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Nossa
entrevista
do mês é com Divaldo Pereira Franco, médium conhecido
internacionalmente e conferencista. A entrevista foi transmitida
via Embratel pelo Canal 2, TV Educativa da Bahia.
P:
Divaldo, se o homem evolve de forma natural e gradativa, por que
a necessidade de evangelizar-se?
R:
Porque o processo sociológico e antropológico, do ser obedece
a uma lei natural, que vem a dar lugar ao fenômeno de ordem
biológica. A
evangelização é um impositivo de ordem natural, para que haja
a sua transformação e a sua evolução espiritual.
Sem a evangelização do homem, ele pode deter-se
demoradamente no fenômeno corriqueiro do materialismo,
preservando angústias, sem encontrar maiores fundamentos para a
sua felicidade. A
evangelização estabelece metas; proporciona-lhe o
desenvolvimento de valores que lhe jazem inatos; prepara-o para
enfrentar a problemática do cotidiano e, acima de tudo, arma-o
de muito amor para realizar o seu objetivo na vida.
P:
Sendo básica a reencarnação, na Doutrina Espírita, que
procura harmonizar-se com o Evangelho do Cristo, onde está,
neste Evangelho, a comprovação deste fato, como também a
comprovação do Espírito e da mediunidade?
R:
O Evangelho do Cristo é um poema de imortalidade.
A Sua própria vinda à Terra é o efeito natural e
inevitável de um grande fenômeno mediúnico.
Anunciado pelos profetas que O precederam, a Sua jornada
entre os homens se fez caracterizar por uma série de insólitos
fenômenos: comunicação de voz direta, aparecimento de seres
espirituais, profetismo e, a própria chegada dEle ao templo de
Salomão, para o compromisso da apresentação, fez-se por
intermédio de vários acontecimentos espirituais.
A
Sua vida messiânica é toda assinalada pelo intercâmbio dos
Espíritos e, mais tarde, depois que Ele morre, retorna, então
em corpo espiritual, trazendo, para cada criatura da Terra, a
certeza inamovível da sobrevivência do ser, após a disjunção
molecular. A
reencarnação, sem embargo, igualmente está demonstrada no
Evangelho. O diálogo
com Nicodemos, quando ele tem oportunidade de dizer, ipsis
verbis: “É
necessário nascer de novo, nascer da água e nascer do Espírito,
para entrar no Reino dos Céus...”
E, posteriormente, repetidas vezes, aconteceu em sua
conversa com os Apóstolos, como, por exemplo, naquele
determinado momento em que Ele indaga desses companheiros
queridos:
“
- Quem dizem os homens que eu sou?
E
eles responderam:
-
Uns afirmam que Tu és João Batista, outros dizem que és
Elias ou Jeremias, ou qualquer dos profetas que voltou.
Jesus
pergunta, então, diretamente a Pedro:
-
E tu, quem dizes que eu sou?
Pedro
redargüiu-lhe de forma comovedora:
-
Eu digo que Tu és o Filho de Deus, aquele a quem nós
esperamos!
E
Jesus lhe confirma de maneira ainda mais comovedora:
-
Simão, não foi a carne nem o sangue que te revelaram e,
sim, o Pai que está no Céu quem to revelou...
Temos
aí, a prova evidente da reencarnação, e isto porque, se Jesus
fosse um desses profetas antes referidos, seria naturalmente a
reencarnação de um deles... Quando Jesus também diz a Simão
Pedro que “não foi o sangue e nem a carne que lho
revelaram”, Ele afirmou um fenômeno mediúnico, contando que
foi o Pai quem falou pela boca de Simão Pedro, o que é um autêntico
fato medianímico. Mais
tarde, ainda, lhe perguntaram:
“-
Senhor, não era necessário que para vir o Messias, viesse
antes Elias?
Ele
assim esclareceu:
-É
verdade, e o Elias que deveria vir, já veio!”
Os
discípulos entenderam que Ele se referia a João Batista.
E era evidente que, para João Batista ser Elias, que se
encontrava morto, fazia vários séculos, estávamos diante do
fenômeno da reencarnação... Outras tantas informações
constantes do Evangelho confirmam plenamente a mediunidade e a
reencarnação.
P:
Divaldo, Deus já criou os Espíritos em número suficiente
para fazer face ao aumento populacional, ou os cria
incessantemente, à medida que nascem mais pessoas?
R:
Allan Kardec, o Codificador da Doutrina Espírita, filósofo e
cientista, extraordinário pedagogo, que ofereceu à cultura
universal uma obra memorável de Metodologia do Ensino,
estabeleceu que, “Deus cria os Espíritos simples e
ignorantes”. A população
universal é, obviamente infinita, pois que Deus sempre está
criando. Eis por
que, diante das metodologias em que se fala da necessidade de
limitar a procriação, dizendo que a Terra não possui recursos
para atender àqueles que nela se encontram, esbarramos com uma
realidade cósmica, que é a Sabedoria Divina.
