O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 
Título :
Entrevista com Nelson Oliveira e Souza

Entrevistado:
Nelson Oliveira e Souza

Fonte:
O Mensageiro

ENTREVISTAS

 

O nosso entrevistado deste mês é o confrade Nelson Oliveira e Souza, Presidente do Centro Espírita Terezinha de Jesus, instituição fundada em 19 de maio de 1929. O Centro tem sua sede própria no bairro de Ramos, Rio de Janeiro, à Rua Nossa Senhora das Graças No :364.

Editor: Prezado Irmão, fale-nos sobre a sua iniciação na Doutrina Espírita.
R: Agradeço à minha querida mãezinha, Eugênia de Oliveira e Souza, desencarnada em 27 de setembro de 1995, com a idade de 85 anos, a oportunidade de entrar em contato com a maravilhosa Doutrina Espírita, codificada pelo Mestre Allan Kardec.  Em 1943 era eu um garoto de 10 anos, quando minha mãe, jovem de 33 anos, começou a apresentar sintomas evidentes da sua mediunidade: gozava de boa saúde, mas com freqüência, repentinamente, ficava doente, gemendo de dores na cama, impossibilitada de executar os seus afazeres domésticos.  Procurava os médicos, mas nenhuma doença material era diagnosticada.  Tratava-se de Espíritos sofredores que a envolviam com o intuito, naturalmente, de serem ajudados através da mediunidade.  Foi quando ela conheceu a Casa de Terezinha de Jesus, onde iria trabalhar como médium, por mais de 50 anos.

Eu e minha irmã Nilza, que na época tinha 13 anos, vínhamos ao Centro, para fazer companhia à nossa mãe.  Tivemos a satisfação de conhecer o Sr. Sebastião Borges de Araújo, um dos fundadores e idealizador da Instituição, e que trabalhava também na FEB – Federação Espírita Brasileira, na Avenida Passos 30 – RJ, como médium receitista homeopata.

Atentamente ouvia as explanações doutrinárias das reuniões e como o Espiritismo é Ciência e Filosofia com conseqüências religiosas, e sempre fui fascinado pela Ciência e pela Filosofia, comecei a me interessar pela Doutrina Espírita, passando a estudar as obras básicas de Allan Kardec e, posteriormente, outras de caráter complementar.  Aos 18 anos passei também a freqüentar por vários anos a Sociedade de Medicina e Espiritismo do Rio de Janeiro, estabelecendo contato com vários médicos e cientistas espíritas da época.

 

Editor: Como encara o Espiritismo a chegada do terceiro milênio?  As catástrofes anunciadas têm algo de verdadeiro?
R: A passagem dos anos, dos séculos e dos milênios é uma simples convenção dos homens para a contagem do tempo.  O término do ano de 1999 e o começo do ano 2000, na realidade nada têm de especial.  As catástrofes sempre ocorreram e ainda continuarão a ocorrer, como uma necessidade para a evolução do próprio Mundo Terra, porque tudo tem que evoluir na criação divina.  Até as estrelas nascem, evoluem e um dia morrem, isto é, sofrem contínuas transformações.  Já houve época em que a Terra era um mundo muito primitivo, com muito mais catástrofes do que agora, em que o vulcanismo e os terremotos, por exemplo, eram muito mais intensos e abundantes, provocando, no entanto, menos vítimas porque a Terra era menos habitada.

No passado, alguns continentes ou parte deles, submergiram nos oceanos, como conseqüência da movimentação de camadas interiores da Terra; em contrapartida, extensas regiões oceânicas se elevaram dando origem ao aparecimento de novas porções de terra.  Muitas pessoas sucumbiram nestes cataclismos, porque precisavam passar por tal experiência.  Fenômenos semelhantes ainda poderão ocorrer na Terra, alterando a geografia  da superfície terrena.

