O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 
Título :
Entrevista com  Luiz Sérgio Gomes

Entrevistado:
Luiz Sérgio Gomes

Fonte:
Livro: Petit Editora

ENTREVISTAS

       

Luiz Sérgio Gomes tem 42 anos, nasceu no Rio de Janeiro, filho de pais espíritas. É formado em medicina e tem vários livros psicografados editados pela Editora Petit.

 

P: - Vem de berço espírita?
R: - Sim, meus pais eram espíritas.

P: - Tem filhos? São todos espíritas?
R: - Tenho sete filhos e todos aceitam com naturalidade a Doutrina Espírita.

P: - Qual a sua formação acadêmica?
R: - Sou médico formado no Rio de Janeiro há 25 anos. Iniciei minha carreira utilizando os recursos da psiquiatria acadêmica convencional, trabalhando com alopatia. Mais tarde, em 1982, especializei-me em homeopatia de base unicista e atualmente estou desenvolvendo a TPI — Terapia Pluridimensional Integrativa — isto é, uma metodologia de trabalho que visualiza o ser humano nos planos físico, emocional, energético e espiritual.

P: - De que forma o Espiritismo influenciou ou influencia sua vida profissional?
R: - Ao noticiar-me a realidade espiritual, naturalmente a Doutrina dos Espíritos exerceu grande influência na visão e na prática do meu trabalho. Ajudou-me a compreender a dinâmica do espírito encarnado, suas conexões cármicas e seus relacionamentos num continuum cósmico que se constitui em sua real estrada evolutiva. Utilizo os recursos da Doutrina nos trabalhos psicoterápicos, procurando despertar no paciente a vontade de caminhar ao encontro de si mesmo. Para tal, utilizo sessões individuais e cursos de autoconhecimento, nos quais, em grupo, diversas pessoas podem crescer e se atualizar. Também os conceitos de obsessão, mediunidade desequilibrada, miasmas cármicos e outros tantos são utilizados em minha prática terapêutica.

P: - Você participou da Mocidade Espírita. Daquela época aos dias atuais, o que você acha que se modificou no movimento espírita de uma forma geral?
R: - Realmente participei ativamente do movimento espírita juvenil no Rio de Janeiro, do qual trago agradáveis lembranças. Acredito que o movimento tenha se adequado às necessidades atuais da vida moderna e ao jeito dos nossos jovens de hoje. Daquela época para cá muita coisa mudou, principalmente a velocidade com que tudo acontece e os meios de comunicação.

P: - E o seu mentor, Hermínio Miranda, de que forma ele influenciou sua vida e visão espírita? Como era ser discípulo dele?
R: - O velho e respeitável amigo Hermínio Miranda é uma daquelas pessoas fecundas que nos marcam profundamente e com a qual tive o privilégio de conviver e aprender muito. Uma das coisas que admiro em sua maneira de ser é o que chamo de "simplicidade dos sábios", ou seja, qualquer assunto, por mais complexo que possa parecer, transforma-se alquimicamente em suas mãos em algo fácil de ser apreendido e assimilado. Outro ensinamento que a convivência com Hermínio me trouxe foi a persistência e tenacidade em atingir os objetivos propostos. Agradeço a Deus a oportunidade de ter compartilhado com esse admirável companheiro momentos inesquecíveis de aprendizado e crescimento.

P: - Em sua vida profissional é necessário estar sempre estudando, pesquisando. Além dos livros de sua área de atuação, os livros espíritas também lhe são fonte de pesquisa e estudos?
R: - Evidentemente, na medida em que meu trabalho está estruturado na visão holística do ser, os livros espíritas constituem-se fonte importante de freqüentes consultas e pesquisas. Dentro do trabalho médico assinalo, entre tantas, as obras de André Luiz e Manoel Philomeno de Miranda.

P: - O que você acha da literatura espírita?
R: - Penso que a literatura espírita vem exercer papel de extrema importância na difusão dos princípios kardecistas. As obras psicografadas geralmente são bem aceitas no meio espírita. Acho que a produção literária de autores encarnados, entretanto, ainda deixa a desejar, havendo carência de obras de maior profundidade e real valor literário.

P: - Você acompanha a imprensa espírita?
R: - Na medida do possível.

P: - Tem alguma opinião formada sobre ela?
R: - Essa questão é muito difícil de ser respondida, pois minha formação é médica e não jornalística. Entretanto, como leigo, arrisco-me a afirmar que gostaria de ver a imprensa espírita com um pouco mais de criatividade e ousadia (mais e melhores periódicos, recursos gráficos mais atualizados, maior interação com o público etc).

P: - Qual a sua opinião quanto aos livros editados pela Petit Editora?
R: - Acho-os de excelente qualidade. Vejo a Petit como exemplo salutar dentro do mercado editorial espírita, na medida em que não mede esforços para divulgar novos autores com um alto nível de profissionalismo.

P: - Na sua opinião, porque o livro
Violetas na janela faz tanto sucesso?
R: - Em primeiro lugar, porque é um livro, simples que fala com pureza ao coração das pessoas. O espírito Patrícia, por meio da psicografia de nossa querida amiga Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho, vem brindar-nos com notícias reconfortantes do mundo espiritual, fortalecendo definitivamente a certeza de que nunca estaremos sós, mesmo após deixarmos a dimensão material.  