Diariamente,
a misericórdia do Senhor está elaborando novas formas de vidas
e princípios anímicos que se irão transformar nas criaturas.
É, portanto, ilimitado o número de Espíritos para a
Terra e chegamos a acreditar, sem poder, entretanto, demonstrar,
cientificamente, que existem vinte e sete bilhões de Espíritos
que deverão, um dia, constituir a população do nosso planeta.
E Deus continua criando sempre...
P:
Muito tem-se discutido, a nível médico, a nível científico,
a nível psicológico e também à luz de todas as religiões, o
problema que cada vez aumenta mais, que é o do homossexualismo.
Agora, em nossos dias atuais, o comentário que é a
grande preocupação: a doença que se chama Aids e que é
considerada a “Peste Gay”.
Como o Espiritismo encara este problema?
R:
O Espiritismo nos ensina que o Espírito, em si mesmo, é
assexuado. Ele
realiza o seu processo de evolução, utilizando-se da
anatomofisiologia humana... Mergulha numa forma masculina ou
feminina, que deve respeitar, porque o corpo é o instrumento de
evolução para o progresso do ser espiritual.
A expressão sexual, oferece-lhe o ensejo de perpetuar a
espécie, por um ato de sabedoria e de misericórdia divinas.
O ato sexual é revestido de emoções, que partem das
sensações do instinto, até as empatias da própria
emotividade. Quando
o indivíduo realiza o seu processo evolutivo numa área, na
masculinidade ou na feminilidade, pode mergulhar numa outra,
para completar o seu mecanismo de aperfeiçoamento.
Na área da feminilidade, o Espírito dispõe do vasto
campo da maternidade, no qual se santifica, porque a maternidade
é uma alta honra conferida à mulher, que se torna co-criadora
junto à Divindade.
Não
obstante, o sexo através da História, tem sido fator de misérias
psicológicas, pelo abuso que o homem lhe impõe, como uma
necessidade do prazer, em detrimento da emoção, a espécie de
gozo pela sensação. Toda
vez que uma função é pervertida (é da Fisiologia), ela lhe
padece os efeitos naturais.
Toda vez que um órgão não é exercitado, ele se
atrofia. Quando nós,
através do nosso raciocínio, utilizamo-nos do sexo,
exclusivamente para os fenômenos promíscuos da degenerescência,
reencarnamos, em outra forma com determinadas mutilações
psicológicas ou fisiológicas.
O
homem, que vive só para as realizações sexuais e que delas
abusa, utilizando-se da feminilidade para perturbar e para
poluir o sentimento da criatura humana, retorna em corpo
feminino e com uma psicologia masculina, o que equivale dizer
que ele se utiliza de um corpo que corrompeu, mas, mantendo as
suas características ancestrais.
Da mesma forma, uma mulher que haja violentado os
sentimentos da dignidade humana e que tenha vivido para a
sensualidade, que haja corrompido outras vidas, adulterado,
reencarna em corpo masculino e com uma psicologia feminina.
Até
aí, é um fenômeno muito natural, porque sabemos
cientificamente que o ser transita em quatro expressões da
sexualidade: a) na chamada assexualidade, em que ele tem os
fatores fisiológicos, mas mantém-se em neutralidade sexual; b)
no homossexualismo, em que ele tem preferência pelo ser do seu
mesmo sexo; c) no heterossexualismo, em que as preferências são
pelos contrários; d) na bissexualidade, ou hermafroditismo, que
é uma degenerescência de ordem fisiológica, em que o indivíduo
tem caracteres anexos pertencentes a outro sexo, embora a sua
sexualidade seja definida de forma oposta.
O
abuso, o uso incorreto, no caso do homossexualismo, é que o
leva a assumir responsabilidades muito grandes.
Podemos dizer que, em qualquer uma dessas áreas da
sexualidade, nós temos um respeito, um critério, como temos
pelo estômago, pelos olhos, porque, de qualquer forma, o sexo
é um órgão que faz parte do santuário do corpo.
Quando nós corrompemos, pela alimentação, o estômago,
este se dilata. Quando
abusamos do álcool, temos a tendência natural da cirrose hepática.
Quando abusamos do cigarro, marchamos, inevitavelmente,
para o enfisema pulmonar. Assim
também, quando abusamos do sexo, corrompemos-lhe a função e
padecemos-lhe a injunção. A Aids, síndrome que vem apavorando o mundo, é o resultado
inevitável da promiscuidade sexual.
Não apenas entre os homossexuais, porque está
demonstrado que os heterossexuais também a contraem e se tornam
instrumentos de contágio para os seus parceiros.
É um fenômeno que nos vem convidar a acuradas reflexões.
Não
temos, no Espiritismo, nenhum preconceito contra esta ou aquela
função que aprouver ao indivíduo assumir.
Sempre consideramos que a ética é da responsabilidade
da consciência de cada um.