O exame geológico do solo e sub-solo brasileiros atesta a existência desses fenômenos em épocas remotas.  A cidade de Poços de Caldas, em Minas Gerais, por exemplo, está assente sobre camadas de solo que se depositaram na maior cratera vulcânica do Planeta, cuja “caldeira”, antes da sua extinção, tinha cerca de trinta quilômetros de diâmetro; vastas regiões da Amazônia apresentam a mais ou menos mil metros de profundidade, camadas de vinte a trinta metros de espessura de cloreto de sódio( sal de cozinha ), e cloreto de potássio( fertilizante ), com a presença de fósseis marinhos ( peixe ), comprovando que ali já existiu um extenso oceano que, por algum motivo, secou, sedimentando as camadas salinas, que posteriormente foram soterradas por outras camadas de solo.

Independentemente das modificações físicas do nosso Planeta, que ocorrem por grandes cataclismos, sabemos que outras transformações estão em curso no campo espiritual, pois a Terra já está vivendo, de algum tempo para cá e ainda continuará a viver, provavelmente nos próximos séculos, os ajustes necessários para deixar de ser um mundo de provas e expiações, para ser um mundo de regeneração.  Neste sentido, a chegada do ano 2000 poderá ser simplesmente escolhida como um marco convencional e simbólico, para registrar tais transformações espirituais, embora o seu início seja anterior e se operem através de várias gerações, quase imperceptivelmente. É uma Nova Era que tem que chegar e já vem chegando, com a separação gradativa do joio e do trigo.

Cada morada da Casa do Pai apresenta uma faixa espiritual vibratória permissível, acolhendo, isto é, imantando os Espíritos que se identificam dentro de tal faixa vibratória de progresso moral.  Quando dizemos que a Terra está a passar da categoria de mundo de provas e expiações para mundo de regeneração, é aquela sua faixa espiritual vibratória permissível que está a se movimentar para frente na escala da evolução. Esta movimentação não é instantânea, mas pelo contrário, vai se operando gradualmente através do tempo, de tal forma que os Espíritos que vão ficando aquém do limite inferior da faixa vibratória permissível, têm que ser retirados para outros mundos, evidentemente, piores do que a Terra.  Os Espíritos que na Terra progridem muito, científica e moralmente, ultrapassando o limite superior da faixa espiritual vibratória, já podem ser conduzidos para outras moradas mais evoluídas.

Editor: O nosso mundo está realmente mais violento, como muitos apregoam?
R: É difícil responder afirmativa ou negativamente, porque faltam-nos parâmetros absolutos para as referências.

Infelizmente a violência sempre existiu na Terra.  Alguns livros do Velho Testamento relatam muitos atos de violência, guerras, subjugação de povos, assassinatos, escravidão, trabalhos forçados, etc.  Até mesmo no Novo Testamento encontramos a violência como , por exemplo, a matança de todos os meninos de dois anos para baixo, na cidade de Belém e suas circunvizinhanças, ordenada pelo rei da Judéia, Herodes, porque temia perder o trono para Jesus, que acabara de nascer(Milhares de meninos foram sacrificados ).  A própria prisão e crucificação de Jesus foram atos de extrema violência. 

Se consultarmos os livros de História Geral, vamos nos deparar com muita violência: guerras, torturas, escravidão, subjugação e extermínio de povos, inclusive o extermínio de tribos indígenas das Américas.  É preciso notar que muita violência praticada no passado, não foi registrada, por deficiência dos meios de comunicação da época.  As notícias caminhavam lentamente, muitas vezes de boca em boca, alcançando as pessoas num pequeno raio de ação, pois não existiam jornais, revistas, rádios e televisões.  Donde podemos concluir que a violência do passado que conhecemos é apenas parte da realidade.

Hoje, graças ao grande desenvolvimento científico e tecnológico do Século XX ( Satélites artificiais, rádio, televisão, telefonia celular, microcomputador e Internet ), as comunicações entre as pessoas se tornaram mais rápidas e precisas, permitindo a divulgação daquilo que acontece numa pequena parte do Globo, passando a ser do conhecimento de todos, instantaneamente, com todos os detalhes e muitas vezes mesmo, ao vivo.

Desta forma, a quantidade de notícias de violência agora divulgadas, é muito grande, maior do que outrora.  Analisando alguns pequenos aspectos, parece que, no todo, a Humanidade melhorou um pouco.  Hoje as pessoas vão aos Estádios para assistir competições esportivas e, até mesmo, para participar de Congressos religiosos, encontros de orações; outrora, reuniam-se nos espetáculos circenses para aplaudir os leões devorarem seus irmãos cristãos.

