegres, ela sorrindo, mas
desinteressada do bolo que tínhamos levado, a febre muito alta.
Eu falei: - Valéria, repete, eu estou tão interessado
de ver você falar o nome de Jesus.
Fale Jesus, Jesus! Ela falou: - Josusu, Josusu!
Mas dando todas as forças.
Aí, eu falei: - Se Deus quiser, ela está muito melhor. Mas, no outro dia de manhã, chegou a noticia de D.Laura de
que Valéria tinha falecido pela manha, tinha desencarnado.
Fomos para lá, e tal, e lembramos muito aquela amiga que
estava partindo. Comoveu-nos
muito e sofremos bastante, porque ela era muito, era muito
querida, uma criatura que não falava, mas tinha gestos
extraordinários.
Mas
os anos rolaram, os anos passaram e eu mudei para Uberaba e, em
76, fui vítima de um enfarte, enfarte que me levou ao médico,
que me hospitalizou em casa.
Disse-me assim: -
Não, você pode conturbar o ambiente do hospital com visitas,
é melhor você ficar hospitalizado em casa, a porta do quarto
ficará com acesso apenas a esta senhora que é enfermeira.
É uma senhora que está conosco de nome D. Dinorá
Fabiano. Então, D.
Dinorá era a única pessoa que entrava, para eu ficar 20 dias
mais ou menos imóvel e eu fiquei, mas isso não impedia que os
espíritos me visitassem e, então, muitos amigos desencarnados
de Pedro Leopoldo, de Uberaba, entravam assim à tarde ou à
noite e eu conversava em voz alta.
E eu falei: - D. Dinorá, quando a senhora me encontrar
falando sozinho, a senhora não se impressione, eu estou
conversando com alguém. Ela falou: - Não, eu compreendo, eu compreendo.
Ficou naquilo, não é?
E uma tarde entrou uma moça muito bonita (no quarto
havia sempre uma cadeira perto da cama). Ela entrou, eu falei em voz alta: - Pode fazer o favor de
sentar. Ela falou:
- Você não está me conhecendo?
Eu falei: - Olha, a senhora vai me perdoar, eu tenho
andado doente com problemas circulatórios e eu estou com a memória
estragada e eu não estou me lembrando. Mas era uma desculpa, era porque eu não estava reconhecendo
mesmo. Então, ela
falou assim: - Mas nós somos amigos, eu quero tão bem a você.
Era uma moça morena, muito bonita; aí eu falei: - Olha,
eu não posso assim de momento fazer muito esforço de memória,
porque o médico me recomendou repouso mental.
Minha senhora, faça o favor de dizer o nome.
Ela falou assim: - Não, eu não vou dizer, eu quero ver
se você lembra; eu sou uma de suas amizades de Pedro Leopoldo.
Eu falei assim: - Então, a senhora pode falar; se a
senhora falar Maria ou Alice, eu conheço tantas.
Então fale o sobrenome da família, porque pela família
eu vou saber. Ela
falou assim: - Não, eu não vou falar, eu vou falar um nome só;
quando eu falar, você vai lembrar quem é que eu sou. Eu falei: - Então, a senhora faz o favor, fala o nome, o
nome que a senhora quer falar e ela foi e falou assim: - Josusu!
Eu falei: - Meu Deus, é a Valéria!
Meu Deus, Valéria, como você
está bonita! Eu não mereço a sua visita.
Ela disse: - Mas eu vim lembrar os nossos sábados, em nós
orávamos tanto. Eu
lembrei da última palavra e eu vim te trazer confiança em
Jesus. Pôs a mão no meu peito e a dor desapareceu.
Então, isso para mim, eu acho que o nome de Jesus é tão
grande, é tão grande que remove os nossos obstáculos orgânicos.
Eu estou com uma angina que ficou como sendo uma herança
do enfarte, mas uma angina muito bem controlada.
Eu sigo as instruções médicas, as instruções dos
amigos espirituais, me abstenho de tudo aquilo que eu não posso
usufruir, de modo que eu graças a Deus estou, vamos dizer,
estou doente, mas estou são.
Se alguém puder compreender...
Hebe:
– Numa de suas respostas, falando sobre as guerras, Chico
ponderou que o próprio homem é que as provoca.
Igualmente moléstias que alarmam o mundo, qual o câncer,
a aids, etc., seriam provocadas pelo homem?