No entanto, da mesma forma que não estamos de acordo com
o adultério, nem com a corrupção dos costumes, no
heterossexualismo, não vemos por que permitir a vulgaridade do
homossexualismo e a característica de carregar as feridas do
comportamento psicológico, dando ensejo à instalação desta
virose, que vem convidar-nos a uma mudança de ética, como já
está acontecendo no mundo inteiro.
Tivemos
a oportunidade de ouvir pela NBC, de Nova York, um comentário
em que se dizia: “Nos Estados Unidos, como nas grandes nações
do mundo, primeiro o indivíduo assumia, para depois saber o
nome do parceiro. Agora,
não: a Aids obriga o indivíduo a pedir primeiro a carteira de
saúde do outro, para ver se assume ou não a
responsabilidade.” É que, chegando ao extremo da perversão
dos nossos sentimentos, pelo barateamento e pela vulgaridade
promíscua das nossas emoções, a Divindade nos permite uma
forma de reflexão, não como um freio ao exercício do sexo,
mas como um apelo ao exercício correto do ato sexual.
P:
De um modo geral, quando as pessoas analisam um conceito de
ciência, o seu pensamento está sempre voltado para o modelo físico,
químico, biológico. Na
pureza da Doutrina dos Espíritos, existe a comprovação científica?
R:
Tradicionalmente, considera-se ciência toda e qualquer doutrina
que tenha uma metodologia de investigação.
No ano de 1930, quando o psicólogo americano Joseph
Banks Rhine estabeleceu os princípios da Parapsicologia, ele
teve cuidado de dizer que ela era uma “ramo da Psicologia
Experimental, que estudava os fenômenos paranormais e
inusitados”. Allan
Kardec teve esta mesma preocupação: denominando a Doutrina Espírita
como ciência, ele estabeleceu uma metodologia de investigação,
utilizando-se da mediunidade.
A
mediunidade, a princípio,
se exteriorizava através da prancheta ou das mesas, de
uma pequena cesta à qual se amarrava um lápis, para que ela
escrevesse automaticamente.
Allan Kardec estabeleceu uma técnica para investigar os
fenômenos e conseguiu comprova-los, sem a mínima margem de dúvida
de que os chamados mortos vivem e de que eles se comunicam com
os homens!
William
Crookes, o extraordinário pai da Física Contemporânea, o
homem que descobriu o tálio, a matéria radiante, a quem se
deve os pródromos da Física Nuclear da atualidade, chegou a
dizer textualmente:
-
Eu era um materialista absoluto e, depois de investigar em
profundidade científica os fenômenos mediúnicos, eu afirmo
que eles já não são possíveis: eles são reais!
Também
nos recordamos de que César Lombroso, igualmente no século
XIX, depois de examinar a mediunidade de Eusápia Paladino,
disse estas palavras:
-
Quando me lembro de que eu e meus colegas zombávamos daqueles
que acreditavam no Espiritismo, coro de vergonha, porque hoje eu
também sou espírita! A
evidência dos fatos dobrou a minha convicção negativa.
E
ainda Cronwell Varley, o que lançou sobre o mundo as linhas da
telegrafia e da telefonia internacional, os cabos transoceânicos,
teve a coragem de dizer:
-
Somente negam os fenômenos espíritas, aqueles que não se
deram ao trabalho de os estudar.
Eu não conheço um só exemplo de alguém que os haja
estudado, que não se tenha rendido à sua evidência.
O
número de sábios e de cientistas que concluíram pela
realidade do fenômeno mediúnico, depois de examinar a Doutrina
Espírita, é muito expressivo, seja no século XIX, seja no século
XX. Neste momento,
é a ciência do psiquismo, especialmente a Psiquiatria, através
dos seus maiores representantes, como os Drs. Morris e Netkerton,
de San Diego, na Califórnia, que, fazendo a terapia das vidas
pregressas, demonstra que o indivíduo viveu ontem e que várias
patologias psiquiátricas do momento somente são explicáveis
através da reencarnação.
A
psicóloga Dra. Edite Fiori, depois de testar a “regressão de
memória” por mais de cinco anos, escreveu uma série de
livros, comprovando-lhe a legitimidade. Ao mesmo tempo, outros investigadores, na área dos fenômenos
psicológicos, psiquiátricos e psicanalíticos, vêm
confirmando esta realidade.
Hoje, através do extraordinário médium Francisco Cândido
Xavier, já tivemos ocasião de ver surgirem duas jurisprudências.
A primeira quando um rapaz considerado assassino da própria
esposa, na cidade de Campo Grande-MS, foi absolvido porque a
defesa apresentou uma mensagem que Chico Xavier recebeu da
desencarnada, narrando exatamente as circunstâncias da sua
morte e inocentando o marido.
Anteriormente, também, uma mensagem enviada por jovem,
do bairro de Campinas, em Goiânia, que fora vítima da chamada
“roleta russa”, numa brincadeira com um colega, quando a
bala detonou, matando-o, e que, repetimos, retornou através de
uma mensagem psicografada por Chico Xavier, declarando a inocência
do seu amigo. A
mensagem apresentou tão ricos detalhes de como ocorrera o fato,
que o Juiz, em primeira instância, absolveu o rapaz e, quando o
processo subiu à instância superior, o rapaz foi novamente
absolvido. Isso é
uma prova evidente da legitimidade do fenômeno espírita e,
particularmente, do intercâmbio entre os chamados vivos e os
chamados mortos.
