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Eurípedes Kühl é natural de Igarapava, Estado de São Paulo.
Militar do Exército, hoje na Reserva, é médium psicógrafo e
autor de dezoito livros espíritas (quinze publicados e três no
prelo). Dos publicados, oito livros são de autores espirituais e
os outros sete, de autoria própria. Pela Petit tem editados
quatro livros:
Infidelidade e perdão,
do Espírito Josué;
Sempre há uma esperança,
do Espírito Roboels;
Animais, nossos irmãos
e
Fragmentos da história pela ótica espírita.
Médium dedicado aos trabalhos do Centro Espírita, Kühl é ainda
estudioso e pesquisador da Doutrina dos Espíritos, participando
do movimento espírita de sua região. Dedicando-se há anos a
desenvolver textos de estudo e romances espíritas — por conta
própria e em sintonia com as entidades que se comunicam por seu
intermédio — Kühl destaca-se pelo esforço em manter-se fiel aos
princípios doutrinários que abraçou e acredita indissociáveis do
seu trabalho literário. Nesta entrevista, entre outras
revelações, o autor fala sobre
Transplante de Amor
, escrito em sintonia com Roboels, novo lançamento da Petit
Editora.
P: - Como foi o seu encontro com a Doutrina Espírita?
R:
- Tive a felicidade, nesta existência, de ser "espírita de
berço", isto é, nasci e me criei em lar espírita. Meu nome é
singela homenagem de gratidão da minha mãe ao Espírito Eurípedes
Barsanulfo (1880-1918).
P: - Qual sua participação nos trabalhos do Centro
Espírita que freqüenta?
R:
- Além da psicografia semanal, sou responsável pelo Curso de
Médiuns e médium passista; realizo também várias palestras e
cursos espíritas em vários Centros Espíritas.
P: - A disciplina exigida em sua carreira profissional
influenciou seu trabalho no Espiritismo?
R:
- Desde criança sou preocupado com a disciplina, seja com os
deveres em casa seja na escola. Assim, também o nosso trabalho
no Espiritismo é realizado com dedicação, pontualidade e
assiduidade. Aliás, procuramos agir assim, desde sempre, em
tudo.
P: - O que o motivou a lançar seu primeiro livro
espírita?
R:
- Em 1989, depois de 15 anos de exercícios psicográficos (cerca
de 250 mensagens), um Espírito amigo informou-me, de modo quase
direto, que era chegada a hora de maiores empreitadas: um livro!
Quando ele ficou pronto, lançá-lo ao público teve a intenção de
ajudar algum eventual leitor por meio dos esclarecimentos
espirituais nele contidos.
P: - Seus livros evidenciam temas atuais, tratados com
base na ótica espírita. Em sua opinião, em que consiste a pureza
doutrinária nos dias de hoje?
R:
- Pureza doutrinária, que alguns estudiosos espíritas adjetivam
como sendo algo subjetivo, na minha opinião, não o é. Consiste
na simplicidade dos conceitos escritos, desde que
invariavelmente alicerçados em Kardec. Quando me refiro a
Kardec, estou tratando da Codificação do Espiritismo, cujas
obras básicas — será sempre bom relembrar — foram escoradas
pelos "Espíritos do Senhor, que são as virtudes dos Céus", no
dizer do Espírito de Verdade, na introdução de
O Evangelho Segundo o Espiritismo
. Em resumo, pureza doutrinária, para mim, é a expressão da
moral cristã, consubstanciada no Evangelho do Mestre Jesus.
Assim, a exposição espírita (escrita ou falada) terá tanta ou
maior pureza doutrinária quanto o conteúdo estiver baseado nos
ensinamentos de Jesus, sob qualquer tipo de continente
(palestras, livros, mensagens, crônicas, contos etc.). E Kardec,
inquestionavelmente, legou à humanidade a melhor de todas as
embalagens (pureza doutrinária) ao divino presente que é a
Doutrina dos Espíritos.