Chico: – Há um conceito antigo que assevera: Deus socorre a criatura pela
própria criatura. Então,
vamos pensar, a Bondade Divina suscitou a inteligência humana
para sanar o problema da distância e o problema da distância
foi vencido pelo avião, pelo automóvel, vamos dizer, pelo
motor. A misericórdia
de Deus inspirou a inteligência humana e o homem venceu uma
peste como sendo a varíola, através da vacina, e o homem se
libertou da febre amarela, da peste bubônica, da varíola e de
outras moléstias consideradas quase que irreversíveis ou
fatais. O homem
sentiu necessidade de mais aproximação, uns com os outros, e a
bondade de Deus, através da inteligência humana, nos deu a
onda hertziana, o rádio, a televisão e todo esse mundo de
comunicações em que dentro de segundos o que acontece num
hemisfério pode ser conhecido no outro lado do Planeta.
Então, nós vemos, por exemplo, o homem sentiu o flagelo
e a fome, mas a bondade de Deus suscitou à cabeça humana
diversas formas de produção e, sobretudo, transporte rápido e
o transporte rápido, se exercido fielmente, aniquila a fome.
A fome deixou de existir, mas a inteligência humana não
foi ainda capaz de eliminar o ódio criado por ela mesma, porque
Deus não criou o homem para ter o destino de um robô, mas sim
de ser um cooperador inteligente do próprio Deus na Criação.
Então, em matéria de sentimentos, Deus não podia
violentar o homem. A
guerra se deve ao ódio entre os povos, ódio que ainda não foi
vencido, porque Deus não é Pai de violência, mas sim, Pai de
Infinito Amor e deixa por conta dos seus filhos a solução das
necessidades da confraternização geral entre todos, o amor
entre todos, a simplicidade, a humildade, a bondade, a compreensão
humana para que a violência seja banida da Terra.
Enquanto o homem odiar, enquanto houver ressentimento no
coração de alguém, porque o ressentimento é um pedacinho da
guerra, enquanto houver ressentimento, então, nós somos
obrigados a considerar que devemos esse flagelo ao Homem, ao
Homem, considerando aos homens e às senhoras do mundo, porque não
é problema para que pudesse vir um auxilio exterior para ser
exterminado, porque tudo que é perigo exterior Deus tem
suscitado à ciência humana os recursos para que esses perigos
sejam eliminados. Então, todas essas manifestações dolorosas de guerra, de
separação, de violência, isso tudo nós somos os responsáveis
por elas, porque elas nascem do nosso sentimento.
Agora, as doenças, mesmo as que hoje são consideradas
perigosas, como sendo a aids, por exemplo, e outras doenças, nós
confiamos em Deus que a ciência vai descobrir meios de vacinação,
de imunização das criaturas, e todos os males físicos, como o
câncer, serão debelados, porque também a tuberculose e a
lepra foram debeladas.
Nair:
– Chico, eu gostaria de saber por que os jovens e os não jovens estão
se entregando tanto ao tóxico de uma maneira tão desordenada.
Perderam completamente a noção das coisas?
Chico: – O tóxico, vamos dizer, é um irmão mais inteligente da nossa
cachaça. Nós,
também, através do álcool, através de gerações e gerações,
temos perdido muita gente.
Agora, os espíritos consideram e nós também
acreditamos, que essa fascinação pelo tóxico é a necessidade
de amor que a criança e o jovem sentem naturalmente no seu próprio
desenvolvimento.
Nair:
– Chico, desculpe, você acha que o jovem, digamos, que apela
para o tóxico, a gente pode considerar uma pessoa
carente?
Chico: – Carente! O jovem que
se abandona ao tóxico, habitualmente pode estar com mesadas
muito grandes, mas está sem o carinho e sem o calor paterno ou
materno. E isso é muito sério na vida de quem está começando a
existir neste mundo.
Nair:
– É verdade, é verdade. É
porque muitos pais pensam que carinho e amor é dar mesadas muito grandes.
Chico: – Às vezes, a privação do dinheiro e a doação de trabalho digno
é que vai construir uma existência feliz.
Hebe:
– Chico, eu gostaria, também, antes de você dar a sua mensagem de
Natal para todo este Brasil que nós amamos tanto, que você
dissesse como é que a gente pode, por exemplo, ajudar, eu sei
que houve ajuda no caso do julgamento de uma pessoa que parece
que assassinou a mulher e, através de uma carta psicografada,
esta pessoa foi absolvida.
A esposa inocentou o criminoso e a gente sabe, assim, às
vezes, de tantos casos de desencontros entre os casais, de
repente, uma desarmonia e a gente tenta ajudar e não sabe como.
Eu queria que você, com a sua palavra, com esse dom que
você tem de contactar com Jesus, se você poderia dar uma
palavra para essas pessoas que estão atravessando momento difícil
de convívio conjugal e a essa família que não pode se
desagregar.