P:
Divaldo, outro problema muito discutido neste nosso final de século
é o controle da natalidade... Como conciliar a Doutrina Espírita
e o controle da natalidade?
R:
A Divindade nos permite o conhecimento, para que dele nos
utilizemos com objetivos para o progresso.
“O Controle da Natalidade”, desde que seja feito
dentro das linhas da ética moral é perfeitamente válido,
porque, afinal, a mulher não é apenas uma máquina de ter
filhos. Se o matrimônio pode manter uma vasta prole, é justo que
conceda esta oportunidade à reencarnação.
Mas, desde que a Ciência nos dá os anovulatórios, os
contraceptivos e até mesmo algum artifício para poder-se
impedir a fecundação, estamos diante de uma receita
perfeitamente moral e legal.
Às
vezes, nos perguntamos até onde a aplicação do DIU é válida.
E isto, porque, na área da Ginecologia, há um estudo
profundo para debater se ele é ou não abortivo.
Se não é abortivo, é um instrumento perfeitamente
moral para ser aplicado à mulher, buscando evitar-lhe a fecundação.
No entanto, a fecundação, quando se dá naturalmente,
deve ser respeitada e levada adiante.
O aborto nunca!
Em
uma única ocasião, damos validade à interferência abortiva:
quando a vida da parturiente esteja em perigo.
Aí, nesse caso, então, é mais válido interromper a
vida do feto, que está em formação, do que pôr em risco a
vida da mãe, que afinal já está realizada.
Nos outros casos, para nós, o aborto é um crime, pelo
qual a consciência de cada um responderá à Consciência
Divina. A
“planificação da família” é válida para nós e pode ser
feita, dentro, naturalmente, dos princípios morais e
educacionais.
P:
Como são encarados pelo Espiritismo os grandes profetas não
citados na Bíblia, como Nostradamus?
R:
Nós consideramos todos os grandes homens que vieram contribuir
para o progresso da Humanidade, mensageiros de Deus.
Nostradamus revelou-se numa personalidade privilegiada,
na área da paranormalidade.
Ele estabeleceu, nas centúrias, uma visão profética
dos acontecimentos do futuro, ensejando uma visão cósmica do
que se encontrava estabelecido pelas divinas leis.
Mas, também vemos em Julio Verne, um extraordinário
profeta dos tempos contemporâneos, que chegou a estabelecer em
Cabo Canaveral, nos Estados Unidos, hoje Cabo Kennedy, o lugar
ideal para projetos espaciais.
Pôde mesmo desenhar como seriam as bólides espaciais,
que deveriam sair da Terra.
Nessa
extensão imensa de profetas, não podemos esquecer Abdul Bahá-L,
que foi o insigne discípulo de Bahá.u.lláh, que deixou, para
a Humanidade, essa Doutrina maravilhosa que é a Doutrina dos
Bahaístas. Isso,
porque, Deus, para nós, não está restrito ao limite de uma
doutrina religiosa única!
Sendo a Causa Cáusica do Universo, o Seu amor se expande
por toda parte e é perfeitamente justo que os Seus profetas se
manifestem em todo lugar, desde os bíblicos, reconhecidos pela
tradição judaico-cristã, àqueles que os precederam: Krishna,
Fo-Hi, Lao-Tseu, Hermes Trimegisto, Confúcio, como sendo
basilares na economia psicológica e religiosa da Humanidade,
tal Sakia-Muni, o Buda, como embaixadores do Cristo, para
prepararem o reino de amor que Jesus, Só Ele, veio de lançar
os alicerces básicos, tornando-se um mártir do idealismo, da
solidariedade humana, para, então, podermos aprender a servir e
a viver, seguindo-lhe as pegadas.
P:
Divaldo, como explicar: ventura ou desventura de um Espírito,
na sua primeira reencarnação?
R:
Deus cria os Espíritos, sem nenhuma mácula, “simples e
ignorantes”, disse Allan Kardec.
Nesse estágio inicial, o seu livre-arbítrio elege a
forma pela qual deseja evoluir.
Ele pode realizar a sua jornada de maneira segura e
direta, e pode realiza-la através da incursão em experiências
que lhe trarão naturalmente as conseqüências.
Nos primeiros períodos da encarnação e das primeiras
reencarnações, o Espírito somente tem venturas.
Desarmado de maiores sentimentos e ignorando o lado
positivo e negativo da vida, ele é simples, e portanto destituído
de maiores ideais. Ele
não tem os sofrimentos que lhe edificam a personalidade
idealista ou a personalidade marcada pelas frustrações.