Antigamente éramos canibais, fazíamos churrasquinho dos prisioneiros das tribos indígenas inimigas, capturados nas guerras, e isto aqui mesmo no Brasil, somente há 500 anos; hoje, ainda continuamos a fazer churrasquinhos, só que de animais.  No futuro, é certo que aboliremos, por completo, tal prática mas, por enquanto, são apenas reminiscências do passado.


Editor: Qual seria a solução para diminuir a violência?
R: Vejo duas coisas importantes que podem e devem ser feitas para diminuir a violência: Educação e Evangelização.  Este duplo trabalho deveria começar com as crianças e os adolescentes, preparando-os para um futuro melhor.

É preciso ensinar as crianças e aos adolescentes que a liberdade de ação é igual para todos e, por isso mesmo, esta liberdade tem que ser responsável.  Jamais podemos prejudicar quem quer que seja, isto é, precisamos estar aptos para reconhecer as fronteiras que limitam a nossa liberdade, para não ferir os preceitos da justiça divina.  Os nossos direitos não são ilimitados: eles terminam onde os direitos do nosso próximo começam.

A maneira mais fácil de fazer isto é trabalhar as crianças e os adolescentes, ensinando-lhes as boas maneiras, o modo correto de agir em sociedade, dentro dos ensinamentos evangélicos de Jesus, que nos fornecem roteiros preciosos para todas as situações.

Os mesmos ensinamentos são também válidos para os adultos.  Só que estes, podem ter passado por uma infância e uma adolescência sem a luminosa oportunidade de uma boa educação e evangelização, condição que, certamente, pode ter propiciado ao adulto a expansão dos seus maus instintos e vícios perniciosos adquiridos em existências passadas.  Desta forma, o trabalho de educação e evangelização dos adultos, torna-se mais penoso e demorado, mas não é impossível, e também precisa ser executado.

Editor: Por que as pessoas se assustam com am morte?
R: As pessoas que se assustam com a morte são, na realidade, aquelas que ainda guardam, no fundo, um certo grau de incerteza, maior ou menor, quanto à continuidade da vida após o túmulo e não conhecem com precisão as particularidades da vida no Plano Espiritual.  A morte também pode assustar aqueles que, de certa forma, ainda estão um tanto apegados aos bens materiais, inclusive ao próprio corpo carnal, e também se acham afeiçoados, exageradamente, aos parentes e amigos queridos.

A morte é como se fosse uma viagem inadiável que temos que fazer a um País distante.  Se desconhecemos tal País, se não falamos a língua das pessoas que lá vivem, e ignoramos, por completo, seus costumes e o que fazem aquelas pessoas estranhas, naturalmente ficaremos apreensivos e sentiremos medo de enfrentar o desconhecido, agravado com o fato de que, com a morte, nada de material poderemos levar nas nossas malas de viagem.

A morte deixa de assustar, quando conseguimos entendê-la como um fenômeno natural e necessário; quando temos a certeza absoluta que a vida é eterna e quando passamos a conhecer a vida espiritual mais profundamente, o que vamos fazer além do túmulo e quem vamos encontrar do lado de lá.

É preciso lembrar, no entanto, que pelo fato de deixarmos de ter medo da morte, não devemos provoca-la e precisamos estar muito atentos, zelando pela integridade física do corpo carnal, cuidando da saúde e da boa higiene, mantendo a prudência necessária para não expô-lo, gratuitamente, às doenças e aos acidentes, pois o nosso corpo material é uma benção divina, um patrimônio valioso, concedido por Deus, por empréstimo temporário, ao Espírito, para a nossa evolução.

Editor: O Espiritismo é Ciência ou Religião?
R: O Espiritismo é Ciência e Filosofia com conseqüências religiosas.  Por isso é que se diz que o Espiritismo possui um tríplice aspecto, isto é: Ciência e Filosofia e Religião.

Ciência -  Através da Ciência é feita a pesquisa dos fatos espirituais, a descoberta das leis que regem a ocorrência desses fenômenos, a correlação que existe entre um fato e outro, mediante a observação e a experimentação, sem idéias preconcebidas, mas com o desejo de conhecer a verdade dos fatos.  O Espiritismo acompanha o progresso científico da Humanidade, por isso está sempre atualizado.

