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Dr.
Bezerra de Menezes dispensa apresentações. Em todas as
instituições espíritas do Mundo, ele é venerado, por seu
apostolado na difusão dos princípios da nossa Doutrina
Libertadora, principalmente, pelo exemplo de sua vida; e por
estar sempre presente nos momentos de dúvida e de dor, pronto
para confortar e esclarecer.
P: - Dr.
Bezerra, como devemos proceder na divulgação da nossa Doutrina
Espírita e nas atividades espíritas?
R:
-
É
indispensável manter o Espiritismo qual foi entregue pelos
mensageiros divinos a Allan Kardec, sem compromissos políticos,
sem profissionalismo religioso, sem personalismos deprimentes,
sem pruridos de conquista a poderes terrestres transitórios.
Respeito a todas as criaturas, apreço a todas as autoridades,
devotamento ao bem comum e instrução ao povo, em todas as
direções, sobre as verdades do espírito, imutáveis, eternas.
Nada que lembre castas, discriminações, evidências individuais
injustificáveis, privilégios, imunidades, prioridades. Amor de
Jesus sobre todos, verdade de Kardec para todos.
P: -
Há uma certa altercação entre
os espíritas que se consagram aos aspectos científico e
filosófico do Espiritismo e aqueles que se dedicam à parte
religiosa da doutrina. Qual o seu conselho, para esses
confrades?
R:
– Mantenhamos
o propósito de irmanar, aproximar, confraternizar, compreender.
A Doutrina Espírita possui os seus aspectos essenciais em
configuração tríplice.
Que ninguém seja cerceado em
seus anseios de construção e produção. Quem se afeiçoe à ciência
que a cultive em sua dignidade, quem se devote à filosofia que
lhe engrandeça os postulados e quem se consagre à religião que
lhe divinize as aspirações, mas que a base kardeciana permaneça
em tudo e todos, para que não venhamos a perder o equilíbrio
sobre os alicerces em que se nos levanta a organização. Nenhuma
hostilidade recíproca, nenhum desapreço a quem quer que seja.
P: -
Algumas denominações
religiosas pregam a salvação pela fé somente. O Espiritismo
defende a libertação pelo esclarecimento. Qual a melhor escolha:
crer somente ou esclarecer-se?
R:
-
Libertação da
palavra divina é desentranhar o ensinamento do Cristo de todos
os cárceres a que foi algemado e, na atualidade, sem querer
qualquer privilégio para nós, apenas o Espiritismo retém
bastante força moral para não se prender a interesses
subalternos e efetuar a recuperação da luz que se derrama do
verbo cristalino do Mestre, dessedentando e orientando as almas.
P:
- A missão dos espíritas,
então, é crer mas ensinar?
R:
-
Ensinar mas
fazer, crer mas estudar, aconselhar mas exemplificar, reunir mas
alimentar. Em cada templo, o mais forte deve ser escudo para o
mais fraco, o mais esclarecido a luz para o menos esclarecido e
sempre e sempre seja o sofredor o mais protegido e o mais
auxiliado, como entre os que menos sofram seja o maior aquele
que se fizer o servidor de todos, conforme a observação do
Mentor Divino.
P: -
Como devemos agir na atividade
da Casa Espírita?
R:
-
Cada um de nós
é convidado a uma cota que não pode ser menosprezada, ao
testemunho silencioso aureolado de alegria, porque o reino não é
daqui, não obstante aqui comece. Tenhamos cuidado, meus filhos,
para que as nossas Casas não sejam invadidas por torvelhinhos
que lhes descaracterizem a pureza da vivência evangélica ali
instalada. Mantenhamo-nos unidos, sem que os miasmas da
perturbação intoxiquem e as imposições do desequilíbrio
predominem. O Cristão sem sacrifício está sem Cristo. Discípulo
sem disciplina encontra-se sem mestre. Aprendiz sem dever está à
própria sorte. Jesus nunca nos desampara, mas é provável que o
preteiramos para ir, por preferência, à busca de outros
condutores mais consentâneos com as nossas aflições desmedidas e
necessidades falsas, acalentadas no desperdício. Uma equipe de
trabalhadores que compreende o significado da fé, vivendo pela
fé, para a fé, é que o Senhor de todos nós espera, neste
momento.
P: -
Qual a missão do Brasil,
Pátria do Evangelho?