Mas, à medida que o seu livre-arbítrio vai elegendo a
forma de progredir, ele vai gerando o carma, palavra sânscrita,
que significa lei de causa e efeito, correspondente, na Física,
a este mesmo princípio – “Todo efeito provém de uma
causa”, que Allan Kardec completaria logo: “Todo efeito
inteligente, provém de uma causa inteligente”.
Assim, no princípio, são todos inocentes, sem experiências
e sem carma. As
dores e os júbilos vêm depois das conquistas positivas ou
negativas realizadas pelo ser.
P:
Na Rússia de hoje, totalmente materialista, o Dr. Kyrlian
comprova a existência da aura, cujo processo já está sendo
usado no diagnóstico da Medicina Preventiva.
Profundamente, muito pouco sabemos a respeito da aura
humana e as suas influências no psiquismo humano.
Fale-nos, Divaldo, sobre esta problemática amplamente
estudada pela Doutrina Espírita.
R:
Foi no ano de 1949, em Almanta, perto do Centro Espacial de
Baikanor, na Rússia, que o engenheiro elétrico Dr. Davidovitch
e a sua esposa, Dra. Valentina Kyrlian, começaram as experiências
da efluviografia. Eles
observaram que, no filme de alta sensibilidade, virgem,
colocando o seu dedo, ele absorvia determinada radiação que
era invisível a olho nu. Isso
provocou no casal Kyrlian, um momento de suspense... Examinado
esses efeitos, eles chegaram à conclusão de que os estados
emocionais influíam nessa radiação, que foi estudada até
1965, com muita sinceridade, pelos parapsicólogos russos. Por fim, esse efeito passou a ser chamado efeito Kyrlian, que
nada mais é que o efeito da antiga aura – para alguns
estudiosos, enquanto para outros não – conhecida pelos egípcios,
desde mais de dois mil anos antes de Cristo, do chamado corpo
astral do Ka, do perispírito, ou das forças que envolvem a
alma humana. As
experiências do Dr. Davidovitch e da Dra. Valentina Kyrlian
foram contestadas demoradamente.
Isso, até que cientistas atômicos, ao lado de biofísicos,
chegaram à conclusão de que aquela exteriorização era
resultado de um fenômeno biológico, afirmando que aquela
irradiação era um bioplasma, uma energia orgânica, que se
irradiava de todos os seres vivos, como também de alguns seres
chamados inanimados. Ela
foi aplicada para detectar determinados problemas de
comportamento, porque há nela uma variação de cor e de
intensidade, de acordo com os estados emocionais e patológicos
das criaturas.
Uma
pesquisadora americana, a Dra. Thelma Moss, da Universidade da
Califórnia, resolveu levar as experiências Kyrlian mais
adiante e, ao invés de fazer a fotografia tradicional, ela
filmou, dando movimento a várias experiências e constatou que
se podem detectar enfermidades orgânicas, antes que elas se
apresentem no corpo físico, porque o homem não é uma
realidade unitária: é um ser constituído de três elementos
– o Espírito, que é a realidade eterna, o perispírito, ou
seja, a forma que dá à matéria a sua manifestação biológica,
e a própria matéria. Esta
radiação viria do perispírito, ou do corpo de plasma biológico.
As doenças, primeiro se dão no campo psíquico ou no
campo da psicoforma, no campo do plasma biológico, para depois
chegarem ao campo físico.
Afirmam
então, hoje, os estudiosos dos fenômenos Kyrlian, que,
fazendo-se uma Kyrliangrafia do indivíduo, em profundidade,
pode-se detectar um câncer que esteja em formação no seu
campo astral, antes que ele se manifeste no campo físico,
podendo-se fazer uma terapêutica preventiva.
Isto, aliás, já ocorre nos Centros Espíritas, com a
terapêutica fluídica, a aplicação de passes, de revitalização
das forças e da energia do perispírito, a
magnetização da água, tão recomendada por
Jesus, o toque curador que Ele também fazia, e que a Câmara
Kyrlian veio confirmar, em toda a sua legitimidade científica.
P:
Divaldo, muito assustam e muito despertam curiosidade nas
pessoas, os objetos não identificados, ou discos voadores, que
aparecem. O
Espiritismo se preocupa também com este problema e se aprofunda
neste estudo?
R:
Não! O Espiritismo não se preocupa com eles e estabelece,
mais: que as áreas do conhecimento científico devem ser
examinadas pela Ciência. À
Astronomia, à Cibernética e aos cientistas desta área, cabe a
tarefa de realizar as pesquisas e o controle, conforme se
assevera largamente que vem sendo feito pela NASA e pelos
astronautas soviéticos. Mas a realidade é que Jesus já se referira a eles... Quando
lemos o Evangelho, encontramos, por exemplo, em João, capítulo
14, versículo 1, a afirmativa de Jesus: - “Na Casa de meu Pai
há muitas moradas...” Essas
“muitas moradas na Casa do Pai” são os mundos que gravitam
em nossa Via-láctea, nos Universos imensos, nas galáxias que
constituem o nosso Cosmo Infinito.