Filosofia – Pela Filosofia o Espiritismo procura a razão da vida, busca a finalidade da existência material e espiritual, a explicação de quem somos, de onde viemos antes do berço e para onde iremos, após o decesso corporal.

O Espiritismo nos mostra que somos em essência um Espírito, um ser pensante, vestindo, temporariamente, um corpo de carne e osso, a fim de progredir sempre.  Através da Filosofia, o Espiritismo nos mostra por que sofremos, por que somos felizes ou infelizes.

Religião – Utilizando a Ciência e a Filosofia, o Espiritismo recai na existência de Deus, como Criador de todo o Universo e, inclusive, de nós mesmos, Espíritos; descobre os atributos de Deus em grau infinito, como a Sua Sabedoria, a Sua Bondade e a Sua Misericórdia; descobre a Sua Justiça, também Infinita, pairando sobre toda a Criação, de forma igual para todos, sem distinção, sem protegidos nem afilhados.  E, como conseqüência de tudo isso, chegamos até os Evangelhos do nosso Mestre Jesus, que nos fornecem o roteiro seguro e correto para respeitarmos e amarmos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.  Os Evangelhos nos ensinam a viver em sociedade sem ferir as Leis Naturais de Deus, com fraternidade, harmonia e amor, e ainda nos ensinam a orar de forma simples e eficiente.  E tudo isto é Religião.

 

Editor: Como o Irmão vê o movimento de reforma apregoado por alguns grupos inconformados com a posição da FEB – Federação Espírita Brasileira – adotando a obra de Roustaing?
R: O livro “Os Quatro Evangelhos”, de Roustaing, contêm informações e explicações importantes sobre a Doutrina Espírita, que não devem ser desprezadas, só porque Roustaing, num determinado ponto de sua obra advoga a tese do corpo fluídico de Jesus, em contradição com aquela esposada por Kardec, do corpo carnal.

É importante e mesmo saudável para a Doutrina, que tais assuntos ainda polêmicos possam ser levantados, analisados e debatidos em detalhes, com critérios, porque é desta forma que conseguimos avançar no melhor entendimento de todas as coisas.  Mas isto não pode nem deve ser motivo para contendas, nem tão pouco para movimentos separatistas.

Há coisas que só poderemos compreender melhor, à medida que nos aperfeiçoarmos científica e moralmente e, neste caso, só o tempo é que se encarregará dos esclarecimentos necessários.  Não queremos com isto dizer que Roustaing esteja certo e Kardec errado, ou vice-versa.  Há assuntos que precisam de maturação e de tempo para se chegar a uma conclusão, e esta só chega na hora certa.

Temos um exemplo clássico nos Evangelhos de Jesus, quando ele abordou a reencarnação na sua conversa com Nicodemos.  Jesus falou da reencarnação muito sutilmente e não foi compreendido e não insistiu muito, pois sabia perfeitamente que a Humanidade daquela época ainda não estava preparada para entender aquele assunto.  Foram precisos dezenove séculos para que Kardec viesse explicar a reencarnação de forma clara e lógica, sem ferir as Leis Divinas.

 

Editor: Com exceção das reuniões de desobsessão, que têm caráter privativo, os Centros devem cerrar suas portas no início dos trabalhos, a fim de evitar a entrada de pessoas que possam perturbar a harmonia do ambiente?
R: Nas reuniões ditas públicas, penso que as portas devem estar abertas para quem quiser entrar, principalmente nas reuniões exclusivamente de estudos doutrinários.  Nas reuniões onda há trabalhos mediúnicos de psicografia, psicofonia e desdobramento, os quais exigem muita concentração e sintonia com as Esferas Espirituais, poderia ser adotada a prática de fechar as portas, mais ou menos meia hora após o início da reunião, justamente quando aqueles trabalhos mediúnicos vão começar.

A parte inicial de preparação do ambiente espiritual com uma pequena palestra, seria feita com as portas ainda abertas, tolerando-se a acolhida das pessoas que quisessem entrar e afastando-se as inconvenientes.

