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DIVALDO
PEREIRA FRANCO - Emérito educador. Fundou em 1952, na cidade de
Salvador-BA, com seu primo Nilson de Souza Pereira, a Mansão do
Caminho, instituição que acolheu e educou mais de 600 filhos
sob o regime de Lares Substitutos. Conferencista e médium
espírita, já proferiu mais de 10 mil palestras no Brasil e no
exterior e psicografou aproximadamente 200 livros espíritas que
já venderam 5 milhões de exemplares, inclusive com tradução
para 13 idiomas. Septuagenário quando fala sobre o espiritismo
demonstra o entusiasmo dos jovens com sabedoria que só a
experiência do bem viver pode proporcionar.
JOSÉ
RAUL TEIXEIRA – Professor
Universitário, leciona na Universidade Federal Fluminense,
residindo em Niterói, RJ.
É médium psicógrafo e orador espírita, além de
fundador e atual vice-presidente da Sociedade Espírita
Fraternidade. Entre outros, publicou os seguintes livros: Vereda Familiar,
Vozes do Infinito.
P: –
Qual a diferença entre animismo e mistificação?
Raul:
– Encontramos em
O Livro dos
Médiuns, mais exatamente no
capítulo XIX, item 223 (1a. a 5a.), Allan
Kardec discutindo e apresentando uma questão muito importante e
muito grave, que é a circunstância em que o espírito do próprio
percipiente, do próprio médium, no estado de excitação de
variada ordem, transmite a sua mensagem.
Nos processos de regressões, de
múltiplas procedências, a alma do encarnado se expressa, chora
suas angústias, deplora suas mágoas guardadas na intimidade, ou
apresenta suas virtudes e conquistas, suas grandezas, também
guardadas no íntimo. Esse fenômeno em que o próprio espírito do
médium se expressa, com qualquer tipo de bagagem, nós o
chamaremos de “anímico”, conforme Allan Kardec, em O
Livro dos Médiuns. E aqueles
outros fenômenos através dos quais entidades espirituais se
manifestem por meio de médiuns, e dizem ser personalidades que
verdadeiramente não foram na Terra, esses denominaremos de
“mistificação”.
Allan Kardec teve a
oportunidade de estudar em O Livro dos Médiuns,
na parte em que apresenta as dissertações mediúnicas (capítulo
XXXI), diversas mensagens, das quais ele, depois de tê-las
analisado, anota que jamais poderiam proceder de Vicente de
Paulo, de Maria de Nazaré e de outros tantos espíritos
respeitados e considerados pela Humanidade. É o caso em que
certas entidades banais dão nomes de vultos que gozam ou que
gozaram no mundo de respeitosa projeção.
Mas, temos ainda um outro tipo
de mistificação, que é a mistificação do indivíduo, do “médium”,
quando, por motivos diversos, não sendo portador de faculdades
mediúnicas, ou ainda que seja, mas não sendo dotado da
capacidade de comunicar, de permitir a comunicação de tal e qual
espírito ele a forja, com interesses os mais estranhos. Aí
encontramos a mistificação por parte do suposto médium.
É importante, porém, que nos
lembremos de que todas as nossas ações, como se reporta O
Livro dos Espíritos, são
conduzidas pelos espíritos. Normalmente são eles que nos
dirigem, conforme o item 459 da citada obra. Logo, quando se
começa a fraudar, a mistificar por quaisquer interesses, no
início é o próprio indivíduo com a sua mente doente, mas, a
partir daí, passa a atrelar-se a entidades mistificadoras,
submetido, então, à influência espiritual. A princípio, a
criatura é mistificadora sem ser propriamente médium. Depois
advém a “sociedade” de forças, surgindo o engodo. No primeiro
impulso era fruto do encarnado, depois os espíritos
complementam.
Foi perguntado a Chico Xavier,
e publicado no livro No Mundo de Chico Xavier,
se alguma vez ele teria sido alvo de mistificação da parte de
espíritos. Ele disse que sim. E quando foi inquirido sobre
qual a razão porque Emmanuel lhe permitira essa vivência de
algum espírito comunicar-se e dizer quem não era, ele afirmou
que aquilo se destinava a que ele visse que não estava
invulnerável à insuflação negativa.
Jesus Cristo teve ensejo de
dizer que, se possível fosse, essas entidades, os falsos
profetas, enganariam aos próprios eleitos. Costumamos nos
indagar: “E nós que ainda somos apenas candidatos?”
P:
– Dentro dos quadros da psiquiatria, como psicopatia,
esquizofrenia, etc., quais as características que poderiam se
enquadrar dentro das obsessões?
