O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 
Título :
Entrevista com Rita Foelker

Entrevistado:
Rita Foelker

Fonte:
Petit Editoa

ENTREVISTAS

       

Rita Foelker nasceu em Jundiaí/SP, no ano de 1965. É escritora e ilustradora de livros infantis, tendo também trabalhos no âmbito da literatura para adultos, seja como capista e ilustradora, seja escrevendo ou psicografando obras mediúnicas. Graphic designer e web designer. Tem concentrado seu trabalho em obras de cunho educacional e dirigidas ao público infantil. É diretora de Edições Gil. Trabalhos em Educação FORMARE - Programa de Formação e Reciclagem do Educador da Infância e Juventude na Casa Espírita.* Encontros Mensais de Atualização e Reciclagem para Educadores da Infância e Juventude* Oficinas Artes Criação Literária Origami Pedagógico Espaço do Educador - Página do jornal "Alavanca", órgão de divulgação da USE - Regional de Campinas/SP.

 

P: - Quem se destaca mais: a escritora, a ilustradora ou a designer Rita Foelker?
R: - Não existe uma que se destaque mais, pois as outras ficariam incompletas. Para mim, um momento de criação artística ou literária é um diálogo entre a escritora e a ilustradora, e a designer dá seus palpites.

P: - Fale sobre sua infância em Jundiaí.
R: - Minha infância foi bastante comum. Meu pai era muito enérgico, eu, muito comportada, de modo que não havia muitas coisas que pudesse fazer. O desenho e a pintura foram meus companheiros inseparáveis, além dos livros. Na minha casa, o hábito da leitura era cultivado e muito valorizado, e aprendi a amá-lo. Sempre levei a escola muito a sério e era boa aluna. Só acho que podia ter tido uma infância menos solitária, já que meu único irmão é bem mais velho que eu e saiu de casa quando eu tinha quatro anos, para fazer faculdade.

P: - A atividade profissional de seu pai a influenciou a seguir o caminho da literatura?
R: - Meu pai era viajante. Representante comercial. Como ele era muito culto, conversava comigo como adulta sobre livros, política, história, arte. Levava-me em suas viagens quando podia. Acho que isso me influenciou. Gostávamos de visitar museus, lugares históricos, exposições de arte.

P: - Como conheceu o Espiritismo?
R: - Meu irmão foi o primeiro da família a se tornar espírita e, na época, ele vivia mais em São Carlos que em Jundiaí. Ele mandava livros, que começamos a ler. Quando minha mãe adoeceu, procuramos vários tipos de ajuda, inclusive no Espiritismo. Isso nos levou a conhecer as casas espíritas de Jundiaí e iniciar alguns estudos.

P: - Alguns de seus trabalhos literários foram psicografados. Como se manifestou, pela primeira vez, sua percepção mediúnica? Continua psicografando?
R: - Comecei a psicografar já nem sei há quanto tempo. Há uns dez ou doze anos, numa reunião própria para tal. Já o exercício foi, durante um tempo, inconstante, por contingências da vida profissional do meu marido, mudanças de casa e o nascimento de meu segundo filho. Há quatro anos conheci o Calunga, foi quando me tornei mais metódica e estabeleci um horário para psicografia. Acredito que isso foi importante, pois resultou em quatro obras que vêm ajudando muitas pessoas de que temos testemunhos em todo o Brasil. Depois veio o Arquimedes, um amigo de encarnações passadas, que também vem passando o seu recado. Hoje possuo inúmeros textos, além de um romance e um livro infantil, psicografados e disponíveis para serem publicados.

P: - Qual é, no seu entender, a qualificação necessária ao médium para que ele possa desenvolver, com fidelidade, a atividade da psicografia?
R: - Humildade e seriedade no desempenho mediúnico. É importante que ele assuma o compromisso com tudo o que ele implica: disponibilidade, comprometimento, análise, desejo de servir. Um bom conhecimento da realidade espiritual, da escala espírita, do mecanismo das comunicações é importantíssimo. E, se possível, que ele esteja ligado a um grupo bastante afim, no qual se sinta à vontade, no qual confie, e que possa dar-lhe apoio, ajudá-lo com suas dúvidas e motivá-lo a desenvolver-se mais como ser humano.

P: - Nas casas espíritas onde você colabora, quais são suas tarefas e atribuições?
R: - Colaboro como assistente de coordenação do Departamento de Educação Espírita Infanto-Juvenil do C. E. João Batista, em Jundiaí. Também participo de uma escala de expositores de temas evangélicos no C. E. Nova Luz, porém, neste momento, precisei tirar umas pequenas "férias", o que também não acho ruim, porque outros companheiros têm a oportunidade de experimentar...!

P: - No sentido mais amplo da tarefa, o que significa, para você, a evangelização infantil realizada no Centro Espírita?
R: - Não costumo dizer evangelização, mas Educação Espírita Infanto-Juvenil, o que confere à tarefa uma outra amplitude. Entendo que a educação da criança e do jovem é o mais importante trabalho realizado dentro da casa espírita, é o verdadeiro trabalho de base. O conhecimento do Espiritismo faz toda a diferença do mundo na vida de qualquer criatura, e a infância é o momento em que se podem definir os rumos daquela encarnação. Já pensou nisso?

P: - No seu trabalho de coordenação dos grupos de estudos dos educadores espíritas, qual tem sido a maior preocupação ou mesmo a maior dificuldade com a qual os seus integrantes estão se defrontando?
R: - Falta de auto-estima e de confiança nas próprias capacidades. As pessoas têm dentro de si mesmas uma força que desconhecem, recursos próprios em que precisam confiar mais. No geral, os educadores esperam que levemos algo para eles nesses encontros, porém, nós apenas vamos lá e descobrimos as riquezas que eles já têm, mas não sabem. E a partir de então, eles se sentem aptos para trabalhar com elas.

P: - Há quatro anos você edita a Folha da Criança e ainda é colaboradora da Alavanca — órgão do Conselho Regional Espírita da USE (União das Sociedades Espíritas em Campinas) — na qual assina a página Espaço do Educador. Qual tem sido a repercussão desse seu esforço jornalístico?
R: - A Folha da Criança pode ser considerada um sucesso; tanto que ela vai se tornar, em breve, Página da Criança na Internet, para servir muito mais crianças e educadores. Posso dizer o mesmo da página do Alavanca. Ontem mesmo recebi um e-mail, dizendo que muitas pessoas que lêem a coluna telefonam, pedindo os números anteriores. Na minha opinião, isso acontece pela falta de iniciativa desse tipo e da grande necessidade que os educadores sentem de incrementar e atualizar sua prática.

P: - Qual teria sido a maior colaboração do Formare (Programa de Formação e Reciclagem do Educador da Infância e Juventude na Casa Espírita) do qual você é coordenadora, já em sua 12ª edição?
R: - Formare é um olhar diferenciado voltado à prática educativa, que parte do olhar para dentro de si mesmo para, em seguida, estabelecer as trocas educativas: ser capaz de aprender e ensinar, e gostar de fazê-lo. Os Espíritos são os verdadeiros orientadores do Programa, nós somos só o elemento encarnado da equipe. Em geral, as pessoas que saem do Formare dizem que nunca fizeram um curso nem mesmo parecido, porque algo fica realmente diferente dentro delas e lhes dá uma melhor perspectiva das propostas educacionais, de sua opção de vida e de sua função na vida dos educandos.