Chico:
– Nós temos um problema a
resolver nestes casos de imunização espiritual.
A imunização espiritual é sempre feita com a palavra
centralizada no bem e com esquecimento de todo o mal.
Se nós não falarmos coisa alguma a respeito de algum
pequenino erro de alguém, aquilo não segue para diante, porque
nós devemos ser estações terminais de toda a fofoca, porque a
fofoca é hoje um instrumento interessante e até engraçado,
mas a fofoca também mata.
Agora o caso de Campo Grande...
As nossas sessões não são sessões de provocar
manifestações; nós estudamos o Evangelho, comentamos o
ensinamento de Cristo e nos colocamos à vontade de algum amigo
espiritual que queira se comunicar.
A reunião era feita talvez ali com umas 400 a 500
pessoas, algumas do lado de fora, quando essa senhora muito
jovem se comunicou para o marido chamado João de Deus... (O
nome completo eu não me lembro).
Então, falou com ele que se lembrava exatamente do dia
em que eles estavam chegando de uma festa e que ele ao retirar o
cinto de que se tinha munido, porque haviam feito uns 6 ou 8
quilômetros de viagem para ir a uma festa de aniversário, eu não
sei, parece que era uma festa de aniversário, e ele, então,
temendo a atualidade, os assaltos da atualidade, se muniu de um
revolver e o pôs no cinto.
Então, ela se lembrava perfeitamente da noite em que
eles chegavam e que ela se sentou na cama e que ele ao retirar o
cinto, o gatilho esbarrou em algum corpo, que nem ela e nem ele
poderiam determinar, e o tiro saiu e veio sobre ela e que ele
era inocente de tudo aquilo.
Que ela partiu deste mundo, lamentando aquele incidente,
e como ela sabia que ele estava às vésperas de julgamento,
pediu muito a Deus para que os juizes e para que os jurados
considerassem a inocência dele.
Ele que já tinha feito um segundo casamento e que era
pai de um filho, porque o casamento dele com a comunicante era
recente. Ela não
teve filho, mas que o lar deles estava formado, ele era agora
pai, ela pedia à Misericórdia de Deus que atuasse no cérebro
dos juizes e dos jurados para que fosse libertado, para que essa
senhora que era a segunda esposa dele e o filhinho, a criança,
não sofresse privações com a sua ausência;
que ele marchasse com a sua inocência para o julgamento,
mas que Deus havia de abençoá-lo, que Jesus havia de se
lembrar dele. Depois eu não soube de mais nada, senão pelo jornal que os
sete jurados deram a favor dele e ele foi liberto.
Nair:
– E agora, você me lembrou de uma coisa que você sempre diz,
e que as pessoas que estavam lá viram o que o Chico sempre diz
para gente: que o telefone não toca daqui para lá, é sempre
de lá para cá. Que
não adianta a gente querer insistir, querer falar com...
tem que aguardar um chamado.
Não é Chico?
Chico:
– Vem espontaneamente, vem de uma maneira que a pessoa sente
no coração que está recebendo a verdade.
Nair:
– É verdade. Eu
posso provar isso.
Ao
encerramento do programa, Chico Xavier leu a mensagem intitulada
“Mensagem Para Jesus”, por ele psicografado e que a seguir
apresentamos.
Mensagem
Para Jesus
Ante
o Natal, Jesus, aqui agradecemos
O progresso da Terra, em resplendores,
Desde o mar vasculhado às alturas imensas,
Em que o homem pesquisa os mundos exteriores.
Entretanto,
perdoa-me se, em prece,
Tenho os quadros de dor que te apresento:
As crianças sem lar, sobre o colo da noite,
E as mães vencidas pelo sofrimento.
Os
doentes que vagam na intempérie,
Implorando o agasalho de um lençol,
E os velhinhos, no escuro das calçadas,
Que morrem aguardando uma réstia de Sol.
Os
enfermos que choram na esperança
De pequeno socorro que não vem...
E os corações cansados e infelizes
Que atravessam a vida sem ninguém.
Induze-nos,
Senhor, a buscar todos eles,
Os tutelados teus, nossos próprios irmãos,
E a fim de auxiliá-los como estejam,
Ensina-nos, Jesus, a unir as nossas mãos!...
Natal!...
Feliz Natal!... Todos cantamos,
Ao coro fraternal de todas as igrejas!...
Louvado seja Deus que te enviou à Terra!...
Mestre do coração, bendito sejas!...
Maria Dolores
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