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JOSÉ
RAUL TEIXEIRA – Professor
Universitário, leciona na Universidade Federal Fluminense,
residindo em Niterói, RJ.
É médium psicógrafo e orador espírita, além de
fundador e atual vice-presidente da Sociedade Espírita
Fraternidade. Entre outros, publicou os seguintes livros: Vereda Familiar,
Vozes do Infinito.
P:
– Quanto aos variados cursos
de formação de médiuns, espalhados por toda a parte, são úteis,
de fato, para os indivíduos?
R:
– Sempre que nos reunimos com
o objetivo de estudar o Espiritismo, encontramos razoes para
alegrias imensas.
O Espiritismo é um filão
notável, aclarando a nossa visão, desenvolvendo-nos o intelecto
e ajustando-nos às experiências amadurecedoras.
O que nos deve chamar a
atenção, a fim de que nos precatemos, é o fato de entendermos os
cursos de formação de médiuns como curso formal, com graduações
e notas, provas e formaturas. Isto porque o sentido do curso,
se desenvolvido nessas bases, fará entender ao cursando, ou
aluno, que, quando ele o concluir estará formado. Então, terá
que ser médium a qualquer custo podendo surgir fortes
predisposições à mistificação ou excitações que levam o
indivíduo às bordas dos fenômenos anímicos, pela ansiedade de
dar comunicações.
Os estudos espíritas deve ser
descontraídos e agradáveis, permitindo trocas de experiências,
facultando o crescimento geral. O estudo da mediunidade, por
outro lado, não passa do estudo de uma parte do conhecimento
espírita, devendo ser feito, por isto, associado aos demais
temas da Doutrina Espírita.
P:
– E sobre os cursos de formação de médiuns que distribuem
carteiras e diplomas aos seus concluintes?
R:
– Embora respeitemos as
intenções de qualquer pessoa, dizemos que nessas atitudes nada
existe do pensamento do Espiritismo, cujas propostas são de
trabalho e renovação, sem atavios, sem ilusões, sem competições
com os estabelecimentos e concepções das instituições do mundo,
ainda quando respeitáveis na pauta dos valores terrenos.
P:
– Alguma necessidade particular existe para que se recomende aos
médiuns o uso de aventais, jalecos ou outras roupas especiais,
nos trabalhos mediúnicos do Espiritismo?
R:
– À luz do pensamento
espírita, nenhuma necessidade existe para o uso de roupas
especiais, ou vestes de quaisquer naturezas, nos cometimentos
mediúnicos espíritas, que possam designar símbolos ou
paramentação inadequada aos eventos doutrinários. Até porque,
perante a expressão de Jesus, trazendo-nos a imagem do “túmulo
caiado por fora escondendo putrefação na intimidade”, notamos a
importância de cada um alimpar-se por dentro, tecendo, com os
esforços da sua transformação moral, a anelada ‘túnica nupcial”,
a que Jesus se referiu na parábola do festim das bodas.
P:
– As cores das roupas que os médiuns estejam usando, interferem
na qualidade do fenômeno mediúnico?
R:
– Em nada interferem as cores
de uso externo do médium na qualidade dos fenômenos mediúnicos.
Interagem, isto sim, as “cores” de dentro, o caráter, o modo de
ser e de viver de cada um.
P:
– Os distintivos são importantes para a classificação das
condições dos médiuns nas reuniões mediúnicas?
R:
– Conforme estamos
asseverando, com base nos ensinamentos do Espiritismo, quaisquer
exterioridades ou excentricidades, nos usos ou nas práticas, que
tentem nivelar o labor espírita com as escalas de valores
mundanos, não compartilham do posicionamento espírita.
Todo e qualquer distintivo
material para médiuns colaborará para a exaltação da
personalidade, predispondo-o a vários perigos.
O que deverá distinguir os
lidadores do intercâmbio mediúnico será a sua fidelidade aos
compromissos abraçados e sua luta por ser um instrumento mais
útil às Falanges do Bem, aperfeiçoando-se cada dia, para
alcançar a vitória sobre si mesmos e sobre os tormentos do
mundo.
P:
- É justo que, nas reuniões mediúnicas ou fora delas, se façam
oferendas materiais, objetos ou alimentos, no intuito de atender
aos caprichos ou aplacar as necessidades que os espíritos
denunciem?
R:
– A ação espírita junto aos
irmãos desencarnados deverá acatar sempre os objetivos
espíritas, que são os da espiritualização das criaturas.
Nossas oferendas aos espíritos
serão, por isso mesmo, em nível vibracional: nossas orações, que
representam emissões de energias da alma em alta freqüência;
nossas boas ações diárias, que a eles dedicamos como emissão de
carinho e fraternidade, que são, também, fluidos impregnados de
nobres qualidades.
As entidades que
solicitam ou exigem coisas ou comidas e bebidas, reportando-se a
seus gostos ou necessidades, são, indubitavelmente, companheiros
desencarnados ainda em grande atraso moral, e os indivíduos que
os atendem nessas transações mundanas passam a se lhes associar,
num circuito de interdependência de funestas conseqüências. A
espíritos ofertemos tão só as coisas do espírito.
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