Temos que lembrar que a pontualidade é um requisito fundamental das reuniões espíritas, mas há situações que devemos levar em conta, pois alguns Irmãos nossos trabalham fora e estão sujeitos às vezes, a algumas contingências adversas da vida material, como os engarrafamentos no trânsito, o que pode atrasar a chegada ao Centro, não porque sejam displicentes ou queiram chegar atrasados.  Nestes casos há que ter também uma pequena margem de tolerância no horário de fechamento das portas.

 

Editor: Para atrair mais adeptos, alguns Irmãos de outras crenças estão promovendo verdadeiros festivais de música.  Qual a sua opinião sobre o assunto?
R: A música, isto é, a Boa Música, tem a propriedade de tocar a alma, de transporta-la às Esferas Superiores da Vida Espiritual, ligadas à Harmonia Musical, proporcionando-lhe bem estar.

Mas não é pelo fato de Irmãos nossos de outras crenças promoverem tais festivais de música durante as suas reuniões espirituais, que nós, Espíritas, devamos copiá-los e adotar algo semelhante nas Instituições Espíritas.

O Espiritismo não se preocupa em atrair multidões.  Está, porém, sempre pronto, de braços abertos para receber, com muito amor e carinho, aqueles que o procuram.

Nas Casas Espíritas, evidentemente, também há espaço para a “Boa Música”, mas temos que ter muito cuidado para não parecer que, com a adoção da música, estejamos querendo conferir um “ambiente mágico”, um “clima místico”, aos trabalhos mediúnicos, para não corrermos o risco de ser a música interpretada como parte de um ritual.  Lembramos que o Espiritismo não tem rituais.

Sabemos que todos gostam de música e muitos gostam de cantar.  Não há mal nenhum nisto, e até é louvável, porque como sabemos a “Boa Música” chega até a alma e, por isso, pode transformar os seus sentimentos para o bem.

Há reuniões específicas em que a música pode e deve ser adotada nos Templos Espíritas.  A Mocidade, por exemplo, deve ter o seu espaço musical; os Corais Espíritas, que podem ter participantes de todas as idades, evidentemente, também devem ser incentivados para as suas apresentações em ocasiões oportunas.

 

Editor: Quais são os maiores obstáculos encontrados pelos médiuns e Dirigentes na prática da Doutrina Espírita?
R: No que concerne à prática da Doutrina Espírita, podemos dividir a questão em duas partes: Médiuns e Dirigentes, embora alguns problemas sejam comuns tanto para os médiuns, quanto para os Dirigentes, mesmo porque, estes últimos, via de regra, também são médiuns.

Obstáculos Encontrados Pelos Médiuns


Falta de Compromisso

Muitas pessoas, inclusive, até mesmo, com grande potencial mediúnico, não querem assumir compromissos e não se engajam no Movimento Espírita.  Entram na Casa Espírita como se fosse numa “farmácia” ou “drogaria”, na esperança de conseguir ou “comprar” um analgésico para as suas “dores de cabeça” (angústias e aflições).  Ao receberem a graça almejada, vão-se embora, para somente voltar, ao cabo de algum tempo, quando uma nova “dor de cabeça” aparecer.  Tais pessoas, na realidade, só querem receber; ainda não aprenderam a magna lição que é dando que se recebe.  Também não conseguem ver na Doutrina Espírita o seu maravilhoso e mais importante aspecto da Reforma Íntima, para acelerar o seu próprio progresso moral e erradicar, para sempre, as suas “dores de cabeça”.  Esquecem-se que a mediunidade surge como um compromisso assumido ao reencarnarmos, no sentido de podermos aprimorar os nossos sentimentos para o bem, praticando a caridade em benefício dos nossos semelhantes, encarnados e desencarnados, através do exercício da mediunidade.