R:
-
Jesus, meus
filhos, confia em nós e espera que cumpramos com o nosso dever
de divulgá-lO, custe-nos o contributo do sofrimento silencioso e
das noites indormidas em relação à dificuldade para preservar a
pureza dos nossos ideais, ante as licenças morais perturbadoras
que nos chegam, sutis e agressivas, conspirando contra nossos
propósitos superiores. O Brasil recebeu das Suas mãos, através
de Ismael, a missão de implantar no seu solo virgem de carmas
coletivos, com pequenas exceções, a cruz da libertação das
consciências de onde o amor alçará o vôo para abraçar as nações
cansadas de guerras, os povos trucidados pela violência
desencadeada contra os seus irmãos, os corações vencidos nas
pelejas e lutas da dominação argentaria, as mentes cansadas de
perquirir e de negar, apontando o rumo novo do amor para
restaurarem no coração a esperança e a coragem para a luta de
redenção. Levai esta bandeira luminosa: “Deus, Cristo e
Caridade” esculpida em vossos sentimentos e trabalhai pela Era
Melhor, que já se avizinha, divulgando o Espiritismo Libertador
onde quer que vos encontreis, sem o fanatismo dissolvente, mas,
sem a covardia conivente, que teme desvelar a verdade para não
ficar mal colocada no grupo social da ilusão. O Brasil
prossegue, meus filhos, com a sua missão histórica de “Coração
do Mundo e Pátria do Evangelho”, mesmo que a descrença habitual,
o cinismo rotulado de ironia, o sorriso em gargalhada estrídula
e zombeteira tentem diminuir, em nome de ideologias
materialistas travestidas de espiritualismo e destrutivas em
nome da solidariedade.
P: -
Segundo a mídia, o Brasil está
se tornando um país de idosos, certamente, há um exagero. Como a
espiritualidade vê essa situação?
R:
-
Antigamente, em
época não muito remota, o ser humano vivia relativamente pouco.
Não havia a bênção do antibiótico, tínhamos que tratar com
parcos recursos as enfermidades. Era, às vezes, o quinino o que
mais nós usávamos, e trazia tantas descobertas que para nós eram
tão atuais: o carro, o telefone, o telégrafo, tanta coisa
importante. E, no entanto, pensávamos na Medicina, tão pouco
adiantada. Hoje, a medicina aí está, avançando a largos passos.
Cada dia, uma descoberta nova e, no entanto a idade média de
grande número das pessoas que partem está na faixa de trinta
anos. Por que? Acidentes e acidentes, partidas violentas em
“overdose”. O número daqueles que chegam à idade avançada, para
nós do plano espiritual, que observamos o mundo de cima, é muito
menor do que aqueles que aportam muito antes, por antecipação,
por não cumprimento do traçado cármico de suas vidas.
P: -
E por quê esse regresso
prematuro de tantos jovens?
R:
-
Lamentavelmente, os jovens estão partindo em larga escala para o
plano espiritual. Não chegam a atingir a idade madura, pela
insensatez, pelos princípios tão inferiores dolorosamente
abraçados, pela falta de objetivos cristãos, pela imaturidade,
pela viciação. E nós perguntamos: “Quando será que aprenderão a
servir a si mesmos servindo ao próximo? Quando aprenderão a
valorizar a saúde, a bênção da vida, a bênção de ter um corpo
perfeito? Por que tantos têm que ser aprisionados em leitos de
deformações físicas pelos acidentes cada vez mais constantes?
Por que essa velocidade na estrada? Por que essa velocidade
imensa, buscando a morte”? Fala-se à juventude, mostram-se
espetáculos dantescos, diante dos olhos dos jovens desfilam
cenas e cenas dolorosas, mas nem assim eles se previnem... E
colônias e colônias são abertas para colher esses farrapos
espirituais que, na verdade, foram rapazes e moças belos, cheios
de juventude, de inteligência.
P: -
Qual o conselho que o Senhor
daria ao jovem?
R:
-
Aquele que é
cristão, o quanto puder divulgue a página esclarecedora,
divulgue o livro que é um alimento completo, um banquete de luz,
divulgue as palavras sensatas, os exemplos dignificantes,
pratique a caridade. Não se deixe cansar pela ociosidade dos
outros, porque aquele que está trabalhando encontrará sempre
alguém para pedir: “Dê-me a sua enxada. Deixe eu encostá-la ali
para você descansar.” Esses são os que mais devem e são os que
menos fazem. Meus filhos, privilegiados vocês são e serão
sempre, quando escolherem a melhor parte, que é a parte do bem,
a parte da luz, a parte da renúncia e do amor. Porque o que mais
ouvimos é gritarem pelos quatro rincões da Terra: “Senhor,
Senhor!” Tantas seitas, tantas religiões de corações vazios e
mãos vazias.. Vocês preencham o coração e transbordem as mãos no
trabalho caritativo, porque Deus é por todos vocês!