Ora, é natural que, se partindo de uma premissa de ordem
matemática, se a vida na Terra começou há cerca de um bilhão
de anos, na formação das primeiras moléculas, consideremos
que, num outro planeta, seja do nosso sistema ou fora dele, a
vida haja começado há mais de um bilhão de anos.
Sabemos matematicamente que o progresso se multiplica por
si mesmo. É então
inevitável que eles, os seres daquele planeta, estejam muito
mais evoluídos do que nós, logrando já o que ainda não
conseguimos, como, por exemplo, movimentar-se com a velocidade
da luz. Nós, os
habitantes da Terra, já ultrapassamos a barreira do som, já
detectamos os chamados “buracos negros”, já estamos
penetrando na quarta dimensão, já podemos até conceber que
haja o símile no lado negativo de todas as coisas positivas.
Então, aqueles cientistas de outras dimensões, devem
ter ultrapassado aquilo que pára nós é limite e, como nos
interessa saber se há vida noutros planetas, freqüentemente as
grandes nações estão mandando bólides para lá. Mandaram uma nave espacial que saiu do nosso sistema e já
ultrapassou plutão, desde julho de 1984, e ainda está viajando
pelo Universo, levando uma mensagem inteligente da Terra.
Nós acreditamos perfeitamente que, aqueles que a tanto já
lograram, estejam nos visitando.
Assim, acreditamos na presença dos objetos
desconhecidos, dos discos voadores ou, como se queira
determinar, uma realidade científica sendo comprovada.
P:
Como a Doutrina Espírita vê a Astrologia?
Há fundamento na influência dos astros, no destino dos
homens?
R:
Nós respeitamos os estudos astrológicos, principalmente agora,
na era do computador. No
entanto Allan Kardec fez uma pergunta equivalente aos Espíritos
e eles disseram que, à sua época, a Astrologia era uma
superstição que ganhava cidadania.
Nós sabemos que, dentro do nosso zimbório celestial e
da conjunção dos astros, aqueles que nasceram sob esta ou
aquela ação magnética por eles emanada podem sofrer
determinadas influências na personalidade, no comportamento,
mas não no destino... O nosso destino é estabelecido pelos
nossos atos anteriores. E
isto porque, alguém que nascesse fortuitamente dentro de uma
conjunção astrológica benéfica, estaria ludibriando as Leis
Divinas. Poderia
ter sido um bandido, um delinqüente qualquer, na encarnação
passada, e, por uma injunção casual, renasce agora dentro de
um bom aspecto planetário e iria gozar, então, de uma
felicidade que o justo não tem. Isto seria desequilíbrio da Grande Lei. No entanto, não nos arvoramos em combater nada, pois a nossa
tarefa essencial é a de esclarecer e jamais agredir...
P:
Para nós, a mediunidade é hoje “a doença do século”.
Como você explica o grande surto de desenvolvimento da
mediunidade, entre todas as camadas sociais e qual o papel do
Espiritismo neste fato?
R:
Eu pediria licença para dizer que a obsessão, sim, é a doença
do século. A mediunidade é uma faculdade psicofísica que é normal em
quase todas as criaturas. É
uma percepção à qual Charles Richet cognominou de “sexto
sentido”. Ela sempre esteve presente na História da Humanidade, desde
as épocas mais recuadas. O
surto de aparecimento dos fenômenos mediúnicos é o efeito
natural da maior incidência dos Espíritos sobre os homens.
Allan Kardec disse que o maior adversário da mediunidade
é a obsessão, porque, não estando educado o indivíduo, a
obsessão é a constrição exercida por um Espírito sobre
outro encarnado ou não, produzindo-lhe mal-estar.
A
grande terapêutica para este mal, que hoje dizima milhões de
criaturas, em estado de psicopatologia degenerativa com desequilíbrio
da personalidade e da própria vida mental, a grande terapêutica
– repetimos – é a educação da mediunidade.
É a direção moral que o Espiritismo oferece ao homem,
para que ele, se elevando na ordem psíquica, moral e emocional,
passe a sintonizar com os Espíritos elevados, de cujo conúbio
advirão sensações agradáveis e mútuo bem-estar.
A
mediunidade esteve presente em Francisco de Assis, mas também
esteve presente nos elementos mais aberrantes da Humanidade.
Numa obra publicada na Alemanha de após-guerra,
revela-se que Adolf Hitler era portador de uma mediunidade que
ele exercera no Grupo Tullis, entre 1914-1918, em Berlim.
Ele se acreditava fadado pela Divindade a ser chibata
sobre a qual Deus exerceria um controle, fazendo que ela caísse
no dorso da Humanidade. A
mediunidade, portanto, pode ter estados de patologias muito
graves, por descontrole do indivíduo, e pode abrir campo para
uma Tereza Dávila, para uma extraordinária Rita de Cássia,
uma Gemma Galgani ou tantas outras personalidades, que na História
conseguiram atrair o pensamento universal, pela síntese do amor
e no intercâmbio com os Espíritos elevados.
