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DIVALDO
PEREIRA FRANCO - Emérito educador. Fundou em 1952, na cidade de
Salvador-BA, com seu primo Nilson de Souza Pereira, a Mansão do
Caminho, instituição que acolheu e educou mais de 600 filhos
sob o regime de Lares Substitutos. Conferencista e médium
espírita, já proferiu mais de 10 mil palestras no Brasil e no
exterior e psicografou aproximadamente 200 livros espíritas que
já venderam 5 milhões de exemplares, inclusive com tradução
para 13 idiomas. Septuagenário quando fala sobre o espiritismo
demonstra o entusiasmo dos jovens com sabedoria que só a
experiência do bem viver pode proporcionar.
JOSÉ
RAUL TEIXEIRA – Professor
Universitário, leciona na Universidade Federal Fluminense,
residindo em Niterói, RJ.
É médium psicógrafo e orador espírita, além de
fundador e atual vice-presidente da Sociedade Espírita
Fraternidade. Entre outros, publicou os seguintes livros: Vereda Familiar,
Vozes do Infinito.
P:
- O espírita, médium ou não, deve ler livros espíritas?
Divaldo: – Seria o mesmo
que se perguntar se o médico deve parar de estudar ou de ler
livros sobre medicina.
P:
- Apesar de necessário, por que notamos na maioria dos espíritas
o desinteresse pela leitura de livros espíritas? Uns
alegam que dá sono, outros que lhes dá dor de cabeça, etc. Por
que acontece isso?
Divaldo: – Porque o fato
de alguém se tornar espírita não que dizer que haja melhorado de
imediato. A pessoa que não tem o hábito de ler pode se tornar o
que quiser, porém, continuará sem interesse pela cultura.
O sono normalmente decorre da
falta de hábito da leitura, excepcionalmente quando a pessoa
está em processo obsessivo, durante o qual as entidades inimigas
operam por meio de hipnose, para impedirem àquele que está sob o
seu guante que se esclareça, que se ilumine, e,
conseqüentemente, se liberte. Mas, não em todos os casos. Na
grande maioria, as pessoas cochilam na hora da leitura porque
não se interessam e não fazem o esforço necessário para se
manterem lúcidas. Como também cochilam durante a sessão, por
não estarem achando-a interessante, já que vão ao cinema, ficam
diante da televisão até altas horas, quando os programas lhes
agradam, na maior atividade. Assim, não respeitam a Doutrina
que abraçaram.
P:
- Que benefícios trazem os estudos evangélico-doutrinários para
o médium?
Raul:
– O beneficio de
dando-lhe a instrução-conhecimento, propiciar-lhe a
instrução-educação. É através do estudo, mormente do Evangelho
e das obras basilares da Doutrina Espírita, que o médium se irá
apercebendo de quem ele é, do porquê ele é médium, quais as suas
responsabilidades diante da mediunidade, porque o indivíduo
chega à Terra com a tarefa da paranormalidade para exercitar.
Quando adentra “O Evangelho Segundo o Espiritismo” vai estudar
“Daí de graça o que de graça recebeis”; se pergunta aos
Espíritos por que Deus concede a mediunidade a indivíduos que
ele sabe que poderão falhar, as Entidades Benfeitoras da Terra
redarguem que “da mesma maneira que ele dá bons olhos a
gatunos”. Exatamente por isso o estudo espírita para o médium
vai lhe dando os porquês, vai elucidando-o, a fim de que não aja
porque os outros agem, não faça simplesmente porque o dirigente
mandou que fizesse, mas para que tenha aquela fé raciocinada, a
fé-convicção, aquela fé-certeza, na coerência de quem faz porque
sabe o que deve fazer.
P:
- O que podemos pensar da atitude de muitos que, à guisa de
cooperarem com vários Centros Espíritas, na segunda-feira,
freqüentam um trabalho, num determinado Centro; na terça, estão
num trabalho mediúnico, noutro Centro; na quarta-feira, num
terceiro, e, assim sucessivamente?
Divaldo:
– Há um ditado
que diz: “quem muito abarca, pouco aperta”. Quem pretende fazer
tudo, faz sempre mal todas as coisas. Por que essa pretensão de
ajudar a todos?
Se cada um cumprir com seu
dever, com dedicação, no local em que o Senhor o colocou, estará
realizando um trabalho nobilitante. A presunção de atender a
todos é, de certo modo, uma forma de auto-suficiência, que
acredita que não estando em algum lugar, as coisas ali não irão
bem. E, quando desencarnar? Então, é melhor vincular-se a um
grupo de pessoas que lhe sejam simpáticas, para que as reuniões
sérias, de que trata “O Livro dos Médiuns”, de Allan Kardec,
possam produzir os frutos necessários e desejados.
P:
- Há inconveniente em que um médium que participe de sessão
mediúnica espírita e que se afirme espírita freqüente trabalhos
mediúnicos de Umbanda?
Divaldo: – Seria os
mesmo que a pessoa atuar num campo de luta e, imediatamente,
tomar posição noutro, sem o esclarecimento correspondente.
Jesus foi muito claro ao
afirmar que “a casa dividida rui” e que “ninguém serve bem a
dois senhores”. Já é tempo de a pessoa saber o que deseja,
dedicando-se àquilo que acha conveniente. O Apocalipse fala a
respeito das pessoas “mornas”; assim, é melhor ser “frio ou
ardente”. O “morno” é alguém que não está com ninguém, mas,
sim, com as suas conveniências.
P:
- No afastamento dos espíritos perturbadores, a Umbanda consegue
melhor resultado do que uma sessão mediúnica espírita?
Divaldo:
– Só se for
pelo pavor. Mas não remove a causa, porque o espírito que foge
apavorado não liberta a sua vitima da divida, que a ambos
vincula.
P:
- Qual a denominação correta: receita homeopática ou orientação
espiritual homeopática?
Divaldo: – Não devemos
trazer para o Espiritismo o que pertence aos outros ramos do
conhecimento. Não deveremos pretender transformar a sessão
mediúnica em novo consultório médico. Digamos, então,
orientação espiritual; se veio o nome de um remédio, que o bom
senso recomenda seja aplicado, é uma exceção, mas não deveremos
ter um compromisso especial para constranger um espírito a dar
homeopatia ou alopatia.
Certa feita, em uma das nossas
orientações espirituais, veio o seguinte: “O meu irmão necessita
de ler O Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo número
15”; eu tive a curiosidade de saber o que era, e fui olhar.
“Fora da Caridade não há Salvação”. O paciente era um sovina; a
doença dele era desamor. Então, a “homeopatia” que ele
precisava era uma séria advertência, e não remédio comum.
P: Qual a
orientação adequada a seguir, a homeopatia ou a alopatia?
Divaldo:
– A melhor orientação
a seguir é convocar o paciente a melhorar-se de dentro para fora
e levar ao médico o problema da sua saúde orgânica.
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