P: -
Como devemos proceder para
cuidar bem da criança?
R:
-
A infância é o
sorriso da existência no horizonte da vida. Representa esperança
que o pessimismo não pode modificar. É mensagem de amor para o
cansaço no refúgio do desencantamento, a fulgir no sacrário da
oportunidade nova. É experiência em começo que nos compete
orientar e conduzir. É luz a agigantar-se aguardando o azeite do
nosso desvelo. É sinfonia em preparação... nota solitária que o
Músico Divino utilizará na sucessão dos dias para a grande
mensagem ao mundo conturbado. Atendamos o infante oferecendo, à
manhã da vida, a promessa de um futuro seguro. Nem a energia
improdutiva; nem o caminho pernicioso; nem a assistência
socorrista prejudicial às fontes do valor pessoal; nem a
negligência em nome da confiança no Pai de todos; nem a
vigilância que deprime; nem o arsenal de descuidos em respeito
falso ao futuro homem ... Mas, acima de tudo, comedimento de
atitudes com manancial farto de recursos pessoais e exemplos
fecundos, porquanto as bases do futuro encontram-se na criança
de hoje, tanto quanto o fruto do porvir dormita na flor
perfumada de agora. Cuidemos do infante, oferecendo o carinho
fraterno dos nossos recursos, confiados de que, um dia seremos
convidados a oferecer ao Pai Misericordioso o resultado da nossa
atuação junto àquele cuja guarda esteve aos cuidados do nosso
coração.
P: -
Qual o valor da verdadeira
amizade?
R:
-
Calcados
naquilo que nosso senhor Jesus Cristo falou a gente pergunte:
quem são os nossos amigos? É muito fácil vocês descobrirem quem
são os verdadeiros amigos. O verdadeiro amigo é aquele que é
capaz de compartilhar com você coisas grandes, a fé, a caridade,
a solidariedade. Amigo é aquele que, mesmo sabendo que você
errou, é capaz de silenciar o máximo que puder para você jamais
perder a auto estima. Amigo é aquele que, nos instantes de
alegria, é capaz de nos abraçar e sorrir unido a nós e levar a
notícia dessa alegria para que outros também se alegrem. O amigo
é capaz de estar presente no instante em que a gente chora e
sofre, mas é capaz também de respeitar a nossa ausência e nosso
silêncio, não impondo confissões nem, em momento algum, que
sejamos os portadores de privilégios que ele, na verdade, não
deseja conceder. Amigo não é exclusivista, nem egoísta, ele
compartilha. Porque amizade é um sentimento muito amplo e muito
belo, é um sentimento que se expande de coração para coração,
entrelaça as vidas e solidifica os elos de alma. Jesus foi um
grande amigo dos discípulos, é o grande amigo da humanidade. É o
grande amigo dos que sorriem e dos que choram. É o nosso grande
amigo em qualquer tempo, porque nos ensinou normas de vida que,
se nós obedecermos, seremos menos infelizes e mais ditosos.
P: -
Dinheiro traz a felicidade?
R:
-
O dinheiro não
é luz, mas sustenta a lâmpada. Não é a paz, no entanto, é um
companheiro para que se possa obtê-la. Não é calor, contudo,
adquire agasalho. Não é o poder da fé, mas alimenta a esperança.
Não é amor, entretanto, é capaz de erguer-se por valioso
ingrediente na proteção afetiva. Não é tijolo de construção,
todavia, assegura as atividades que garantem o progresso. Não é
cultura, mas apoia o livro. Não é visão, contudo, ampara o
encontro de instrumentos que ampliam a capacidade dos olhos. Nao
é base da cura, no entanto, favorece a aquisição do remédio. Em
suma, o dinheiro associado à consciência tranquila, é alavanca
do trabalho e fonte da beneficência, apoio da educação e
alicerce da alegria, é uma bênção do Céu que de modo imediato,
nem sempre faz felicidade mas sempre faz falta.
P: -
O “vigiai”, proclamado por
Jesus, tem maior significado para as atitudes ou para os
pensamentos?
R:
-
Quando vamos
iniciar uma viagem programamos mentalmente os nossos passos, o
nosso percurso. Quando vamos realizar alguma tarefa, primeiro
pensamos e depois fazemos todo o esquema para ser seguido.
