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DORA INCONTRI –
A jornalista e escritora Dora Incontri que lançou no final de
1996 o livro Pestalozzi, Educação e Ética. Incontri cursou o doutorado na
Universidade de São Paulo - USP com o tema "Pedagogia Espírita",
é autora dos livros: Educação na Nova Era e Estação Terra, além
de livros de poesias. Dora também ministra o curso de Pedagogia
Espírita, na Feesp.
P: –
Qual é a relação entre a Doutrina Espírita e a Pedagogia?
R:
-
A própria Doutrina
Espírita é uma proposta pedagógica de Educação proposta
pedagógica de Educação do Espírito. Kardec foi educador, não por
acaso. Herdeiro de uma tradição pedagógica, recebida das mãos de
Pestalozzi, seu mestre,. Que vinha desde Sócrates, foi com essa
visão de educador que codificou o Espiritismo. Nada mais óbvia
portanto a contribuição que a Doutrina pode dar para o campo
específico pode dar para o campo específico da pedagogia, com
uma visão reencarnacionista do homem.
P: - Quais
são os princípios fundamentais da Educação Espírita?
R:
-
Educação pela
liberdade, Educação pela Ação e Educação pelo Amor.
Esses são os três parâmetros principais da Educação Espírita.
Reconhecendo que o Espírito é o ser livre, que só evolui pelas
experiências concretas que realizam nas sucessivas encarnações e
que o método empregado pela Providência Divina para despertar a
liberdade da ação para o Bem é o método do amor, então podemos
dizer que esses três princípios devem orientar qualquer prática
pedagógica terrena. Trata-se de aplicar a Pedagogia Divina.
P: - Como
aplicar estes princípios no processo educativo na Família, na
Escola formal e na transmissão de conteúdo doutrinário no Centro
Espírita?
R:
-
Em qualquer
processo pedagógico, é preciso, primeiro que entre educador e
educando se estabeleça um forte vínculo afetivo. Segundo, que o
educando possa agir por si mesmo, pra construir suas virtudes e
seus conhecimentos. Ninguém aprende nada de ouvir falar, mas a
prática. Terceiro, que cada educando seja respeitado em sua
individualidade e tratado como uma consciência livre, dono de
seu destino espiritual e responsável por si. O educando pode
estar criança, adolescente ou jovem, mas é um Espírito antigo e
imortal, herdeiro de si mesmo.
Esses princípios
podem ser aplicados tanto na família, como na escola, como no
centro, desde que promovamos uma Educação pelo diálogo amoroso,
pela ação participativa do educando e não por uma Educação
modelada na obediência passiva.
P: - Você
considera que os princípios da Educação Espírita poderiam ser
aplicados ,nos trabalhos de Evangelização da criança, do jovem e
do adulto nas Casas Espíritas?
R:
- Não apenas poderiam, como deveriam. Fica claro isto pela
resposta anterior. O indivíduo, no centro espírita, deveria ser
tratado de maneira menos paternalista. Deveria ser ouvido, ter
estímulo à participação, à interação livres. Hoje, na maioria
dos centros, há uma situação semelhante à da Igreja: alguns
falam, o resto escuta passivamente, dizendo assim seja no final.
As crianças também devem participar, serem ouvidas. Apenas
através de debates, estudos e pesquisas que a convicção espírita
pode ter consciência.
Senão, ela não
passará de uma catequese.
P: - Na sua
opinião o emprego da arte e o uso de exemplos cotidianos (fatos
familiares, acontecimentos sociais, etc) na Evangelização podem
contribuir com o processo de formação do educando?
R:
- Todos os recursos devem ser usados. Mas sobretudo o
recurso de saber qual o interesse do educando, quais as suas
dúvidas, as suas cogitações, pois a partir desse fio, é possível
construir o processo do conhecimento.
P:
– Quais as
suas sugestões para os educadores em geral, quanto à utilização
destes recursos na educação formal?
R:
- É preciso mudar radicalmente a educação formal. Abolir a
sala de aula tradicional, com mesas e carteiras enfileiradas,
que já predispõem a uma instrução passiva; acabar com as aulas
fragmentadas de 50 minutos, com os currículos obrigatórios e as
programações rígidas.
A escola precisa
de uma cara nova.
Um ambiente de
natureza, de estímulo social e cultural, de uma ação mais livre
e mais vital. Não adianta pôr remendo novo em pano velho.
É o que dizia
Jesus. Coisa perfeitamente aplicável à necessidade de mudança na
Educação.
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