Conduta Espírita

Alguns médiuns entendem a necessidade de exercitar a mediunidade na Casa Espírita e querem praticar e praticam a caridade.  No entanto, nem sempre estão dispostos a seguir as recomendações da Doutrina Espírita, embasada nos Evangelhos do nosso Mestre Jesus.  Às vezes, rejeitam as portas estreitas da caminhada, que exigem muita coragem e muita renúncia, para enveredar pelas portas largas das facilidades da vida material, continuando a alimentar os maus instintos dentro de si, que se enraizaram através das múltiplas reencarnações e pouco ou nada fazem para se livrarem do egoísmo, do orgulho, da vaidade, da ambição, da maledicência, etc..., acorrentando-se cada vez mais a inúmeros vícios, tais como o álcool, o fumo, as drogas, a gula, etc.  Não vivem em paz, vivem atormentados pelos fantasmas das suas próprias imperfeições ou também, porque não conseguem perdoar incondicionalmente, nem amar a tudo e a todos, indistintamente.  A oração e a vigilância tão recomendadas por Jesus, às vezes, só estão presentes dentro da Casa Espírita.  Fora dela, as fraquezas podem dominar o médium, fazendo com que ele tenha duas condutas:  uma, na Casa Espírita e outra do lado de fora.  Em tal situação, o médium pode tornar-se presa fácil da obsessão.


Reminiscências de Outras Doutrinas

Poucas são as pessoas que freqüentam a Casa Espírita e que não são egressas de outras crenças  religiosas como: Catolicismo, Protestantismo, Umbanda, Candomblé, Magia Negra, Igreja Messiânica, Budismo e outras.  Muitos irmãos nossos, por estarem acostumados a determinadas práticas e rituais religiosos de outras Doutrinas, gostariam de encontra-los também, dentro do Templo Espírita Kardecista tais como: paramentos, uniformes, roupas especiais, imagens, quadros, legendas, talismãs, amuletos, bentinhos, breves, fitinhas, incensos, mirra, fumo(cigarros, charutos, cachimbos), tambores, velas, despachos e oferendas, hinos, cânticos e músicas para rituais, promessas, altares, andores, confessionário, danças ritualísticas, exorcismo, sacrifícios de animais, rituais de iniciação, confecção de horóscopos, exercícios de cartomancia, jogo de búzios, oráculos, adivinhações, jogo de copos, consultório espiritual, administração de sacramentos como batizados, casamentos e concessões de indulgências. Esses nossos irmãos devem ser devidamente esclarecidos e orientados, no sentido de que há certas posturas doutrinárias que devem ser seguidas e não podem ser alteradas, sob pena de desvirtuamento do Espiritismo codificado por Allan Kardec e perda da filiação da Instituição à FEB – Federação Espírita Brasileira.  Convém lembrar que algumas correntes religiosas usam, indevidamente, as palavras Espiritismo e Espírita, gerando algumas confusões.  O vocábulo Espiritismo é um neologismo criado por Allan Kardec para designar a Doutrina transmitida pelos Espíritos, contida nas suas obras básicas, sendo seus adeptos denominados Espíritas ou Espiritistas.  São Espiritualistas as Doutrinas que acreditam na sobrevivência da alma após a morte.  Assim, uma Doutrina pode ser Espiritualista e não ser Espírita.  Além disso, a mediunidade  não é privilégio do Espiritismo.  Ela aparece onde existe qualquer Espírito encarnado, que serve de ponte entre os Planos Material e Espiritual, podendo estar presente, portanto, em qualquer crença religiosa.  Pelo fato, porém, de a mediunidade poder existir no Catolicismo, no Protestantismo, na Umbanda, no Candomblé, etc., não implica que tais religiões possam ser rotuladas de Espiritismo.


Desconhecimento da Doutrina Espírita

Infelizmente, há médiuns que não se interessam muito pelo estudo da Doutrina Espírita.  Às vezes, freqüentam a Casa Espírita por anos seguidos, décadas e décadas, e pouco aprendem, porque não se dedicam à leitura e ao estudo das obras básicas de Allan Kardec e outras de caráter complementar.  Não basta ler, apressadamente, os livros.  É preciso estuda-los cuidadosamente e meditar sobre os ensinamentos que eles contêm, verificando, na vida diária, onde e como podem ser exemplificados tais ensinamentos.  A Doutrina Espírita é um manancial luminoso inesgotável de orientação.  Se tomarmos, como exemplo, os Evangelhos, a cada vez que formos lê-los, encontraremos novos ensinamentos fascinantes, que não conhecíamos até então.  Os médiuns que não se esforçam por estudar a Doutrina dos Espíritos, dificilmente compreenderão bem os mecanismos da mediunidade e suas leis e poderão até mesmo virar joguetes nas mãos de irmãos desencarnados que ainda se comprazem com o mal, podendo cair na obsessão.


