O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 
Título :
Entrevista com  Nelson Moraes

Entrevistado:
Nelson Moraes

Fonte:
Editora Aulus

ENTREVISTAS

       

NELSON MORAES – Médium, radialista com programa na Rádio Boa Nova, articulista espírita e autor de diversos livros.

P: - Você vem de uma família Espírita? Como foi seu início no Espiritismo?
Nelson Moraes: - Eu tive a felicidade de renascer em 1940 na capital de São Paulo, sob o amparo de uma mãe familiarizada com as realidades do espírito. Cresci ao seu lado enriquecendo o espírito com preciosas informações sobre a vida eterna. Atravessei os anos 50/60 onde a juventude mundial, principalmente nas grandes metrópoles, viveu os grandes e tentadores desafios morais. Assisti a morte física e moral de muitos jovens que se entregaram às ilusões dos anos “dourados” e dos anos “rebeldes”. Vivi algumas experiências próprias da juventude e da época, as quais acabaram por amadurecer em mim a convicção de que o mundo que eu queria não era esse, mas sim aquele que aprendi a conhecer com minha mãe. Foi quando resolvi casar-me. Em 1969 eu e minha mãe e minha esposa, fundamos o primeiro núcleo de trabalho, desde então, estou presente ao movimento espírita contribuindo com os recursos que disponho.

P: - Qual é o seu envolvimento com o movimento Espírita?
Nelson Moraes: - O Espiritismo é a revelação da natureza mais profunda do ser humano. Quando todos estiverem familiarizados com essa realidade, teremos transformado o mundo. Meu compromisso consciencial com o Espiritismo é trabalhar para a sua divulgação usando de todos os recursos que estão ao meu alcance. Entretanto, a divulgação não consiste apenas em propagar, é preciso manter uma base sólida, onde o produto propagado possa ser visto e sentido, por isso, há mais de trinta anos, mantenho o trabalho mediúnico no C. E. Família Cristã, atendendo na orientação fraterna, na desobsessão e na cura.

P: - Possui algum tipo de mediunidade? Se sim, como lidou com ela no inicio?
Nelson Moraes: - Embora, na minha infância eu tenha vivido experiências mediúnicas, a mediunidade foi se desenvolvendo à medida que eu firmava meu compromisso com a Doutrina e estendia meu trabalho ao atendimento do sofrimento humano. A cura pelo magnetismo tem sido a marca do meu trabalho, entretanto, o desdobramento assessorado e a psicografia têm ampliado o nosso esforço para o esclarecimento da humanidade.

P: - Possui Livros publicados?
Nelson Moraes: - Graças aos amigos espirituais que me assistem, tive a felicidade de realizar vários trabalhos no campo da literatura trazendo preciosas informações, doutrinárias e consoladoras, somam-se 13 títulos editados.

P: - Você está trabalhando em algum livro no momento? Pode nos adiantar algo?
Nelson Moraes: - Sim! Estamos constantemente trabalhando, porém, nada posso adiantar.

P: - Qual a sua atividade profissional?
Nelson Moraes: Sou construtor aposentado. Em 1990, em sociedade com meu filho, fundei a SpeedArt Editora e Computação Gráfica Ltda. Até 1997 trabalhamos com artes gráficas e ministrando aulas de computação na área de criação e desenvolvimento de arte. Em meados desse mesmo ano, passamos a editar livros, hoje a empresa se denomina: Editora Aulus Ltda. Os direitos autorais dos livros são revertidos para as obras assistenciais do C.E. Família Cristã.

P: - Como concilia a parte profissional com o Espiritismo? Há conflitos?
Nelson Moraes: - A Editora Aulus é uma editora comprometida com a mensagem e a divulgação do Espiritismo, portanto, não há conflitos, salvo as dificuldades financeiras.

P: - Sabemos que ainda há muito preconceito e desinformação a respeito do Espiritismo. Isto já refletiu em sua atividade profissional?
Nelson Moraes: - Durante toda a minha vida tenho pago o preço alto que a coragem da fé cobra daqueles que não se omitem em lutar pelo que acredita.

P: - Espiritismo é religião?
Nelson Moraes: - Sim! O Espiritismo é a Religião do bom senso e da razão que nos aproxima de Deus!

P: - Como você vê o crescimento da Doutrina Espírita no Brasil e no Mundo?
Nelson Moraes: - A Doutrina Espírita ainda não cresceu o suficiente, ela apenas inflou, agregando como satélites em torno si, àqueles que pairam na superfície do conhecimento.

