O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 
Título :
Entrevista com Décio Iandoli Jr.

Entrevistado:
Décio Iandoli

Fonte:
AME Brasil

ENTREVISTAS

      

Professor Titular da cadeira de Fisiologia da Universidade Santa Cecília, Professor Adjunto da Cadeira de Técnica Cirúrgica da Faculdade de Ciências Médicas, ambas de Santos, o dr. Décio Iandoli Jr, um dos diretores da Associação Médico-Espírita da Baixada Santista, participou do Mednesp2001, apresentando o tema Fisiologia Transdimensional, título de seu primeiro livro, lançado no mesmo evento (Ed.FE). Nele, mostra que o Espiritismo, enquanto ciência, filosofia e religião, não nega nenhum dos conhecimentos já estabelecidos pelo trabalho de séculos de pesquisas, mas dá fôlego novo à ciência ortodoxa, jogando luz sobre pontos obscuros do conhecimento humano. Nesta entrevista, Iandoli aborda algumas idéias de seu livro:

P: - A eficácia da acupuntura, homeopatia e terapias fluídicas, em geral, vêm indicando que há no homem energias sutis, ainda não detectadas pela tecnologia vigente. Como entender esse homem radiante?
R: - Cremos que o simples fato de admitirmos a existência de componentes energéticos não mensuráveis no ser humano, conduz à Fisiologia Transdimensional, uma vez que passamos a estudar a porção do homem que existe em uma dimensão diferente da explorada até agora. Cabe a esse ramo da fisiologia estabelecer os sistemas e mecanismos que relacionam o homem físico e o homem etérico.

Com esse estudo, daremos mais um passo na direção da causa primária de todas as doenças e aflições do homem: os desvios morais ou doenças da alma.

P: - Cientificamente, qual o ponto de partida para estudarmos essas energias sutis?
R: - O modelo científico que uso no meu livro é chamado de modelo Tiller-Einstein do espaço/tempo positivo-negativo, descritos no livro Medicina Vibracional, do Dr. Richard Gerber. Nesse modelo, o Dr. William Tiller, da Universidade de Stanford (EUA), utilizou a fórmula de Einstein (E=m.c2) acrescida de uma constante de proporcionalidade (equação de Einstein-Lorentz)

Fisicamente, uma partícula acelerada à velocidade da luz gasta uma energia exponencialmente maior até que, em certo ponto, o aumento de sua velocidade necessita de uma energia absurdamente intensa (Fig. 2). Quando se inserem números maiores que o da velocidade da luz na reação de Einstein-Lorentz, chegamos a soluções com raiz quadrada de números negativos, que não eram classificados como válidos pela matemática. Ainda no livro Medicina Vibracional, o Dr. Gerber divulga as idéias do Dr. Charles Muses, um matemático que partiu do postulado de que esses números são válidos, e deu a eles o nome de hipernúmeros, ou seja, da mesma maneira que a matemática convencionou a não-existência de raízes de números negativos, o Dr. Muses convencionou considerá-los verdadeiros e passou a estudá-los, gerando soluções para equações da física quântica e do eletromagnetismo.

Os hipernúmeros traduzem efeitos de energias com velocidades superiores às da luz. A partir do postulado do Dr. Muses, o Dr. Tiller elaborou um gráfico analisando este modelo matemático, no qual obteve duas curvas, representadas por uma imagem em espelho (Fig. 3) A matéria com velocidades inferiores à da luz, o Dr. Tiller chamou de espaço-tempo positivo. Seria a matéria do universo físico. A matéria cujas partículas viajam a uma velocidade maior que a da luz, ele chamou espaço-tempo negativo, que comporiam a dimensão espiritual ou etérica. Com o auxílio desse modelo, podemos compreender melhor os vários envoltórios sutis do espírito: corpo mental, perispírito, corpo causal, duplo etérico. Nestes, a matéria expressaria uma dimensão desse espaço-tempo negativo.

P: - Qual seria o limite entre a matéria física e a de natureza etérica ou sutil?
R: - A interface é a linha, é a fronteira entre a dimensão física e a etérica. Tudo que estiver compondo essa barreira, essa fronteira, faz parte da interface. Ao conjunto formado pelo duplo-etérico e seus canais de energia (chacras e nadis), meridianos acupunturais, sistema nervoso e também sistema endócrino, chamamos de interface físico-etérica, ou seja, a ponte transdimensional que ancora o verdadeiro Eu ao seu corpo físico provisório, agindo como um canal de comunicação de energias nos dois sentidos.

Como já possuímos muitas informações sobre o lado físico dessa interface e sua alta complexidade, e como sabemos que essa é a porção descartável do ser, concluímos que o conhecimento da verdadeira e permanente fisiologia será encontrado com o estudo do perispírito, sendo o primeiro passo, o estudo do duplo etérico.

"SÓ A CIRURGIA MORAL NOS FACULTARÁ A SAÚDE COMPLETA"

P: - A Medicina ortodoxa merece todo o nosso respeito e mesmo a nossa veneração, por toda luta que vem desenvolvendo para aliviar a dor humana, mas quando chegará à cura verdadeira?
R: - Quando chegar à causa primária. Terapêuticas que agem sobre o organismo físico estão mais relacionadas ao tratamento meramente sintomático; aliviam os efeitos, sem intervir na causa. As terapias que buscam a restauração dos fluxos energéticos estão mais próximas da medicina preventiva; esta não age na porção material do homem, mas na Alma.

Cirurgia, alopatia, homeopatia, acupuntura, cromoterapia, água fluidificada e passe, são formas de auxílio que agem em diversos pontos da porção material do homem, seja esta espaço-tempo positivo ou negativo; mas a cura verdadeira somente ocorrerá quando deixar de existir a causa primária do distúrbio, ou seja, com a correção das patologias da Alma.

É o indivíduo, portanto, que promove a sua própria cura. Isto abala a onipotência do médico, mas precisa ser discutido. Nós médicos, saímos da faculdade achando que somos capazes de curar as outras pessoas. Isso não é verdade.

P: - Qual seria, então, o papel do médico?
R: - Ele auxilia o doente a autocurar-se. As terapias são indicadas de acordo com o distúrbio apresentado , mas, na verdade, são de obstrução, pois as doenças são manifestações de nossas energias deletéreas. Quando a pessoa não apresenta mais os sintomas, se tiver a chance de se reequilibrar e de promover sua autocura, ótimo, se não tiver, aquela energia vai se manifestar novamente, ou como recidiva ou como outra doença, em outro local. Tomemos como exemplo o câncer gástrico, uma vez feita a gastrectomia total, pode haver ou não metástase; se houver, isto quer dizer que a causa primária não foi extinta.

P: - Mas, aí, não está em jogo toda a formação do médico?
R: - Não há dúvida. Somos formados de uma forma errada: tentamos combater a morte, sem entender que ela faz parte do processo natural da vida, e não representa o fim; tentamos salvar e curar as pessoas, quando, na realidade, o papel do médico é o de confortar, auxiliar a autocura e minimizar o sofrimento. Talvez a reforma mais importante que devamos promover é a da formação do médico, que deve ser muito mais humanística, com visão integral do ser humano, de modo a considerar a alma nos diagnósticos, já que é nela que está a chave de todo processo mórbido. Chegará o momento em que todos compreenderemos que só o Evangelho nos levará em direção à verdadeira cura, só a cirurgia moral nos facultará a saúde completa, e só o amor nos possibilitará a felicidade eterna.