A mediunidade, hoje tão conhecida e ainda tão pouco
compreendida, encontra-se muito bem descrita nos Atos dos Apóstolos,
numa carta de Paulo, quando ele fala dos dons e dos carismas (
“uns vêem, outros ouvem, outros falam, outros profetizam,
outros curam”). Os
dons referidos pelo Apóstolo Paulo e os carismas são a
mediunidade.
Nota:
No final da entrevista, os apresentadores entregaram a
palavra ao médium baiano para as suas considerações finais,
que acrescentou ainda:
-
Nós agradecemos a oportunidade que nos oferecem e,
complementando a nossa fala, diremos: O homem, que descobriu as
estrelas, ainda não se descobriu a si mesmo.
Fez uma larga viagem para o exterior, mas não teve a
coragem de retornar ao seu mundo íntimo, para saber quem é,
donde veio e para onde vai.
Permanece a grande incógnita que mereceu de Sófocles,
nos recuados dias da antiguidade ocidental, a tragédia de Édipo,
na qual ele pretende estabelecer um biótipo humano para
decifrar a esfinge, porque o enigma do comportamento humano
sempre aturdiu a própria criatura.
Quando
nasceu, a Filosofia, foi para oferecer uma ética comportamental
à criatura e dar-lhe uma diretriz de felicidade.
As religiões, por sua vez, vieram trazer a noção de
Deus, apresentando um outro caminho, uma metodologia, para o
homem encontrar a própria paz.
A Ciência, a seu turno, veio interpretar os enigmas que
traziam ao homem a desdita e o infortúnio.
Mas, este homem, que é o conquistador das estrelas,
lamentavelmente caminha, na Terra, sobre os cadáveres das suas
emoções esfaceladas. Ele, que sonha com outros mundos habitados, nega um pedaço
de pão na via pública. Ele,
que é capaz de dar a sua vida, num momento de martírio e
entusiasmo, para salvar outras vidas, mata por agressão, nas
grandes metrópoles, como também no campo, na pequena urbe do
interior...
Tudo
isto podemos sintetizar no pensamento de um filósofo inglês,
que, no século XIX, disse: “O homem moderno perdeu o endereço
de Deus.” Thomas Hart, ao falar deste pensamento pessimista,
estabeleceu uma premissa de verdade. A Ciência, com todas as suas glórias, não pode dar tranqüilidade
ao coração. Nós
nos lembramos de que, por volta de 1915, na Academia Francesa de
Letras, levantou-se Challemel Lacour e, cheio de entusiasmo
materialista, disse: - “Ciência e Razão, estes são os meus
deuses!” Mas,
quinze anos depois, Francis Chalmers, ali mesmo substituto de
Berthelot, dizia com emotividade: - “Eu não conheço um só
exemplo de que a Ciência haja enxugado uma lágrima nascida do
coração: as lágrimas da saudade, da dor selvagem que, às
vezes nos toma, diante de um ser querido que parte devorado pela
morte ou pela ingratidão ou ainda da perda de um afeto que nos
rompe em um momento qualquer de desequilíbrio”.
É que a inteligência, dirigida apenas para uma
finalidade pode ser uma grande ajuda para o homem, mas, somente
quando o sentimento de amor o dirige para esta mesma finalidade
é que ele teria as duas asas para voar, para singrar o
Infinito.
Neste
momento de tantos paradoxos, de glórias e de misérias(porque
nunca houve tanto poder como hoje e nem tanta miséria como
agora), as ruas do mundo estão repletas de mendicância e, pior
ainda, de orfandade. O
Brasil tem vinte e cinco milhões de crianças carentes, que
vivem dominadas pela miséria sócio-moral, sócio-econômica, sócio-psicológica,
mas, acima de tudo, pela falta de amor!
Olhamos nossos filhos na intimidade do lar, com momentos
de alta emotividade e lembramos dessas avezitas que transitam
pelas ruas, ao abandono, sem o mínimo de respeito humano, e
atiramos a pedrada da desconsideração...Por que?
Porque nos falta Deus, no íntimo da nossa alma!
Ainda,
quando do eclodir da II Guerra Mundial, as potências que se
mobilizaram eram religiosas.
A Alemanha hitlerista era luterana, a Inglaterra era
anglicana e a França era católica. A bomba atômica que explodiu sobre Hiroshima e a outra que
caiu sobre Nagasaki partiram de uma nação profundamente
religiosa. Nenhuma
crítica de nossa parte, porque compreendemos que a guerra ainda
é um fenômeno natural do processo sociológico da criatura
humana(mais instinto que razão).
É que ainda não colocamos Deus em nosso coração.
Na hora em que insculpirmos Deus, amor, respeito pelo
nosso próximo e colocarmos Jesus, este homem ímpar que
preferiu perder a vida a acusar, este homem que nos veio ensinar
a técnica da felicidade, mostrando que ditoso é aquele que dá,
pois há mais felicidade em dar do que em receber, nesta hora
então, nos sentiremos realmente felizes!