P: - Qual a maior dificuldade que a Doutrina Espírita enfrenta para sua aceitação?
Nelson Moraes: - O grande problema que emperra o desenvolvimento da Doutrina está em suas fileiras. Os resquícios feudais prolifera nas instituições e, conseqüentemente, faltam representantes legítimos que estejam verdadeiramente compromissados com as verdades do Consolador. Ao meu ver, o movimento espírita, desde o momento em que estabeleceu a burocracia exagerada nas suas instituições, perdendo a simplicidade que lhe é característica, e assumiu a postura acadêmica, inflou ao invés de crescer. A consciência espírita não se desenvolve se não estiver alicerçada no coração e, nessa área, pouco se tem realizado. Não vamos desenvolver a Aristocracia Intelecto Moral, tão propagada por alguns companheiros, se não trabalharmos a revivência do Evangelho nos corações e transformar nossas instituições em verdadeiras oficinas da alma, onde a prática cristã se constitua no verdadeiro aprendizado Espírita.

P: - Nós espíritas somos muito questionados a respeito da Doutrina Espírita e constantemente somos provocados a justificar nossa crença em confronto com a Bíblia. Na sua opinião, devemos entrar nesse tipo de debate para defender a Doutrina Espírita ou não?
Nelson Moraes: - Mais do que debater ou contestar, esclarecer é a maior defesa. Entretanto, é preciso ampliar os recursos para o esclarecimento das massas, infelizmente não é o que se faz.

P: - O Brasil é um país onde a grande maioria é Católica ou Evangélica, mas algumas pesquisas indicam que grande parte da população não Espírita acredita em reencarnação. Como podemos interpretar isto?
Nelson Moraes: - Há milênios a reencarnação faz parte da cultura de quase todo o Oriente, entretanto, esse conhecimento em nada ajudou no desenvolvimento moral e social da maioria dos povos orientais que acreditam na reencarnação. O conhecimento da reencarnação sem as conseqüências morais será apenas mais uma cultura e se repetirá aqui o que ocorre no Oriente. Por isso, o Espiritismo tem como missão primordial ajudar na renovação moral da humanidade, revivendo o Evangelho à luz do Consolador Prometido. Desvincular o Espiritismo do Evangelho é condená-lo a se tornar apenas mais uma cultura.

P: - Segundo Emmanuel a maior caridade que podemos fazer para a Doutrina Espírita é a sua divulgação. O que podemos fazer para contribuir neste sentido? (Personalidades no meio espírita e pessoas comuns)
Nelson Moraes: - Tudo o que estiver ao nosso alcance! Desde que atenda ao bom senso.

P: - Em sua opinião, o fato de Jesus ter usado parábolas para ministrar seus ensinamentos e não ter escrito nada, ajudou ou prejudicou o entendimento do Cristianismo? Se tivesse escrito, conforme fez Kardec com a codificação Espírita, reduziria as multidivisões futuras e melhoraria o entendimento?
Nelson Moraes: - Os sábios falam pouco e escrevem menos, pois o que ensinam emana dos seus gestos e das suas atitudes, Sócrates ensinou sem escrever. Jesus com suas poucas palavras gravou no consciente coletivo as bases para a felicidade humana, porém, deixou para os homens o trabalho da edificação. Dotado de todas as ciências, deu ao mundo a dose certa do composto homeopático para a cura de todos os males, cada qual toma a sua porção de acordo com as suas enfermidades.

P: - Que obras considera obrigatórias na biblioteca espírita?
Nelson Morais: - Além das obras básicas, recomendo as seguintes obras: A Religião dos Espíritos / Paulo e Estevão os dois de Emmanuel/ Boa Nova do Irmão X e As Obras de André Luiz psicografadas por Chico Xavier e Recordações da Mediunidade/ Ressurreição e Vida/ Dramas da Obsessão todos de Ivone A. Pereira.

P: - Na sua opinião, qual a maior herança que podemos deixar a nossos filhos?
Nelson Moraes: - Além do carinho e do amor, os exemplos dignificantes.

P: - Considerações finais.
Nelson Moraes: - Espero que os dirigentes espíritas, neste século, se conscientizem de que não devemos estar preparando as pessoas para viverem no Centro Espírita, mas sim para a sua vivência no mundo, onde será o palco das suas grandes conquistas espirituais.