P:
- No seu entender, qual a função da imprensa espírita no
movimento doutrinário em nossos dias? Há alguma iniciativa que
gostaria de destacar?
R:
- Iniciou-se a civilização com o saudável hábito da comunicação,
utilizando a palavra, que é bênção divina. O maior salto de
qualidade do mundo, em termos de progresso, adveio da imprensa
(palavra escrita), cujo missionário portador foi Gutenberg,
impressor alemão, inventor da prensa rápida e eficiente,
utilizando tipos móveis de metal. Quatrocentos anos à frente,
Kardec advertia contra o proselitismo no Espiritismo, mas ele
próprio recomendava a divulgação dos princípios doutrinários.
Assim, a imprensa espírita atual merece o apoio e o incentivo de
todos os espíritas, o que infelizmente ainda não acontece. A
iniciativa que destaco é a oportuna utilização da Internet.
P: - Seu novo lançamento pela Petit Editora,
Transplante de Amor , em sintonia com o Espírito Roboels,
trata da questão da doação de órgãos, vivenciada pelos seus
personagens em lances dramáticos. Como foi iniciada essa obra?
R:
- O Espírito Roboels, médico-cirurgião em algumas existências
terrenas, teve infinita paciência em mostrar-me imagens mentais
daquilo que narrava e mostrava, corrigindo-me quando eu as
registrava de forma incompleta. Iniciei a psicografia em outubro
de 1998 e a concluí em setembro de 1999. Dos oito livros que
psicografei, este foi, seguramente, o que maior impacto me
causou, pois realmente o relato é dramático.
P: - O Espírito Roboels é o autor espiritual de
Transplante de Amor . Qual a origem desse nome tão singular?
R:
- Já procurei, em algumas enciclopédias, alguma pista que me
levasse à origem do nome Roboels. Nada encontrei, ainda. Certa
vez inquiri-o a respeito, porém o que consegui foi um conselho
para ler Kardec, em
O Livro dos Médiuns
. Lá encontrei, como recordação, no Capítulo XXIV, n°s 254 a
256, que os amigos espirituais pouca importância dão a nomes...
Roboels ressalvou que ele está longe de ser Espírito superior,
mas esforça-se em "dizer coisas boas". A seguir, não se negou a
relatar parte do seu passado: como encarnado, no século 16, foi
cirurgião no Egito e no século 19, reitor da Faculdade de
Medicina na Europa; no Plano Espiritual, foi diretor de um Posto
de Triagem sobre a cidade de Marselha/França e mais tarde passou
a dirigir a Colônia Espiritual "Seara dos Espíritos". Participa,
ainda, da equipe assistencial do Espírito do Dr. Bezerra de
Menezes, "o médico dos pobres".
P: - Como e onde desenvolve o seu trabalho de
psicografia? Qual é sua rotina?
R:
- Psicografo apenas no Centro Espírita, em reunião mediúnica
semanal, com dia e hora observados (duas horas, em média).
Quando psicografo as imagens mentais se processam com
velocidade, não se repetindo nem ficando paradas, por isso
preciso escrever muito depressa o que estou vendo. Não dá tempo
para preciosismos quaisquer de linguagem. Só ao final da obra é
que faço revisão, ao repassar o texto para o computador, sem
modificá-lo, mas corrigindo a grafia, acentuação e concordância
gramatical. Geralmente, nunca faço menos do que três revisões.
Já houve casos em que eu próprio não consegui entender o que
escrevi e a cena já não estava mais em minha memória. Então, o
jeito foi concentrar-me, num outro encontro com o autor, para
decifrar o que havia escrito, revendo aquela parte.
P: - Além da psicografia, quais são suas outras
faculdades mediúnicas?