Veremos
o adversário como o irmão que enlouqueceu.
Veremos o criminoso como alguém que está doente,
enlouquecido! Veremos também aquele que está em desespero e agonia, como
a nossa oportunidade de fazer o bem... E, então, os dons da
fortuna amealhada em moedas ou da fortuna do amor, que é mais
importante entre nós, a fortuna da ternura, a fortuna da
solidariedade, este sentimento que nos difere dos animais e que
é a razão do descer subindo, estendendo a mão amiga para
erguer. Nesta hora,
teremos encontrado a nossa grande felicidade!
Nem tudo, entretanto, é tão pessimista: há muita
beleza hoje, na Terra; quando vemos, por exemplo, a juventude
procurando um lugar ao Sol! Quando vemos a mulher afirmando-se através dos direitos que
lhe foram negados e que hoje ela consegue impor, porque, em
realidade, a única diferença é a anatômica, as diferenças
de ordem emocional dão às vezes à mulher uma posição de
maior relevo; nesta hora, em que vemos os direitos humanos
respeitados, podemos dizer que a Humanidade deu um grande passo.
Nos Organismos Internacionais da paz, da anistia, dos
direitos humanos, da Cruz Vermelha Internacional, da Organização
Mundial de Saúde, no Rotary Club, no Lions Club, na Maçonaria
e em outras tantas organizações benéficas, vemos já os pródromos
do amor, cantando o hino da solidariedade humana! ... E como
poderíamos esquecer o extraordinário Mahatma Ghandi, que estabeleceu
toda a sua filosofia neste princípio: “Se um único homem
atingir a mais elevada qualidade de amor, isto será suficiente
para neutralizar o ódio de milhões.” E ele amou tanto, que
neutralizou o ódio de milhões, libertando seiscentos milhões
de indianos do tacão do Império Britânico.
E porque ele acreditava na não-violência, deu a sua própria
vida em holocausto!
A
nossa mensagem final é uma mensagem de amor.
Vale a pena amar, mesmo quando não se é amado... Vale a
pena ser não-violento, diante de tanta violência.
O algodão da não-violência pára o projétil da violência
arrasadora e destrutiva. Quando pudermos ver em nosso próximo o que gostaríamos que
ele fosse conosco, assim como nos ensinou Jesus, teremos alcançado
o clímax da nossa vida. Então,
todos nós seremos chamados para esse momento de amor e
poderemos dizer assim:
Senhor!
Eu gostaria de servir,
Gostaria de dar o meu contributo
em favor de um mundo melhor.
Gostaria de ser grande e nobre,
para que a dor batesse em retirada da Terra.
Eu gostaria de ser como uma Via-láctea de estrelas,
Para que as noites da Terra fossem mais belas!
Mas ante a minha pequenez, Senhor?!
Não podendo, então ser uma Via-láctea,
deixa-me ser um pirilampo na noite escura,
Iluminando
a amargura
de quem vive na escuridão.
Eu
queria ser como a chuva generosa,
que caísse
sobre a terra porosa
e
reverdecesse o chão.
Mas, se eu
não o conseguir,
eu te venho
pedir
para ser o
copo de água fria,
matando a sede, a agonia,
de alguém
que está na desesperação.
Eu
queria ser como um jardim de flores
de todas as cores,
para embelezar a Terra,
mas, na pobreza que minha alma encerra,
se eu não puder ser um jardim,
deixa-me ser uma flor solitária
na rocha colocada,
para dar beleza
e dignificar a natureza.
Eu
queria ser um trigal maduro,
para
repletar a mesa
da
Humanidade com o pão!
Mas se eu não
o puder,
aqui estou a rogar
para ser um
grão
que, caído
no chão,
se
transforme num milhão
e atenda à
fome inteira da multidão!
Senhor!
Eu gostaria de ser a montanha altaneira,
donde se tivesse a visão da Terra inteira,
mas, como nunca o hei de conseguir,
aqui estou a pedir
para ser uma pedra
pavimentando o caminho por onde seguem os heróis,
ou uma escada
para ajudar a subida dos homens.
Mas, se eu não o lograr,
deixa-me ser o primeiro degrau ...
Eu
queria, sim
ser poeta,
orador,
esteta,
artista,
prosador,
para cantar
a magia,
a poesia,
a beleza da
Tua Mensagem
de eterna
pujança!
Mas, como
me faltam o estro,
a palavra,
a tinta,
a empatia,
deixa-me,
Senhor,
ficar à
sombra de uma árvore
no caminho,
para quando
passe alguém
de
mansinho,
eu lhe
diga:
- “Olá,
meu amigo!”
E ele,
olhando-me,
Possa
perguntar quem sou
E eu lhe
responder, tranqüilo: “Sou teu irmão.
Dá-me tua
mão.
Irei contigo...”
Ó
Senhor!
Muito obrigado,
porque nasci,
porque creio em Ti.
Muito obrigado!
Fonte:
O Peregrino do Senhor
Altiva
Glória F. Noronha
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