P: - Por que você escolheu a Petit para editar o seu livro?
R: - Pelos motivos já expostos: profissionalismo, seriedade e compromisso com o leitor.

P: - O que você acha de
O Evangelho Segundo o Espiritismo, tradução da Petit, estar na lista dos mais vendidos nos grandes veículos de comunicação?
R: - Acredito que O Evangelho Segundo o Espiritismo traz a mensagem de conforto e esclarecimento da qual a humanidade nos dias atuais está extremamente necessitada. A edição da Petit é atual e gostosa de ler. Daí, creio eu, vem o seu sucesso de vendas.  

P: - Na sua opinião, por que razão o Espiritismo cresceu tanto nos últimos tempos?
R: - O Espiritismo vem trazer uma mensagem de ajuda e consolação aos seres humanos, que hoje sofrem e se angustiam diante da falta de um referencial que lhes propicie um mínimo de esperança. Exauridos pela sociedade de consumo que exaltou os bens materiais como o "deus" de nossa época, o homem deixou que seu coração se transformasse em deserto ressequido onde apenas a ilusão teima em fazer morada. Aflito, qual náufrago em tormentosa noite, encontra na Doutrina dos Espíritos um canal eficiente para promover sua autotransformação, única medida possível de reverter o caos em que nos achamos temporariamente mergulhados.

P: - Como e quando você percebeu que poderia escrever livros? Como surgiu a idéia?
R: - A tarefa literária chegou devagarinho, sem fazer alarde. Desde jovem costumava fazer palestras e seminários. Já na idade madura, um dia sentei-me e comecei a escrever. Atualmente, estimulado pelos amigos encarnados e desencarnados, atrevo-me a aventurar-me  pelo país das letras, ensaiando os primeiros passos na profissão de contador de histórias.

P: - Você tem algum horário e dia específicos para isso?
R: - A disciplina é fundamental, principalmente nas tarefas doutrinárias. Pelo menos em três dias, as manhãs são dedicadas ao trabalho literário.

P: - Você percebe algum tipo de interferência em suas idéias quando está escrevendo algum livro?
R: - Meus livros não são psicografados; são pensados, planejados e construídos com a evidente e indispensável assessoria de companheiros espirituais que pacientemente inspiram-me idéias, as quais passo a desenvolver. É um verdadeiro trabalho de equipe com companheiros do plano espiritual e colaboradores inestimáveis deste lado de cá, como meus filhos Luiz Henrique e Claudia Maria, que me assessoram no trabalho de pesquisa e digitação.

P: - Você costuma fazer palestras?
R: - Como informei no início, desde a época da Mocidade Espírita, lá no Rio de Janeiro, venho realizando palestras e estudos. Atualmente, residindo com a família na cidade de Campinas, continuo com a tarefa da palavra, agora associada ao trabalho literário. Acho muito interessante que todos nós, espíritas, possamos agir no caminho do autoconhecimento, despertando dessa forma a luz existente em nós desde o princípio dos tempos.

P: - O senhor está lançando um livro sobre os índios americanos intitulado
R: - A lenda de Pequena Flor. Poderia falar um pouco sobre o assunto?
A lenda de Pequena Flor
é um romance sobre os índios sioux. Resolvi escrever um livro que falasse sobre a pretensa superioridade do homem branco sobre as outras raças. Além do mais, os índios têm uma conexão muito natural com a natureza e um sentimento nato de religiosidade que podem nos servir de exemplo e aprendizado. Acredito também na originalidade do tema dentro da literatura espírita. Foi um livro muito gostoso de escrever, no qual pude me envolver com a energia desses companheiros de evolução que é, ao mesmo tempo, forte e terna. Valeu a pena!

P: - Quando abordou seu trabalho médico, o senhor fez uma breve citação sobre Terapia Pluridimensional Integrativa. Poderia esclarecer-nos um pouco mais sobre o tema?
R: - Como disse no início, a TPI - Terapia Pluridimensional Integrativa — procura visualizar o homem em seus múltiplos aspectos, quais sejam, o físico, o energético, o emocional e o espiritual. Tal visão em si mesma não é nova, mas a novidade é a busca da integração dos procedimentos terapêuticos e o esclarecimento do indivíduo. Procuramos, primeiramente, fornecer informações aos clientes sobre a sua realidade existencial por meio de cursos, palestras e seminários. Ele passa a entender que a cura não é apenas a extinção dos sintomas, mas um processo muito mais abrangente que inclui mudanças estruturais profundas em sua maneira de viver e se relacionar. Todos os nossos pacientes passam por um ciclo de palestras que denominamos Os Caminhos do Ser, no qual lhes são apresentados todos os temas em questão.

P: - Como é abordada a questão espiritual para seus clientes?
R: - Evidentemente devemos respeitar os princípios religiosos de cada um. O que procuramos fazer é estimular a religiosidade na pessoa, ou seja, a necessidade de se reconectar com algo maior dentro de si própria. Os caminhos de busca do Deus interno podem variar ao infinito. Independentemente da conotação religiosa, a realidade do espírito é insofismável e procuramos trabalhar dentro dessa premissa sem ferir as convicções de quem quer que seja.