R:
- Anterior à psicografia, estava com a vidência em pleno
desenvolvimento, em atividade e evoluindo... Ao cabo de 15 anos
de exercícios psicográficos, à medida que a psicografia evoluía
mais, a vidência do Plano Espiritual diminuía, permanecendo,
contudo, plena, mas específica, durante a passagem para o papel
do que me é mostrado pelo autor espiritual. Hoje, muito
raramente sou surpreendido por visões do Plano Espiritual,
alheias à psicografia.
P: - A sintonia com o Espírito Roboels, durante os
trabalhos de Transplante de Amor , permitiu ao médium
manter diálogo com a entidade sobre outros temas ou mesmo
receber esclarecimentos paralelos sobre a obra?
R:
- Além do tema tratado e registrado, nenhuma outra informação
foi passada.
P: - Nesse relacionamento com Roboels foi possível
visualizar sua imagem espiritual? Em caso afirmativo, poderia
descrevê-la para os seus leitores?
R:
- Roboels surgiu-nos à frente, de repente, há 11 anos. Sua
figura, apesar de imponente e enérgica, inspira imediata
confiança: homem dos seus 50 anos, altura de mais ou menos 1m95,
pele morena, barba e cabelos negros. Estava agasalhado com um
longo capote, cachecol e gorro, calçado tipo coturno, simulando
habitar região de baixíssimas temperaturas. Esse fato coincidiu
com o início da psicografia de livros. Algumas vezes, mesmo não
estando psicografando, isto é, fora do Centro Espírita, sinto
Roboels perto de mim.
P: - Em Sempre há uma esperança , também do autor
espiritual Roboels, um dos seus grandes sucessos publicado pela
Petit, o leitor é levado a conhecer melhor o desenvolvimento e a
ação de moléstias como a Aids e o seu aspecto espiritual. Qual
foi o impacto que essa realidade dramática causou ao médium
Eurípedes?
R:
- O drama ali descrito levou-me às lágrimas, não poucas vezes.
De maneira efetiva, minha impressão é que o roteiro é real, e os
personagens não são fictícios, estando alguns deles ainda
encarnados. Isso é impressionante!
P: - No seu entender, como o médium deve se preparar para
servir de instrumento fiel aos espíritos, especificamente no
caso da psicografia literária?
R:
- Seguindo Kardec, quando recomenda aos médiuns ações
permanentes, tais como esforçar-se em abolir más tendências... e
ser desprendido; sempre e sempre, estudo doutrinário e prática
da caridade; dedicação e pontualidade, com assiduidade; oração e
vigilância, com humildade; ter amor naquilo que está
psicografando... e para doar.
P:
- Fale sobre as causas do animismo e sobre sua interferência
nos trabalhos de psicografia. Como o distinguir do fenômeno
mediúnico? Como o evitar, na sua opinião?
R:
- Ainda (e sempre, aliás) com Kardec, em
O Livro dos Médiuns
, Capítulo XVII, n° 214, o ensinamento sobre o animismo é claro:
o médium, analisando a origem da idéia, que não vindo dele nem
estando em seu pensamento, tem prova evidente do intercâmbio
espiritual. Já no Capítulo XIX, vemos Kardec lecionando mais
sobre o animismo: nos n°s 3, 7 e 10 disserta sobre a parcela de
animismo embutida no que diz ou escreve o médium, evidenciando
que em todas as manifestações mediúnicas o concurso do médium,
sobre ser necessário, se evidencia. Particularmente na
psicografia, o que escreve é o que mais se assemelha à idéia do
Espírito comunicante.
P: - Sua condição no Exército exigia o exercício do
pára-quedismo. Qual é a sensação que sentia ao se lançar em vôo
livre, lá das alturas, contando apenas com o bom funcionamento
do equipamento para aparar sua queda?
R:
- Voar é com os pássaros... Volitar, com os bons Espíritos.
Saltar de um avião em pleno ar, seria misturar as duas coisas.
