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JOSÉ
RAUL TEIXEIRA – Professor
Universitário, leciona na Universidade Federal Fluminense,
residindo em Niterói, RJ.
É médium psicógrafo e orador espírita, além de
fundador e atual vice-presidente da Sociedade Espírita
Fraternidade. Entre outros, publicou os seguintes livros: Vereda Familiar,
Vozes do Infinito.
P:
– A mediunidade e a assistência
social são prioridades no Espiritismo?
R:
– Depende do que entendamos por
mediunidade e por assistência social. A mediunidade considerada
como mera manifestação de entidades, para as trocas de barganhas
que se costumam fazer, ou para demonstração inócua da
possibilidade do intercâmbio, isso é de todos os tempos e nada
tem a ver com o Espiritismo. Se a mediunidade for entendida
como ensejo de demonstração da vida que supera a morte,
propiciando a cada um de nós a possibilidade de repensar
atitudes e feitos, com vistas à nossa transformação moral,
apoiados no que vemos, sentimos, naquilo que os desencarnados
nos vêm apresentar, então aí teremos o fenômeno mediúnico
realizado dentro dos padrões da Doutrina Espírita. Dentro de
raciocínio semelhante, se a assistência social se embrenha pelo
materialismo, ou pelo hábito clientelista para que se retirem
vantagens sociais e eleitoreiras em nosso movimento, isso nada
terá de verdadeiramente espírita. Entretanto, se a assistência
é feita com a preocupação promocional, se se deseja auxiliar as
pessoas para que elas se emancipem, para que consigam crescer e
avançar com seus próprios recursos, passando a compreender o
porquê das suas lutas e carências, com base no entendimento das
leis de causa e efeito, que lhes impõem o esforço por se
libertarem, então terá feições de um trabalho assistencial
espírita. Com isso, vemos que as prioridades do Espiritismo não
podem ser a mediunidade, tampouco a assistência social, mas, sem
dúvida, sua prioridade é o estudo, pois ele é o fator que
liberta da ignorância e da necessidade, consoante as próprias
lições de Jesus. O estudo espírita tanto é recurso profilático
como curativo, permitindo que tanto a atividade mediúnica quanto
o labor assistencial passem a ter sentido e utilidade para quem
é atendido e para quem atende.
P: –
O trabalho a que os Espíritos se referem é o assistencial?
R:
– Naturalmente que não. Muitas
vezes poderíamos estar realizando o trabalho chamado
assistencial, que se constitui basicamente do oferecimento de
coisas materiais, sem que estejamos fazendo os esforços em
benefício da promoção do indivíduo assistido desse modo, sem
conseguirmos a nossa própria libertação através do trabalho. O
assistencial é uma das faces do labor que podemos efetuar no
mundo, mas não é tudo.
P:
– As obras assistenciais não estariam, por acaso, contribuindo
para a formação de uma legião de criaturas dependentes?
R:
– Não é conveniente generalizar
a questão. Sabemos que há muitas atividades assistencialistas,
o que não corresponde às vistas do Espiritismo. Entretanto, não
serão essas atividades os modelos a serem seguidos, mas sim
aquelas outras que estão primando pelo trabalho de promoção
humana, auxiliando o indivíduo a libertar-se da necessidade por
meio dos estudos apropriados, por meio do esforço para o próprio
ganha-pão. Não se justificará jamais que os espíritas tenham
que manter um quadro de pessoas infelizes e miseráveis em suas
instituições, a fim de que se afirmem caridosos, ou para que se
imaginem atendendo aos deveres fraternais da assistência
cristã. Todo o nosso labor deverá dirigir-se, na esfera dos
serviços assistenciais, ao erguimento do indivíduo ou família,
fazendo-os valorizados em si mesmos. Essa é a base da
assistência genuinamente espírita.
P:
– Ante tanta carência material,
servir apenas um pato de sopa não é pouco?
R:
– De fato, será pouco, se não fizermos outras coisas ao longo do
tempo. Entretanto, no momento em que sentimos fome, o mais
importante é o prato de sopa, ou o pedaço de pão. No dia em que
sentimos frio, o mais urgente é o agasalho. O que não devemos
esquecer é que ninguém consegue ouvir preleções de ordem moral,
ou convencer-se de que o nosso discurso é importante, sentindo o
estomago em crise de fome, ou tiritando de frio. Torna-se
conveniente, nesse caso, oferecermos primeiro o peixe e, depois,
somente depois, ensinarmos a pescar. O discurso de quem diz que
é pouco mas não faz nada a ninguém, não merecerá o mínimo
respeito ou consideração. Representará egoística acomodação da
qual terão de dar contas à própria consciência, mais hoje, mais
amanhã.
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