Quando ansiamos adquirir mais conhecimentos de ordem material,
buscamos as diretrizes nos livros que nos ensinam. Quando
queremos consolo, buscamos no Evangelho as palavras que calam
fundo dentro de nossa alma. Mas, muitas vezes, meus filhos, não
dirigimos os nossos pensamentos; os nossos pensamentos do dia a
dia; esses pensamentos soltos sem objetivo que chegam no nosso
cérebro porque na verdade muitas vezes são insuflados por
entidades perturbadoras, procurando criar situações nas quais
vão nos enovelar, nos trazendo problemas seríssimos depois.
Então, devemos manter também para os nossos pensamentos no dia a
dia uma diretriz segura. Dirigir a nossa força mental para o
bem, rechaçar todo e qualquer pensamento que não seja
construtivo porque nós não podemos avaliar a extensão do que um
pensamento pode gerar.
P: - Então, muitas vezes, os
nossos pensamentos são dirigidos por Entidades perturbadoras?
R:
-
São muitas as
entidades que nos cercam e elas se aproveitam muitas vezes de um
pensamento para criar situações: situações conflitivas,
situações escandalosas, situações deprimentes, prejudiciais.
Devemos portanto, realmente, cuidarmos de dirigir os nossos
pensamentos sempre na senda construtiva do bem e evitar
realmente a maledicência mental, o desajuste mental, as
suposições, os julgamentos precipitados.
P: -
Por isso que, não raro,
julgamos erroneamente?
R:
-
Aquilo que nós
pensamos nem sempre corresponde a verdade dos fatos. E nós,
quantas e quantas vezes fechamos portas abençoadas de auxílio
espiritual porque estamos com as portas da alma escancaradas
para a sombra, permitindo que haja invasão em nossa mente de
tudo quanto polui, e macula, agride, fere não só a elevação de
nossas almas como a integridade psíquica e até física dos nossos
semelhantes. Se agimos com certo requinte de educação na Terra,
procuremos educar acima de tudo a nossa mente, porque aquele que
tem a mente realmente educada, a qualquer instante, em qualquer
momento, ele pode servir a Jesus, servindo ao seu semelhante.
Ele estará sempre disponível porque realmente cuida daquilo que
é fundamental para a vida: espírito através dos pensamentos.
P: -
Seria, então, o pensamento, o
meio mais fácil para a obsessão?
R:
-
Os meios que os
espíritos encontram para se comunicarem são os pensamentos.
Vejam vocês o problema da obsessão, da possessão... O espírito
não fala, no entanto localiza o seu perseguido. Ele localiza a
criatura que tem débito para com ele através da erraticidade e o
encontra. O encontra como? Pela força do pensamento. O
pensamento é a linguagem dos espíritos, é a linguagem da alma.
No momento em que estamos pensando, estamos gritando na
erraticidade, em formas que se delineiam diante da visão
daqueles que nos observam. Por isso, o ser encarnado é tão
vulnerável, porque ele tem uma vida exterior, às vezes,
incompatível com a sua vida interior. Fala uma coisa e faz
outra. Age de uma forma e, na verdade, é outra pessoa. E
instala, exatamente pelos pensamentos, a maior fonte de elevação
ou de degradação do ser humano. Podemos nos colocar em contato
com espíritos altamente superiores e deles receber orientação,
porque possuímos aquelas micro ondas em nossas almas, que
dispensam qualquer ligação, tal qual na Terra, também, se
dispensa a ligação elétrica, tal o potencial das micros ondas.
P: -
Mas, poderemos também
sintonizar com Espíritos benfazejos?
R:
-
Se estamos com
o pensamento superior, se estamos agindo de forma sublimada,
podemos atingir, com a força do pensamento, altíssimas esferas e
delas receber intuição, orientação e proteção. Mas também
podemos descer às enormidades das trevas e lá buscar aqueles
degenerados da alma, com quem ontem nos comprazíamos em manter
convívio e que, hoje, pela invigilância do pensamento, os
despertamos do passado para a convivência do presente. Por essa
razão, devemos educar nossa mente, devemos pensar com
responsabilidade, porque aquilo que pensamos é o que somos, não
aquilo que falamos, porque a astúcia também ensina a falar
certo. Existem espíritos altamente trevosos que manipulam até
mesmo o que há de mais puro e melhor nas criaturas, para
retê-las. Portanto, devemos saber como agimos, como pensamos e,
termos cuidado, muito cuidado, com a nossa mente.
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