Fez-me sentir a mais forte sensação de liberdade de toda a vida:
o silêncio absoluto das alturas e a visão do chão, lá embaixo,
distante... distante... mas se aproximando. Isso, nos saltos
diurnos. Já nos noturnos... há todo um deslumbramento, pois os
saltos (táticos, militares) foram realizados em noite sem lua,
propositadamente. Aí, não se sabe quando o chão "vai chegar".
Ainda nos saltos diurnos, com fortes chuvas, o avião desloca-se
em meio às nuvens em precipitação, não deixando os
pára-quedistas sentirem ou calcularem a que altura estão; aí,
quando o pára-quedas se abre, transformando-se num enorme
guarda-chuva, a sensação de estar em meio à chuva, sem pés no
chão e sem se molhar, é incrível, fantástica, mas sobretudo
sublime!
P: - Explique sua experiência em participar de uma obra
psicografada — ou seja, transmitida pelos Espíritos — e escrever
um livro com base em suas próprias pesquisas e planejamento.
R:
- Psicografar é tarefa gratificante, pois além de um fraternal
envolvimento com o autor espiritual, os personagens (no caso dos
romances) criam vida própria, tornam-se meus companheiros,
convivem comigo durante o tempo de psicografia (no Centro
Espírita e, às vezes, até mesmo em momentos do nosso dia-a-dia).
Ao término da obra, há como que uma despedida, um adeus. Antes
que a saudade deles se instale, outros personagens — nova obra
literária — vão se aproximando e tomando lugar em minha mente e
meu coração, em maravilhosa simbiose quase inimaginável para
aqueles que não a vivenciaram. Quanto a produzir textos, no meu
caso, com toda a certeza tenho sido muito ajudado — via
inspiração —, pois sinto a aproximação de Espíritos técnicos no
assunto que enfoco. E aí, toda vez que me deparo com alguma
dificuldade, a solução vem-me às mãos de forma impressionante,
com abundantes fontes de pesquisa.
P: - No seu entender, qual a importância do romance na
propagação da Doutrina Espírita?
R:
- Faço minhas as palavras da inesquecível Yvonne do Amaral
Pereira, em
Devassando o invisível
, Capítulo VI, "Romances mediúnicos", página 130: "(...) o móvel
dos romances espíritas é a propaganda da Doutrina por meio suave
e convidativo, tributando os Instrutores Espirituais grande
apreço a essas obras, por julgá-las imensamente úteis em virtude
dos exemplos vivos oferecidos aos leitores.
P: - A Petit está editando as obras básicas e os
clássicos do Espiritismo em novas traduções, além do moderno
tratamento editorial e gráfico dado a elas. Alguns consideram
essa iniciativa ousada demais, outros a recebem com elogios.
Qual sua opinião sobre essa questão?
R:
- Divulgar o Espiritismo é dever que a gratidão impõe àquele que
o conhece. Novas publicações das chamadas Obras Básicas e das
obras clássicas só podem ser louváveis.
P: - Para que os leitores possam conhecê-lo melhor,
mencione os seus favoritos. Um livro, uma composição musical, um
filme, uma peça de teatro.
R:
- Um livro:
Sexo e destino,
do Espírito André Luiz; uma composição musical:
Polonaise n° 3,
em Lá Maior, Opus 40, n° 1 (a militar), de Chopin; um filme:
Humoresque
(cujo título em português é
Acordes do coração);
uma peça teatral:
O céu pode esperar
, com Paulo Autran.
P: - Para finalizar, quais são os planos do escritor
Eurípedes Kühl para o futuro?
R:
- Continuar a ser instrumento do Plano Espiritual, sendo o
portador de esclarecimentos que auxiliem àqueles necessitados da
ajuda que o Espiritismo, indiscutivelmente, pode dar. Para
tanto, pedimos a Deus que tenhamos, permanentemente, a suprema
bênção do trabalho do qual resulte benefício a alguém.
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