Medo dos Espíritos

Há pessoas que têm a mediunidade aflorada, mas não querem desenvolve-la, porque dizem ter medo dos Espíritos, chegando, às vezes, a ficarem apavoradas.  Esses irmãos devem ser conduzidos às reuniões de estudo da Doutrina Espírita, para compreenderem que os Espíritos desencarnados nada mais são do que Espíritos iguais a nós encarnados, com a única diferença que não mais possuem a vestimenta carnal.  Precisam ser orientados que o pensamento, como assegura Kardec, é a base de todos os fenômenos mediúnicos, segundo a lei de afinidades de gostos e interesses:  atraímos ou afastamos os nossos irmãos desencarnados, de acordo com os nossos bons ou maus pensamentos.  Desta forma, se os nossos pensamentos ( e sentimentos ) forem bons, estaremos em sintonia ( em ligação ) com os bons Espíritos, os quais só nos farão bem, transmitindo-nos paz e bons conselhos e, portanto, não há o que temer.  Quanto aos maus Espíritos, é só não entrarmos na faixa vibratória deles, que os mesmos se afastarão de nós.


Obstáculos Encontrados Pelos Dirigentes

Os Dirigentes da Casa Espírita, em seus diferentes níveis, ocupam, evidentemente, postos de liderança, que além do cumprimento das leis civis vigentes, pelas quais devem zelar, existe o aspecto doutrinário-espírita que envolve o cargo, onde o enfoque dos ensinamentos doutrinários estão sempre presentes e a conduta espírita dos ocupantes desses cargos, revelada no dia-a-dia, através dos exemplos, é por todos cobrada e observada.  Acontece que as pessoas que ocupam tais cargos, certamente não são Espíritos perfeitos, são irmãos em processo evolutivo, como quase todos os que estão sobre a face da Terra, passíveis de falhas e enganos.  Os companheiros que freqüentam a Casa Espírita, no entanto, às vezes se decepcionam com algumas atitudes falhas dos dirigentes, pois olham para eles como se fossem Espíritos Elevados, de muita luz, verdadeiros Missionários, o que quase sempre, provavelmente, não acontece.  Os dirigentes devem saber, portanto, que serão sempre severamente cobrados e estarão sempre sendo observados com lentes de grande aumento e, em conseqüência, necessitam de muito auto-controle, precisam se esforçar ao máximo para não cometer muitas falhas e enganos e, se porventura vierem a comete-los, deverão ter a humildade suficiente de reconhece-los e procurar repara-los sem mágoas.

Ao ocupar os cargos de Dirigentes da Casa Espírita, as pessoas precisam estabelecer um domínio muito grande, que nem sempre é atingido, sobre o orgulho e a vaidade, que a todo momento, querem ganhar forças e aparecer como soberanos.  É preciso, no entanto, cultivar a humildade.  Por isso, é necessário que reinem no ambiente a harmonia, a paciência e a tolerância entre todos, para que todos possam se ajudar mutuamente, para que, de mãos dadas, possam se elevar na escala evolutiva do bem, amando e perdoando sempre.  Os Dirigentes da Casa Espírita devem assomar também muitas outras características, às vezes, difíceis de serem atingidas:  receber a todos com cordialidade e fraternidade, evitando as discriminações, sejam de que natureza forem;  estar sempre prontos para a prática da caridade;  saber ouvir e saber calar, sendo imparciais, evitando tomar partidos, dentro de certos limites;  ser pacientes e tolerantes;  rejeitar comentários de julgamento das pessoas e não participar de “fofocas”, evitando a sua disseminação;  saber dosar adequadamente a austeridade, sem ferir ou afrontar os seus semelhantes e promover a ordem e o respeito mútuo entre todos.  Além disso, os dirigentes devem ler e estudar muito as obras básicas de Allan Kardec, bem como as obras espíritas complementares de outros autores e devem zelar pela integridade da Doutrina Espírita, mantendo a sua imagem de pureza ditada pelos conceitos da Codificação de Allan Kardec.