Raul:
- Reconhecemos, com os ensinamentos da Doutrina Espírita, que todos
aqueles portadores das esquizofrenias, psicopatologias variadas,
dentro de um processo cármico, são entidades normalmente
vinculadas a graves débitos, a dívidas de delitos sociais, e,
conforme nos achamos dentro desse quadro de compromissos, essas
psicopatologias de multiplicada denominação assumem intensidade
maior ou menor.
Conforme orienta o instrutor
Calderaro ao Espírito André Luiz, no livro No Mundo
Maior, de edição febiana,
ao estudar a problemática do cérebro, esses companheiros
esquizofrênicos entram em “crises” quando, no processo natural e
inconsciente de rememoração, se vinculam ao seu passado, quando
delinqüiram, através de um processo de associação, de
assimilação fluídica.
Nos casos de epilepsias, tudo
nos leva a crer que as entidades credoras em se aproximando do
devedor, diretamente, ou por meio de seu pensamento, promovem
como que um acordamento da culpa, e ele mergulha, então, no
chamado transe epiléptico. Nesse particular do transe, por ação
de espíritos, encontramos correspondentes com o processo
mediúnico, porque não deixam de ser, esses indivíduos, médiuns
enfermos, desequilibrados, apresentando, por isso, uma expressão
mediúnica atormentada, doente. Convenhamos que o exame da
Doutrina Espírita, com relação a esses diversos casos, nos dará
gradativamente as dimensões para que saibamos avaliar, analisar
os problemas de enfermidades psicopatológicas, tais como as que
acompanham a esquizofrenia, que é esse conjunto de tormentos, de
perturbações, de doenças que verdadeiramente não têm uma
etiologia definida.
Nos casos de patologia
psicológica ou psiquiátrica, deveremos nos valer dos
conhecimentos específicos na área médica, para que não
coloquemos pessoas doentes nas atividades mediúnicas, o que
seria um desastre. Muitas pessoas se mostram com diversas
síndromes e sintomas de problemas, psíquicos, quando a
invigilância e o desconhecimento espírita de alguns podem
afirmar que é mediunidade e levar a criatura para o exercício
mediúnico. Esses graves equívocos determinarão graves
ocorrências.
O nosso Divaldo, oportunamente,
narrou-nos um episódio por ele conhecido, a respeito de um
cidadão que sofrendo de intensas e continuadas cefaléias foi
“orientado” por alguém irresponsável a “desenvolver-se”, porque
era médium, e que nisso encontraria a cura esperada.
Buscados núcleos de mediunismo
sem orientação cristã, feitos os “trabalhos”, etc., o problema
não cedeu, ao contrário, agravou-se. Depois de frustradas
tentativas lá e cá, o moço foi levado a uma Instituição séria,
onde o servidor da mediunidade que o atendeu constatou, pela
informação dos Benfeitores Espirituais, que a família deveria
providenciar atendimento médico para o rapaz. Feito o
eletroencefalograma, verificou-se uma tumoração cerebral já sem
possibilidade de cura, devido ao estado adiantado do problema.
Muitas vezes estamos atrelados
a enfermidades espirituais que oferecem respostas somáticas, que
estão ligadas a dramas profundos e graves, que não podem ser
atendidos como se fossem mediunidade, numa leviandade que não se
permite, em se tratando de Entidade Espírita. Noutros campos,
registramos nos hospitais psiquiátricos diversos médiuns em
aturdimento, obsidiados que poderiam ser devidamente tratados
com a terapia evangélico-espirita, para depois abraçarem a
tarefa mediúnica.
Então, é necessário que
estudemos e incorporemos os conceitos e lições da Doutrina
Espírita, conhecendo a prática do bom senso, para que saibamos
distinguir aquilo que é mediunidade, precisando de educação,
daquilo que seja enfermidade psicopatológica, a exigir
tratamento médico.
P: -
Na terapia da desobsessão, é bom que o obsidiado freqüente
trabalhos mediúnicos?
Divaldo:
– O ideal será que ele não participe dos trabalhos mediúnicos.
Se estiver no estado em que registra as idéias sadias e as
perturbadoras, o trabalho mediúnico pode ser-lhe seriamente
pernicioso. Porque, se o obsessor incorporar, poderá
ameaçá-lo diretamente, criando nele condicionamento, que depois
vai explorar de espírito a espírito. Como a necessidade não é
do corpo físico enfermo, ele pode estar em qualquer lugar e os
Mentores trarão as entidades perturbadoras.
Ele não deve faltar é às
sessões de esclarecimento doutrinário, para que aprenda a
libertar-se das agressões dos espíritos maus e, ao mesmo tempo,
crie condições para agir com equilíbrio por si mesmo.
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